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quinta-feira, setembro 30, 2004

Droga (2)

Pois é.

Dê-se mais tempo de antena ao Vaz Serra e a outros que tal.

Perca-se menos tempo com a contemplação basbaque de números e estatísticas.

Seja-se radical.

Vá-se às raízes.

A não ser que não se possa.

Ou não queira.

Como dizia o outro: follow the money.

Droga

O consumo da droga (termo reduzido para o caso às substâncias consideradas ilegais) aumentou em Portugal.

Claro.

O que é que se esperava?

Esta é também uma boa oportunidade para ver a quem é que aproveita as campanhas 'anti-droga'.

Lembra-se dos cartazes "Droga! Loucura! Morte!"?

Talvez não.

Foram colados e pendurados nas avenidas em 1973.

Há 31 anos.

Isto não vai lá com propaganda.

Aliás, não sei se tem (se pode; se se quer) ir lá.

PS - Quando é que se faz um relatório sobre as drogas legais? Os lorenin, os lexotan, os valium,... O País apareceria razoavelmente drunfado, stoned, em suma: quimizado. E surge a questão: Porquê? Por que se passa a vida entre estimulantes e tranquilizantes? Entre speeds e drunfos? Sempre a correr atrás da performance ou a fugir do infortúnio.

China

O Império do Meio deu um Grande Salto em Frente.

Já chegou aos tempos do Charles Dickens e do Friedrich Engels.

Ainda vai ter um movimento marxista.

Quem é que adaptará o best-seller do Engels e o reescreverá com o título de A Situação da Classe Trabalhadora na China?

Pois, é lá longe

UNICEF calls for better enforcement against child traffickers in South Asia.

quarta-feira, setembro 29, 2004

Efeito do mau tempo

Jimmy Carter fala de irregularidades na Florida.

Tara social ou lógica sistémica?

Onde está o dinheiro obtido com a escravização de seres humanos?

Haverá engano em incluir aqui respeitáveis empresas, cotadas, auditadas, que financiam acções de solidariedade social, que promovem a responsabilidade social, mas, por exemplo, disponibilizam o acesso a filmes porno, a par de outros da Disney?

Como se sabe, as actrizes destes filmes só fazem estes filmes. Mais nada. O seu passado é normal, tal como o seu futuro, mero prolongamento de um presente banal, corriqueiro, voluntário.

Claro que os realizadores também só realizam estes filmes. Soft. Tolerados pela virtude judaico-cristã ocidental desde que tenham a 'bolinha'. Não há outros. Honni soît, qui mal y pense! Filmar violações? Sadismo? Sexo com animais? Com crianças? Até à morte? Apenas temas de script cinematográfico.

Claro que também é normal a proliferação das casas de alterne, ou de red light districts mesmo que com outras cores e menos exposição e exuberância. Satisfaz a necessidade de quem se oferece, de quem promove, de quem procura. Até anima a economia: o que por aí vai de recuperação imobiliária, consumo de produtos alimentares, higiénicos, tabaco, música, bilhetes de viagem, patrocínio do desporto local, para fomentar a saúde e evitar quedas na marginalidade, ... A chatice está nas importações de . Reduzem o excedente comercial (ou agravam o défice).

Por que será que o Departamento de Estado norte-americano teima em fazer estes relatórios sobre um tema que afecta - como sempre (questão de valentia ou de estrutura) - os mais fracos, como as mulheres e as crianças?

terça-feira, setembro 28, 2004

Lorenz

Perante o que sabemos, deduzimos, ignoramos mas adivinhamos, não deveríamos dedicar mais tempo à etologia e a Konrad Lorenz do que à sociologia, psicologia, direito, economia, arquitectura e tutti quanti?

segunda-feira, setembro 27, 2004

Paul David Hewson

O The Guardian fez o favor de publicar um perfil de Bono, ou Paul David Hewson para os mais conhecedores.

Como diz o jornalista Sean O'Hagan: He's as big a campaigner for the poor and hungry as he is a rock star, but what really singles him out is that when he speaks, as he will at this week's Labour Party conference, world leaders listen.

Lembramo-nos de Bob Geldof?

We Are the World?

Dos massacres posteriores?

Da implosão de África, (também) minada pela sida?

Dos lamentos de Kofi Annan sobre a hipocrisia na comunidade internacional?

Sunday, bloody Sunday.


domingo, setembro 26, 2004

Blogs do Iraque

Era de esperar.

Estes são alguns dos blogs feitos por soldados norte-americanos.

As usual, cada um tem links para outros.

My war.

Doc in the box.

Dagger JAG.

Universo bloguista e poeira cósmica

The Blogging Iceberg.

Feira de vaidades?

Estratégia comunicacional eficaz?

Mensagens e recados do inner circle para o inner circle?

Afirmação do Eu, através de uma individualização na multidão, apesar de isto não ser novidade óbvia, pelo menos, desde os anos 60?

Democratização do espaço público [desde que o cidadão tenha informática e energia], que se traduz na maior parte das vezes em nano-audiências?

Maior facilidade de comunicação e troca de experiências, argumentos e perspectivas ou multiplicação dos diálogos de surdos?

O desaparecimento das barreiras à entrada na blogosfera [à excepção da posse de informática e energia] pemite que qualquer pessoa tenha acesso e capacidade de expressão no espaço virtual.

Novidade radical na comunicação ou mais um meio de comunicação?

Como medir a sua eficácia?

Pela massa de visitantes?

Pela influência nos leitores e na agenda pública?

Pela clusterização de referências de blogs a outros blogs, o que acaba por reproduzir as conglomerações existentes no mundo real?

Pela terapêutica que permite aos seus autores extravazarem o que lhes vai na alma?

Espelho meu, espelho meu, há algum blog mais bonito que o meu?

Isto dos blogs é um tema interessante de análise.

Quando tiver tempo faço uma tese.

Receio que não passe muito da ideia de que o fenómeno blog reproduza o que já existe, apenas a um ritmo mais acelerado e em redes com maior facilidade de constituição.

Pode-se dizer que é uma tendência para-olímpica: mais rápido, mais pessoal, mais atomizador, mais micro.

Em que se distingue este universo bloguista dos clássicos círculos bem informados?

Melhor, em que medida permite superá-los?

Ou isto nem sequer é questão?

Um blog é um blog, tal como um cão é um cão, e as coisas são como são.

Um blog é um media.

Nem mais nem menos.

Na realidade, a poeira cósmica (blogs) constituinte do universo bloguista não passa de isso mesmo.

Do pó vieste e em pó te tornarás.

Entretanto te iludirás.

sábado, setembro 25, 2004

Adivinha quem chegou para jantar? (4)

Blogosphere: the emerging Media Ecosystem.

How Weblogs and Journalists work together to Report, Filter and Break the News
by John Hiler


É de 2002, mas não está podre.

Adivinha quem chegou para jantar? (3)

Apesar do atraso, ainda se justifica incluir este texto de Pacheco Pereira no Público sobre os blogs.

Adivinha quem chegou para jantar? (2)

Journalism in the Age of Blogs.

Turbulence in the blogosphere will continue to affect mainstream journalism for the foreseeable future. Wind and rain, harsh criticism and second-guessing will remain part of the weather system influencing newsrooms throughout the country.

Get used to it.

Then figure out how to deal with it.


Kelly McBride, no Poynter.


Memória

Um portal da História de Portugal.

Um bom esforço.

Adivinha quem chegou para jantar?

First, we must acknowledge that the blogs have truly arrived. It is hard for journalists who have led a sheltered life without public accountability to acknowledge that those days are over.

Um artigo sobre a escorregadela da CBS nos papéis de Bush, pelo Ombudsman da cadeia radiofónia NPR (750 rádios nos EUA), Jeffrey A. Dvorkin.

sexta-feira, setembro 24, 2004

Iraque

Custos da guerra no Iraque para os EUA: ver National Priorites Project.

Quando 1 + 1 = 1,5, ou 2 , ou 2,5, ou ...

Parece que o Eurostat descobriu que a Grécia classificou uns números orçamentais de forma diferente do que tinha sido combinado.

A piada está em que os números foram revistos quando mudou a cor do governo.

Parece que a Comissão Europeia alertou para a importância de se seguir a tabuada e a combinação.

A recomendação da Comissão, porém, dirige-se a todos os Estados-membros, não é só à Grécia...

Coisas importantes

Este blog começou após a morte do Comandante Virgílio de Carvalho.

Na ocasião recordou-se a importância para o País de uma relação equilibrada entre Segurança, Desenvolvimento e Justiça.

A alternativa é o desequilíbrio.

No limite, a implosão, a autofagia, a entropia.

Toda a acção suscita re-acção.

Que se pretende re-equilibradora, re-generadora, re-esperançadora.

Sob pena de se evoluir para ilhas de condomínios fechados em mares de Curraleiras.

As instituições não são eternas, apenas a institucionalização de práticas correntes, um jogo constante de adaptações institucionais em busca da legitimidade, do suporte social.

Por norma, quando os usos degeneram em abusos acaba por haver uma reacção correctora, ou uma reprodução diminuída, o que significa insustentabilidade a prazo.

O fim do abuso, em todo o caso.

Lembra-se do PCUS e de como controlava tudo: da Comunicação Social aos 100% de votos, dos militares à economia, da ideologia à alimentação, do gulag à psiquiatria?

Das medalhas, olímpicas e outras, símbolo da capacidade de ombrear com o Ocidente, e superá-lo mesmo muitas vezes?

Da sua nomenklatura?

Dos seus apparatchiks?

Já não controla tudo.

Sacrificou o Desenvolvimento e a Justiça à busca de Segurança.

Este triângulo é insustentável só em dois pontos.

É melhor ser rico e ter saúde...

... do que pobre e doente.

Ora veja: 23 September 2004 – Heart diseases and strokes kill 17 million people every year - more than any other cause - and are increasingly likely to afflict people in poor countries, the United Nations World Health Organization (WHO) said today as it published an atlas mapping the scale of the global epidemics.

(Mais) Crueldades do Verdades

excertos de João Verdades, Seis Mezes de Notas e Comentarios em O Seculo, Setembro 1917 a Fevereiro 1918, Lisboa, Guimarães, 1918

"A falta de metodo" - A nossa falta de metodo revela-se em tudo (22 de Fevereiro).


Coisas importantes

Report on the U.S. Intelligence Community's Prewar Intelligence Assessments on Iraq, do Senado norte-americano.

Tem muitas páginas em preto.

Tem muitas páginas legíveis.

quinta-feira, setembro 23, 2004

Mundos e assobios

Parece que umas figuras máximas [vulgo presidentes] de uns clubes de pé na bola [vulgo football] de uma cidade importante portuguesa [vulgo Lisboa] mandaram calar os sócios, porque assobiaram os empregados da associação futebolística que coordenam [vulgo treinadores] os que dão pontapés na bola [vulgo jogadores].

Acho muito bem.

A quota paga só dá direito a ver.

Se houver lugar à tristeza, que haja, mas que se expresse em silêncio.

Que o sofrimento, o desgosto, seja individual, escondido, envergonhado, exclusivo.

Sócio que dignifica a sua qualidade, paga e cala.

Já agora, também convém que vote em quem tanto se sacrifica pelo colectivo, mesmo que este não o perceba, nem a essas coisas menores de custo-BENEFÍCIOS.

E, se não for excesso de liberalismo, também pode andar à galheta em nome da bandeira e em defesa da honra do que estiver em causa.

PAGAR - VOTAR - COMBATER...

... E NÃO ASSOBIAR.

Por que é que se haveria de exigir o funcionamento dos equipamentos colectivos?

Estes nunca estão a contento dos utilizadores, supostamente os seus destinatários, sempre desagradados com a oferta que tanto custou a disponibilizar: ou o chuveiro só deita água fria, ou o horário é inconveniente, ou as redes estão velhas, ou os tacos têm falhas que podem magoar, ou a relva parece um avião a levantar voo,...

Além de que andam cheios de povo, de silvas, de sardinhas, de coiratos,...

Já se sabe que o mundo do pé na bola depende muito de individualidades e é pé-intensivo, não recorre à mão, quanto mais ao chip.

Por que é que se haveria, ainda, de discordar do pagamento de quotas suplementares, quando se sabe que a intenção é aliviar/reforçar a situação orçamental da instituição, e assim permitir voos futuros mais altos, e não moderar qualquer consumo?

Ah, este mundo (desportivo, subentenda-se, como o do futebol, mas também o do chinquilho, o da columbofilia, o do bilhar, o da bisca lambida,...) anda muito exigente, muito reclamativo.

Nada como ver alguns comentadores dos Jogos Paralímpicos quase a ralharem com os atletas portugueses, porque "desiludiram", "tiveram um dia para esquecer", "ficaram aquém do esperado"... Que relevante. Que emocionante. Que extenuante.

Deve ser do tempo.

O tempo não anda bom.

Tenho que falar com o manda-chuva.

quarta-feira, setembro 22, 2004

Grelhas, encaixes e desajustes

Pacheco Pereira é conhecido.

Goste-se ou não, tem lá a dele, como se diz.

A minha opinião é irrelevante para o que se segue.

O que se segue também é irrelevante para os magnos problemas do mundo ou para os prosaicos problemas do homem da rua, desde logo o literalmente vagabundo, sem abrigo, marginalizado, desprotegido, que se cruza todos os dias connosco.

Em todo o caso, quero aqui fazer registo do incómodo que a personalidade causa AO MESMO TEMPO a alguns estabelecidos [por enquanto] na designada Direita (ou em parte dela) e na designada Esquerda (ou em parte dela), que basicamente o enxotam AO MESMO TEMPO das suas proximidades.

À Direita (ver O Acidental, em 21 de Setembro), Pacheco Pereira é tratado de 'capitão de Abril'.

... logo agora que (como o nota esse outro campeão - capitão? - de Abril, José Pacheco Pereira) novas ameaças fascistas persistem em perfilar-se no horizonte..., em O que é que o Manel Alegre tem que é diferente dos outros? .

À Esquerda (ver Barnabé, em especial Pequeno Ajuste, em 21 de Setembro, e Olhos Postos no Novo Educador da Oposição, de 19 de Setembro) é classificado de cavaquista.

Acabadinho de chegar à oposição, resultado das lutas internas no seu partido, que derrotaram a ala cavaquista de que faz parte... lê-se no segundo daqueles posts.

Por acaso vêm-me à lembrança umas jornadas parlamentares do PSD que não correram nada bem para Cavaco, graças a um discurso auto-crítico, em termos partidários, de Pacheco Pereira.

A intenção é, em todo o caso, realçar o inconveniente de dar o subjectivo por óbvio, confundir independência de espírito com zigzaguismos e igualizar impulsividade juvenil a pedestal social.

Depois, há a terrível questão da memória.

Quando a Direita Acidental lhe, digamos, chama 'capitão de Abril', está a esquecer-se de que o currículo do homem já estava manchado com a passagem pelos m-l.

Ou ignorava isto?

Quando a Esquerda Barnabé se manifesta incomodada com a sua proximidade nas críticas ao governo e lhe chama cavaquista, incorre na mesma falha.

Ou ignorava isto?

O homem foi m-l, antes de ser s-d.

Enquanto a alegada Direita não perdoa o que se configura entre desalinhamento e deserção das fileiras, esquecendo um passado anterior na alegada Esquerda, a alegada Esquerda manifesta-se desgostosa com a companhia, ou pelo menos proximidade, de alguém que veio da alegada Direita, esquecendo outro passado anterior da personagem na alegada Esquerda.

Esquecimento?

Conveniência?

Demonstração do ditado quem controla o passado controla o presente e quem controla o presente controla o futuro?

Já agora, haverá interessados na Oposição em alianças com a ala cavaquista do PSD?

E quais alas de que partidos da Oposição?

Ou não há alas para abrir?

Quando dois pólos alegadamente em oposição ideológica se juntam no ataque a alguém por motivos ideológicos há um je ne sais pas quoi que chama a atenção.

A triangulação é sempre interessante.

Teoria dos jogos.

Revela diversidade, multiplicidade, criatividade, actividade ideológica.

Até porque é plausível admitir que Pacheco Pereira alinhe com o Barnabé contra o Acidental e/ou vice-versa.

O que remete para a vaca fria: princípios, valores, orientações, escolhas, normas.

Limites da convergência.

Potencialidades da divergência.

Coisas importantes

O futuro da energia em debate, na Newsweek.

Trabalhos manuais

Há um poema, salvo erro de Manuel Alegre, que é mais ou menos assim:

Com a mão
se faz a paz
se faz a guerra

Com a mão
tudo se faz
e se desfaz
.

Eu cheguei a ter Trabalhos Manuais no preparatório.

Eram uma seca.

Mas dão jeito.

O saber não ocupa lugar.

Nunca se sabe quando o seu know-how faz falta.

E ainda dizem que há máquinas para tudo.

Não há.

Mas há mão.

À mão.



Crianças, jovens e curiosos

Às vezes lê-se nos jornais que algumas instituições políticas abriram as suas portas ao exterior e permitiram que as crianças, os jovens, os curiosos, brincassem aos dirigentes políticos por um período limitado de tempo, por norma, uma manhã ou uma tarde.

Lembra-se? O parlamento dos jovens é talvez uma destas iniciativas mais conhecidas.

Costumam ser iniciativas pedagógias, formativas, de louvar, pelo contacto que propiciam às crianças, aos jovens, aos curiosos, com o mundo sério, pesado, ponderado, analítico, complexo, responsável, elaborado, competente, avançado, tecnológico, honesto, admirado, esforçado, da política, dos políticos, da decisão política, da governação.

Também não é para menos.

É da capacidade de interferir com a vida de milhões de pessoas que se trata.

E as crianças, os jovens e os meros curiosos são menos sérios, pesados, ponderados, analíticos, complexos, responsáveis, elaborados, competentes, avançados, tecnológicos, admirados e esforçados que os políticos.

A não ser quando as crianças, os jovens e os curiosos são eles próprios políticos.
Mas esta situação nunca acontece.

Só naquelas sessões de porta aberta das instituições, em que promovem - virtualmente, inocentemente - aquelas crianças, aqueles jovens e aqueles curiosos a políticos de ocasião.

Mas é a brincar, dura pouco tempo, é uma variação no quotidiano, não deixa marcas e até educa.

terça-feira, setembro 21, 2004

"Isto"...

... está em sabática.

Palavras e poder; Poder e palavras

Decrying what he described as “shameless” disregard for the rule of law around the globe, United Nations Secretary-General Kofi Annan today urged world leaders gathered at the General Assembly to do everything within their power to restore respect for the fundamental principles of law – in domestic affairs, as well as on the international arena.

Petróleo, oh petróleo

Os anglo-irlandeses da Aminex vão à procura de ouro negro na Coreia do Norte.

"We all dream of making a big discovery," chief executive Brian Hall told BBC News Online.

Sintomático

Financial Times cancela secção diária de desporto

segunda-feira, setembro 20, 2004

Jornalistas

excerto de uma entrevista do presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, a José Eduardo Fialho Gouveia, do Independente, de 17 de Setembro de 2004.

(...)
Alfredo Maia - A classe [de jornalistas] já decidiu em congresso que não deve haver sanções para as violações ao Código Deontológico.

Independente - E não deveria haver?
A. M. - Não. A nossa profissão é extraordinariamente escrutinada. Além dos órgãos da própria classe e dos conselhos de redacção, todos os dias os jornalistas são avaliados pelo público.

Indep. - Não faria sentido a classe voltar a discutir a necessidade de uma Ordem?
A. M. - Não. A eventual criação de uma estrutura punitiva colocaria os jornalistas numa situação verdadeiramente excepcional. Além de terem de enfrentar a responsabilidade civil e criminal e a censura pública, teriam ainda de enfrentar uma espécie de tribunal especializado para os julgar. Isso seria demasiado severo e inaceitável.

Silva Lopes (4)

Os Benefícios Fiscais dos PPR Só Servem para Desviar as Poupanças de Umas Aplicações para Outras .

Silva Lopes (3)

Em Portugal Temos 30 por Cento de Professores a Mais.

Silva Lopes (2)

Só as Empresas Abertas à Concorrência Internacional Deviam Receber Incentivos.

Silva Lopes (1)

Não Se Vê Nada Que nos Possa Ajudar a Sair da Recessão.

Campanha eleitoral nos EUA

At a campaign rally Saturday in his Illinois district with Vice President Dick Cheney, [House Speaker Dennis]Hastert said al Qaeda "would like to influence this election" with an attack similar to the train bombings in Madrid days before the Spanish national election in March.

When a reporter asked Hastert if he thought al Qaeda would operate with more comfort if Kerry were elected, the speaker said, "That's my opinion, yes
."
(in CNN).

Indonésia a votos

A maior democracia muçulmana está a votar para eleger o presidente.

domingo, setembro 19, 2004

Reler Volkoff

Pacheco Pereira acaba de falar em logomaquia.

Obs: Reler Vladimir Volkoff.

Mais Darfur

A ONU informou que enviou dois representantes no Darfur, a Alta-Comissária para os Direitos Humanos, Louise Arbour, e o Conselheiro Especial do Secretariado-Geral para a Prevenção do Genocídio, Juan Méndez.

Kofi Annan disse, ao anunciar a viagem na quinta-feira, que the two officials were not going to Darfur to decide whether genocide has taken place, but to recommend what can be done to protect civilians now and in the months ahead.

Arbour e Méndez fizeram saber que pretendem meet victims of human rights abuses, inspect camps for internally displaced persons (IDPs) and hold talks with local officials and staff from UN agencies and non-governmental organizations (NGOs).

Arbour declarou que we will be looking at what more can be done to prevent further violations so the people of Darfur no longer have to fear massacres, rape, forced displacement and other abuses.

More than 1.2 million Sudanese are internally displaced and another 200,000 are living as refugees in neighbouring Chad because of brutal and often deadly attacks by Arab-dominated Janjaweed militias against the mainly black African local inhabitants.

The Janjaweed, which are allied to Khartoum, began their attacks after two rebel groups - the Sudan Liberation Army (SLA) and the Justice and Equality Movement (JEM) - rose up against the Sudanese Government in Darfur early last year.


Colin Powell já considerou que a situação configura um caso de genocídio.

Genocídio que seria o resultado da reacção do governo sudanês à exigência da população do Darfur de beneficiar da partilha de riquezas.

The violence intensified during 2003 when two groups -- the Sudan Liberation Movement and the Justice and Equality Movement -- declared open rebellion against the Government of Sudan because they feared being on the outside of the power and wealth-sharing agreements that were being arranged in the north-south negotiations, the "Naivasha discussions," as we call them. Khartoum reacted aggressively, intensifying support for Arab militias to take on these rebels and support for what are known as the Jingaweit, afirmou Powell ao Congresso norte-americano.

Eis-nos perante os suspeitos habituais: power, money and oil.

O terrorismo é instrumental.

O terrorista tanto pode estar hoje no governo como amanhã na oposição, e vice-versa. Vejam-se os exemplos de terrroristas reconvertidos em homens de Estado e estadistas que enveredaram pelo terrorismo. A História é um livro aberto repleto de exemplos.

Do que se trata é de estratégias de conquista e preservação do poder, em que a violência tem o seu lugar no arsenal de instrumentos. Tal como a condenação pela Igreja católica do trabalho ao domingo não evitou a abertura dos supermercados, da mesma forma a apreciação moral do jogo do poder está a mais, é irrelevante

Se se partir de uma pespectiva moral, quem fica insensível às imagens das pessoas destroçadas pela fome, pela doença, pela incapacidade de acesso a coisas que para nós ocidentais são consideradas inerentes ao acto de nascimento, como energia e água potável?

Quem fica insensível às imagens das pessoas vítimas de atentados (não se fica mais porque não passam imagens de todos os atentados)?

Quem fica insensível aos efeitos da ostracização de um grupo, uma etnia, uma nação?

Ninguém.

Adaptando, relembre-se Galileu (Eppur si muove) - a sensibilidade não tem efeitos, a causa da emoção persiste.

Releia-se então Malaparte, os teóricos da ciência política, as biografias dos actores políticos, faça-se a análise do discurso político.

Fazer confusões nestas coisas dá mau resultado, ou motiva interogações sobre por que é que pessoas inteligentes se confundem, apesar de se saber que errar é humano.

UN REPORTS ANOTHER 'BAD MONTH' IN MIDDLE EAST

A top United Nations official today [sexta-feira, dia 17] again reported "a bad month in the Middle East," with a resumption of Palestinian suicide bombings inside Israel, further deadly Israeli military operations in Palestinian territories and no progress on an international peace plan that offers the only way out of "the current hopeless situation."

"Absence of hope for a peaceful settlement leads to despair, strengthens extremists and is sure recipe for continuing violence and instability," Under-Secretary-General for Political Affairs Kieran Prendergast told the Security Council in a regular monthly briefing on the crisis.

He stressed that both Israel and the Palestinians continued to fail their minimum obligations under the so-called Road Map peace plan sponsored by the UN, European Union, Russia and United States, which calls for a series of parallel and reciprocal steps leading to two states living side-by-side in peace by 2005.

He voiced "extreme concern" at recent remarks by Israeli Prime Minister Ariel Sharon that Israel is not following the Road Map and might stay in the West Bank long after any withdrawal from Gaza.

Mr. Prendergast said the proposed Israeli withdrawal could provide new momentum for peace only if it was complete, accompanied by similar steps in the West Bank, took place within the framework of the Road Map and is fully coordinated with the Palestinian Authority.

He noted that in the past month 80 Palestinians and 17 Israelis had been killed and 630 Palestinians and 133 Israelis injured, bringing the toll since the outbreak of the current unrest four years ago to 3,633 Palestinians and 966 Israelis killed and 35,400 Palestinians and 6,235 Israelis injured.

Referring to the suicide bombing which killed 16 Israelis, he said: "We again call on the Palestinian Authority to bring those implicated in terrorist acts to justice and to fulfil its obligations under the Road Map, as well as under international law, to do their utmost to prevent such attacks."

He noted that Israeli restriction on movement had affected UN refugee relief operations and had a severe impact on the social and economic life of Palestinian civilians. "The widespread destruction of Palestinian property by Israeli forces raises concerns about collective punishment and fuels more violence and bloodshed," he added.

He called on Israel to abide by an advisory opinion of the International Court of Justice to dismantle the separation barrier it is building on the West Bank and to pay compensation for the olive and fruit groves and other agricultural land destroyed in the process.

And he called on Palestinian President Yasser Arafat to institute tangible reforms of the security services so as "to take immediate action on the ground" to combat terror.


O Pentágono imagina o inimaginável

Arrepiante.

E não é por falar de frio.

Cruzei-me agora com um relatório do Pentágono, apanhado para o caso no site da Greenpeace, intitulado An Abrupt Climate Change Scenario and Its Implications for United States National Security - Imagining the Unthinkable, de Peter Schwartz e Doug Randall.

As alterações climáticas estão aí.

Que os digam os Floridianos, apesar de lhes dizerem, que a chuva de furacões que se abateu sobre a Florida é o preço por viverem no Paraíso.

O nuclear como arma e fonte energética

Israel bombardeará o Irão?

O The Australian, que fui roubar ao Bloguitica, é dos últimos a publicar mais material de reflexão sobre o assunto.

O Baker Institute já tinha divulgado uma perspectiva do editor de Defesa do Ha'aretz.

Seja como for, como será quando a energia nuclear for a saída da crise energética estrutural que, ao que tudo indica, se aproxima (no pressuposto de se manter a actual lógica de modelo socio-economico, assente no par urbanização/automóvel)?

A sua produção estará reservada só a alguns países?

Quais?

Por quê?

Como serão escolhidos?

Como será legitimada a sua escolha?

Como será distribuída então a electricidade?

Segundo uma lógica de bem comum da Humanidade ou uma lógica de bem privado, acessível apenas a quem integrar o círculo dos favoritos do produtor ou a quem puder pagar?

Serão estas perguntas de ficção?

Oxalá.

Progresso suicida

A China a sorver os recursos naturais do planeta pode conduzir à criação de desertos um pouco por toda a parte. Por exemplo, a pressão que está a colocar na floresta tropical africana terá efeitos significativos nos próximos anos. O que se fala do petróleo é do conhecimento geral.

O interessante é que a China está sob os holofotes, desde logo os da designada crítica internacional, pelos efeitos das suas acções que visam conseguir o que o Ocidente - desenvolvido, industrializado e preocupado com as normas políticas, sociais, laborais, ambientais, humanas,... - já conseguiu.

Basta ver os números para constatar que a dimensão do consumo energético de 10% da população mundial (EUA e UE) é a que é porque é compensado pelo impedimento do acesso da maioria a este consumo ou pela sua confinação à biomassa.

O problema para o mundo - e já agora para os que estão nele - decorre da pretensão de 20% consumirem ao nível e ao ritmo de expansão daqueles 10%.

É insustentável.

Nuno Ribeiro da Silva fala em tendência suicida, ao referir-se à projecção das consequências ambientais de um consumo da China ao nível do europeu ou, muito particularmente, norte-americano.

No top ten das cidades mundiais mais poluídas nove são chinesas.

Os alertas dos cientistas naturais e sociais estão feitos.

Mas os cientistas políticos recomendam aos respectivos príncipes que não sejam os primeiros a reconhecer a gravidade do problema e a ceder.

Por que haveria a China de interromper a sua industrialização e ficar reduzida ao turismo assente no Livro Vermemlho e à agricultura do arroz?

Por que haveria o Brasil de parar com a desflorestação da Amazónia?

Por que haveriam os Congos de suspender o desbaste da floresta tropical?

Comece-se a procurar as respostas nestoutras perguntas:

Por que haveriam os norte-americanos de deixar de andar de SUV? Por que haveriam os fabricantes destes de os deixar de fabricar, ou reduzir-lhe o consumo de combustível?

Por que haveriam os transportes públicos de atrair clientes?

Por que se haveria de interromper a carnificina nas estradas? De quem é a responsabilidade? Dos condutores, porque são irresponsáveis? Dos fabricantes de automóveis, porque o que querem é vender carros? Dos governos, porque não fazem nada, a não ser reforçar de facto o apetite pelo transporte individual?

Por que haveria a FISA de promover o ciclo-turismo e a actividade física? Por que as televisões dedicam horas à fórmula 1?

Por que a ideia europeia do dia sem carros se traduz na criação de ódio à sua própria menção?

Por que haveriam os governos dos países soalheiros dificultar a estupidez na arquitectura urbana, incentivadora de edifícios sem conexão com o ambiente envolvente, o que leva em Portugal a construções inimigas do sol, ou desconhecedoras da existência deste?

É assim tão difícil uma visão sistémica?

Ou o egoísmo, o interesse particular de vistas curtas que privilegia o imediato e o "eu", como princípio e base estruturante da política, aposta na lógica de que "o primeiro a ceder perde"?

É que se for assim, os chineses ganham.

São (muito) mais.

Lógica dos grandes números, remember?.

Enfim, coisas menores.

O que é isto face ao empate que o Estoril impôs ao campeão europeu, na casa deste, e a jogar apenas com 10, depois do Fernandez afirmar que os canarinhos eram uma presa fácil?

sábado, setembro 18, 2004

Manuel de Arriaga no Panteão

Os restos mortais do primeiro presidente da República Portuguesa, Manuel de Arriaga, foram trasladados para o Panteão Nacional.

(...) cerimónia de Estado ao mais alto nível, reservada a convidados. Apesar de o programa inicial prever a abertura ao público a partir das 14h30m, o Panteão esteve encerrado durante o resto do dia, noticiou o Público.

Conservou-se o meio termo.

Preveniu-se a exuberância trágico-cómica, populisto-popular, da cerimónia da Amália, sem cair na clandestinidade.

Mas a verdadeira dimensão histórica de Arriaga fica - aparentemente - sob suspeita, ao ser trasladado após a fadista.

É certo que morreu há mais tempo...

Levou mais tempo a chegar.

Ou pelo menos a reconhecer a sua importância na história pátria.

Também é verdade que a fadista foi contemporânea de quase todos os portugueses vivos com memória, enquanto que Manuel de Arriaga...

Quem foi Manuel de Arriaga?

E Guerra Junqueiro?

Sidónio Pais? Este era maître, não era? Inventou uma sopa. Ah, e também passava a vida a cavalgar, pelo que levantava muito pó [o designado possidónio].

João de Deus?

Almeida Garrett?

Carmona?

Na internet encontra-se o aviso, que se agradece, do IPPAR, segundo o qual no Panteão é possível o acesso de deficientes ao R/C. Para os restantes pisos existe elevador, mas as suas dimensões não são suficientes para cadeiras de rodas.

Infelizmente há mais dificuldades quanto a conhecer perfis, notas biográficas, contexto histórico, razões da inclusão no Panteão, dos que lá estão.

sexta-feira, setembro 17, 2004

OCDE

A OCDE analisou a economia de Portugal.

China puxa Terceiro Mundo

A China está a puxar as economias do Terceiro Mundo, qual força centrípeta que absorve tudo à sua volta.

Até se fica a saber que o Burkina Faso e o Mali têm economias, cada vez mais exportadoras.

Garante-o a CNUCED.

Além da voragem da indústria, também a alteração dos hábitos alimentares está a contribuir para a compra ao estrangeiro de coisas que nem se pensava há uns anos.

Cobre, madeiras tropicais, alumínio, zinco, soja... vai tudo.

Petróleo - muito petróleo - também.


Já reparou...

... que a abertura do ano lectivo foi ontem?

Parece que correu mal.

quinta-feira, setembro 16, 2004

Iraque

O secretário-geral da ONU disse, em entrevista à BBC, que a invasão do Iraque liderada pelos EUA foi ilegal.


quarta-feira, setembro 15, 2004

Já reparou no que vai...

... na educação?
... nas Antas?
... no ambiente?
... em Matosinhos?
... na defesa?
... na Madeira?
... no orçamento?
... nos Açores?
... na comunicação social?
... em Israel?
... no desporto?
... na Rússia?
... na saúde?
... nos EUA?
... na banca?
... no Irão?
... na justiça?
... em África?
... na ciência e tecnologia?
... na América Latina?
... na Universidade?
... na ONU?
... na indústria do armamento?
... China? Alguém falou na China?!
... na energia?
... no Darfur?
... nas migrações?
... na Chechénia?
... nos sistemas democráticos de representação política?
... no Iraque?
... na exploração espacial?
... no Afeganistão?
... nos 20 anos do príncipe qualquer coisa?
... no afequê?!
... na pedofilia?
... na Turquia?
... no que se designa por droga?
... na Birmânia?
... nos anti-depressivos que podem induzir o suicídio de jovens?
... em...
... aqui...
... isto...
... ali...
... aquilo...
... acoli...
... aqueloutro...
... acolá...
... mais além...

... já reparou?

... no que vai?

... no que fica?

... no que está?

Está bem. É só para saber.

Este mundo anda com muito movimento.

Qual é a sua posição sobre o Tonecas?

Hortícolas

As folhas de couve estão cada vez mais finas.
Tenho de falar com o jardineiro.

SMO

Acabou o serviço militar obrigatório.

A cidadania foi voluntarizada.


segunda-feira, setembro 13, 2004

Uma alegria

Manuel Alegre diz que há ruas com mais militantes do PS do que eleitores.

Chechénia

Gorbachov defendeu a realização de negociações para o resolução do conflito.

Morrer em Paz

No Correio da Manhã.
Tocante.
Pelas pessoas.
Pela situação.
Pelos doentes.
Pelos profissionais.
Pelas interrogações.

domingo, setembro 12, 2004

Dos pactos de regime

(...)
Os Pactos de regime são geralmente propostos por uma de duas razões. Pela primeira, o governo ou o ministro em questão não sabe o que fazer, não tem ideias ou não tem força, receia as oposições políticas e sociais e convence-se de que, com a assinatura de um documento desse tipo, os conflitos sociais e os protestos diminuiriam. Estamos, neste caso, diante de uma manifestação típica de impotência e de fragilidade. Pela segunda, o autor da proposta julga-se muito esperto e pensa que, assim, mostra à população a sua boa vontade, ao mesmo tempo que exibe o mau espírito de uma oposição que só sabe destruir e dizer mal, mas que é incapaz de colaborar com o governo. Omite o facto de só estar disponível a assinar um Pacto se a oposição se prestar a aceitar os seus pontos de vista, para o que, curiosamente, invoca os seus resultados eleitorais a fim de justificar a sua exigência de só elaborar um Pacto nos seus termos.
(...)

António Barreto, no Público de hoje.


Coisas importantes

ASPO

sábado, setembro 11, 2004

Cruzeiro Seixas

... o que estas feras têm
sei agora
não é bem nem mal;
é ritual.


Cruzeiro Seixas, Viagem sem Regresso, Lisboa, Tiragem Limitada, 2001.

Ambiente podre

Ar puro.
Ar puro.
Ar puro.
Ar puro.
Ar puro.
Ar puro.

Pacheco Pereira não se farta de titular fotografias com "Ar Puro".

Falta de ar?

Ar do tempo?




Matemática, caos, fundamentalismo

Os matemáticos sempre sonharam explicar a Natureza. Mas as suas aspirações ultrapassaram frequentemente as suas capacidades. O erro-padrão do matemático é começar com uma lista de formas matemáticas, derivadas de qualquer princípio geral, e forçar a Natureza a encaixar no molde definido por essas formas (Ian Stewart, O Caos, Prevendo o Futuro, Lisboa, PE/A, 1995, p. 32).

O dogmatismo, o fundamentalismo, o enviezamento, radicam por aqui, por este erro-padrão. Erro, não desvio. Padrão - habitual, regular, clássico, eterno (?). O segredo para o minimizar, eventualmente anular, é identificar aquele princípio geral.
Um mero exemplo: nove das 10 cidades mais poluídas são chinesas. As consequências para a saúde humana são conhecidas, vêm nos relatórios. A velha questão: o que é crescimento? O que é desenvolvimento? Força-se o desenvolvimento a encaixar no crescimento? A quem interessa (con)fundir os termos (follow the money)?
Exemplos da história - e do presente - são as políticas de grupo (económico, social, ideológico, ... ) justificadas com o interesse geral, com o colectivo humano em causa na obrigação de agradecer aos predestinados, iluminados e sacrificados (aliás, beneficiados) que o dirigem.

Embora possamos conhecer as leis relevantes que regem o universo, podemos não ser capazes de as usar para prever o futuro mais distante. Isto sucede porque as soluções das equações da física podem apresentar uma propriedade conhecida por caos. O que significa é que as equações podem ser instáveis devido a uma ligeira alteração das condições iniciais (Stephen Hawking, O Futuro do Universo, Prevendo o Futuro, Lisboa, PE/A, 1995, p. 17-8).

Base física do velho provérbio 'de boas intenções está o Inferno cheio', ou como a leitura idiota de Hawkins conduz a dizer que o bater de asas de uma borboleta na China provoca a queda de uma passagem pedonal no IC-19. Apesar de o futuro estar por escrever, e não dado por adquirido, dificilmente se poderá extrair optimismo da sabedoria de Hawkins.

É difícil sistematizar e enquadrar os epifenómenos?
Nem tanto.
Mas com ignorância, demagogia, incompetência, desonestidade e má-fé à mistura é pior, mais desagradável.
Em todo o caso, para que serviu/serve/servirá/serviria tal sistematização e enquadramento?
Veja-se todo o percurso do conhecimento humano.

Crueldades estatísticas

Acabo de ver na concorrência o Algarve classificado como a segunda região mais rica do País.
Pobre País que tais riquezas tem.


Muçulmanos: que amanhã?

A esmagadora maioria dos Muçulmanos vive hoje em países independentes, os quais não se mostram capazes de resolver nenhum dos seus problemas fundamentais.
(...)
No presente, duas respostas à pergunta que formulámos ao longo deste livro [O Médio Oriente e o Ocidente - O que Correu Mal?] vêm conquistando crescente apoio na região, cada qual correspondendo a um diagnóstico específico do que correu mal e a um remédio adequado. Para uns, que atribuem todos os males do presente ao abandono do legado divino do islão, o remédio estaria no regresso a um passado real ou imaginário. É o caminho representado pela revolução iraniana e pelos chamados movimentos e regimes fundamentalistas nos países muçulmanos. O outro exemplo é representado pela democracia secular, de que o melhor exemplo é a República Turca, fundada por Kemal Ataturk.
(...)
A visibilidade global que as acções e as ideias de Usama bin Laden e dos Talibãs, que lhe deram guarida, alcançaram forneceram um novo exemplo, particularmente claro, da decadência do que foi no passado uma das maiores, mais avançadas e mais abertas das civilizações da história humana.
Para um analista ocidental, educado de acordo com a teoria e a prática da liberdade do Ocidente, é precisamente a falta de liberdade - liberdade de pensar livre de constrangimentos ou slogans propagandísticos, de questionar, interrogar e falar; de iniciativa privada face à má gestão pública e à corrupção generalizadas; das mulheres em relação à opressão masculina; das pessoas em relação a regimes tirânicos - que está por detrás de muitos dos problemas fundamentais do mundo islâmico actual.
(...)
Se os povos do Médio Oriente continuam pelo caminho actual, o bombista-suicida pode tornar-se uma metáfora adequada para descrever toda uma região, apanhada sem escapatória num círculo vicioso de ódio e vingança, frustração e comiseração, pobreza e opressão, redundando, mais cedo ou mais tarde, num novo período de dominação pelo exterior.

in Bernard Lewis, O Médio Oriente e o Ocidente - O que Correu Mal?, Lisboa, Gradiva, 2003, págs 186-7.


Mais Verdades

excertos de João Verdades, Seis Mezes de Notas e Comentarios em O Seculo, Setembro 1917 a Fevereiro 1918, Lisboa, Guimarães, 1918

Em Fátima, cêrca de cincoenta mil pessôas se mobilisaram para presencear um milagre. Idas de longiquas paragens, nem os incomodos da jornada, nem a inclemencia do tempo as demoveram do seu proposito.
(..)
No dia seguinte, a concorrencia ás urnas em Lisboa, foi uma coisa irrisoria.
(...)
Se cada vez parece haver mais quem faça fé na Virgem, porque é que cada vez ha menos quem faça fé nos homens?
Com certeza não é por culpa da Virgem...

"As eleições suplementares por Lisboa", de 16 de Outubro.

Limpeza étnica no Darfur

Fala quem viu.

Ana Gomes.

Está na TSF.

Figuras de referência (4)

José António Barreiros. Diário de Notícias. Ler.

11 de Setembro

Os atentados nos EUA ocorreram há três anos.

Step by step, the fight against Al Qaeda became a universal 'war on terror', then a confrontation with the 'axis of evil', then a war against all evil everywhere. Nobody knows where it all ends (Paul Krugman, The New York Times, 07.09.04).


Figuras de referência (3)

Gérard Dépardieu admite que talvez seja alcoólico (...). diz que não é nenhum monstro (...) após 28 anos de psicanálise (...) [reconhece] não ter sido um pai perfeito (...).

Público, 10.09.04

Figuras de referência (2)

O grande rabino de Israel, Shlomo Moshé Amar, diz que "para todas as religiões é pecado a matança e a violência" (Público, 10.09.04).

Oito anos depois custa ver o Presidente da República sistematicamente preocupado, sem que essa preocupação e traduza em respostas e alterações objectivas, reduzido ao papel passivo de quem pede explicações (Amílcar Correia, Editorial, Público, 10.09.04)

Era muito bom que os políticos evitassem essa tentação de querer acompanhar o ritmo da comunicação social. São agendas diferentes, porque naturalmente distintos são os seus fins (Miguel Félix António, A Novidade como Perversão da Política, Público, 10.09.04).

Genocídio no Darfur, no Iraque, na Chechénia, ...

Depois de os EUA acusarem Cartum de genocídio no Darfur, agora são dignitários religiosos iraquianos a acusarem os EUA do mesmo.
Entretanto, a guerrilha chechena também acusou Moscovo de praticar uma política de genocídio na Chechénia.

Genocídio.

Os Estados preocupam-se com esta realidade.

Até aprovaram uma resolução, e tudo.

Em 1948 (http://www.hrweb.org/legal/genocide.html).



sexta-feira, setembro 10, 2004

Figuras de referência

1 - José Hermano Saraiva: Já ninguém se perde por uma mulher (entrevista no site do Correio da Manhã).

Presumindo que ninguém é homem, alguém será mulher?

2 - Catarina Furtado: Portugal devia deitar-se no divã para fazer psicanálise (entrevista no site do Correio da Manhã).

Uma nova carreira em perspectiva? O jornal sempre avisa que "aos 19 anos tornou-se estrela. Aos 20 foi considerada a ‘namoradinha de Portugal’. Hoje, com 32, continua a saber que a imagem vale muito, mas afirma ter os “pés bem assentes na terra”. Na hora do regresso, na primeira grande entrevista que concede, assume que ser actriz é a sua “prioridade” e critica alguma programação televisiva. Quanto à sua vida privada, não abre a boca. Mas abre o coração". Pronto. Está bem. Ficamos assim: Não abre a boca, mas abre o coração.

Fotos do Darfur

The Living And The Dead
Famine images mean it's already too late for thousands in Sudan's Darfur region

http://www.msnbc.msn.com/id/5305166/site/newsweek/

quinta-feira, setembro 09, 2004

Genocídio no Darfur

Secretary Powell (Sept. 9): "...genocide has been committed in Darfur and that the Government of Sudan and the Jingaweit bear responsibility." [full text of remarks before the Senate Foreign Relations Committee] .

Documenting Atrocities in Darfur: The conflict between the Government of Sudan (GOS) and two rebel groups that begin in 2003 has precipitated the worst humanitarian and human rights crisis in the world today. [more]

O governo do Sudão diz que não, e que essa consideração resulta do clima eleitoral e do interesse dos EUA pelo petróleo local.

E agora?

Existirá tanto destaque, tanta explicação, tanta cobertura, tanta repetição, tanta tinta, nos media como tem havido para outros temas?

Ou o Darfur está longe e povoado por populações dispensáveis?

Co'os diabos, ao fim e ao cabo, isto não é terrorismo [senão, o governo sudanês teria de ser considerado terrorista], são só umas dezenas de milhares de mortos, a violação como arma de guerra, mais de um milhão de refugiados... apenas um genocídio. E depois esta é apenas a pior crise humanitária e dos direitos humanos das existentes.

Porquê realçar esta, se das outras é o que (não) se sabe?

Apesar de Powell considerar que esta situação é the worst humanitarian and human rights crisis in the world today, afirmou - before the Senate Foreign Relations Committee - que the most practical contribution we [EUA] can make to the security of Darfur in the short term is to do everything we can to increase the number of African Union monitors.

A questão aparece, de mansinho: Como é? Quem, quando, como e com que legitimação vai intervir no Darfur para repor as condições mínimas de vida, numa zona de choque de culturas assente em, ou [demasiado] perto, de lençóis de petróleo? Kofi Annan está farto de chamar a atenção (também) para o Darfur...

Segunda questão: a haver intervenção aqui - onde existe the worst humanitarian and human rights crisis in the world today -, qual se seguirá?

Ou intervir-se-á apenas onde os Estados forem tão ou mais fracos que o do Sudão?

Ou onde houver petróleo?

É o regresso da ONU?

Mas esta nunca esteve ausente, se se considerar que espelha apenas a vontade expressa em cada momento pelos seus membros: os Estados.

A designada falência da ONU é apenas a expressão da ausência de hegemonia, ou de harmonia, no seu seio, da simples relações de forças inter-estatais.

Não se espere demais de quem só pode dar menos.

Como agora está na moda dizer: quem nasceu para lagartixa, não chega a jacaré ou quem nasceu para cinco, não chega a dez, ou... (vidé blog Abrupto).

O humanismo não chega para a realpolitik.

Sociedade autofágica

Lembranças da Organização Mundial de Saúde

World Suicide Prevention Day will be held on 10 September and will address one of the world's largest causes of premature death. Currently, suicide accounts for more than half of all violent deaths and results in almost one million fatalities each year (http://www.who.int/).

Relembrar Durkheim? Anomias, desesperos, no futur, solidões, desilusões, traições, debilidades, idealismos, realismos, cinismos, impessoalismos, desumanidade, pressões partout, fins de caminho, excessos, carências, inimizades, amizades, paixões, ódios, ... Que sei eu?


quarta-feira, setembro 08, 2004

Lei da Selva

Agora, Ran, o milhafre traz a noite
Que Mang, o Morcego, liberta.
Fecham-se as manadas nos estábulos e cabanas,
Pois à solta até de madrugada andamos.
É a hora do orgulho e do poder,
Da presa, do colmilho e da garra.
Oh ouçam o chamamento!
Boa caça a todos
Os que cumprem a Lei da Selva!

Rudyard Kipling, O Livro da Selva, Público, 2004, p. 5.

1000

O número de norte-americanos mortos na guerra do Iraque atingiu a fasquia dos mil. Mais um bom título para a banca dos jornais. Os números redondos dão sempre jeito...

A quantidade de textos que por aí vai a propósito do número... Parece que só se estava à espera desse morto para os divulgar. A maior parte incide sobre a caracterização do universo. Já se sabe que entre os mil está a primeira mulher índia a morrer em combate sob a bandeira dos EUA e um índio descendente de Crazy Horse e Sitting Bull, além de outros pormenores típicos da curiosidade mórbida.

... tal como as personalidades, os modelos sociais, as referências exemplares. É só ver os títulos.

Claro que assim sobra pouco espaço para, por exemplo, o milhão de portugueses analfabetos (ainda por cima não lêem!) que ainda estão vivos.

A massa sempre foi a massa.

E o aparelho de selecção, recolha e tratamento de estatísticas não chega a todo o lado.

A espuma dos dias esconde o mar profundo.

terça-feira, setembro 07, 2004

Coitado do Annan

ANNAN SEES MAJOR CHALLENGES TO REACHING GOALS SET AT 2000 'MILLENNIUM' SUMMIT New York, Sep 7 2004 2:00PM

Violence in Iraq, massive human rights violations in Sudan, escalating demands for United Nations peace missions, and the inability of African countries to provide a social safety net for their citizens pose major challenges to achieving the aspirations of the UN Millennium Declaration, according to Secretary-General Kofi Annan's latest report.

Noting the <"Declaration">http://www.un.org/millennium">Declaration, adopted by a summit of world leaders meeting at the UN in 2000, spoke of a world striving for peace and decent living standards for all, Mr. Annan stresses that despite progress in resolving differences "one of the most distressing features" of the past 12 months is the very large number of victims of terrorism.

This is not just true in Iraq but in many other countries. "Major attacks targeting civilians in Istanbul, Madrid, Riyadh and Haifa and Moscow are grim reminders of the scope and severity of the challenge we face," he declares.

He says that the crisis in Darfur, <"Sudan">http://www.un.org/apps/news/infocusRel.asp?infocusID=88&Body=Sudan&Body1=">Sudan, where fighting among the army, rebel groups and militias, has led to extrajudicial killings, sexual violence and other massive human rights abuses resulting in the deaths of tens of thousands and the displacement of more than a million others, strikes at the very heart of the UN Charter and the Declaration.

"If we fail to act here, we lose not only lives but also all credibility," he states.

Mr. Annan calls the jump in demand for UN peace operations a welcome signal of new opportunities for the world community to help resolve conflicts peacefully, but one that will also stretch the world body's capacities to the limit and beyond. "Those opportunities can only be truly seized if the necessary commitments of political, financial and human resources are made and if each peace process is seen through to its completion," he warns.

Mr. Annan paints a mixed picture of progress in reaching the Millennium Development Goals (<"MDGs">http://www.un.org/millenniumgoals/">MDGs) set by the Summit for transforming the world's social fabric by 2015, finding success in some areas and a major shortfall in others, especially sub-Saharan Africa.

Dividing developing countries into three groups, he notes that the first, comprising most of Asia and Northern Africa, is largely on track for halving extreme poverty by 2015 and achieving other key goals. The second group, mainly in West Asia, Latin America and the Caribbean, has been making good progress towards some individual targets such as achieving universal primary education, but has been less successful in reducing poverty. The third group, sub-Saharan Africa and least developed countries in other regions, is far from making adequate progress on most of the goals.

On the goal of reducing child mortality, he notes that sub-Saharan Africa continues to have the highest level of under-five deaths at 174 per 1,000 live births, nearly twice the rate of the next highest region, Southern Asia, and more than 20 times that of developed regions.

With respect to improving women's health, recent estimates indicate "appallingly high rates" of maternal deaths in sub-Saharan Africa and Southern Asia. Of the 529,000 women who died in labour worldwide in 2000, 445,000 occurred in those two regions. On HIV/AIDS Mr. Annan notes that new infections in the last calendar year were higher than ever before, "raising serious concerns about the development prospects for whole regions of the world in which hundreds of millions of people reside."

On the goal of forming a global partnership for development, he stresses that the collapse of trade talks in Cancun, Mexico, last year - when developing countries sought to eliminate the subsidies and tariffs used by the developed world - was "a serious setback in efforts to create a level playing field" for the developing nations.

"With only 11 years to go until the 2015 deadline, 2005 will be a critical year, particularly in Africa," he reports. "The Millennium Development Goals are still technically feasible in even the poorest countries, but the window of opportunity is rapidly narrowing and the political will remains largely absent."

The Secretary-General calls on all countries - rich and poor - to play their part. Developing States will need to continue integrating the MDGs into their national strategies, while donor nations should incorporate them into bilateral programmes. For its part, the UN "must also prove that it can be agile," he writes.

"New realities call for new solutions," he says. "This coming year will be crucial."

Isto é, cada vez mais, o que diz o Adriano Moreira, quando explica a geopolítica dos povos, países e áreas dispensáveis.
Mas, coitado mesmo do Annan. Ele, que teve a capacidade de admitir que "nesta profissão, aperto a mão a muito malandro".



Não aparece, não existe

Interessante entrevista a Cristina Ponte, estudiosa da Comunicação Social, sobre por que uns temas aparecem, e outras não.
Veio no Diário de Notícias, de 6 de Setembro, da autoria de Leonor Figueiredo e intitula-se «Jornalismo é uma foto onde uns ficam e outros não saem».
É sempre um deleite ler quem sabe e nos oferece uma viagem às raízes dos assuntos.
Aqui ficam umas citações.

No jornalismo há escolhas. É como tirar uma fotografia em que há os que ficam e os que não saem na foto.

Escreve-se muito a partir de declarações e contradeclarações, picardias. Há pouco sumo.


Há dificuldade em perceber a lógica jornalística.

O jornalismo é demasiado importante para ficar só na esfera profissional.

Na cobertura de guerras, há a tendência de dar um conflito onde há claramente o vilão e o herói que salva as vítimas. É uma visão redutora. Por vezes o vilão não é tão vilão.

Vibro com reportagens. Têm capacidade para activar o sentido da cidadania. Muitas reportagens contribuíram para a minha formação humanista.

segunda-feira, setembro 06, 2004

darfur... DARFUR?! darfur...

O que é se passa no Darfur?
Quem quer saber o que se passa no Darfur?
Por que é se há-de-falar do Darfur?
Onde é que fica o Darfur?
Mas o que é o Darfur?
Tem pessoas?
E depois?
Não tem imagens.
Não existe.
Não interessa.
Exit.
Kapput.
Voltemos então a dar importância ao que merece.
Ao que aparece.
Quem não aparece, esquece.



Parabéns Emídio Guerreiro

Parabéns.
Para si.
Por si.
Pelo Mestre que é.
Para nós.
Porque o temos.
Porque o aprendemos.

domingo, setembro 05, 2004

Chechénia (estante)

Uma mera referência introdutória: a jornalista francesa free-lance Anne Nivat esteve na Chechénia entre Setembro de 1999 e meados de Fevereiro de 2000. Fez o livro Chienne de Guerre, editado pela Fayard, em 2000, que tem a vantagem de ter tradução portuguesa, que saiu em 2003, com o título A Outra Face da Guerra.

Como o apresenta: Este livro é o relato das minhas diferentes estadas na Chechénia em guerra, entre Setembro de 1999 e meados de Fevereiro de 2000. A guerra tal como a vi: trata-se pois de um simples testemunho. Actuei na qualidade de jornalista free-lance, correspondente de dois jornais franceses, Libération e Ouest-France. Aquando do início do conflito, eu havia pedido uma autorização ah hoc do lado checheno. Este confronto que continua em aberto e a fazer estragos em ambas as partes, ainda não terminou e provavelmente não terminará nunca. Por isso é necessário continuar a estar no terreno para relatar o que nele acontece. A mim, que só tinha conhecimento da guerra através dos livros de História, deu-me a oportunidade de poder avaliar o que ela significa em crueldade, desespero e morte.




Professor Coragem

Sete Medidas para Um Programa de Esquerda

Resumo de um artigo de opinião de Luís Campos e Cunha, professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, incluído na edição do Público de domingo, 05 de Setembro de 2004

1. Acabar com o sigilo fiscal (a par de uma declaração de riqueza).

2. Alterar a lei da droga. A droga deveria ser distribuída gratuitamente por receita médica.

3. Acabar com o financiamento privado dos partidos. O financiamento exclusivamente público permitiria que os partidos ficassem mais imunes a "lobbies" ilegítimos, quando não mesmo ilegais.

4. Atrair mais e melhores pessoas para a actividade política. Sugiro que o vencimento das pessoas em cargos públicos seja (apenas como exemplo) 50 por cento acima da média dos rendimentos do trabalho declarados em IRS nos 3 anos anteriores a tomar posse!

5. Acabar com a dependência do financiamento das câmaras em relação a novos projectos urbanísticos.

6. Criar um imposto sobre a terra: meio cêntimo por metro quadrado, por exemplo. Até os fogos de Verão teriam mais dificuldade em se propagar...

7. Introduzir o inglês na pré-primária.

A lista é manifestamente incompleta.

No entanto, com estas sete medidas teríamos a prazo, mais ou menos curto, políticos, partidos e um Estado mais fortes e independentes para enfrentarem os grandes "lobbies" e as forças corporativas mais imobilistas. E elas são muitas, desde logo o poder económico, mas também os professores (incluindo os universitários), os juízes, os médicos, os jornalistas...

Um aviso importante: defendendo estas medidas, perder as eleições poderá ser uma honra, mas é também muito provável!

Que falta que faz uma televisão (também) no Darfur...

(com um pedido de desculpas pelo atraso na referência a este texto)

SUDAN: ANNAN CALLS FOR EXPANDED INTERNATIONAL PRESENCE TO STOP DARFUR ATTACKS New York, Sep 3 2004 7:00PM Secretary-General Kofi Annan says the international presence in Sudan's war-torn Darfur region must be expanded as soon as possible because attacks against civilians are continuing and "the vast majority of militias" have not been disarmed.
In a <"
report">http://www.un.org/Docs/journal/asp/ws.asp?m=S/2004/703">report to the Security Council, which met yesterday to discuss what progress the Sudanese Government has made in meeting its pledges to restore security and end the violence plaguing Darfur, Mr. Annan says that while a number of steps have been taken, "some of the core commitments" have not been achieved.
The report, based partly on the findings of Mr. Annan's Special Representative for <"
Sudan">http://www.un.org/apps/news/infocusRel.asp?infocusID=88&Body=Sudan&Body1=">Sudan, Jan Pronk - who just toured the region - concludes that a "scorched-earth policy" by armed militias has caused most of the violence since the conflict began there early last year.
More than 1.2 million people are displaced from their homes in Darfur and another 200,000 have to live as refugees in neighbouring Chad because their homes were damaged or destroyed or their fear for their lives if they return.
In July, as the Secretary-General wrapped up a trip to Darfur and Khartoum, the UN and the Sudanese Government signed a joint communiqué which committed the authorities to disarming the militias, known largely as the Janjaweed, and preventing them from conducting further attacks.
On 30 July the Council gave Khartoum 30 days to show progress on the commitments, warning that otherwise it may take action under Article 41 of the UN Charter. This includes unspecified economic penalties and the severing of diplomatic relations.
Mr. Annan finds, however, that the UN is still receiving reports of the destruction of villages and of people being raped or killed when they venture far from the displaced camps in search of food or firewood.
"The displaced have been terrorized and traumatized, and have lost confidence in the authorities," he says, adding it will be a long time before there is reconciliation between the people of Darfur and the Sudanese Government.
He says "no concrete steps" have been taken to identify the militia leaders or bring them to justice, ensuring there is a culture of impunity around human rights violations.
In a <"
letter">http://www.un.org/Docs/journal/asp/ws.asp?m=S/2004/701">letter to the Council, Sudanese Foreign Minister Mustafa Osman Ismail disputed the report's findings, saying Khartoum had made "relentless efforts" to meet its obligations to the UN.
He said Sudanese authorities have convicted 12 Janjaweed militia members and sentenced three to the death penalty; donated large amounts of food relief; dramatically stepped up access to hospitals and health centres across Darfur; and taken part in ongoing peace talks in Nigeria with Darfur's two rebel groups.
Mr. Annan's report says the existing presence of African Union (AU) monitors must be substantially increased to rein in the violence and help protect Darfur's vast population of internally displaced persons (IDPs).
The UN has already prepared a blueprint to expand the AU contingent, and Mr. Annan says that contingent should take a more pro-active role in monitoring the situation and patrolling the region.
Speaking outside the Council yesterday, Sudanese Ambassador Elfatih Mohamed Ahmed Erwa said his Government had no qualms about an increased AU force in Darfur, but it wanted its mandate to remain the same.
Ambassador John Danforth of the United States, also speaking outside the Council meeting, said Mr. Annan's report was wrong to suggest that there was no evidence of attacks by government airplanes since the communiqué was signed.
Mr. Danforth said the AU Ceasefire Commission reported that two government helicopters attacked two Darfur villages on 26 August - an attack confirmed by aid workers operating in the areas.


Bons sinais? Repetições da História?

» Capa da National Geographic, de Setembro: Global Warming - Bulletins from a Warmer World.
» Capa da Neewsweek, de 06 de Setembro: Hybrid Future - Sky-High Oil Prices Aer Driving a Quest for Efficient Energy.
» Capa da Fortune, de 30 de Agosto: How to Kick the Oil Habit - America's addiction to foreign oil has never seemed more dangerous. It won't be easy to quit. Here's a four-part plan that gives us a big headstart.

Jean-Marie Chevalier alerta que "a crise da enegia vai indubitavelmente obrigar-nos a uma redução da taxa de crescimento. Isso pode levar-nos a modificar certos hábitos, certos comportamentos. Não será este o momento oportuno para uma reflexão política sobre as verdadeiras necessidades do Homem? Não será este o momento oportuno para reduzir voluntariamente a taxa de crescimento para viver melhor e trabalhar menos?"
Texto pertinente. Hoje, como há 31 anos, quando saíu no Le Nouvel Enjeu Pétrolier, em Paris, na Calman-Lévy, que a Europa-América traduziu e publicou em Portugal sob o título de O Novo Jogo do Petróleo.

sábado, setembro 04, 2004

Outras Crueldades do Verdades

excertos de João Verdades, Seis Mezes de Notas e Comentarios em O Seculo, Setembro 1917 a Fevereiro 1918, Lisboa, Guimarães, 1918

Em guisa de prefacio

É frequente manifestarem-me estranheza pela fórma como eu procuro não direi honrar, mas justificar o meu pseudonimo. Não porque, afinal de contas, custe dizer verdades. O que custa, por vezes, é ouvi-las (...) Muito mais complicado é, seguramente, mentir - não obstante não falte quem o faça na perfeição... (20 de Janeiro)

Talvez por que quasi todos nos consideramos mais ou menos pretores, pouco curamos das coisas minimas. Ora, as coisas minimas são, muitas vezes, na vida diaria, as coisas maximas (14 de Outubro).

Assim Deus nos fez...

Inteligencia... teorica - É ponto assente ser o portuguez, em geral, inteligente. E sem favor, diga-se de passagem e modestia á parte, se assentou n'isso (...) apreendendo com extrema facilidade, julga-se dispensado de raciocinar, e a inteligencia sem raciocinio não supera a ignorancia... D'aqui a inercia intelecutal que transformou, para nós, o pensar n'um esforço custoso (...) Tal como as galinhas, que, conservando as azas, deixaram de saber voar (...) E, se não, veja-se o que se passa, por exemplo, no Parlamento. Grande bater de azas, mas vôos, nem meio... (27 de Setembro).

A mania de discutir - A razão, por que o portuguez discute muito é, a maior parte as vezes, não saber o que se discute (4 de Dezembro).

Os bachareis - Temos a honra - e o desproveito... - de ser o Estado da Europa que, proporcionalmente á população, produz mais bachareis em direito (30 de Outubro).

O «eufonismo» - O «eufonismo» é uma das mais cultivadas modalidades da nossa cobardia moral e inercia mental. Porque, capazes de todas as coragens materiaes, desde o heroismo dos campos de batalha, á estupidez das pêgas de toiros, a nós assusta-nos tanto falar verdade como ligar dois pensamentos (7 de Setembro).

«De pé atraz...» - Estar sempre «de pé atraz», eis uma das caracteristicas do nosso modo de sermos espertos (18 de Setembro).

Solidariedade... espiritual - «Estar em espirito» com alguem e prestar o seu «apoio moral» a outrem são resoluções que o portuguez, tardo de ordinario em se resolver, toma com o mais notavel dos desembaraços (13 de Novembro).

«Se Deus quizer..» - «Se Deus quizer» é um dos bordões preferidos pelo nosso fatalismo atavio (...) Dispensa-nos de prevêr e de prevenir, poupa-nos a raciocinar, permite-nos aguardar, de papo para cima, os acontecimentos. É a panacéa absolutoria por excelencia de todas as inercias tão caras ao nosso temperamento, mental, acional e até afetivo (1 de Novembro).

«Ser bondoso» - Por mais que pareça paradoxal, um dos grandes males que nos corroem é a ... bondade. «Ser bondoso» constitue, para muita gente, titulo maximo de benemerencia e pretexto, tambem, para se evitar incomodos e atritos. É uma especie de formula de bem-viver(...) Representa a chamada vista grossa em relação a toda a casta de irregularidade e a conivencia, sem responsabilidades, em bom numero de patifarias. A «pessôa bondosa» não vê, não ouve, não quer saber (23 de Janeiro).

(cont.)

Repetições da História

Mal que vem de traz (sobre deseducação)

Não se produz, no nosso tempo, um facto lamentavel, um acontecimento desagradavel, um caso digno de censura sem que certos velhos - mais velhos que eu - deixem de se permitir comentar que «no seu tempo era outra coisa!...»
Quem os ouve e lhes fosse dar credito convencer-se-hia de que somos nós os unicos responsaveis pela inconsciencia com que procedemos, incompetencia que a cada passo revelamos nas situações até, às vezes, menos complicadas.
Não ha duvida de que, manifestas todas estas falhas, somos uma geração de falhados.
Mas, quem nos preparou assim? Quem nos fez quaes somos?
Se n'esse seu tempo que tanto alardeiam sobravam todas as qualidades que nos falam, a quem se não aos que nos deviam ter educado no seu culto e na sua cultura lançar a responsabilidade da nossa penuria?
Mas a prova de que não sobravam está na própria inconsciencia com que nos fizeram inconscientes, na propria incompetencia que nos fez, a nós, hereditariamente incompetentes.
Foi esse seu tempo que preparou o nosso tempo, cabendo-lhes, portanto, lisonjear-se tão pouco pela obra que fizeram, como nós pela que aparecemos feita - mas, ainda assim, restando-nos mais, a nós, o direito de nos lastimar-mos que, a eles, o de se vangloriarem.
Pois podem limpar a mão á parece com o seu tempo!

João Verdades, Mal que vem de traz, in Seis Mezes de Notas e Comentarios em O Seculo, Setembro 1917 a Fevereiro 1918, Lisboa, Guimarães, 1918, nota de 28 de Novembro, pp: 73-74.


EUA: Girlie-men versus macho men na análise económica

Um artigo do economista Stephen Roach sobre análises baseadas na fé versus as que se sustentam na objectividade; metrologia e desejos; soundbytes e consistência analítica; e ainda sobre os efeitos negativos dos esteróides também na economia.

Leave it to Hollywood to come to the rescue of American politics. California Governor Arnold Schwarzenegger could well be the most dynamic personality on the US political scene today. Just as his finely honed skills as an actor served him well in forever imprinting the image of the Terminator on our national conscience, his rhetorical flourishes are now redefining the political arena. His recent speech at the Republican National Convention is a case in point. By depicting those of us who worry about the state of the US economy as “economic girlie-men,” the Governor offered new meaning to the debate that is currently raging in financial markets. Far be it for me to take this characterization personally. But in the interest of fair play, it deserves a response.

Ver o resto em http://www.morganstanley.com/GEFdata/digests/20040903-fri.html

Horror - Um dia na vida das Nações Unidas

Breves retratos tirados do site da ONU

Horror na Rússia (Ossétia do Norte)

United Nations Secretary-General Kofi Annan today expressed his horror at the large number of children and others killed or injured in school hostage crisis in southern Russia.
UN Children's Fund Executive Director Carol Bellamy said schools must never be degraded to places of violence, adding: "If we don't respect the sanctity of childhood, then we have nothing."
UN High Commissioner for Human Rights Louise Arbour added her voice to calls for the release of the victims.
UN Educational, Scientific and Cultural Organization Director-General Koïchiro Matsuura said he was "appalled that a school and its pupils are being used for political ends.

Horror na China...

UNICEF says China has made extraordinary progress in reducing the damage caused by vitamin and mineral deficiency, but still needs to do more to help the 250 million people still suffering from the effects of vitamin deficiencies.

Horror na Suazilândia

Meanwhile, a UNICEF study has found that up to 60 percent of infants in Swaziland are likely to incur brain damage due to vitamin deficiencies.

Horror no Darfur

The UN High Commissioner for Refugees (UNHCR) reports that displaced persons and returnees from Chad in three villages in Darfur have told UNHCR they are afraid to go more than a few kilometers outside of the settlements because of continuing insecurity.
While they indicated that there has been a slight improvement in security, they reported ongoing incidents, such as livestock theft, physical assault, rape, killings and attacks on villages by the Janjaweed militia. Some of the community leaders reported that even those who have recently returned from Chad are considering fleeing again across the border.

Horror no Congo e no Burundi

The Assistant Secretary-General for Peacekeeping Operations, Hédi Annabi, briefed the Security Council, in closed consultations on Ituri in the northeastern part of the Democratic Republic of the Congo. A report recording human rights abuses which occurred in Ituri, from January 2002 to December 2003, was released last month.
The Council also discussed Burundi. Annabi briefed Council members on the preliminary findings of a human rights investigation into last month’s attack in Gatumba, Burundi.

Horror no Uganda

Speaking to reporters upon his return from northern Uganda, where he visited camps housing internally displaced persons (IDPs), the Director of the UN's Internal Displacement Division expressed concern over "this neglected long term humanitarian crisis."
With 1.6 million displaced people spread over dozens of locations, Dennis McNamara noted in a press encounter in Nairobi that this represented a number larger than Darfur and that the camps in northern Uganda are "as desperate looking as in Darfur."
Roads and bridges are collapsing under food convoys, and the situation for women and children is particularly alarming, he said.
According to McNamara, "the United Nations needs to strengthen its role, its presence and its capacity but unless we are properly funded, we won't be there to do what we should do.”
Despite some political progress, he also underlined that there was "no effective civilian management" of IDP camps in northern Uganda and that only the military exerted control over the region. "There is no functioning of the rule of law,” he said.




sexta-feira, setembro 03, 2004

Homenagem (2)

Revisitar Virgílio de Carvalho:

Estabelecer objectivos é Política; realizá-los é Estratégia.

Estratégia é ciência e arte de identificar Poder potencial (Pp) e de o transformar em Poder efectivo (Pe) para realizar objectivos definidos pela Política, em ambiente de conflito.

Os Objectivos Nacionais Permanentes (ONP) visam em última análise pôr os países no caminho da realização das chamadas Aspirações Universais do Homem: Segurança (objectivo da política de defesa total), Desenvolvimento (económico, ético, moral e cultural) e Justiça (respeito pelos direitos humanos e democracia). O conjunto dos ONP pode ser designado por Grande Estratégia Nacional.

Pp (ou Pe) = (R+E+M) x (St+A) [fórmula do estrategista norte-americano Ray S. Cline]

Pp = Poder potencial
Pe = Poder efectivo
R = Recursos (território e recursos naturais; demografia)
E = tipo, estado e eficiência da economia, do ensino, da investigação científica e tecnológica, da indústria, do comércio, dos transportes e comunicações, da alimentação, da energia, do abastecimento de água,...
M = factor Militar (tipo, objectivos e qualidade)
St = Grande Estratégia Nacional
A = Adesão da população à Grande Estratégia Nacional.

(in Elementos de Cultura Histórica, Política, Estratégica e Militar, pp: 67ss).

Homenagem

Este espaço virtual começa por um motivo triste: o falecimento do Comandante Virgílio de Carvalho.
Tive o prazer de o conhecer.
Recordarei para sempre o alerta amigo feito: Cuidado com os Ignorantes Atrevidos!
Cá me ficou.

Para os interessados aqui ficam alguns dos títulos que nos deixou:
1999 - Elementos de Cultura Histórica, Política, Estratégica e Militar, Lisboa: Sociedade Histórica da Independência de Portugal.
1995 - A Importância do Mar para Portugal, Lisboa: Bertrand e Instituto da Defesa Nacional.
1995 - O Mundo, a Europa e Portugal - Volume I e II, Lisboa: Sociedade Histórica da Independência de Portugal.
1993 - O Lugar da Europa e de Portugal no Mundo, Porto: Centro de Cópias António Silva Lopes.
1992 - O Mundo em Renovação, Porto: Universidade Portucalense.
1991 - O Golfo e o Futuro, Lisboa: Difel.
1990 - A Nova Era, Lisboa: Difel.
1990 - A Europa de Leste e a Atlanticidade Portuguesa, Ponta Delgada: Universidade dos Açores
1987 - Cumprir Agora Portugal, Lisboa: Difel.
1986 - Estratégia Global, Lisboa, ISCSP
1984 - Contributos para uma Filosofia Nacional de Defesa, Lisboa: IEEI.
Vários artigos na revista do IDN, muitos dos quais reunidos em separatas.

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