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domingo, outubro 31, 2004

Darfur: onde páram os media?

A ausência dos media no Darfur ajudou ao massacre, ao permitir a matança na maior das tranquilidades.

In Darfur, thousands of people died before the world took notice. Some of them might be alive today if the press had found ways to move more quickly, considera Kenneth Bacon, na Columbia Journalism Review.

Porque demoraram TANTO tempo?

O que preferiram cobrir em vez de?

Porquê? Por ser mais barato? Mais fácil? Menos arriscado? Mais importante?

Questão principal: Como é feita a agenda mediática? Quem tem acesso à dita?

Darfur

Ouvimos falar deste massacre?

The lackadaisical international response has already permitted the deaths of about 100,000 people in Darfur, and up to 10,000 more are dying each month. We should (...) feel deeply ashamed.

Nicholas Kristof ouviu. Aliás, viu.

Motivou um editorial de Kevin Kawamoto no Dart Center for Journalism & Trauma.

12 mortos por minuto

a dozen children under the age of five are dying every minute from hunger-related diseases (ONU).

Sem querer parecer tétrico:

12 por minuto...

... são 720 por hora...

... são 17.280 por dia...

... são 518.400 por mês...

... são 6.220.800 por ano.

Podemos limpar as mãos à parede.

Civilização automóvel contra património

Cheguei ao Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, passando pelo The Periscope, que me remeteu para The Resident - Algarve Weekly Edition.

A história que está a correr na net começa assim:

Historic monument faces demolition

Around 3,000 people have signed a petition against controversial plans to remove a stretch of the Lisbon aqueduct. The Ministry of Transport and Public Works claims that nearly 300 metres of the 18th century Baroque aqueduct will have to be demolished to improve the flow of traffic onto Lisbon’s orbital motorway, the Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL).


E termina asim:

A Catch 22 situation

While the various opponents of the scheme work hard to save the famous aqueduct, Dra. Margarida Gil Costa [Margarida Ruas Gil Costa, the Portuguese representative of the European Museum Forum (EMF) and Director of Lisbon’s Water Museum (EPAL)] says that the only way it can be saved is if it is classified as a World Heritage Monument. She has written to that entity and to the EU with that aim.

However, those seeking to preserve the monument in its entirety are faced with a catch 22 dilemma. In order for the monument to be completely protected the request for the aquaduct to be listed must come from the Portuguese government. “It’s unthinkable that anything like this could ever happen in the UK, France or Germany, but then this is Portugal,” laments Lopes [Lisbon-based architect, Filipe Lopes, of the Preservation and Rehabilitation of Urban Lisbon Heritage Group, who has worked tirelessly to protect the Baroque monument from further destruction]. Chris Graeme


Ainda bem que o Palácio de São Bento não incomoda o fluxo automóvel.

Que seria de nós sem o automóvel?

Que será de nós com o automóvel?

Naturalizar os desastres sociais

Fala-se muito em desastres naturais.

Mas parece que estes são poucos.

Os que resultam da acção humana dominam.

A santa ONU vai discutir isto.

What is at stake?

Human and economic losses due to natural disasters continue to increase despite efforts undertaken by communities, Governments and international organization. The International Decade for Natural Disaster Reduction (IDNDR, 1990-1999) helped to raise awareness on risk reduction needs, but was clearly not enough. Data for 2003 from reinsurance companies report the occurrence of around 700 disasters, with over 50,000 people killed, almost five times as many as in the previous year (11,000); such a high number of victims has only been recorded four times since 1980. Economic losses rose to over US$ 60 billion (in 2002: US$ 55 billion). Developing countries are disproportionately affected, with their losses rising to about five times higher per unit of GDP than for the rich countries, sometimes exceeding years of hard-won and desperately needed economic development.

Opinião

Maria Filomena Mónica, no Correio da Manhã.

Opinião

Sebastião Lima Rego, no Correio da Manhã.

Excerto:

P - Nas últimas semanas as águas da comunicação social portuguesa têm andado agitadas, primeiro com a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, devido a alegadas pressões, e depois devido aos comentários do ministro Morais Sarmento sobre os limites à independência dos operadores públicos. Acredita que há razões para as inquietações que têm vindo a ser levantadas?

R - Essa é uma questão delicada, mas posso dizer-lhe, em abono da verdade, que há razões para estarmos preocupados.

Stephen Hawking...

... em protestos contra a guerra no Iraque.

Constituição europeia

O meu contributo para a divulgação.

O documento está aqui (em Inglês).

sábado, outubro 30, 2004

Empate

Bush, Kerry Hold Tie in Electoral College .

A dois dias das eleições, acaba de se saber que Car Bomb Kills 8 Marines Outside Fallujah .

Enrico Mattei

Acabam de passar 42 anos da morte (assassinato?) de Enrico Mattei, que transformou a Agip de pilar do fascismo para pilar da moderna economia italiana, sob a designação de ENI.

Em 1986, Amintore Fanfani admitiu que o acidente aéreo no qual faleceu terá sido o primeiro acto de terrorisnmo em Itália.

Energia nuclear! Independência nacional!

Portugal só conquistará a independência energética se construir três centrais nucleares, afirma Patrick Monteiro de Barros, em entrevista ao Expresso, citada no Público.

Não sei de quantas centrais nucleares precisará o Irão? Ou o Turquemenistão? Ou o Uzbequistão? Ou o Paquistão? Ou a Coreia do Norte?, uma vez que não estão condenados à escuridão (pois não?). Mas se fizer uma regra de três simples, com base na população, talvez conclua alguma coisa. É verdade que também se pode dizer que, por exemplo, o Irão tem petróleo e gás natural. Mas também não é menos verdade que nós, ocidentais, pecisamos desse petróleo e gás natural. Aliás, quase que ralhamos com os países produtores por não aumentarem a produção, como é seu dever para nosso sossego, comodidade, tranquilidade e bem-estar (já viu o que era se tivéssemos o mesmo consumo de energia que os chineses? Não pode ser, não é? Depois como é que andávamos de carrinho?, e nos aquecíamos?, e ligávamos os computadores?, e assim, sei lá ...).

Falar de independência energética significa garantir a produção própria da electricidade necessária ao funcionamento da economia e sociedade, assegurar que a procura tem oferta, que o consumo tem abastecimento. Isto, no cenário nuclear, pressuporia converter a frota automóvel do petróleo para o hidrogénio (fabricado com energia fornecida pelo nuclear). Que se tenha ciente, porém, que a despoluição automóvel se faria por troca com o agravamento do problema dos resíduos nucleares e da possibilidade de polivalência das centrais nucleares.

A entrevista permite fomentar a discussão do subjacente à necessidade de mais energia, este tempo energívoro - e a sua sustentabilidade. Espero que a discussão consiga separar o trigo do joio. Para já tem a vantagem de não ocorrer em terreno virgem. Ignoro se concluirá pela inviabilidade do actual modelo de consumo energético. Mas sei que teremos de pensar em mudar de vida energética. Imagine-se um mundo nuclearizado, com os automóveis, todos, limpinhos, a emitirem, apenas, água. Que bom. Mas, entretanto, o que se faria dos resíduos nucleares? Quem faria a produção nuclear? Quem quisesse? Ou apenas alguém que outro alguém autorizaria? Haveria maior ou menor proliferação de armas nucleares? Maior ou menor probabilidade de atentados a centrais nucleares? Não sei, digo eu...

Já se reparou que a data de 2010 começa a ser um muro impeditivo de projecções mais ou menos seguras sobre a disponibilidade de petróleo? Ao fim e ao cabo, BP significa Beyond Petroleum...

Morrer escanzelado ou anafado?

Regra dos 3% do défice implica privatização dos serviços públicos (Carlos Pereira da Silva, no Semanário Económico, de 29 de Outubro).

Para conter o défice, o Estado encolhe-se, encolhe-se, encolhe-se, até se tornar exíguo, irrisório, ínsignificante.

Sustentar o Estado actual exige dívida, dívida, dívida, até se tornar insuportável, insustentável, inviável.

Até que ponto o discurso do combate à fraude fiscal e à fuga ao fisco, para aumentar receitas, não legitima a burocracia, o gozo de uma renda de situação?

Até que ponto o discurso sobre a burocracia, a ineficácia do Estado, para reduzir impostos, não legitima a fraude fiscal e a fuga ao fisco?

É possível conjugar combate à fuga ao fisco com aumento da eficiência e eficácia por parte do Estado?

Ou será possível ir vivendo, controlando o regime (nem muito escanzelado, nem muito anafado)?

Ou a tendência é para um Estado mínimo, reduzido às funções designadas como de segurança interna (polícia) e defesa externa (militar)?

E o que é que se faz das pessoas?

É isto

Parabéns ao Luís Nazaré.

Acho que tem toda a razão.

Como diz: Para muitos, a pureza dos princípios e o pluralismo informativo, enquanto valores de referência, deveriam sempre primar sobre a dimensão rasteira dos números e dos indicadores de rendibilidade, num combate de peito aberto pelas bandeiras da cidadania e da liberdade de expressão contra o exército dos interesses materiais. Wake up to reality. No mundo civilizado, contam-se pelos dedos de uma só mão os jornais e os canais de televisão de média ou grande audiência que permaneçam independentes dos dinheiros dos grandes grupos económicos. E nenhum, rigorosamente nenhum, poderá afirmar sem mentir que nunca cedeu às influências editoriais dos patrões ou que nunca salpicou de água-benta certas notícias menos agradáveis a seu respeito. Quem pretender ignorar esta realidade óbvia está a lutar contra moinhos de vento.

Agora, digo eu, pense-se como será no mundo não-civilizado.

Civilizado... civilização... Deve ser daqui que nascem os choques de civilização, civilizacionais, civilizados (?!).

Nazaré acentua que na origem de muitos enganos está a presunção de que o sector da comunicação social é quimicamente diferente das restantes indústrias.

A ilusão é uma perdição, a ditadura um delito e o voto um deleite.

O problema é este: a democracia é um mito e o espaço público não corresponde a um fórum público.

A dimensão mitológica da democracia é patente nas tentativas de a materializar em várias espacialidades: na empresa mandam os accionistas e/ou os gestores a que recorrem, certo?; nas escolas mandam os professores, certo?; na famílias mandam os pais, certo?; na igreja manda o Senhor e/ou os seus representantes, certo? (os crentes são um rebanho, as ovelhas do Senhor, certo?); na tropa mandam os oficiais, certo?; no governo manda o primeiro-ministro, certo? (ok, estou a falar em tese); na equipa manda o treinador, certo?; no clube, o presidente, certo?; no mercado, os reguladores, certo?; na sociedade, a lei, certo?; enfim, a ideia é esta. Em compensação, a maioria respeita a minoria, certo? África? Ásia? América? Europa? Os genocídios e o ódio ao Outro são acidentes de percurso, da autoria de abencerragens apostadas em estragar descrições idílicas da realidade e desviar a humanidade de futuros radiosos, prometidos e evidentes.

Porque é que que na política partidária haveria de haver mais democracia? Qual é a autonomia de um deputado em relação ao chefe do partido; qual é a sua dependência efectiva dos eleitores que lhe deram o lugar? Os partidos são o quê: uma federação de egos ou uma máquina de tomada de poder?

A única hipótese de uma comunicação informativa independente, credível, séria, esforçada é o financiamento público, tal como se menciona o financiamento público dos partidos para reduzir/atalhar/anular dependências do poder económico.

Pois.

O que é o Estado? Uma coisa? Ou o resultado de uma relação de forças?

Vaca fria: sistema de representação política, qualidade das elites, expressão dos interesses, lógica (sistémica) de estruturação social e económica...

O artigo do Luís Nazaré está no Jornal de Negócios.

É a vida

S&P pode baixar «rating» de Portugal devido a debilidades orçamentais.

Dossier Marcelo

Serviço Público.

Droga (4)

Alaskans to vote on legalizing marijuana, relata Yereth Rosen, na Reuters Foundation.

José Braz, director nacional adjunto da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes, em entrevista ao DN: Nos últimos cinco anos, se houve alguma coisa negativa, se houve algo que falhou, foi ao nível da prevenção.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Iraque: Cem mil mortos

100 000 Irakiens seraient morts après l'intervention américaine en 2003.

Já percebo melhor

MORAIS SARMENTO: Paes do Amaral «prova que é homem livre». Em Moçambique, o ministro da Presidência recordou a passagem do presidente da Media Capital pelo «Independente» que críticou fortemente do Governo de Cavaco Silva..

Morais Sarmento diz que Pais do Amaral é homem livre...
... como o provou contra Cavaco Silva...
... quando publicava um jornal chamado Independente...
... dirigido por Paulo Portas...
... membro do governo com Morais Sarmento...
... e com conhecidas relações de amizade com Pedro Santana Lopes...
... e conhecidas relações problemáticas (vichyssoise; AD) com Marcelo Rebelo de Sousa.

Qualquer dia talvez consiga perceber esta embrulhada toda.

PS - afinal o director do DN demitiu-se mesmo, após o demite-se, não se demite; apoia, não apoia; ...

quinta-feira, outubro 28, 2004

Portugal causa tragédia na Rússia

Vladimir Putin has called the recent events in Russian football a tragedy. His comments came after the Russian national team was thrashed 7-1 in a recent World Cup qualifying match in Lisbon.

“It is impossible to call them anything other than tragic,” the Russian president said during a live broadcast on three separate Ukrainian TV channels
.

Que saudade!

Sócrates está de regresso.

Imperdível

Por várias razões.

Marcelo, no DN.

Droga (3)

O que se fala de droga.

Aliás, o que se fala de apreensões de droga.

Ninguém consome?

Porque não se fala da procura?

E das suas causas?

E dos seus efeitos?

E já agora da oferta.

Porque se produz?

O que se produz?

Onde se produz?

Aproveita a quem?

Em quanto?

Onde estão esses ganhos?

Como se manifestam?

Do que se fala quando se fala de droga?


Porque será?

Emídio Rui Vilar: O Futuro Parece Que nos Escorre dos Dedos como a Areia em Vez de o Estarmos a Construir.

Nós, seja lá quem for, pode[mos] não estar a construir o futuro, mas há quem o esteja a fazer.

Porque será que os senadores são mais pessimistas, fatalistas, desanimadores, quando abandonam a vida política activa do que quando eram protagonistas de relevo?

Passaram do idealismo ao realismo, depois de viverem o esforço do empenhamento em cargos de direcção política, frustados pela inconsequência dos seus actos?

Que lições se podem tirar desta tendência?

Já se sabe que é preciso mais do que dizer que isto hoje é pior do que era no meu tempo.

Há anos (há gerações!) que se diz isso.

Porquê?

O modelo é ser comunista aos 20, social-democrata aos 40 e rendido aos 60?

As paragens do percurso é 1) iludido; 2) pragmático; 3) desiludido?

Cavaco Silva afirma, hoje, após ter passado 10 anos da sua vida a chefiar governos: Não me parece realista ser optimista quanto ao futuro.

Como se chegou a este presente?

Como se podem consolidar ganhos obtidos?

É quando se sabe mais, se está mais maduro, mais vivido, mais experiente, mais conhecedor, que se oferece menos?

Ou nunca houve nada para oferecer, só que não se sabia ou dizia?

Ou o optimismo de ontem era tão mal fundamentado quanto o pessimismo de hoje?

Optimismo e pessimismo serão sinónimos de falta de informação, incapacidade analítica, prever o futuro apenas com a projecção das tendências conhecidas do presente?

L'Etat c'est toi. Desembrulha-te!

É isto?

Vaca fria: sistema de representação política, qualidade das elites, expressão dos interesses, lógica (sistémica) de estruturação social e económica...

O resto são manchetes.

Entretanto... (contos da loucura normal)

... UNICEF calls for action to stop trafficking of Laotian children.

...Human rights of migrants deteriorating, warns UN expert.

... Many countries still appear willing to use torture, warns UN human rights official.

... World is lagging in fight to eliminate poverty and hunger, Annan warns.

... UN expert decries global shame of rising numbers of hungry people.


Não percebo mesmo nada disto

Sou católico e rezo. Penso que Deus não está muito a par do Pacto de Estabilidade e Crescimento, algo que resulta do nosso esforço, convicção e determinação. Reservo as orações para aspectos de natureza mais pessoal.

O autor da frase é Bagão Félix, em reacção a declarações de Cavaco Silva.

Para que serve Deus, se não está muito a par do pacto de estabilidade? Tem faltado às aulas? Não lê jornais? Fala mal o Inglês?

Ou está-se a invocar o nome do Senhor em vão, apesar dos conselhos contrários?

E depois esta do Penso que Deus não está muito a par do Pacto de Estabilidade e Crescimento é o quê? E se estiver e não se quiser manifestar? Ou também não está muito a par da vida dos pescadores, apesar de baptizarem os seus barcos com os nomes de santos, da Virgem Maria e d'Ele propriamente dito? Ou também não está muito a par das misérias (degradação humana e ambiental) que se vêem todos os dias, em toda a parte? Ou estas misérias serão castigo divino, ao mesmo tempo que os que fogem ao fisco andam na boa, como se beneficiassem da Sua tolerância?

Quais serão os aspectos de natureza mais pessoal que o ministro privilegia na sua relação com Deus? Não. Não quero saber. Sei que o que se consegue na vida pessoal também é, muito mais do que o pacto de estabilidade e crescimento, algo que resulta do nosso esforço, convicção e determinação, como diz o senhor ministro.

Mas este é um bom tema de redacção: Para que Serve Deus? Deus Todo-Poderoso que permite Satanás. E Buda? E Jeová? E Alá? E o Totemismo? E o Animismo? E Shiva? É mesmo o ópio do povo? Ou já foi substituído pelo futebol? Pinto da Costa não é tratado como Papa?

Por que será que Cavaco escolheu a via da religião para expressar o seu afastamento deste governo, ao apelar à reza: Rezemos para Que o Poder Político Não Lance Portugal Noutra Crise de Finanças Públicas?

Isto é uma divergência entre democratas, cristãos, católicos, praticantes ou nem isso, nas finanças?

Ou apenas entre cristãos, católicos, praticantes ou nem isso, com entendimentos diferentes das capacidades de Deus para guiar, iluminar, inspirar boas práticas na gestão financeira do país, ou até deste?

Mas não se diz que o Reino de Deus não é deste mundo?

Então porque se invoca o nome do Senhor?

Não há mais nada?

Está-se reduzido a isto?

É a linguagem chã?

Própria para ignorantes?

Para o povão, crente, católico, dependente, frágil, miserável, reduzido a esperar que o Divino lhe dê o que o Terreno lhe nega?

Cada vez percebo menos

Guimarães elimina FC Porto da Taça de Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa levará muitos vagabundos do espaço virtual ao site da Alta Autoridade para a Comunicação Social e ao blogue do Pacheco Pereira.

Pelo menos.

Entretanto, confirma pressões,...

... no que é contraditado: Paes do Amaral nega ter pressionado Marcelo Rebelo de Sousa,...

... mas José António Saraiva acredita que a TVI pediu moderação ao comentador ...

... depois de o Director do PÚBLICO [ter] considera[do] "ridícula" acusação do ministro sobre cabala contra Governo.


Não percebo nada disto

1. FERNANDO LIMA ABANDONA DN

2. Diário de Notícias: Fernando Lima nega ter pedido demissão

3. Imprensa: Horta e Costa manifesta confiança na direcção do DN até nova solução

4. DN: conselho de redacção alerta para o descrédito "irreversível" do jornal

terça-feira, outubro 26, 2004

Parabéns

Não conheço as pessoas do blogue Grande Loja do Queijo Limiano, mas até por isso mesmo quero deixar aqui o conselho a eventuais interessados nas eleições norte-americanas que passem por lá.

O acompanhamento das sondagens tem sido bem feito, extenso e admito que relativamente exaustivo.

O link é este: Grande Loja do Queijo Limiano.

Outro acompanhamento, este exaustivo, sistemático, até porque interessado, é o de Ruy Teixeira.

Faltam 8 dias.

Petróleo: Problemas chegam à Noruega

Crise na Noruega atira barril para novos máximos , titula o DN.

Depois da Rússia, Venezuela, Nigéria, agora os problemas chegam a um dos produtores (um dos poucos produtores) que apresentava alguma estabilidade.

Qualquer dia a Noruega pede a adesão à UE.


Portugal profundo (2)

A miséria não é só pobreza e fome: é nalgumas situações um ciclo de sordidez que se torna forma de vida. Importa perceber porquê e como combatê-la.

José Manuel Fernandes, no Público.

Clara?

Claro.

Cem?

Sem!

Quanto mais primo, mais lh'arrimo.

Curiosidade.

Os primos de Bush que votam Kerry.

segunda-feira, outubro 25, 2004

Portugal prostituído

Um texto duro, duríssimo, do professor João Ferreira do Amaral.

Está no DN, de hoje.

Estaremos a regredir? Um número crescente de portugueses começa a pôr seriamente esta questão.
(...)
as ilusões de progresso continuado que trazíamos da segunda metade do século XX começam a esboroar-se.
(...)
Deixámos de actuar como um Estado. Tudo aceitamos para nos darem dinheiro; (...).

domingo, outubro 24, 2004

Portugal profundo

No interior do concelho de Ansião, há uma região perdida, de terras húmidas e acidentadas, onde a morte irrompeu brutalmente no início de Outubro. Em apenas três dias, apareceram dois cadáveres dentro de poços de aldeias contíguas: um era um bebé recém-nascido, o outro era o seu pai. História de crime, amor e perdição. História de um país triste, rural e atrasado.

No Público de hoje.

Media: Secar as fontes

Lembra-se das reacções dos que são apanhados com a mão na massa?

A norma é: Quem é que lhe disse isso?

Pois, é uma chatice.

A propósito, está aqui uma história da AP: NEW YORK - With several reporters facing possible jail sentences and fines, there are signs mounting legal pressure on journalists to reveal confidential sources is having a chilling effect on newsgathering.


Urânio

A tendência no mercado energético coloca o nuclear como hipótese de produção de energia, dado 1) o peak oil; 2) o gás natural conhecer o mesmo destino do petróleo; 3) o hidrogénio não ser fonte primária; 4) a tendência para a manutenção da actual lógica civilizacional, assente no automóvel e na urbanização.

A nova geo-grafia, -economia, -política, -estratégia, da energia será estruturada pelo nuclear: os que o têm, os que o querem terem ter, mas não deixam (quem? como? em nome de quê?), ... e os que têm o que faz falta à sua produção, como urânio.

A BBC deixa aqui um cheirinho:

Looking even further ahead to when the oil runs out or at least significantly runs down, it may be that the world turns again to nuclear power.

In which case those countries with uranium deposits would become among the most attractive. The top ten are: Australia, Kazakhstan, Canada, South Africa, Namibia, Brazil, Russia, USA, Uzbekistan and China.

Obviamente

As oil rises, cleaner energy surges.

Liberté. Égalité. Anxiété. Dépression. Suicide.

Pour la première fois dans l'Hexagone, 36 000 personnes de plus de 18 ans ont été interrogées de 1999 à 2003 : 11 % d'entre elles ont connu récemment un épisode dépressif ; 12,8 % ont déclaré souffrir d'anxiété généralisée. Les risques de suicide sont plus élevés que le laissaient croire les estimations.

E nós por cá?

Todos bem?


Sexo virtual na China

Pelo blogue do Guardian fica-se a saber que a China vai desenvolver jogos informáticos saudáveis.

Rather than imported games with a high content of sex and gore, the idea is to get young Chinese interested in more refined products, some of them based on classics of the nation's literary canon, according to the Xinhua news agency.

Sem discutir a questão do controlo estatal da moralidade, anoto apenas que esta medida reduz ainda mais o sexo na China.

Primeiro, foi a política 'um filho por casal' levar ao assassínio, ou abandono, de milhares de meninas bébés.

Isto cria as condições para:

- tornar a China um paraíso gay (pouco provável)

- os chineses emigrarem à procura de mulheres (pouco provável)

- fazer disparar o tráfico de mulheres para a China (muito provável)

Agora é a ciber-censura.

Caso para dizer que sexo na China, já nem virtual.

sábado, outubro 23, 2004

Poder popular

Joe Trippi, director de campanha de Howard Dean, ex-candidato presidencial democrata norte-americano, entende que if information is power, then the Internet which distributes information democratically to anyone who has access to it, is no longer distributing just information— it's distributing power. And in a top-down society, it's empowering the bottom. Put more simply—in America, it's empowering the American people.

Exagero?

Como reconhece, para começo de conversa, é preciso ter electricidade; depois ter computador; a seguir ter tempo; convém ainda ter coisas interessantes para divulgar ou saber onde procurar (dando por adquirido que existem).

Este electronic power traduz-se em quê? (Ponto prévio: quem não tem electricidade, ou computador, não tem acesso a esta informação, a este poder).

Por exemplo: quem é o povo americano? Os negros, os hispânicos, as mães solteiras, os idosos, os desempregados, estão melhores do que estavam antes da internet?

Os detentores habituais do poder (político, económico, mediático, cultural, ...) estão pior do que antes do advento da internet?

Em que é que o empowerment reduzido à palavra electrónica, atomizadora, se traduziu, além da extensão ao espaço virtual da discussão pelos mesmos opinion makers da pantalha ou do papel?

Não é por se pôr um microfone à frente de alguém que as ideias começam a fluir.

É aqui que a porca torce o rabo: a Internet apenas distribui o que lhe põem dentro.

Põe quem pode, põr quem tem acesso, põe quem sabe, põe quem quer, põe quem tem tempo...

Assim, o consumidor de Internet é hiper-passivo.

Take it ou leave it.

Mas sempre alguma coisa que alguém lá colocou porque teve interesse nisso.

A democratização do acesso, a redução das barreiras à entrada, por si, em si, garantem pouco ou nada quanto a inversões de situação de assimetria de poder (conceito que conviria também esclarecer).

Ver o que se passou com a massificação escolar.

Ao fazer um mapeamento dos blogues mais consultados, mais referidos, das referências cruzadas que se fazem, das listas em que se remetem uns para os outros, para visualizar os mais visíveis, acaba por se polarizar em torno de um punhado de autores, de personalidades, conhecidas, que lhes dão vida.

Constatar-se-á um peso importante dos agentes políticos (lato senso), para quem a visibilidade pública e a expressão de ideias is a way of life.

Onde estão os blogues da Igreja, das Forças Armadas, das Multinacionais, da Mafia, da Skull and Bones, das várias Dead Poets Society(ies), destas organizações discretas (porque das secretas por definição...), que gerem o poder de facto, apesar da pouca visibilidade mediática?

Para estas instituições, blogar não é a way of life.

Quer dizer que nem tudo o que luz é ouro, nem o que conta aparece.

Os blogues, pois, são uma escapatória para o desabafo, a boca, a conversa de café (solo), um trampolim para a visibildiade, um instrumento (novo) da luta política, uma oportunidade para conferir ideias, tomar o pulso à conjuntura, ...

Talvez, talvez, influenciem alguma Comunicação Social.

Mas esta é cada vez menos relevante, mais infotainment: mais Quinta das Celebridades; menos, digamos, Prós e Contras.

Mas não constituem nenhuma revolução.

São apenas mais uma ferramenta, assente na electricidade, e que acelera a comunicação - com o correspondente aumentar do ruído associdado por norma ao aumento da velocidade.

Uma pista de investigação seria a adição que revelam alguns autores em relação ao bloganço (?), bloguismo(?). Situação particularmente interessante de averiguar nos que acumulam intervenção em vários media. Why is that? Não conseguem estar calados? Conter-se? Acham-se indispensáveis? É uma profissão? A sua profissão é a de vendedor de ideias? Porquê? Bem,... quando tiver tempo faço uma tese sobre isto.

Voltando à vaca fria: poder popular?

Tippi?

Hello?

This ceremony is about to begin?

Ou não é nada disto?



Obras públicas e bem-estar privado

O PSD elogia Refer pela decisão de encerrar túnel do Rossio, porque a segurança das pessoas está sempre em primeiro lugar, declarou um seu deputado.

Apesar disto, o ministro António Mexia diz que túnel do Rossio podia ter continuado aberto, uma vez que não havia nada que impedisse que o túnel continuasse a laborar.

Soube-se entretanto que um estudo realizado em 2000 recomendou reabilitação global do túnel do Rossio e que o seu autor, o engenheiro Segadães Tavares, admite que o encerramento decidido hoje [ontem] de madrugada poderá ter sido determinado por movimentos mais alarmantes.

Confesso que o meu negócio não é este, mas...

... o que terá levado a Refer a decidir à pressa, de tal modo que utentes ficaram sem informação?...

... apesar de a CP não ter dormido?

(Rui Lafena, do gabinete de relações públicas da CP - Lisboa, disse que a empresa só soube do encerramento do túnel às 02h00, dispondo apenas de quatro horas para avisar os passageiros, pois às 06h00 recomeçam as ligações ferroviárias na linha.
Em quatro horas, a CP colocou cartazes nas estações e composições ferroviárias, além de ter informado os media sobre as alternativas disponíveis. "Fizemos o que nos foi humanamente possível em quatro horas", disse Rui Lafena.
)

O Público acrescenta que os danos detectados implicam um risco de abatimento da cobertura .

Já agora, por curiosidade (não mórbida): o que se passa com o subsolo da Baixa Pombalina?

As estacas de pinho ainda continuam submersas?

Ou já estão a causar preocupação, por exemplo, sei lá, a algum grande banco?

Não estaria na altura de voltar a ouvir Gonçalo Ribeiro Teles?

Enquanto as infraestruturas rodo e ferroviárias dão de si (delas, subentenda-se), por que não discutir o ordenamento do território na Área Metropolitana de Lisboa?

De certeza que não se concluiria pela necessidade de fomentar o automóvel na cidade-capital, muito menos no seu centro.

sexta-feira, outubro 22, 2004

Sonhos

Se o sonho da independência energética é um mito, estamos condenados a guerras sem fim pela obtenção das fontes energéticas, ou ao fomento do nuclear. (Como é que se vai dizer ao Irão e à Coreia do Norte que "Nuclear? Não. Obrigado!"?)

Inteligente?

Não.

Entrópico.

O eco-sistema tratará de nós.

A conversa chocha de viver acima dos próprios meios também se aplica aqui.

Só que aqui não há possibilidades de enviezamentos na aplicação da política ou em fugir às consequências.

Toca a todos.

O problema está nos inocentes que sofrem com a irresponsabilidade, o egoísmo e a ganância de uma minoria.

Questão de raciocínio de curto prazo...

Isto será verdade?!

A Refer fechou hoje o túnel do Rossio à circulação ferroviária, devido a uma deficiência estrutural grave.

Manuel Ramos, da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados, afirmou na TSF que a causa teve a ver com as obras do túnel do Marquês, informação que lhe fora transmitida por alguém da Refer.

ISTO SERÁ VERDADE?

Estou curiosíssimo para ver a Comunicação Social nos próximos dias.

É que se isto for verdade - está-se a ver, não é? - é pouco menos do que a cereja em cima do bolo.

A Lusa transcreve um comunicado do secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, segundo o qual foram encontradas soluções alternativas intermodais, sem agravamento de encargos para os passageiros, proporcionadas por outros operadores do serviço público de transporte de passageiros.

Que soluções alternativas intermodais terão sido encontradas?

Basta que se reforce o metro de Sete Rios. Não é preciso inventar. Talvez criar uma linha de autocarros de Sete Rios para a Baixa.

Prevê-se um Inverno tórrido em Sete Rios (cuidado com o leão), que pode alastrar um pouco por toda a parte, e gélido no Terminal (termina desta?), de onde pode chegar até ao rio.

Ai, este túnel do Marquês...

PS - Lá fica a sex shop da Calçada do Carmo com menos freguesia. Mau sinal para o alívio das tensões.

+/- 700 milhões de contos

Total spending in the presidential and congressional races will approach an estimated $4 billion, nearly $1 billion more than the 2000 elections, according to the Center for Responsive Politics, a nonpartisan group that tracks campaign finance (AP/Yahoo).

Entretanto, a AP acaba de dar 49% a Kerry e 46% a Bush.


Erros meus...

George Tenet sobre a CIA e o Iraque.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Coitados

Além de tudo o resto... estas são as perspectivas para os jornalistas:

GENEVA (ILO News) - New media, multimedia and information and communication technologies may increase the demand for journalists, editors, artistes and others in the media, graphical and culture sectors, but compromise the quality of their work and of their working conditions, according to a new International Labour Office (ILO) report.

Obcecados

A política deixou de fazer sentido como serviço público, entende José Manuel Fernandes, no seu Público.

Não sei se alguma vez fez, ou se isso do serviço público existe (explicar o que é público).

A tese, em todo o caso, é que a ter feito, acabou.

Volta-se sempre à vaca fria: expressão de interesses; sistema de representação; qualidade das elites.

Os meios clássicos da Comunicação Social (um pleonasmo, não é?) são apenas meios, plataformas, megafones.

Tão tonto é confundi-los com a mensagem que veiculam, como esperar que legitimem quem exibem.

Acéfalos

Em vias de deixar de o ser?

Cretinos

Três milhões à nossa porta.

Ou muitos mais do lado de cá da porta?


quarta-feira, outubro 20, 2004

Corrupção

A Transparência Internacional publicou mais um relatório anual sobre o estado da corrupção no mundo.

A BBC realça a corrupção no sector do petróleo, leia-se: países produtores.

Na galeria de honra lá está a nossa Angola, mas também o Sudão, do Darfur, em boa companhia, com alguns dos recém-recuperados pilares da comunidade internacional (Líbia) ou ... É ver.

São corrompidos por quem?

Por nós, ocidentais, tão necessitados do seu petróleo para os nossos carrinhos, a nossa electricidade, para ver o futebol, ligar os computadores e blogar, as nossas fábricas e escritórios, que nos dão o empreguinho, enfim, para o nosso dia-a-dia.

Como prova da nossa gratidão, reciclamos o petróleo deles por armas nossas.

As guerras pelos recursos naturais, como petróleo e gás natural, a miséria associada, as imagens feias, porcas e más que vemos e outras que nem conseguimos imaginar, são obra nossa.

Releia-se Yergin.

A China só veio ajudar à festa, ao replicar a acumulação primitiva de capital e o caminho de crescimento económico ocidental.

Há ainda quem consiga dizer que as energias alternativas, isto é, renováveis, são caras.

Então e que tal se incorporássemos os custos sociais, como guerra e destruição de sociedades, e ambientais, como a poluição e respectivos efeitos na saúde, além das mortes nas estradas, e da corrupção (contaminando política, justiça, socieadde, economia,...) , já agora, no preço da gasolina, do gasóleo, da electricidade?

Até quando continuaremos a assobiar para o lado?

O que será preciso para se pensar a sério na lógica entrópica, suicida, insustentável, em que estamos?

Quando acabar o petróleo?

Quando o estado de guerra for generalizado?

Talvez uma pista para procurar respostas esteja na velha máxima do follow the money.

A quem aproveita a actual situação?

Independentemente disto, estará a Humanidade na véspera de uma revolução energética, perante o aproximar do peak oil?

A evolução far-se-á pelo nuclear?

Então como impedir o Irão de se dotar de centrais nucleares?

Pelo hidrogénio?

Bem, aqui há um problema, uma vez que o hidrogénio, apesar de todas as loas do Rifkin, não é fonte primária de energia, o que significa que precisa de electricidade para ser produzido.

De onde virá esta electricidade?

Do nuclear?

Pescadinha de rabo na boca?

Hidrogénio, filho menor do nuclear?

Isto parece-me mais interessante, decisivo e estrutural, do que o roubo de que os donos do Benfica se queixam ou saber quem é que escolhe o horário a que passa o Pato Donald, a missa no santuário ou o debate sobre a toxicodependência.

Mesmo que não se discuta este tema e se ignore na totalidade - o que felizmente está longe de ser o caso -, ele acabará por se (nos) impôr.

Conviria contudo antecipar a sua chegada.

Também é verdade que, como se argmenta no Abrupto, quem nasceu para lagartixa não chega a jacaré.

O problema é que a todos nos lixa.

Voltamos à vaca fria: sistema de representação, qualidade das elites.

Perguntas

PS - Entre Rui Gomes da Silva, José Veiga, Pinto da Costa, Alberto João Jardim e Luís Filipe Vieira pode não haver mais nada em comum senão a boçalidade e a intolerância. Mas as suas intervenções por estes dias - e toda a agitação que provocaram - justificam que todos nos interroguemos e reflictamos: como é possível que estas figuras tenham adquirido a projecção e o poder de que dispõem na nossa vida pública? Qual a responsabilidade dos «media» na construção da sua imagem? Quais os riscos, para a democracia e para a sociedade, de os discursos e os métodos que já vigoram no mundo do futebol se generalizarem ainda mais ao mundo da política?

Pergunta Fernando Madrinha.

Cabala: há e não há

Há: aqui.

Não há: aqui.

Certezas

Os patetas não são cabalistas.

Os cabalistas não são patetas.

A coincidência não é uma cabala.

No futebol quando a bola entra na baliza é golo.

Graça Franco...

... no Público.

Irrelevância

Os media procuram quaisquer crises para ganhar audiências e rentabilizar as empresas. A notícia de fundo, que é verdade hoje, foi ontem e será amanhã, é a notícia do momento. O momento foi o escolhido como critério da relevância. Por isso, discutimos acaloradamente isto hoje e amanhã aquilo. Esta abundância de histórias, ao criar escândalos sucessivos e contínuos, gera a irrelevância. A velocidade a que os desenvolvimentos e as novas histórias se sucedem conduz à paralisia, ao "voyeurismo" e ao alheamento. A variedade de perspectivas e os complementos da história principal, ao transformarem-se em "zapping", provocam a confusão estrutural entre o essencial e o acidental. E como se não bastasse, toda esta forma, formal que era, tende a tornar-se em substância.

Este fim de artigo de Fernando Ilharco, no Público de segunda-feira, termina bem, mas parece-me que é passível de crítica.

Em causa está o que vejo como a clássica confusão de matar o mensageiro pela mensagem que transporta.

Quando afirma que esta abundância de histórias, ao criar escândalos sucessivos e contínuos, gera a irrelevância, Ilharco acusa os media de divulgarem estórias na perspectiva de se rentabilizarem, o que os conduz à procura sistemática de novas estórias, privilegiando o momento, o instântaneo, a velocidade, o espectáculo, o sensorial.

Totalmente de acordo.

Entendo - mas quem sou eu? - também que os media reproduzem uma sociedade, uma realidade, cada vez mais desestruturada, e por isso cada vez mais suculenta, enquanto fornecedora de matéria noticiosa, mais ou menos escandalosa, que depois se propicia à amplificação, por vezes até à exaustão, outras vezes, também cada vez mais, até ao vómito, ao nojo, ao repelente.

Esta desestruturação social - tese por demonstrar, aceito - cruza-se, complementa-se, com um acrescido escrutínio mediático da sociedade, decorrente tanto da mera inércia do progresso tecnológico, como de uma vontade editorial, acirrada pelo regime de concorrência e mercantilização dos media.

Reconheço que esta, minha, perspectiva (aceleração da desestruturação social a propiciar exemplos mais facilmente captáveis pela tecnologia mais evoluída e barata dos media) tem por corolário um paraíso para os abutres. (Nos States há 'repórteres' que passam o dia a vagabundear de moto, com câmara a jeito, em busca de um assalto, um desastre, um tiroteio, qualquer-coisa-com-sangue, para vender a uma das muitas estações televisivas).

O pior que poderia resultar do que Ilharco descreve seria a irrelevância da desestruturação da sociedade por força da banalização mediática. Mas isto não será atribuir muita, demasiada, importância aos media? Não é incorrer no mediacentrismo?

Os media clássicos, digamos a Comunicação Social, (in)(de)formam a realidade, mas não são, nem de longe, a única forma de a estudar e perceber, muito menos a principal para a influenciar.

Estou a lembrar-me de Cavaco Silva e da sua afirmação de que não perdia tempo a ler jornais que não valiam a pena. So what? Apostou, como tem dito, em falar directamente com os portugueses e obteve maiorias absolutas. Da mesma forma as perdeu, apesar de então já contar com mais deferência no tratamento comunicacional. Seria presunção a mais atribuir o fim da sua carreira governamental ao aparecimento da SIC, apesar do grande contributo desta para arejar, abrir, alargar, a informação televisiva, ou à campanha do Independente, de Paulo Portas. O voto o colocou em São Bento, o voto o tirou de lá e impediu de se mudar para Belém.

Continuo a entender que se dá importância a mais à Comunicação Social clássica.
É o que faz Ilharco quando reconhece que está a escrever sober o tema mais fundo do poder dos media ou antes dos media como poder. Se se limitar a isto, tudo bem. Mas parece-me que extravaza. Quarto Poder? No quarto do poder? Esta linha de reflexão também é velha, mas sempre interessante. Ver os livros do Mário Mesquita, por exemplo o último.

Um media não passa de um media, de um meio. Não é mensagem, nem fim, nem bússola. É meio. Caramba: a promessa que deve ter sido o telégrafo, ao substituir o pony express e os sinais de fumo. A mudança que a internet trouxe... Mas, de então para cá, estamos nisto.

Se calhar, e isto é um grande se calhar, a blogosfera está a começar a ser o que a SIC foi quando apareceu: uma enorme lufada de ar fresco (mas quer-se país mais blogado do que os EUA?). Claro que este fenómeno tem como contrapartida, no outro extremo do paradigma da mudança, a degradação da paisagem mediática, com um maior espaço ocupado pela exploração dos sentimentos e instintos mais primários. É o costume: uma minoria reflecte; a maioria diverte-se com pão e circo. Só que agora é mais visível, óbvio - mas não há novidade estrutural, nem aumento do poder de fogo social, precisamente porque o essencial não é isto.

Isto é sempre motivo para uma discussão multifacetada, prolongada, que toca muitos aspectos e que vai sempre ter às condições de vida das pessoas, às suas representações (simbólicas e políticas), às suas formas de interagir com as mediações seja dos seus representantes políticos, seja dos seus media, entendidos no sentido mais amplo que se conceba.

É sempre um prazer ler o Fernando Ilharco.

O que é um bom prenúncio para os mestrados que está a dirigir na Católica.

Inveja

É muito bom ser jornalista em Portugal.

Olhe para o mapa dos Repórteres sem Fronteiras.

terça-feira, outubro 19, 2004

EUA: Eleições à vista

America Votes 2004, na CNN.

Campaign 2004, na Newsweek.

Election 2004, na Time.

Campaign 2004, no The New York Times.

Wall Street confortável com uma vitória de Kerry, na Business Week.

Karl Rove, a arma secreta de Bush, em apreciação na The Atlantic.

As políticas externas de Bush e Kerry sob escrutínio, na Foreign Policy.

Mais: um poll tracker, da BBC, obviamente.

Eleições regionais (actualização)

MADEIRA

Eleitores passam, de 2000 para 2004, de 128.318 para 137.693, e os mandatos de 61 para 68.

PSD passa de 71.824 (55,97%) para 73.904 (53,67%), de 41 para 44 deputados.
PS passa de 26.876 (20,94%) para 37.898 (27,52%), de 13 para 19 deputados.

O PSD perdeu 1 deputado na Ponta do Sol, onde a PJ deteve o presidente da Cãmara.

No concelho do Funchal o PSD baixou de 29.412 votos (50,14%) para 27.153 (46,54%), enquanto PS subiu de 11.252 (19,18%) para 16.730 votos (28,68%).

Alberto João Jardim dedicou a vitória aos palermas da comunicação social de Lisboa.

Ver Stape.

AÇORES

Eleitores passam, de 2000 para 2004, de 187.934 para 189.674; os mandatos permanecem em 52.

PS passa de 48.931 (49,16%) para 60.133 (56,96%), de 30 para 31 deputados.

PSD/CDS passa de 41.810 (42,01%) para 38.882 (36,83), de 20 para 21 deputados.

Ver Stape.

EM SUMA

. Alberto João Jardim perde para Carlos César.

. Na Madeira o número de eleitores aumentou 9 mil, mas os votantes no PS subiram 11 mil.

. Nos Açores, o PSD/CDS tem menos votos coligado do que quando concorre separado.

. Nos Açores, o número de eleitores aumentou quase 2 mil, os votantes no PS subiram 11 mil e os do PSD/CDS baixaram 3 mil.

. Bipolarização acentuou-se.

Há quem esteja a precisar de aprender umas anedotas com bom gosto.

Alerta? Constatação?

A promiscuidade actual entre elite política e económica afecta a qualidade da democracia, considera António Costa Pinto, em entrevista à Pública.

Voltamos à vaca fria:

. o sistema de (capacidade de) representação dos grupos sociais

. o sistema de selecção dos dirigentes

. a afirmação dos interesses.

Dirigentes políticos que lutam pela hegemonia - sempre instável, nunca garantida - no aparelho partidário, para depois se arrimarem, articularem, entenderem, conspirarem, planearem, com os poderes fácticos, não-eleitos.

Entretanto, de vez em quando, há uns votitos.

Nada de preocupante.

Atrasado, mas (mais que) devido: Darfur

Saúde-se o Público.

Pela decisão de enviar um jornalista ao Darfur, o Paulo Moura.

Grande trabalho na Pública.

Não me é difícil admitir que o jornalista ainda hoje deve dormir mal, com o que viu, com o que se adivinha pelo que escreveu.

O Horror, a Bestialidade, o Azar de não terem televisão, nem correspondentes da Comunicação Social na zona.

Longe da vista, longe do coração.

Quem não aparece, esquece.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Crime económico

No Reino Unido custa 100 milhões de libras por dia. Ver BBC.

Também

Entrevista – Júlia Pinheiro
A QUINTA DAS CELEBRIDADES TAMBÉM É SERVIÇO PÚBLICO
.

Eleições regionais

MADEIRA

Eleitores passam, de 2000 para 2004, de 128.318 para 137.693, e os mandatos de 61 para 68.

PSD passa de 71.824 (55,97%) para 73.904 (53,67%), de 41 para 44 deputados.
PS passa de 26.876 (20,94%) para 37.898 (27,52%), de 13 para 19 deputados.

O PSD perdeu 1 deputado na Ponta do Sol, onde a PJ deteve o presidente da Cãmara.

No concelho do Funchal o PSD baixou de 29.412 votos (50,14%) para 27.153 (46,54%), enquanto PS subiu de 11.252 (19,18%) para 16.730 votos (28,68%).

Está tudo no Stape, menos os Açores, por enquanto.

Alberto João Jardim dedicou a vitória aos palermas da comunicação social de Lisboa.

Coisas importantes

Este artigo de Loureiro dos Santos, no Público (tal como o anterior, aliás).

Em causa a adesão da Turquia à UE.

Boa pergunta

A Guiné-Bissau Ainda É Um Estado? Ou o Vanuatu? Ou a República do Congo? Ou as Bahamas? Ou a Somália? Ou o Afeganistão? Ou... Ou... (pois, esse em que está a pensar)?

Meteorologia

Mau tempo no canal.

Bananas em saldo.

domingo, outubro 17, 2004

Iraque

O The Periscope divulga declarações de Hersh sobre a situação no Iraque.

Apenas como aperitivo: BERKELEY – The Iraq war is not winnable, a secret U.S. military unit has been "disappearing" people since December 2001, and America has no idea how irreparably its torture of Iraqis at Abu Ghraib prison has damaged its image in the Middle East. These were just a few of the grim pronouncements made by Pulitzer Prize–winning investigative reporter Seymour "Sy" Hersh to KQED host Michael Krasny before a Berkeley audience on Friday night (Oct. 8).

Já agora o link ao site original: UCBerkeleyNews.

Sanidade orçamental

Cortar receitas orçamentais, como impostos, ao mesmo tempo que se aumentam despesas parece discutível, não é?

Em tese, é como se se quisesse aliviar a factura dos possidentes à custa do agravamento da situação dos carentes e das futuras gerações.

A discussão prossegue.

Nos EUA, claro.

Aqui fica uma das perspectivas mais recentes, a de Joe Trippi, o ex-director da campanha de Howard Dean.

PS - Dean, ex-candidato à investidura presidencial norte-americano pelos Democratas, foi governador do Estado de Vermont, onde apresentou um registo de equilíbrio e sustentabilidade orçamental, sem comprometer despesas sociais.

Pobreza

A pobreza tem ajudado muitos universitários a fazer teses de mestrado e doutoramento.

O que é que os mestres e doutores universitários podem fazer pelos pobres?

Que aplicação podem ter as suas teses?

O padre Agostinho Moreira (porque há-de-ser um padre, os padres, a tratar destes problemas sociais?) dá hoje no Público uma entrevista com bastos motivos de interesse.

Por exemplo:

R - Não sairemos de uma situação como esta se não nos pusermos numa utopia. Como é que se diz? Para grandes males, grandes remédios. Os pobres têm tido muita paciência, a qualquer momento podem sentir que atingiram o seu limite... Há pessoas - mesmo técnicos superiores - que já não acreditam que a mudança se faz com mais projectos e mais projectinhos, que os projectos e os projectinhos podem ser mais uma maneira de alimentar a estrutura.

A sociedade, em geral, não assimilou isto, porque a pobreza e a fome tornaram-se colectivas. Há fome de justiça, de aplicação dos direitos, de respeito, de democracia participativa, de educação, de emprego, de alimento, de alegria, de segurança, de esperança, de confiança, de amor e - porque não dizê-lo? - de Deus. A pobreza e a exclusão, de uma forma ou de outra, abrangem todos. É preciso uma mudança estrutural para pôr o Homem no seu lugar. Dar subsídios, dinheiro, não chega.

P - Santana Lopes promete aumentar pensões, diminuir impostos...

R - Isso são medidas avulsas, sem enquadramento político, para iludir o povo. Este é um governo cego, surdo e mudo. Não ouve ninguém, não fala com ninguém, não aproveita sinergias. É populismo barato. O país está desagradado e o Governo pensa que o vai comprar com um par de sandálias
.

Só este excerto é suculento.

Mas é por ser ineficaz que o discurso é solto?

É por os efeitos/produtos mais negativos desta sociedade serem algo permanente, inerente, subjacente, decorrente, da lógica social existente que são remetidos para uma esfera não-social, ou ineficaz socialmente, como a piedade, a esmola, o divino?

Sempre me fez confusão os pescadores baptizarem (?!) os seus barcos com nomes como "Deus me Acompanhe" ou a "A Senhora me Ajude". É que morrem na mesma. Das duas, uma: Ou os invocados (passando por cima da discussão da sua existência) não percebem Português, ou estão inocentes da miséria humana, servindo apenas de para-raios do desespero e frustração.

Há uma frase do padre Moreira que me fica: A pobreza e a exclusão, de uma forma ou de outra, abrangem todos. É preciso uma mudança estrutural para pôr o Homem no seu lugar.

A ser levada a sério, qual é, qual seria, a sua consequência real?

É por estas e outras que se diz que o Reino de Deus não é deste mundo? (o que alimenta recolhimentos, retiros e clausuras monásticas?)

É por estas e por outras que a religião serve de discurso político, fenómeno que explodiu após o badalado fim das ideologias, como diz quem não percebe nada do tema ou está interessado em mistificações?

E a classe politica?

Permite a redução da pobreza a tema interessante para a curiosidade - eunuca - académica ou a terreno para exercício do alívio das almas pela religião católica?

Como vê a crescente implantação na Europa de visões religiosas nas quais a pobreza serve de base de recrutamento para a acção política?

Convir-lhe-ia pensar em duas ou três respostas - inteligentes, interessantes e eficazes, isto é, que fosse além da lógica miserabilista e assistencial (pobre!) da Casa dos Pobres, da Sopa dos Pobres, da Cabaz de Natal, e que também ultrapassasse a mera visão policial de reprimir, esconder, encaixotar as manifestações de pobreza (seja escondendo/escorraçando os sem-abrigo, seja prendendo os pilha-galinhas).

A classe política devia ser rica na sua resposta, sob pena de perder a classe e reduzir-se à baixa política.

Falem com os académicos que estudaram a pobreza. Se o país gastou recursos - escassos - na sua formação neste tema, é natural que espere retornos. Ou não? Deverá o país, a Europa, o Mundo a resignar-se ao cinismo do "mais vale ser rico e ter saúde do que ser pobre e doente"?

O que é que isto tem a ver com a discussão política em Portugal, na Europa e no Mundo?

nota para futuras averiguações: a visão da pobreza pelas várias correntes da religião romana (franciscanos, beneditinos, jesuítas, opus dei, carmelitas, ...).

Nota

Manuela Ferreira Leite não pode ir ao próximo congresso do PSD.

Quotas em atraso, diz a imprensa.

Outras coisas, avança a própria.

Lembro-me que um dos últimos temas desenvolvidos por Marcelo na TVI foi a comparação de Manuela Ferreira Leite com Celeste Cardona, antes, durante e depois do governo.

sábado, outubro 16, 2004

Religião, modernidade, realidade e sujeito

No Diário Ateísta um autor escreve que um ateu é alguém que não acredita em Deus, nem no sobrenatural. É só isto. Assim sendo, qualquer pessoa que não acredite que a Felicidade, Amor e Bem decorram de Deus, pode acreditar nestes conceitos e ser um «ateu a sério».

É uma boa pista.

Já o Castells vê a religião, em particular o fundamentalismo, como um dos últimos refúgios, e fonte de contra-ataque, ao avanço da globalização unidimensionalizadora (para recuperar Marcuse).

No fundo, trata-se de saber se o Homem é sujeito consciente do seu presente ou mero transportador de destinos (pre-destina-do) e fados, o que remete para a capacidade de leitura e interpretação da sua realidade e acção de feed-back.

A questão da burrice eventual ou putativa do eleitor norte-americano que o Vital Moreira levantou no Causa Nossa e a polémica que levantou, por exemplo no Abrupto, do Pacheco Pereira, é a actualização de acusações anteriores de burrices, como uma do Cunhal destinada aos eleitores portugueses.

Voltamos à questão da representação política e dos canais de selecção dos políticos (porque, já agora, os votantes, burros ou inteligentes, têm de votar em alguém, seja ele quem for).

Há uns anos, se não estou muito enganado, houve umas eleições nos EUA em que se opunham um democrata corrupto até à quinta casa e um republicano da Ku-Klux-Klan.

Que fazer?...

... quando o comentário, o remanso universitário e a facturação na privada são tão atraentes?

... quando a política partidária perdeu importância - e capacidade de imposição - para a que é feita por outros políticos, apesar de terem designações como cientistas tecnológicos ou sociais, CEO de multinacionais ou godfather?


Promete...

... a manchete do Expresso de hoje, pelo que o Nicolau Santos mostrou na televisão.

Também serve de prenúncio para os vencedores de hoje...

É a vida, diria o-você-sabe-a-quem-é-que-me-estou-a-referir.

Pois.

Kadhafi demands thanks from West for 'services to peace'.

Fome

Kofi Anann diz que há hoje 840 milhões de pessoas com fome.

Em 2000 haviam 800 milhões.

Entretanto nos EUA vendem-se livros com o título Dieting for Dummies.

Em Portugal, o Banco Alimentar contra a Fome assistiu 200 mil pessoas em 2003.

The facts are not in dispute. ... An estimated 1.3 billion people in the world survive on less than a dollar a day; nearly a billion people are illiterate; well over a billion lack access to safe water; some 840 million go hungry or face food insecurity; and nearly a third of the people in the least developed countries are not expected to survive to the age of 40.

Isto dizia o Anann em ... 1997.

Estão a ver a pouca confiança oferecida pelos números? Mas a este nível, passe o cinismo, é mais milhão, menos milhão. A situação permanece indefensável. E devia questionar o que é que andamos, o que é que temos andado, a fazer aqui. Nós, a elite branca, anafada. E os nossos lídimos representantes, dirigentes e responsáveis.

Pois, mas já sabem? O Porto sempre vem jogar à Luz.

Ora bem.

Marcelo falou

Disse que saiu da TVI porque foi pressionado.

Ai, a minha cabeça...

Tenho de ter mais atenção ao que leio, ao que ouço e ao que vejo.

Então não é que me escapou, apesar da leitura dos jornais, da audição da rádio e da visão da televisão, que o orçamento do Estado ia baixar também o IRS para os rendimentos mais altos?

Só li, ouvi e vi o senhor ministro dizer que ia baixar o IRS no escalão mais baixo...

Ai, a minha atenção.


Anti-depressivo = pró-suicídio?

O alerta é da FDA norte-americana.

Vem na MSNBC.

Crianças e adolescentes na linha de perigo.

Orçamento de Estado

A ligação ao documento está aqui.

As medidas extraordinárias para conter o défice orçamental abaixo dos 3% do PIB foram de 1,4% do PIB em 2002 e de 2,5% em 2003.

Em 2004 devem ser de 2%

O governo prevê ainda 1,4% em 2005, depois 0,7% em 2006 e 0,3% em 2007.

Sem estas medidas extraordinárias, escreve-se na página 29 do Relatório do OE, o défice orçamental seria:

» 4,1% em 2002,

» 5,4% em 2003,

» 4,8% em 2004.

(Está visto).

Para 2005 a previsão é de 4,2%, para 2006 de 3,1% e para 2007 de 2,1%.

(Logo se vê).

sexta-feira, outubro 15, 2004

Brilhante!

De acordo com os dados disponíveis, cerca de 20% da população portuguesa encontrava-se em 2001 em risco de pobreza (15% na UE). O efeito associado às políticas de redistribuição de rendimentos na redução do risco de pobreza situa-se na ordem dos 4 pontos percentuais (9 p.p. na UE).

O risco de pobreza corresponde a um rendimento inferior a 60 contos por mês.

Acrescenta o INE, a propósito do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, em 17 de Outubro, que Portugal conjuntamente com a Irlanda (21%), Grécia (20%), Itália e Espanha (19%) e Reino Unido (17%), apresenta uma taxa de risco de pobreza superior à média da UE 15, que se situa nos 15%.

30 anos depois do 25 de Abril.

18 anos depois da adesão à CEE, de Feder, FSE, Feoga, Now, Horizon, Leader, Interreg, fundo de coesão, POE, Prime, isto, aquilo e aqueloutro, de ecus, euros, atracção de capital estrangeiro, modernização das empresas portuguesas, presenças no Parlamento Europeu, na Comissão Europeia, aqui, ali e acolá...

Integração regional; desintegração nacional?

Integração económica; desintegração social?

Que perspectivas para estas pessoas? Casas de alterne? Pedinchice às portas de cafés, supermercados, lojas de conveniência? A morte lenta? A revolta? A chafurdice que Scola descreve em Feios, Porcos e Maus?

Desporto. Saúde. Convívio. Prazer.

Lista de títulos na secção de desporto da edição online do Público (na hora actual)

15-10-2004 - 00h48
Desporto
FC Porto pondera não deslocar-se à Luz

14-10-2004 - 19h14
Desporto
Polícia preocupada com Benfica-FC Porto

14-10-2004 - 13h52
Desporto
Scolari insulta jornalistas no final do jogo com a Rússia

14-10-2004 - 10h34
Desporto
Governo recomenda segurança reforçada no Benfica-FC Porto

13-10-2004 - 23h05
Desporto
Portugal goleia Rússia por 7-1

13-10-2004 - 17h50
Desporto
Segurança Social admite investigar clubes da Superliga

13-10-2004 - 09h10
Desporto
Portugal defronta a Rússia com Liechtenstein na memória

13-10-2004 - 08h34
Desporto
Segurança Social detecta irregularidades em 92 por cento dos clubes investigados


Demissão

O director-geral dos Impostos vai abandonar funções, noticia o semanário económico na edição de sexta-feira. Paulo Moita de Macedo deixa o cargo na sequência da divulgação do salário mensal que recebe, de 23.480 euros, avança a TSF.

A ser verdade, o motivo da demissão parece interessante.

quinta-feira, outubro 14, 2004

Interrogações para desenvolver um dia

A debilitação progressiva na representação política, por opção, fuga/deserção, expulsão, dos mais capazes, credíveis ou habilitados deve-se a quê? Há uma deliquescência do combate político, ou o que está em causa também baixou de nível? Hoje a Política trata de coisas menores? Ou admite que menores tratem de si? É verdade que já não há Alamedas... É verdade que a Itália teve longos períodos sem governo (tal era o ritmo de mudança)...

A redução do espaço público, do serviço público, redundará apenas na cristalização dos grupos sociais em torno de si próprios, encasulados, muralhados, prevenindo todo e qualquer contacto, com uma lógica de condomínio fechado, de apartheidização à escala global?

Paga quem pode, recebe quem precisa é a versão actual do de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas possibilidades. Os crescentes desvios - fuga fiscal; truques para aceder ao bolo orçamental - justificarão que ricos e classes médias reduzam o seu contributo para os cofres públicos? Como classificar, e que esperar de, uma situação com os pobres laissés pour compte? Pobreza é fado ou resultado? Como garantir em alternativa equidade no contributo e qualidade no gasto?

Ou tudo isto é prosa de romance, se se considerar que o Estado é sempre gerido por um grupo que privilegia, defende, protege, acima de tudo os seus interesses, de forma egoísta, o que alguns entendidos designam por captura do Estado? Esta captura é acidental ou sistémica? O Estado é uma coisa ou um conjunto de funções e aparelhos que resulta de uma relação social?


Jorge Sampaio...

... no Público.

Bobos da Corte

(...)
7) les «bouffons du roi»: stars de la télévision, sportifs, modistes, chefs de sectes religieuses très rentables: eux qui s'enrichissent en divertissant l'élite et le peuple.

Sami Nair, La Mondialisation du Libéralisme Économique, in Edgar Morin & Sami Nair, Une Politique de Civilisation, Paris, arléa, p. 64.

PS - as elites mencionadas são integradas, além estes bobos da corte, pelos quadros da tecnociência, a tecnoburocracia nacional e internacional, os PDG dos grandes bancos e empresas internacionais, os financeiros, os patrões dos meios de comunicação e as redes de traficantes nacionais e internacionais de, entre outros, droga, armas, mão-de-obra barata e produtos de contrabando. A base da classificação assenta em Petrella e Corm (é ver o livro).

quarta-feira, outubro 13, 2004

Back in USSR

Luciano Alvarez noPúblico.

Ainda sobre Eduardo Cintra Torres.

Água

Admite-se a hipótese de racionamento de água no Algarve.

Coitados dos campos de golfe.


A Razão das Coisas

(...)
O paradoxo é que este Portugal de fim de século nunca foi tão culturizado como hoje.
(...)
A finalidade, expressa ou não, dessa culturização é a do acesso, tanto quanto possível lúdico, a uma visão caleidoscópica de uma informação de onde, salvo para uma elite mundial, desapareça a necessidade e o gosto de conhecer, como se dizia classicamente, «a razão das coisas».
(...)
O comércio desta auto-intoxicação da humanidade por si própria é hoje o mais rendoso do planeta.


Eduardo Lourenço, Portugal como Destino seguido de Mitologia da Saudade, Lisboa, Gradiva, 1999, p. 81.

Deixar de beber água

De forma estranha as autoridades continuam a deparar-se com estrangeiras, nomeadamente brasileiras, em situação irregular, quando vão assim a locais de descontracção, distensão, distracção e diversão chamados bares de alterne.

Vão a um. Pumba. Lá estão 10 ou 20 sem este ou aquele documento, ou sem documento algum.

Vão a outro. Pimba. A mesma coisa.

Um terceiro. Repete-se a cena.

O pior é que o caso verifica-se um pouco por esse país fora, onde estes locais de descontracção, distensão, distracção e diversão proliferam, quais cogumelos depois da chuva, qual imagem de marca de um país aberto à modernidade, à miscigenização, à descoberta do outro, isto é, da outra, enfim à alternância [bares de alterne, estão a ver? alterne, alternância...].

E se forem aos mesmos sítios uns dias depois, então não é que acontece o mesmo, se bem que com outras protagonistas?!

Eu tenho um amigo que pasou por uma situação semelhante.

Bebia muito vinho com água - embebedava-se.

Bebia muito whiskie com água - embebedava-se.

Bebia muito vodka com água - embebedava-se.

Pôs os factores comuns em evidência e tomou uma decisão.

Deixou de beber água.

O reverso do Eldorado

Nos EUA a criação/destruição de emprego tem estado no centro do debate da economia e também da campanha eleitoral.

Menos presente tem estado a questão de a significant number of working families cannot earn enough income to meet their basic needs for housing, food, clothing, transportation, health care and child care.

É isto que realça The Working Poor Families Project.

O seu relatório dá que pensar.

O Ministro das Finanças disse

Bagão Félix fez uma comunicação ao país em 13 de Setembro sobre o OE para 2005.

Aqui fica o link.

Democracia (2)

O deputado do PSD, eleito pela Madeira, acusado de ter feito um blog propagandeando a FLAMA pediu desculpa.

INÍCIO DE COPY/PAST

"Terça-feira, 12 de Outubro de 2004

Pedido de desculpas

Por tudo o que foi dito, pela minha imprudência, pela piada de mau gosto e pelo péssimo exemplo que dei ..... a todos, peço desculpa.

O gesto dado foi impensado descredibilizando-me perante todos. Talvez me dêem outra oportunidade, talvez não, só tenho que aceitar as consequências de tão irreflectido acto. Informo que um pedido de desculpas personalizado já foi enviado ao deputado José Magalhães e ao Dr. Paulo Gorjão.

Uma vez mais, as minhas desculpas.


[Permalink] 14:49 | Publicação: Deputado CARLOS RODRIGUES | Comentários (7) | 'Trackback/Pingback' (2)"

FIM DO PAST

Acresce que a ligação referida no post anterior já foi desactivada.

Sem palavras.

No words.

Sans paroles.

A minh'alma está parva.

Qué pasa?

Aqui No Pasa Nada!!

terça-feira, outubro 12, 2004

Democracia

Um blog acusado de propagandear a FLAMA.

O endereço é: http://blogs.parlamento.pt/flama/

Saudação

Estreio-me no mundo blogguístico saudando todos aqueles que gentilmente despenderam parte do seu tempo para consultarem este diário. A iniciativa de criar um espaço de reflexão e pensamento surgiu de um imperativo de consciência e da enorme necessidade de expor ideias que, de forma frequente, me são suscitadas pelas mais diversas fontes e origens.

Visa apresentar os referidos Fragmentos em total Liberdade e Autonomia sem Melindres nem Acrimónia.


É da autoria de um deputado do PSD, eleito pela Madeira.

Já agora...

Como parece que sou só eu que não tenho link a um artigo do Eduardo Cintra Torres que tanto brado está a dar, aqui fica a ligação.

Públicas virtudes

excertos, ao calhas, de Os Segredos da Censura, de César Príncipe, Lisboa, Caminho, 1979, 2.ª edição.

25/4/68. «Os réus do Plenário não devem ser tratados por senhores.»

28/4/68. «Aniversário do presidente do Conselho. Não dizer que completou 79 anos. Major Tártaro.»

12/5/68 (23). «Notícia do Agora de que o Dr. Mário Soares foi nomeado director-delegado da CUF na Ilha de S. Tomé - CORTAR. Dr. Ornelas.»

18/5/68. «Reunião da Liga Popular Monárquica em Macedo de Cavaleiros - CORTAR a designação de «Popular». Tenente Teixeira.»

3/7/68. «Crise da batata e do vinho, em Oliveira do Bairro e Oliveira do Hospital - CORTAR. Tudo quanto se refira à "OPUS DEI" - CORTAR. Coronel Saraiva.»

21/7/68. «Anúncio da fábrica de Coina sobre a exportação de 1 milhão de gabardines. Não dizer que vão para a Rússia. Capitão Correia de Barros.»

27/6/71 (22,55). «Anúncios, notícias ou qualquer referência ao livro O Valente Soldado Chveik, Edições Europa-América (que está proibido) - são para CORTAR. Coronel Roma Torres.»

15/12/71 (23,35). «O Diário Popular publica um anúncio: "O que é a verdade? Quem quiser saber vá à Avenida Afonso Henriques" - CORTAR. Coronel Saraiva.»

18/12/71 (23). «Reunião da Ordem dos Médicos (Lisboa), em que foi criticado o Dr. Rebelo de Sousa, como ministro e como médico, e foi louvado o Prof. Miller Guerra e em que se falou da violação de correspondência enviada pela Ordem aos sócios - CORTAR. Coronel Roma Torres.»

31/10/72 (22,55). «O Presidente da República vai a uma caçada - NÃO SE PODE DIZER NADA. (...) Capitão Correia de Barros.»

13/8/73 (23,55) «(...) Dr. Rui Patrício, entrevista, em Hamburgo. As notícias devem apoiar-se nos telegramas da ANI e não da Reuter. Coronel Garcia da Silva.»


Não esquecer

Ligar para a TV Marcelo.

A minha televisão avariou-se.

A padaria estava fechada...

... não houve a multiplicação dos pães.

No Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte...

... não há dinheiro.

Para reformas.

As opções são:

. Raising taxes to pay for the state pension

. Increase the savings levels

. Increase the state retirement age

. Accept that the number of poor pensioners will grow.

O dossier da BBC é preocupante para eles.

Azar.

São ingleses...

segunda-feira, outubro 11, 2004

Portuguesas e portugueses...

- ... digam-me: há alguém mais lindo do que eu?

- Enquanto pensam, já repararam nesta colcha, que trouxe agora da Covilhã, para vos impingir... quero dizer, para vos dar a oportunidade rara de possuirem algo de extraordinário?

- Já repararam bem?

- Pois bem. Olhem e vejam que tem três metros deste lado e [acção de virar a colcha ao contrário] mais três deste.

- Estão a ver?!

- Vão comprar uma colcha com seis metros pagando apenas por uma de quatro, que faço um desconto de 30 por cento!

- Então: há alguém mais lindo do que eu? Não há!, que vos garanto eu! Eu! O mais difícil dos bonecos da bola.


Questões importantes

Scientists bewildered by sharp rise of CO2 in atmosphere for second year running.

Está no Guardian de hoje.

Rússia

Site que permite seguir o julgamento do presidente da Iukos.

É do próprio Khodorkovsky, mas é uma fonte de informação privilegiada. É só dar o desconto.

vidinhas

A contradição entre o dito e o feito é tão velha que deu azo a vários ditados populares.

Olha para o que digo, não para o que faço.

Bem prega Frei Tomás,...

Hipocrisia será, talvez, o termo mais adequado para classificar este comportamento.

Desvergonha também não fica mal.

Enfim, a riqueza da língua pemite um exercício classificatório intenso e extenso.

A contradição é particularmente grave quando envolve pessoas, algumas com funções de arbitragem, pagas pelos contribuintes, que concluem ao comentar conflitos que o melhor árbitro é o público - do qual estão protegidos.

A não ser que estejam a apelar, indirectamente, à fuga ao fisco.

domingo, outubro 10, 2004

Minorias organizadas

Os autores do blog Diário Ateísta destacam esta citação da antropóloga Margaret Mead:

Não duvideis que um pequeno grupo de cidadãos,
ponderados e empenhados, possam mudar o mundo.
É que na verdade, é a única coisa que o tem mudado.


Completamente verdade.

No news.

Também podiam citar os autores da microeconomia ou estudiosos do sindicalismo.

Ou recordar, na política, fenómenos como o poder salazarista, o golpe de Estado do 25 de Abril, a fundação dos actuais partidos políticos portugueses (para não se ir muito longe), ...

Quantos membros tem a classe política portuguesa, entre ministros, deputados, autarcas, gestores dependentes de nomeação política, candidatos a isto tudo? Digamos 50 mil. Falamos de 0,5 por cento da população. Repetimos: 0,5% da população. Mas podemos exagerar e duplicar o número: 100 mil = 1%.

É sempre assim: uma minoria - organizada, activa, empenhada, teimosa - consegue sempre resultados muito acima do que era de esperar da mera projecção socio-politico-económica da sua dimensão estatística.

A lógica do império da minoria é reforçada quando se sabe que de este universo que disputa o poder (político, note-se, que é menos importante, apesar de ser o mais visível) apenas parte o vem a deter nominalmente. Por exemplo, José Sócrates ganhou o PS com 30 mil votos (0,3 da população). Primeiro passo para amanhã (2005? 2006?) vir a ser eventualmente sufragado como primeiro-ministro por, digamos, 2,3 milhões de votantes, que correspondem a 23% da população, mas poderão significar 43% de votantes se votarem os mesmos que nas legislativas de 2002 (5,4 milhões) ou 33% se votarem 80% de um universo eleitoral em torno dos 8,7 milhões.

Caso contrário, seria de esperar uma grande visibilidade nos círculos do poder efectivo, com alguns reflexos mediáticos, dos 20% de portugueses pobres ou perto de um estado de pobreza.

Mas não.

Um grupo 20 vezes menor tem uma exposição mediática que esmaga a do outro (o que é um bom pretexto para discutir as formas e possibilidades de acesso do designado público à designada comunicação social).

Estatisticamente há a distribuição normal, com as suas regiões críticas, onde se pode/deve colocar os que se destacam, por boas ou más razões; no meio, no imenso meio, centrão, de 90 por cento da amostra, fica a massa, que segue, obedece, faz número, está n'outra.

Um outro antropólogo, Maurice Godelier, escreveu sobre A Produção dos Grandes Homens.

O problema não é a organização de minorias, nem sempre ponderadas, mas os mecanismos de controle, compensação, auto-regulação e representação que a sociedade tem.

Porque, precisamente, aquelas minorias nem sempre são ponderadas.

E Mead sabia-o.

Por isso não se cansava de tentar mobilizar, ensinar, esclarecer o maior número.

Mas os dias de hoje são diferentes dos de ontem, passe a lapalissada.

Mesmo assim, ontem o PCUS tinha um controlo total sobre os meios de comunicação legais.

O que lhe aconteceu?

Implodiu.

É a vida.

Será que a tragédia se repetirá, mas agora como farsa, para citar o das barbas?


sábado, outubro 09, 2004

Joguinhos e realidade

Há temas que se impõem e não se compadecem com o agenda-setting.

A possível redução da oferta petrolífera é um deles.

Fica, para já, este registo de um blog sobre o peak oil.

Quando houver oportunidade seguirá o desenvolvimento.

Os responsáveis e dirigentes económicos, sociais e políticos deveriam começar a estudar o assunto.

Não basta aumentar a carga fiscal.

O problema não é reduzir a procura, mas procurar alternativa à oferta.

"Isto" está entregue aos bichos?

Gorbachov está pessimista: It’s obvious the rapid process of change is outpacing our ability to adjust to this global world.

A revista The Economist não está melhor: The G7 no longer governs the world economy. Does anyone?

A mood é o pessimismo, o diálogo de surdos, o extremar de posições.

O que é que isto significa?

O mundo entrou em plano inclinado, onde desliza a uma velocidade uniformemente acelerada?

Conseguir-se-á pôr os bichos na jaula?

O micro-sistema Terra entrou en ruptura, a caminho de uma refundação/reformulação social (mais degradada, mais selvática, mais na base da força bruta, com o monólogo ditatorial a subjugar o diálogo mais ou menos democrático)?

A dissipação dos laços sociais, a consagração da polarização identitária, a preservação do interessezinho/poderzinho individual, torna impossível a vida em conjunto?

Ou tudo isto é apenas a chegada ao Ocidente de uma não-vida que tem sido o quotidiano em largas partes do mundo, afectando a maioria da população mundial?

Ou tudo isto é apenas o resultado de uma má gestão da conjuntura internacional pela potência dominante?

Se a tomada do poder é uma questão técncia (Malaparte), a sua gestão e preservação não se pode/deve reduzir à lógica da força.

Ou pode?

sexta-feira, outubro 08, 2004

A Quem Possa Interessar

November 8, 2002—A free press can reduce poverty and boost economic development in poor countries but the success of newspapers, radio and TV stations in spurring development depends on their independence, quality, and their ability to reach a wide audience, says a new book published by the World Bank.

Spin, mentira, cara-de-pau, ...

... a sério é nos EUA.

Ver Bradford Delong.

O resto... é o resto.

quinta-feira, outubro 07, 2004

SOS Estupidez

Começou a saison dos praxistas nas universidades.

Pensar o impensável

Um mundo inviável a prazo?

Esta é uma das interrogações de um seminário sobre desenvolvimento sustentável (Há outro? Que pleonásticos) que o IST está a organizar.

O programa é atraente e os animadores também.

Como melhorar o pensamento intra-paredes universitárias?

Como vulgarizá-lo?

Como ter resultados concretos?

As pontes aqui fazem - muita - falta.

Bridging.

Clustering.

Se as coisas derem para o torto, vai tudo: rico e pobre.

Quais serão as probabilidades de um resultado diferente?

Ou nem vale a pena pensar nisso?

Quem ficar para o fim que feche a luz e apague a porta?

Entretanto, vamos gozar antes que seja tarde, que a vida são dois dias e o Carnaval três, isto já estava assim, blá-blá-blá...


Questões importantes

Este artigo de Teresa de Sousa tem motivos de reflexão.

Permite, por exemplo, contrastar responsabilidades com capacidades, soundbytes com realidades, senhores com doutores, interesse público com interesse privado, tachos com trens de cozinha e - até - perceber que há outros mundos além da cozinha, do apartamento, da rua, da aldeola, da vilória, da capitalzinha (e das suas múltiplas atracções: mulheres, álcool, jogo, néon, cerveja em copos de plástico...).

Mundos onde conta quem pode, não quem quer nem quem se põe em bicos de pé ou só aparece qual rémora, condenado ao papel de figurante na fotografia, quando lhe é autorizada a presença no cenário.

Dos outros, dos 'não pode', o que se pode dizer é que, apesar de ignorados e da ausência de força, em qualquer que seja a vertente de análise, usam a sua última arma: morrer na praia, à porta do paraíso.

Os que não morrem entram fronteiras europeias dentro.

Adriano Moreira tem falado das várias fronteiras - política, económica, segurança, cultural, militar, ... - e do aborrecimento de não coincidirem. Dificulta a sua estanquicidade, a sua defesa.

Pois, no caso concreto das pessoas, leia imigrantes, elas entram mesmo cá no espaçinho, por muitas que morram a atravessar o Mediterrâneo ou a caminho da fronteira leste europeia, ou por muitas que fiquem acampadas a leste do paraíso ou no sul norte-africano.

É a lei dos grandes números.

O artigo, apesar de alguma poluição, perturba.

Saudavelmente.


O relatório do 11 de Setembro

Está atrasado, mas ainda e sempre a tempo.

O relatório da National Commission on Terrorists Attacks Upon the United States, criada pelo Congresso e o Presidente dos EUA.

Allways the same?

Follow the money.

O Eduardo Dâmaso é sempre uma leitura interessante.

Portugal

R. I. P.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Rússia

O imenso país está a morrer?

É mais do que uma pergunta de retórica.

É ler na New Yorker o trabalho do jornalista Michael Specter, intitulado The Devastation: In 1991, on the day the Soviet Union was dissolved, Russia’s population stood at a hundred and forty-nine million. Without the huge wave of immigration from the former Soviet republics which followed, the country would have lost nearly a million people each year since then. If Russia is lucky, by 2050 the population will have fallen by only a third, to a hundred million. That is the most optimistic government scenario.

Que prazer!

A minha inteligência está satisfeita.

Que prazer está a ser assistir aos debates eleitorais nos EUA.

Números, factos, argumentos, contra-argumentos, raciocínios lógicos, alguns números de circo, capacidade de síntese, de mostrar respeito por um adversário que (adivinha-se, sente-se, pressente-se) despreza-se no mais profundo do respectivo ser,...

Nem teleponto nem gritaria histérico-arruaceira/trapaceira.

Passou-se à fase superior, inteligente, do confronto político.

Descobrir o soundbyte (flip-flop; erro colossal; não se aguentam mais quatro anos destes;...).

Montar uma rasteira.

Inventar um truque.

Mas com muito sumo à mistura.

É a refinação da luta política à argumentação, à retórica, à demagogia (no sentido radical da palavra).

Há muito estudo, muita preparação, alguma teatralização, de mistura com experiência.

O mais fraco quebra e foge à contra-argumentação, à desmontagem da lógica adversária, talvez até incapaz de perceber a base da crítica que lhe é feita, e refugia-se na cassette, no dogma, no monólogo.

Mas é evidente que o ar civilizado, inteligente, frutífero, que cada candidato pretende apresentar naquela hora e meia de frente-e-frente não faz esquecer a existência de jogo sujo, mais ou menos subterrâneo no dia-a-dia, nem impede frases agressivas mais ou menos infelizes - ou reveladoras do que vai na alma - na vontade de esmagar o adversário de forma impiedosa.

É o jogo das aparências - e das potências.

Interessante.

Incomparável com as sucessões de "olhe", "repare", "ouça", "veja", "perceba", "note" ou "entenda", entre outras buchas típicas da discussão política indígena.


GenoSídia em África

Apesar de não ser novo o tema, a tragédia da Sida em África ganhou notoriedade com a referência que lhe fez o candidato democrata à vice-presidência dos EUA, John Edwards, hoje no debate com o vice-presidente Dick Cheney.

Genocídio, disse ele, para se referir à situação.

Mas - longe da vista, longe do coração -, o que se passa na Rússia?

Ou na China?

Darfur, Sudão: Paroles, paroles, paroles

Talk is cheap.

5 October 2004 – The Sudanese Government made no progress last month in either stopping militia attacks against civilians in Darfur, disarming those armed groups or prosecuting the individuals responsible for the worst atrocities, the senior United Nations envoy to Sudan said today.
(...)
About 1.45 million people in Darfur are IDPs and there are another 200,000 refugees in neighbouring Chad because of the Janjaweed attacks and also fighting between Sudanese Government forces on one side and the Sudan Liberation Army (SLA) and the Justice and Equality Movement (JEM) on the other.
(...)
Mr. Pronk told the Council that "care for the weak and the poor seems to be a scarce commodity in Khartoum".

Crise humanitária em Gaza

5 October 2004 – The ongoing violence in Gaza, on top of the sharply deteriorating humanitarian situation this year, is pushing the Palestinian population into a deep crisis, a dozen United Nations aid agencies working in the region warned today.
(...)
Since 28 September, 82 Palestinians have been killed in Gaza, including 24 children, while 5 Israelis - including 2 children - have lost their lives. For the year, approximately 45 Palestinians have been killed each month in Gaza and poverty rates are predicted to rise to 72 per cent.

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