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terça-feira, novembro 30, 2004

O folhetim 'media' (VI)

Quando o Jornalismo Não Se Respeita, por Eduardo Cintra Torres.

A Turba, por Eunice Lourenço.

Ambos no Público.

Mário Cesariny

Mário Cesariny em retrospectiva no Museu da Cidade.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Cortes, elites e bobos

Todas as Cortes têm os seus bobos.

Sempre foi assim.

As elites precisam (precisavam) de distracção, quando não estão (estavam) nas alcovas...

Mas, co'os diabos, se andam nas alcovas, se se ficam nas covas, não podem esperar melhoras no que dirigem, ou dirigiram.

E não se devem admirar que os bobos tomem os seus lugares.

Por exemplo, na sociedade mediática, quem manda?

O que conta?

O que vale?

O que determina?

Raramente, por paradoxal que pareça (lá está, o parecer), é o visível, o óbvio, o conhecido.

Nem todos têm as chaves do conhecimento, mesmo os que têm conhecimento das chaves.

A espectacularidade mediática esconde a produtividade estrutural.

É mau se se reduz a análise à orgia de sensações, cores, caras, declarações, sentimentos, que jorram no espaço púiblico.

Quem vê caras, não vê corações.

Os bobos da Corte chamam e prendem a atenção, mas não esclarecem as intrigas palacianas.

Já agora, o interesse do Reino e dos sujeitos à Reinação onde é que entram nesta anedota?

Kasparov com razão

Está comprovado que o xadrez ajuda a melhorar a atenção, a disciplina, o pensamento lógico e a imaginação. Não é por acaso que, nas 13.000 escolas americanas onde se ensina xadrez, as crianças têm melhor desempenho em disciplinas como matemática e redacção.

Excerto da entrevista publicada na Visão, de 25 de Novembro de 2004.

Será verdade?! (6)

Desemprego, corrupção, imigração, saúde e consumo são factores apontados como obstáculos para a segurança humana em Portugal, de acordo com dados do relatório de 2004 da Social Watch.

Em Portugal?!

Kasparov com graça

Para quem é brilhante, a sorte pesa menos. Quando o talento de uma pessoa é excepcional, como no meu caso, fica mais difícil passar uma vida inteira sem que ele seja descoberto.
(...)
É bom ser uma celebridade. Você ganha dinheiro, come a melhor comida, fica nos melhores hotéis e, no meu caso, tem liberdade de expressão. Por outro lado, por uma questão de segurança, vivo como se houvesse um vidro a separar-me do resto da humanidade.
(...)
Jogar cansa-me cada vez mais.

Excerto da entrevista publicada na Visão, de 25 de Novembro de 2004.

Princípio de Peter

Bater em bébés é inconcebível.

Nas mulheres também.

Onde estarão as minhas chaves?

domingo, novembro 28, 2004

Sugestão

Ser um cidadão jornalista.

O como está aqui.

sábado, novembro 27, 2004

Há mortes que custam muito a conhecer

Morreu Fernando Vale, um santo laico, como já foi classificado.

Um exemplo.

Alguém que não se limitou a estar de passagem entre o nascimento e a morte.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Iraque: Economias de guerra

A Halliburton Co. perdeu o controlo do património que devia gerir no Iraque, para o tinha sido paga.

A acusação é do inspector-geral da (já extinta) Coalition Provisional Authority, que já fez chegar ao Congresso dos EUA um relatório com o que apurou.

O documento está aqui.

Media: que importância?

Na Ucrânia só em Setembro de 2003 apareceu um canal de televisão desalinhado do poder político, o Kanal 5, nota Le Monde.

Até então, e mesmo depois, acrescenta, predominava a lei dos temnik - a l'exception de Kanal 5, les chaînes sont brutalement censurées par le cabinet de la présidence de la république, via ce que l'on appelle les "temnik", des notes quotidiennes envoyées aux directeurs de rédaction dictant les sujets à traiter, la façon de le faire et parfois des commentaires clé en main.

De que serviu todo este controlo e intimidação?

Droga (13)

26 de Novembro de 2004

Relatório Europeu: Consumo de 'ecstasy' e de cocaína sobe na Europa (DN).
Um grande número de consumidores de droga, «provavelmente crescente», sofre de perturbações psiquiátricas, como esquizofrenia ou depressão (DN).
Um em cada cinco adultos europeus já experimentou cannabis (DN).
Portugal continua a liderar as estatísticas europeias do HIV/sida nos toxicodependentes que se injectam (115,7 novos casos por cada milhão de habitantes)(DN).

25 de Novembro de 2004

O ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, defende que a nova estratégia contra a droga deve primar pelo rigor científico, ser auditável nos resultados e envolver a sociedade civil.
(...)
Para o ministro, depois de todo um caminho percorrido, que permitiu chegar a 2004 com 30 mil toxicodependentes em tratamento e 350 mil consultas, sem listas de espera, "estão reunidas as condições para um combate integral e transversal às drogas".
De acordo com o relatório anual da evolução do fenómeno da droga na União Europeia e na Noruega, hoje apresentado no Congresso, Portugal regista um aumento do consumo de cannabis, anfetaminas e cocaína e uma diminuição do consumo de drogas injectadas
(SIC).

A falta de eficácia da prevenção primária no sector da toxicodependência e a ausência de parcerias entre as instituições que se dedicam à área e a sociedade civil são alguns dos aspectos mais sublinhados na avaliação externa feita pelo Instituto Nacional de Administração (INA) à Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga, relativamente ao período entre 1999 e o final do segundo semestre de 2003. (Público)

24 de Novembro de 2004

P - Considerando a toxicodependência como uma doença, sabe-se, em Portugal, quais são os métodos de tratamento mais eficazes?

R - Não. Para muita gente, dizer que a toxicodependência é uma doença não é sequer aceite. Vimos de um percurso em que as toxicodependências não vêm da saúde, chegaram agora à saúde, que tem critérios científicos. O problema tem sido a aplicação da evidência científica. Nem todas as abordagens têm que ser equivalentes: quais é que produzem melhores resultados? Quais produzem mais altas? Quais é que reabilitam mais pessoas? Esse dado não existe, porque, nas toxicodependências, não há sempre uma cultura científica de base.

Entrevista (excerto) ao presidente do IDT, no (Público).

Cavaco: Sempre a descer até 2006

O ex-primeiro-ministro Cavaco Silva advertiu esta quinta-feira, no Porto, que a situação económica em Portugal «é complicada» e que o país «vai continuar a empobrecer até 2006», afastando-se «cada vez mais» da Espanha e da União Europeia.

Na TSF.

quinta-feira, novembro 25, 2004

Mãe

Mum's the word, says the world .

Um alerta terrível, muito sério

Não é novo.

Vem num jornal.

É de um político (ex?)-soarista reformado que chegou a trocar de barricada e a colaborar com Manuela Ferreira Leite.

Mas Medina Carreira, no Diário Económico, é muito avisado, claro e esquemático.

Não se dirá futurista, porque o que faz mais não é do que prolongar no futuro consequências de manutenção de políticas passadas e actuais.

Ao crucificar Cavaco e Guterres e defender que é impossível sustentar uma tendência de explosão nos gastos sociais (apesar da incipiência da base de partida), Medina Carreira passa por cima (por falta de espaço, certamente) das razões do débil crescimento da economia e não se pronuncia sobre a evasão fiscal.

Porém, as acções correctivas passariam por conter os gastos sociais, mas também pelo estímulo da economia e pelo combate à evasão fiscal.

Será que isto está na agenda da direcção política?

No caso de estar, será que o poder político tem alguma influência sobre o que se passa em Portugal?

Qual?

O choque tecnológico do José Sócrates não é a produtividade tão falada pelo Silva Lopes, re-vestida se calhar pelo Manuel Pinho? E tudo junto não significa pedir para participar em alguns consórcios de I&D (fomentados pela Defesa) europeus ou, preferencialmente, norte-americanos?

Qual a razão de analisar a economia 'portuguesa' sem ser por força da inércia, uma vez que o que cá se passa mais não é do que ondas de choque dos EUA - por exemplo, o preço do barril (baril) do petróleo -, da Alemanha ou do Reino Unido?

Alguns economistas têm alertado para a impossibilidade de Portugal aguentar 10 milhões de pessoas...

No fim, vai tudo ter à questão da sustentabilidade.

Max Weber, 1919

Há duas formas de fazer da política uma profissão. Ou se vive «para» a política ou se vive «da» política.
(...)
Vive «da» política, como profissão, quem trate de fazer dela uma fonte duradoira de receita; vive «para» a política quem não se acha neste caso. Para que alguém possa viver «para» a política neste sentido económico (...) deve ser economicamente independente das receitas que a política lhe possa proporcionar. Dito da maneira mais simples: tem que possuir um património ou uma situação privada que lhe dê rendimentos suficientes. (...) Neste sentido, só é plenamente livre aquele que recebe um rendimento sem trabalhar (...) Neste sentido, nem o operário nem a entidade patronal (e há que ter isto muito em conta), especialmente as grandes entidades patronais modernas, são livres.
(...)
No passado, as remunerações típicas com que os príncipes, conquistadores ou chefes de partidos triunfantes, premiaram os seus partidários foram os feudos, a doação de terras, as prebendas de todos os géneros e, mais tarde, com o desenvolvimento da economia monetária, as gratificações especiais. O que os chefes de partido dão hoje como pagamento de serviços leais são cargos de todo o tipo em partidos, jornais, confrarias, Caixas de Segurança Social, e organismos municipais ou estatais. Toda e qualquer luta entre partidos visa, não só um fim objectivo, mas ainda e acima de tudo, o controlo sobre a distribuição dos cargos.
(...
Nas antigas colónias espanholas (...) tudo gira sempre à volta dos tachos estatais, em que se querem saciar os vencedores.
(...)
Com o incremento do número de cargos, consequência da burocratização geral e o crescente apetite por esses cargos como modo específico de assegurar o futuro, esta tendência aumenta em todos os partidos, cada vez mais encarados pelos seus seguidores como o meio para alcançar o fim: a obtenção de um cargo.

Max Weber, A Política como Vocação, in O Político e o Cientista, Lisboa, Presença, 1979, pp. 20ss.

Caramba. Isto em 1919 era pouco recomendável a almas sensíveis, sonhadoras e crentes na bondade dos sistemas de representação, escolha e eleição. O que vale é que se evoluíu.

Ucrânia (3)

(Alguns) sites para acompanhar a situação:

The Periscope.

Maidan - este dos militantes da Revolução Laranja, expressão que está a designar o protesto, que referem a presença de tropas especiais russas em Kiev.

Ucrânia (2)

You have to understand the situation in Ukraine. The country is run by a series of oligarchic clans that actually found their beginnings in the Soviet Union, and then grew fabulously rich during the early days of "privatization".
(...)
Yanukovych isn't just another unscrupulous candidate, he's the main man of Akhmetov -- the duke of Donetsk and the richest man in Ukraine. The current president, Kuchma, is the head of a different clan, Dnepropetrovsk. The presidential administrator is Medvedchuk, who happens to run the Kiev-based Medvedchuk-Surkis clan. He also owns the two biggest Ukrainian TV stations, which is awfully convenient.
(...)


No Le Sabot Post-Moderne.

Saldanha Sanches (2)

(tenho estado adoentado e não tenho acompanhado a realidade como gostaria)

O Saldanha Sanches já foi contraditado?
As suas sugestões no Expresso tiveram seguimento?
Tem havido reacções?

O Jumento fez o favor de disponibilizar o artigo aqui.


Ucrânia

A independência da Ucrânia modifica a natureza do próprio Estado russo. Sem a Ucrânia, a Rússia deixa de ser um Império na Eurásia (Zbigniew Brzezinski).

Se custou muito a Moscovo digerir a independência da pequena Rússia, imagine-se vê-la derivar para o Ocidente... ou, na melhor das hipóteses, escapar ao seu controlo.



segunda-feira, novembro 22, 2004

Democracia

A democracia é o pior de todos os sistemas políticos, com excepção de todos os outros sistemas políticos.

A blague é famosa.

Mas convém começar a ser ponderada.

Não para promover qualquer um dos outros sistemas, mas para relativizar a valia da dita democracia.

Se se quiser, para pensar sobre a fragilidade dos pressupostos em que assenta e a vulnerabilidade a intenções de malandrins.

No limite, para encarar a possibilidade de - perante a sua redução a um ritual folclórico, formal, enviezado - ser tão bom como qualquer um dos outros.

O que acaba de se passar na Ucrânia é apenas a última manifestação em série da lógica de que o que interessa é vencer, ter mais votos do que o adversário.

O resto (os meios) adapta-se, inventa-se, aplica-se, conforme a necessidade, para atingir este fim.

Há assim a possibilidade de assistir a festivais de democracia nos mais países mais insuspeitos de tal prática e, vice-versa, de registar comportamentos nada democráticos, para ficar por este registo classificatório, nos países mais insuspeitos de tal prática.

Droga (12)

Os jovens portugueses consomem cada vez mais ecstasy, começam cada vez mais cedo e fazem-no cada vez mais associando outras substâncias. Um estudo efectuado recentemente em Coimbra revela uma realidade que já não se circunscreve a ambientes e grupos específicos. Estendeu-se das tradicionais "raves" para ambientes fechados como discotecas e vai muito além da camada jovem, porque ajuda gente socialmente integrada a descomprimir da semana de trabalho.

No JN.

Droga (11)

L'Afghanistan accro au pavot

Le boom de la production d'opium en 2004 fait de ce pays, fournisseur quasi exclusif de l'héroïne en Europe, une «narco-économie».

Depuis que les talibans ont été chassés du pouvoir, fin 2001, par une coalition internationale sous mandat de l'ONU conduite par les Etats-Unis, la production de drogue n'a cessé d'augmenter en Afghanistan. C'est ce que con firme de manière spectaculaire le rapport de l'Office des Nations unies contre la drogue et le crime (UNODC). L'Afghanistan, qui tire 60 % de son produit intérieur brut de l'exportation de stupéfiants ­ contre seulement 7 % pour la Colombie ­ est devenue une narco-économie. Comment, en trois ans, le pays des talibans est-il devenu le pays des trafiquants?


Um dossier no Libération.

domingo, novembro 21, 2004

Saldanha Sanches

O (também) professor de fiscalidade é para levar a sério.
Tanto quanto sei, acho que sempre foi.
Se a PIDE não o vergou...

Please

Why Oh Why Can't We Have a Better Press Corps?

(...)

May we please have budget stories written by people who understand the budget?


Um pedido (ingénuo? irónico? desesperado? estilo 'poupem-me a estas leituras'?) do Bradford DeLong.

Re/Ler Re/Descobrir Re/Visitar

Guerra Junqueiro.
Oliveira Martins.
Eça.
Século XIX.

Conselheiro Acácio.
Pés-de-barro.
Verbo-de-encher.
Flops.

Salazarismo.

Propaganda, Ideologia, Instrução, Influência, Manipulação, Condicionamento e Verdade Científica (V. Volkoff).

Princípio de Peter (L. J. Peter).

Droga (10)

"Deparam-se-nos fenómenos novos a ter em atenção, não só pelo aparecimento de drogas sintéticas como também pelo policonsumo, como, por exemplo, o consumo de álcool em associação com outras drogas, a que é preciso dar respostas novas", defendeu Nuno Freitas. Para o presidente do IDT, outro fenómeno a ter em conta nessa estratégia é o do alcoolismo juvenil. No Público.

O que significa falar em consumo do álcool em associação com outras drogas?
Que o álcool é uma droga? E o tabaco? E a televisão? E o futebol? E a religião?

Então, vai-se proibir o álcool, à semelhança das outras drogas?

Ou vão-se legalizar as outras drogas, à semelhança do álcool?

Seja como for, está aqui uma boa oportunidade para definir droga. O que é uma droga?

Vão-se averiguar as razões do consumo?

Vai-se averiguar por que os cartéis da heroína (e os pobretanas dos produtores da papoila do ópio) estão satisfeitíssimos com a situação no Afeganistão?

Vão-se fazer estudos e inquéritos e painéis e mesas-redondas e conferências e debates e congressos e magnas reuniões sobre como se lava o dinheiro, quanto é, onde se aplica, a quem beneficia, e assim...?

Há uns matemáticos sociais que criaram uma igualdade, em que de um lado estão uns milhões de desgraçados (ou já mortos, ou vegetais em vida, ou assaltados, ou familiares destruídos, ou contribuintes financiadores do que se designa por indústria da guerra à droga, ou com direitos cívicos reduzidos em nome desta indústria, ou...) e do outro um punhado de fulanos ricos, com poder, alguns dos quais inclusive respeitáveis filantropos e homens públicos.

Estarão certos?

Arafat (4)

Une copie du dossier médical de Yasser Arafat a été remise à sa veuve Souha. Une autre copie doit également être confiée à son neveu afin d'être examinée par un comité ministériel palestinien.
(...)
On ajoute au ministère de la défense que les médecins militaires ne commenteront pas les interprétations qui pourraient, à l'avenir, être faites du contenu de ce dossier. "Des exploitations non médicales d'informations médicales sont toujours possibles, confie-t-on. Il nous semble toutefois, au vu des investigations conduites et des données objectives contenues dans ce dossier, que la marge de manœuvre de ceux qui voudraient se livrer à de telles exploitations est très réduite." (Le Monde)

E então?

Morreu de quê?



sábado, novembro 20, 2004

Iraque: Custo orçamental para EUA

Rising War Costs: Monthly war spending passes $5.8 billion, chiefs tell Congress

The service chiefs of the Army, Navy, Air Force and Marine Corps told the House Armed Service Committee that the price of war has jumped as fighting continues and reconstruction efforts are stymied by security concerns. And, in a few months, more money will be needed.

No Global Security.

Alan Greenspan acaba de avisar:

Current account imbalances, per se, need not be a problem, but cumulative deficits, which result in a marked decline of a country's net international investment position--as is occurring in the United States--raise more complex issues. The U.S. current account deficit has risen to more than 5 percent of GDP. Because the deficit is essentially the change in net claims against U.S. residents, the U.S. net international investment position excluding valuation adjustments must also be declining in dollar terms at an annual pace equivalent to roughly 5 percent of U.S. GDP.

Droga (9)

Afghan heroin production 'boom': U.S., NATO forces urged to do more to curb $2.8bn trade.

sexta-feira, novembro 19, 2004

Portugal, numa autópsia

(...)
Em explosões de cólera e impulsos de afirmação cívica insurgia-se contra uma sociedade em manifesto declínio. Dirigiu-se, contudo, à parasitagem burocrática, advogalhada de São Bento, compadrio de batoteiro, mediocridade palúrdica e podridão contagiosa, envolvidos em grandes traficâncias e corrupção visceral, ao mesmo tempo que promoviam glorificações mercenárias e apoteoses aviltantes, ostentando à descarada ironia céptica, galhofa cínica, humor sibarita e riso canalha.
(...)
No texto que pretendeu ser um balanço patriótico, Junqueiro caracteriza o homem português em face da crise, num repositório de afirmações cáusticas: um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que nem já com orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalépsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai.
(...)

Guerra Junqueiro, recordado por António Valdemar, no DN.

Corrupção (3)

On December 9, 2004 citizens around the world will celebrate the first ever United Nations International Anti-Corruption Day.

O folhetim 'media' (V)

19 de Novembro de 2004

"Indicações parlamentares e partidárias"

O Governo questiona a credibilidade e a isenção do relatório da Alta Autoridade para a Comunicação Social sobre o "caso Marcelo" e rejeita as conclusões apresentadas. Morais Sarmento diz mesmo que em causa estão "indicações parlamentares e partidárias". O PS desafiou o primeiro-ministro a debater o assunto no Parlamento. Santana Lopes não respondeu. (SIC)

Morais Sarmento: Alta Autoridade para a Comunicação Social é «um cadáver»

Lisboa - O ministro de Estado e da Presidência, Nuno Morais Sarmento, declarou, esta quinta-feira, que o relatório da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) sobre o «Caso Marcelo» não é credível, dado que não foi provada a existência de pressões, classificando o órgão como «um cadáver». (PNN - agencianoticias.com)

28 de Outubro de 2004

Esperar pela Alta Autoridade

A maioria rejeitou hoje as propostas da oposição de debates e audições parlamentares para discutir o caso Marcelo. O PSD e o CDS-PP argumentam que é necessário esperar pelas conclusões da Alta Autoridade para a Comunicação Social. (SIC)


São Tomé e Príncipe

Estávamos em casa quando o telefone tocou. Era o Carlitos, enfermeiro do centro hospitalar, a informar que tinha chegado uma criança em muito grave condição. Pediu-me que lá fôssemos para o auxiliar. Assim fizemos. Não havia electricidade, estava tudo escuro, somente se distinguia uma ténue luz de uma vela por entre as janelas. Depáramo-nos com uma situação de plena angústia: a criança, deitada numa maca com uma vela perto dela a iluminá-la, apresentava uma grande dificuldade respiratória e estava com uma bradicárdia enorme. Perguntámos ao enf. Carlitos e existia algum ambú pediátrico. Comecei a insuflar com o ambú, garantindo alguma entrada de oxigénio para os pulmões deste menino, enquanto o Dr. Yuri ia auscultando para garantir que a ventilação estava a ser adequada. Porém, a criança apresentava uma grande quantidade de secreções que lhe estavam a entupir as vias respiratórias.
Sabíamos que a criança não aguentaria muito tempo naquelas condições. Assim, ponderámos levá-la para o hospital central na capital. Contudo, a viagem a uma velocidade segura, demora aproximadamente 90 minutos. Mesmo 40 minutos seria tempo demais. Tínhamos de desobstruir as vias respiratórias da criança de imediato. Apesar da vontade e experiência do Dr. Yuri, não existia material para que tal acção pudesse ser realizada. Comecei a insuflar o ambú e começaram a sair secreções da boca do menino. Perguntei de imediato se tinham aspirador ou algo para aspirar a criança. Dizem-me que não. "Pensa", disse para mim mesmo. Pergunto por uma sonda de aspiração normal, mas também não havia. Então, pedi um sistema de soro, cortei as pontas e, com uma extremidade na minha boca e a outra na boca do menino, fui aspirando uma quantidade enorme de secreções. Vou alternando com o ambú. Queria uma bala de oxigénio para que o ambú fosse mais eficaz... também não havia. A criança começa com batimentos cardíacos cada vez mais lentos, cada vez mais distante. Iniciámos massagem cardíaca mas não resultou: o pqueno coração daquele menino com menos de meio metro definhou e o seu corpinho frágil começou a perder todo o seu calor.
Apesar de já me ter deparado várias vezes com a morte ao longo da minha experiência profissional, sinto que é o dia mais triste da minha carreira. A falta de recursos e o isolamento deixaram-no à mercê da natureza que, embora por vezes se revele maravilhosa, neste momento emergiu impiedosa. Após vinte e cinco dias de sensações, vida e energia, às 21h15 de sexta-feira do dia 27 de Agosto (lembram-se do que estavam a fazer?), um menino despediu-se de nós, de todo o mundo. Será que eu e o Dr. Yuri poderíamos ter feito algo mais? Será que tomando qualquer outra decisão poderíamos ter ajudado mais o menino? Sinceramente, penso que não. Por outro lado, os recursos poderiam ser bastante melhores. Apesar de não ter a certeza de que isso salvaria o menino, seria, sem qualquer dúvida, um princípio.


Ilha de São Tomé,
27 de Agosto de 2004.

Carta de Ivo Saruga, enfermeiro voluntário da AMI, publicada na AMINotícias, n.º 33, 3.º trimestre de 2004, página 16.

A(s) pergunta(s)

Parece que os eleitores portugueses serão confrontados com esta pergunta:.
Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?

Parece que vão fazer algumas para a troca, como estas:

O que são direitos fundamentais?
Carta? O que é isso?
O que é maioria qualificada?
Votações? Onde? Para quê? Por quem?
O que é um quadro institucional?
A Europa tem uma Constituição? Não era um Tratado Constitucional?

Aaaaahhhh...
Onde está?
É para quê?


Alguém vai responder?

A estas, claro.

Mas às outras também.

Por exemplo:
. o federalismo é a alternativa (ao regresso) à guerra?
. o Vaticano é o 26.º Estado-membro?
. se a Estratégia de Lisboa deu com os burros na água, qual é a ideia no militar? Rivalizar com os EUA?
. a prioridade à Europa Monetária secundarizou as outras. Como se legitimará a Europa Militar perante as reclamações das outras? Como convencer os Velhos Alemães - e os restantes Jovens - a preocuparem-se mais com o renascer militar do que com as suas reformas e os cuidados médicos?
. qual a lógica da política de cooperação, de imigração, agrícola comum? Rejeitar os homens sem deixar entrar as batatas, as flores, as laranjas, o azeite e os tomates? Só deixar entrar o petróleo e o dinheiro, legitimando ou não importunando os regimes políticos que o fornecem, estilo democracias versão Golfo da Guiné, Golfo Arábico ou Pérsico, Golfo do México, ...?
. a Europa tem Moeda, Mercado Único, Comissão, Parlamento, Constituição, embrião de Exército, isso tudo... mas está a ficar sem população. Como é? Vão-se deixar entrar, a bem, os Turcos, que estão cheios de malta nova? Ou, a mal, os sobreviventes das travessias clandestinas do Mediterâneo, que vêm do Leste, do Médio Oriente, da Ásia Central, da China, da África subsariana,...?
. sem inimigo externo que motive 'toques a reunir', nem vigor económico, com a população gorda e envelhecida, dependente da imigração (de preferência eslava, em vez de magrebina, africana ou asiática) para trabalhar, dividida entre separar-se ou unir-se aos EUA... - o que é a Europa, a União Europeia, o Projecto Europeu, hoje, aqui e agora? E quer ser o quê amanhã? E pode? E se não puder?

Que pena que estas - e outras, muitas outras - perguntas não sejam referendadas.

Não é que adiantasse muito, ou fosse possível tão pouco.

Mas pelo menos apareciam à luz do dia e sempre se discutia alguma coisa de importante e interessante.

Droga (8)

Yet, opium cultivation, which has spread like wildfire throughout the country, could ultimately incinerate everything -democracy, reconstruction and stability
(...)
With 131,000 hectares dedicated to opium farming, this year Afghanistan has established a double record - the highest drug cultivation in the country's history, and the largest in the world


(António Maria Costa, Executive Director of the UN Office on Drugs and Crime).


PIB per capita das famílias plantadoras da papoila: 600 USD
PIB per capita afegão: 207 USD
A economia do ópio corresponde a 60% do PIB legal afegão.

quinta-feira, novembro 18, 2004

Coisas importantes

Time is running out to achieve sustainable development, UN warns.
Como tudo parece menor, ridículo, ínfimo, visto desta perspectiva.

Como se compreende quem aproveita enquanto há, enquanto pode, enquanto dá.

Como se entende quem reclama, pretenda, exija, ataques preventivos à lógica entrópica que predomina.

Entre o inconveniente, o sacrifício e a impopularidade (compensados com eventuais resultados a médio prazo que aproveitarão a terceiros) e a satisfação de interesses instalados, o gozo e o curto prazo, a opção parece óbvia.

Na teoria.

Na prática é (a) outra.

Banco de Portugal

Não é realista considerar que está terminado o esforço de consolidação orçamental e que a política pode voltar a ter uma orientação expansionista. Bem pelo contrário, esse esforço de consolidação é agora mais necessário do que nunca, ultrapassada que está a fase recessiva da economia portuguesa.

Boletim Económico, Setembro de 2004, página 49.

Será verdade?! (5)

17 developing countries receive UN grants to battle violence against women!!!

O folhetim 'media' (IV)

17 de Novembro de 2004

Conclusões do inquérito à polémica nos media: AACS acusa Governo de "pressão ilegítima" no caso Marcelo

A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) concluiu que as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares sobre os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI constituem "uma tentativa de pressão ilegítima" sobre a Media Capital e colidem com a "independência dos órgãos de comunicação social" (Público).

Líder parlamentar do PSD defende constituição rápida de nova entidade reguladora: Guilherme Silva diz que AACS está "desacreditada

"É da maior importância que haja uma entidade isenta, credível, que assuma uma função reguladora que a AACS nunca conseguiu desempenhar", afirmou o presidente da bancada social-democrata (...) (Público).

Proposta já foi enviada à Alta Autoridade para a Comunicação Social: Luís Marinho e José Alberto de Carvalho na direcção de Informação da RTP

Luís Marinho era actualmente director de informação das três principais estações da RDP e director de programas da Antena 1 e da Antena 3. José Alberto de Carvalho regressou à RTP pela mão de Emídio Rangel, depois de ter trabalhado na SIC. O novo director-adjunto de Informação da RTP foi director da SIC online (Público).

Missão Cumprida na RTP

A TVI do amigo Paes do Amaral está parcialmente tratada; o "Diário Notícias" já está controlado; na RTP o assunto acabou de ficar resolvido. Segue-se o "Jornal de Notícias", a TSF e a imprensa regional do grupo PT, que se não entrarem na linha por iniciativa própria as administrações tratam do assunto, como aconteceu agora na RTP e já tinha acontecido no "DN" (Público).


quarta-feira, novembro 17, 2004

O folhetim 'media' (III)

16 de Novembro de 2004

Pressões levam à demissão da direcção de informação.

Pressões na linha editorial da RTP e irregularidades num concurso para correspondentes estiveram na base da demissão em bloco da direcção (A Capital).

Divergências com a Administração Levam à Saída de Rodrigues dos Santos da Direcção da RTP.

A direcção de informação da RTP, liderada por José Rodrigues dos Santos, apresentou ontem a sua demissão. O afastamento teve como motivo próximo a escolha pela administração da empresa de uma jornalista não classificada nos primeiros lugares no concurso interno para correspondente em Madrid. (Público)

Demissão de direcção da RTP é "questão interna da empresa", diz Morais Sarmento.

No Funchal, Morais Sarmento, que tutela a comunicação social, salientou o trabalho conjunto do Governo e da RTP nos últimos dois anos e considerou que "pela primeira vez" não houve "o folhetim das ingerências constantes na televisão. (RTP)

Excluída a presença de membros do Governo: PSD quer ouvir administração e ex-director de informação da RTP.

O PSD convocou estas audições, a realizar na subcomissão dos Direitos Fundamentais e da Comunicação Social, com o argumento de que "o país deve ser esclarecido" sobre este assunto. "Estes pedidos de audições não são motivados por qualquer tipo de suspeições", sublinhou Campos Ferreira, acrescentando que a demissão da direcção de informação da estação pública "parece resultar de desentendimentos administrativos". (Público)

Droga (7)

Por 300 contos, há quem se arrisque a fazer uma viagem do Algarve à Galiza, com o carro cheio de droga. A facilidade de entrada e circulação tornam Portugal uma plataforma ideal de distribuição.

No CM.

Insanidades e racionalidades

1 - O assassínio a sangue-frio do combatente ferido em Faluja, dentro de uma mesquita, pelo marine norte-americano filmado pela televisão. Seria difícil melhor propaganda anti-EUA no mundo árabe e muçulmano, depois de Abu Grahib. As imagens captadas pelo repórter da NBC Kevin Sites têm a força de um ícone, escreve (avisa? alerta? constata? opina? admite?) Luís Naves, no DN.

2 - O assassínio de Margaret Hassan.

3 - O assassínio moral de Teresa Kerry.

Isto é a política.

Sob o verniz do discurso engravatado está o desejo, a pulsão, de matar, destruir, pulverizar, o outro.

Matar ou morrer.

Isto é a política.

É assim em todo o lado.

A Europa Ocidental tem tido um intervalo mais ou menos calmo desde que fundou a CEE. Mas não confundamos meio século com séculos de guerras, destruições, conflitos. O território em que nasceu a política dos direitos humanos está embebido em sangue.

Isto é a política.

Disputa pelo recurso, pela posição, pelo território, pela centralidade, pela sobrevivência.

Choque de interesses.

Afrontamento de contrários.

Luta de classes?

Não se diz que a paz é a continuação da guerra por outros meios?

Em tempo de guerra, os operacionais, no terreno das operações, na parte mediática do conflito, têm pouco tempo e espaço para racionalidades outras, que não a preocupação com a sobrevivência (própria e eventualmente dos camaradas) e a procura de compensações, sejam elas quais forem, para o desequilíbrio multidimensional em que se encontram.

O cumprimento das leis da guerra deve ser precedido pela consideração da guerra das leis, das legitimidades, das legitimações.

O resto decorre daqui - para o bem e para o mal.


terça-feira, novembro 16, 2004

Queimar o Alaska

Drilling approved for Alaska oil reserve.

Na calha já está o Arctic National Wildlife Refuge.

Não vale a pena insistir em que se extraíria mais petróleo dos automóveis com ganhos de eficiência no consumo do que aquele que se vai extrair do Alaska.

Veremos se os teóricos do peak oil têm ou não razão...

Arafat (3)

Deve estar para breve o esclarecimento.

Rumores sobre envenenamento suscitam dúvidas: Autoridade Palestiniana exige relatório médico sobre Arafat.

Dia de Santa Demissão

Hoje foi Dia de Santa Demissão:
. Colin Powell e mais três ou quatro ministros da Administração Bush;
. Direcção de Informação da RTP;
. o próprio governo já terá tido dias mais fortes;
. a CIA anda num virote...

Toda esta evidenciação mediática de divergências, mudanças, novidades, resulta de milhares, milhões, de micro-acontecimentos, acasos, decisões.

É inevitável.

E incontrolável.

Que dizer, a evidenciação.

Os micro-acontecimentos, acasos, decisões, também.

A usura, o desgaste, quer das figuras públicas, quer das instituições, nunca foi tão acelerado como agora.

Como se as sociedades estivessem submetidas a um movimento uniformemente acelerado.

A caminho de quê?

Paz? Pão? Povo? Liberdade? (PSD)

Paz? Pão? Habitação? Saúde? Educação? (Sérgio Godinho)

Ou confronto nuclear?

Ou desastre ecológico?

Enquanto o futuro não passa a presente, vaí-se assistindo ao apodrecimento generalizado da situação, o que quando considerado dá (tira?) outra importância às magnas questões do nosso tempo, que são servidas pelos media, lato senso.

Arrumado Powell, quem se segue?
Quanto tempo aguentará o novo chefe da CIA?
O próximo director de informação da RTP sê-lo-à até quando?
O governo português chega ao Natal?
A recomposição socio-politico-económica das elites portuguesas que deu mais importância a autarcas, construtores e dirigentes do futebol durará até quando? Como será substituída? Cairá por implosão ou mudará por regeneração? Interna ou externa? A ligação futebol-televisão continuará? Ou será sustituída pela linha de produtos estilo Quinta das Celebridades? Se a televisão e o futevol são hoje o ópio do povo, dada a crise das vocações, talvez isto interesse: UN event in Thailand focuses on strategies to curb opium cultivation.

Alguém fechará a porta.

Se não...

... não faz falta: o velho Oeste está cheio de cidades-fantasma. A Sibéria também. E o Interior português começa a ter muito que contar.

A Demissão mais não é do que a outra face da Admissão.

É dialéctico.

segunda-feira, novembro 15, 2004

Ignorantes e descobridores

Chega a impressionar a capacidade de interrogação do bicho Homem.

Tanto recua milhares de anos, em busca da Atlântida submersa (CNN), como se aventura pelo Cosmos (em busca do quê: passado ou futuro?) - ao mesmo tempo que destrói na actualidade o que herdou na Terra.

Entretanto, por aqui continua por esclarecer os temas históricos do Colombo Português e do Viriato Alentejano.

A Procura pode redundar em frustrantes Zeros, mas a Ignorância, mesmo que Atrevida, não passa de Negativos (para usar a linguagem do king).

Look around...

Um sucesso inquietante...

... o dos anti-depressivos.

Um inquérito do Le Monde.

Arafat (2)

Ou me engano muito ou a causa de morte de Arafat ainda vai dar lugar a muita morte.

O ministro da Saúde francês, Philippe Douste-Blazy, declarou à estação judaica Rádio J que nada leva a pensar que tenha havido envenenamento, ao mesmo tempo que Leila Chalid, a delegada geral da Palestina em França, afirmou à rádio privada Europe 1 que é bastante possível que o líder palestiniano tenha sido envenenado pelos israelitas (DN).

Nasser Al-Kidwa, filho da irmã de Arafat, afirma em entrevista ao Público que há uma responsabilidade moral e material de Israel, sobretudo, mas também dos Estados Unidos, na morte de Yasser Arafat.

Uma das suas respostas foi: Quanto ao período em que foi internado, o relatório médico é claro: não há diagnóstico de doença. Portanto temos um grande ponto de interrogação quanto à causa. Temos alguma prova material sobre a causa? Não. E não creio que a venhamos a ter num futuro próximo. Nem politicamente nem tecnicamente poderemos chegar a conclusões finais quanto a isto.


domingo, novembro 14, 2004

Discurso e realidade

O que aflige é ver os presumíveis responsáveis e dirigentes, as elites, falarem do aspecto da obra, da dimensão da obra, da atracção da obra, do significado da obra, da importância da obra - e ignorarem a existência de caboucos, a sustentabilidade da estrutura, as causas e consequências das borrascas que se aproximam.

Mas a realidade tem o mau hábito de tudo levar à frente - malabarismos, ilusões, inocências, demagogias também.

E a todos vitimar.





sábado, novembro 13, 2004

Morrer a ganhar a vida

Os acidentes de trabalho vitimaram mortalmente desde o ínicio do ano 151 pessoas, 74 das quais no sector da construção, que continua a ser o mais problemático, de acordo com dados da Inspecção-Geral do Trabalho hoje divulgados num seminário em Lisboa.

No Público.

Berlusconi

O ministério público italiano pediu hoje uma pena de oito anos de prisão para Silvio Berlusconi, actual primeiro-ministro, a ser julgado em Milão num processo por corrupção de juízes.

No Público.

Por que somos tão irracionais?

More than 22 million children under five now obese or overweight.
There are people with diabetes who are dying because they cannot access insulin.
Over 3 million diabetes-related deaths every year.

Hamburguer
Pizza
Hot dog

Batata frrita
Televisão
...

14 de Novembro, Dia Mundial da Diabetes, promovido pela International Diabetes Federation.

EUA: Here we go again

A widely quoted article by Harpers magazine writer Greg Palast pulled together a variety of issues to draw the conclusion that Kerry might actually have won the election. Follow-up articles in Salon and The Nation by Farhad Manjoo and David Corn, however, while entirely sympathetic to Democrats basic suspicions and complaints, reviewed Palast's evidence and reached the opposite conclusion.

The debate is not over. Two web sites that continue to collect and evaluate reports from around the country are the Election Incident Reporting System and the CalTech/MIT Voting Technology Project.


John Belisarius, How Big A Role Did Fraud, Ballot Theft and Suppression of the Vote Play in The Election?, no blogue do Ruy Teixeira.

Portugais e portugueses

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o constiitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está competamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas d'El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer-Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer-Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de el-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a família se não extinguisse.


Fernando Pessoa, Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional, Lisboa, Ática, 1978, págs. 82-83 (O poeta tem uma fã na Muneca das nEscritas).

Enraízados/Imobilizados/Desistentes versus Cosmopolitas versus Conquistadores/Aventureiros/Resistentes?

* Valorizar a simbologia, o torrão natal, a pátria, os compatriotas, a terrinha, a autarcia - para suportar/compensar uma pobreza e um abandono e um desprezo pelo centro político-económico insuportável? Face visível: torcedor de selecção, fadista, marchante popular.
* Valorizar o cifrão, a distinção, a novidade - para se superiorizar ao povão, aproveitando em proveito próprio a riqueza/coisa/Res pública, pondo a pátria a render? Face visível: o BOBO anglo-saxónico.
* Valorizar a procura da salvação recorrendo ao guião da expansão (ou retracção) - procurar lá fora o que não há cá dentro, por vontade própria ou a mando de terceiros? Face visível: emigrante, soldado, suicida, junkie.

É sempre bom (re)ler a História.

Sociedade vs Indivíduos - e o imposto

Vítor Constâncio, no 1.º Congresso da Democracia, promovido pela Associação 25 de Abril:

(...)
Existe assim uma enorme margem de debate sobre a dimensão e qualidade de serviços públicos que a sociedade deve assegurar. Divergências importantes existem entre os que querem reduzir o peso do Estado e o nível de fiscalidade e os que vêem os impostos como um investimento nas pessoas através de melhor educação, melhores condições de saúde ou adequado apoio em situações de desemprego ou incapacidade. Do mesmo modo, são legítimas as discordâncias entre os querem privatizar o regime de pensões ou os serviços de saúde e os que os defendem como expressão de direitos que são o reflexo de mecanismos eficientes de seguro e partilha social de riscos. Ou seja, divergências que têm origem na divisão entre os que acreditam que a sociedade existe e implica princípios de responsabilidade mútua e os que consideram, na expressão da Sra Tatcher que «não existe sociedade, há apenas indivíduos e famílias» devendo predominar um princípio de responsabilidade pessoal, com « contas individuais» relativas a pensões e a cuidados de saúde como é agora proposto pelo Presidente Bush.



sexta-feira, novembro 12, 2004

Corrupção (2)

Maria José Morgado considera que o fenómeno da corrupção pode estar fora de controlo em Portugal.

Arafat

Morreu de quê?

quinta-feira, novembro 11, 2004

Viver sem energia

Lack of energy services for poor could doom development goals, UN experts warn.

(...) nearly one third of the world's population depends on dung, firewood and agricultural residues for cooking and heating.

Uma das melhores cabeças portuguesas

José Adelino Maltez, no Sobre o Tempo que Passa, entr'outros.

Vou-lhe roubar este naco do post A Queda do Muro, Vista do Desencanto:
(...)
Não, não há direita nem esquerda, nem extremos, nem meio termo, há vencedores e vencidos e, quem vence, reparte o que ganha à custa do lombo de quem perde, nesse jogo de soma zero, onde a adição do mais um com o menos um a todos nos anula. Porque os donos do poder foram todos alunos do mesmo colégio do livro único, da mesma escola técnica de formação de esbirros, provinda dos sanbenitos.

Terrível.
Nem à esquerda, nem à direita, mas à frente! - afirmavam-se os Die Grünen .
Pois.
Nem isso.
Desencanto.
Do par Esquerda/Direita para o Cinismo/Videirismo?
O espaço público deserto?
Esventrado pelo império do relativismo?
Infrequentável pelo choque de dogmatismos?
Reduzido às manifestações populares da desidelogização, do puro e simples negocismo: sacar, golpes do baú, caras de pau, desvergonhismo militante prafrentemente?

Mas há Malaparte.

Que escreve na Técnica do Golpe de Estado (Lisboa: Perspectivas e Realidades, 1976): Odeio este livro. Odeio-o com toda a minha alma. Tornou-me famoso, mas está, ao mesmo tempo, na origem de todos os meus infortúnios. Por este livro, conheci longos meses de prisão, longos meses na ilha de Lipari, peseguições políticas tão mesquinhas quanto cruéis. Por este livro, conheci a traição dos amigos, a má fé dos inimigos, o egoísmo e a maldade dos homens. Por este livro, tornei-me, estupidamente, aos olhos de muitos, num ser cínico e cruel, numa espécie de Maquiavel disfarçado de cardeal de Retz: eu que, no entanto, não sou mais do que um escritor, um artista, um homem que sofre mais com as desgraças alheias que com as suas (p. 9).
(...)
Mas de que serve voltarmo-nos, rancorosos, para o passado, se o presente não é melhor e se o futuro nos ameaça? (...) Não é verdade, como se queixava Jonathan Swift, que a defesa da liberdade não compense. (...) Porque "a liberdade do homem não consiste em viver livre em liberdade, mas sim em viver livre numa prisão"
(p. 25).

E depois há homens inteligentes que acabam pendurados pelos pés pelos mesmos que lhe lamberam as botas durante vinte anos (p. 14)...

Ao contrário do que diz a canção, memória (não beleza) é fundamental.

Tenho de avisar a Cristina.

Se o objectivo de Malaparte é, como diz, mostrar que o problema da tomada do poder e da defesa do Estado não é um problema político, mas técnico, o que Curzio se esforçou por demonstrar ao separar ideologia (princípios) de táctica (meios), então... não se diga que não se sabia, ou que são feios, porcos e maus, incompetentes, dependentes e indigentes - porque é reduzir a análise ao insulto, evacuando a inteligência.

Também não sei se adianta alguma coisa.

Será por isto que Pacheco Pereira, depois de insistir no ar puro e nas coisas simples para (digo eu) suportar/aliviar/arejar o presente, vira-se ora para o amanhã, a descoberta do universo longíquo, ora para as raízes, averiguando se havia felicidade na Bíblia ou se houve na Europa?

Entre o zero e o absoluto, entre o tudo e o nada, entre a unicidade e a relativismo, que espaço, que viabilidade, para regras, normas, condutas, decentes?

Mas decência é palavra de contos de fadas, não da Terra dos Homens.

Está-se na antecâmara de uma explosão espectacular, monumental, impressionante (impressionista?!), de agressividade, normal quando o espaço vital, ou o petróleo, ou a identidade, falta? Quando se lida com o outro, o desconhecido, o futuro, na base da insegurança, alimentada pela desilusão e descrença, esvaziados as celhas da esperança, da alegria, do ânimo - da paciência com falsos pagadores de promessas?

O verniz civilizacional estalou?

Back to the jungle?

Back to basics?

A forma autofágica como um partido funciona é esclarecedora da lógica impiedosa (não é uma Igreja, apesar de se aproximar e, alguns casos, de uma seita religiosa) de uma máquina vocacionada para a conquista e manutenção do poder e do porquê do confronto (e/ou da falta dele) entre ideologia e táctica.
A política reduzida à morte, à destruição, ao exercício da sobrevivência pela aniquilação do adversário?

Como, se há sempre alguém mais forte, mais alto, mais relacionado - ou mais novo?

Pescadinha de rabo na boca?

Como no Far-West.

Um exercício interessante: fazer uma investigação darwinista à classe política dos últimos 10-20-30 anos? De onde vieram? Onde estão? Como estão?

Vou pensar nisto...

Droga (6)

Consumo de cocaína "invade" as escolas e ultrapassa heroína, no Público.

(...) apesar de haver alguns êxitos no que respeita aos consumos de heroína, "o consumo de cannabis está a subir em flecha, tal como acontece com a cocaína".
"Há cada vez mais situações de início de consumo aos 9 e 10 anos", disse [o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), Nuno Freitas], sublinhando que nos últimos anos há uma proliferação de poli-consumos (consumos associados de várias drogas), muitas vezes associados ao consumo de álcool.


9 anos?
10 anos??
Brilhante!
Sucesso!!
Limpem as mãos à parede!!!

quarta-feira, novembro 10, 2004

O folhetim 'media' (II)

9 de Novembro de 2004

Paes do Amaral defende que saída de Marcelo Rebelo de Sousa é "assunto interno"

"O caso Marcelo é considerado por mim um assunto interno de uma empresa privada", argumentou Miguel Paes do Amaral, depois de ser ouvido pela segunda vez na AACS sobre a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI.
(...)
Miguel Paes do Amaral apenas adiantou que, na sua opinião, aquele caso "não prejudicou minimamente" a estação, salientando que "as audiências nunca estiveram tão altas e as acções da TVI nunca estiveram tão boas".


8 de Novembro de 2004

Central de desinformação, por Miguel de Sousa Tavares.

Polémico, contundente, sem papas na língua, Miguel Sousa Tavares foi ao Clube de Jornalistas e disse abertamente o que pensa do jornalismo que se faz hoje em Portugal e de tudo o que o rodeia e condiciona. O programa vai para o ar na próxima quinta feira, dia 11, a partir da meia noite.

O "DN" está vivo. Só precisa é de mudar de rota, por Estrela Serrano.

A deriva tablóide parece afastada mas a alternativa "governamentalizante" não é menos preocupante e não é susceptível de fazer o DN regressar à sua matriz. Pouco e pouco, colunistas emblemáticos vão desertando (primeiro, Manuel Vilaverde Cabral, depois Vasco Pulido Valente), substituídos por vozes conformadas e sem rasgo.

Longa vida para o 'Diário de Notícias', por José Carlos Abrantes.

Negócio da comunicação já vergou de vez coluna vertebral da imprensa?
(...) uma obrigação a que não podemos fugir: a de reflectirmos abertamente sobre todos estes novelos mediáticos que questionam a qualidade do jornalismo, a independência dos jornalistas e a credibilidade das empresas de informação.


O DN e o futuro, por Mário Bettencourt Resendes.

Lamento ter dado a cara pelo meu sucessor.

7 de Novembro de 2004

Caso Marcelo: Álvaro Barreto considera "normal" atitude de Pais do Amaral.

Acho normal que os empresários de todas as nacionalidades, em geral, tenham políticas de não hostilização dos governos dos países onde estão", disse Álvaro Barreto, em entrevista hoje à Rádio Renascença.
Na sua opinião, todos os Governos "têm a tentação de influenciar a comunicação social quando esta é muito crítica" à sua actuação e considerou que "uns fazem-no mais habilidosamente que outros.


Oscar Mascarenhas critica artigo sobre 'a agonia do DN'

(...) artigo «dá a ideia aos leitores que, desde a saída de Henrique Granadeiro e Fernando Lima, o DN vai estar ao serviço do Governo, quando antes não estava», segundo Oscar Mascarenhas.

5 de Novembro de 2004

Caso Marcelo: Paulo Portas pede para que as instituições não sejam envolvidas.

"Se é uma televisão privada, se tem accionistas privados, se era contratado em direito privado, é um problema privado. Vivemos numa economia de mercado", disse ontem à noite Paulo Portas, durante um jantar organizado pelo CDS-PP.

4 de Novembro de 2004

Vital Moreira afirma que há promiscuidade entre jornalistas e governos.

O constitucionalista Vital Moreira afirmou hoje que existe uma relação de promiscuidade entre os jornalistas e os governos e defendeu a necessidade de uma entidade reguladora para fiscalizar a actividade dos profissionais da comunicação social.

Fontes: Público, Diário de Notícias e Clube de Jornalistas.

Parabéns aos BOBs

Está a haver uma eleição de BOB's - Best Of the Blogs.

O Ponto Média, do António Granado, foi nomeado para Melhor Blog Jornalístico em Português nos International Weblog Awards 2004 da Deutsche Welle.

Há mais. Estão aqui.

Mas como este é o único dos nomeados que está na minha coluna, ou é o melhor, ou ando distraído (talvez as duas).

Quem quiser votar ainda tem quase um mês para o fazer.

Pedra filosofal: Será desta?

EU may go it alone on nuclear fusion.

BRUSSELS, Belgium (Reuters) -- The European Union warned on Tuesday it may go ahead and build the world's first nuclear fusion reactor with whatever partners it can find if there is no global deal to put the project in France.
(...)
Fusion involves smashing atoms together, as opposed to today's nuclear reactors and weapons, which produce energy by blowing atoms apart.
However, 50 years of research have failed to produce a commercially viable fusion reactor.


Na CNN.

A ONU fará tudo o que puder...

Annan says UN will do all it can to help Iraqis advance political process.

Registámos.

Peak oil? A culpa é do furacão

US oil output has fallen to its lowest monthly level in more than 50 years in the wake of Hurricane Ivan.

Na BBC.

terça-feira, novembro 09, 2004

De todo o mundo para onde?

The United Nations will ask donors at a meeting later this week in New York for more than $1 billion to address the world's “forgotten emergencies”.
From Chechnya in the Russian Federation to the Great Lakes region of Africa to the Middle East, millions of people worldwide will benefit from the relief efforts organized under the 2005 Humanitarian Appeal.


Eu admiro o Kofi Annan.

Sinceramente.

Mas...

... como é possível não se cansar? Continuar? Mandar missões de investigação ao Darfur saber se há genocídio ou se se tratam apenas de umas mortes em quantidades não genocidas?

Da mesma forma que também admiro (invejo?) os tipos da assistência humanitária.

Mais do pelo que fazem, pelo drama psicológico a que se sujeitam.

Como será o regresso de três meses de uma frente de emergência humanitária?

Como será o regresso à rotininha - e pensar no que se viveu, no que se fez, no que não se conseguiu fazer, no que se deixou por fazer, no que se passou a conhecer, que teima em não deixar de martelar a memória?

E depois, essa coisa medonha, que dá pelo nome de comparação.

Como o que ontem era importante, decisivo, fundamental, transcendental, é tão irrisório, desprezível mesmo.

Acho que há uma letra do Gilmour que tem, mais coisa menos coisa, estes versos:

But none of the tears
can make any difference
or turn back the page
.

Toda a civilização, tecnologia, sabedoria redunda - nisto?

E o que se discute é - aquilo?

O conceito de entropia está descoberto; o de autofagia também.

Quem pensa que só se aplicam a terceiros pensa bem? É minimamente racional, esclarecido, prevenido?

É a vida?

Dos EUA para onde?

Just as Paul Daniels and Frank Bruno once threatened to quit the UK if Labour got in, many Americans warned they would flee abroad if George Bush was re-elected. So will they honour their promises?, interroga a BBC.

Esta blague é conhecida, recorrente e da boca-para-fora. Os destinos que se invocaram em Portugal se Otelo ganhasse as eleições...

Pelo trabalho da BBC fica-se a saber que Robert Redford, por exemplo, disse que iria para o Reino Unido. Mas corrigiu de imediato: Não, Irlanda. Falta contarem-lhe a outra face do milagre irlandês.

Mas a Irlanda, a República da Irlanda, dentro do contexto é alternativa.

Outras?

Para baixo: México? Brasil (só contaram pá vócê)? Argentina? Pólo Sul?
Para cima: Canadá? A ponderar.
Para a esquerda: China? Coreia do Norte? Tajiquistão? O Afeganistão libertado? Médio Oriente?
Para a direita: Há sempre a Velha Europa...
Para a direita, mas para baixo: África? Pois.

Até o Árctico está a derreter! Global warming is heating the Arctic almost twice as fast as the rest of the planet in a thaw that threatens the livelihoods of millions of people and could wipe out polar bears by 2100, informa a Newsweek.

Parece que isto está a ficar um bocado complicado e o espaço livre a escassear.

Parafraseando o Fernando Assis Pacheco, recordado pelo José António Barreiros, n' A Revolta das Palavras, temos de nos "merdalhar uns aos outros".

Ou haverá uns campeões com direito a mais distinções que outros?

EUA: Da poesia à prosa

Even in the best of times, as former New York governor Mario Cuomo said, "we campaign in poetry but we must govern in prose."

Fareed Zakaria, na Newsweek, antecipa o segundo mandato de Bush e as razões por que we will see only the rhetoric of confrontation—and the reality of accommodation.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Trabalhar p'ra drunfar

Ansiedade Atinge 15 por Cento dos Portugueses, no Público.

Estes resultados sobre os sinais de perturbação de ansiedade generalizada são considerados "muito preocupantes", face a outros estudos internacionais.
(...)
O trabalho surge em primeiro lugar como a principal fonte de stress (36 por cento) (...). A saúde ocupa o segundo lugar, (...) seguida da família e do dinheiro.

Vai-se trabalhar...
... para ganhar dinheiro...
... para o gastar em valium, lexotan, lorenin, prozac, penalties, cervejolas, maços de tabaco, erva, coca, bilhetes de futebol, aparelhos de televisão, bar de alterne, ... , relaxantes, calmantes, compensantes, suporíferos, evasões.

Aqui o que é droga? O que é ilegal?

Outra compensação é, por exemplo, bater na mulher / nos filhos / na vizinhança ou passar horas a cuidar do carro como se fosse um familiar hiperdependente.

O trabalho liberta?

O trabalho realiza?

Vai trabalhar, malandro?

Direito ao trabalho ou Direito à preguiça?

Perder a vida a ganhá-la?

O trabalho é um modo de vida ou um bilhete para a morte (literal ou em vida)?

Vida de marinheiro, diria o outro, neste país à beira-mar plantado.

Nos outros também.

2 milhões... de quê?

J'étais étonné de lire récemment que 2 millions de personnes ont téléchargé la vidéo montrant la décapitation de Kenneth Bigley, l'otage anglais, durant la semaine qui a suivi cette exécution.

Chris Cramer, director-geral de CNN International, em entrevista ao Le Monde.

Será verdade?! (4)

Estado sem dinheiro deixa prescrever casos.

O Ministério Público, que representa o Estado nas acções executivas, está a deixar prescrever diversos processos, porque não tem orçamento para pagar as taxas de Justiça. A necessidade foi imposta por uma recente alteração no Código das Custas, que obriga o Estado a pagar ao Estado, para accionar qualquer acção.

No JN.

domingo, novembro 07, 2004

Será verdade?! (3)

Dirigente palestiniano diz que Arafat pode ter sido envenenado
(...)
A teoria do envenenamento também foi defendida na sexta-feira pelos imãs das mesquitas durante a oração da última sexta-feira do Ramadão.

Afrontou poderosos? Pensasse duas vezes!

P - Trabalhou com Emídio Rangel na SIC e na RTP...
R - Sim, o Emídio é um contágio. Ele trabalha de uma forma que ninguém lhe é indiferente. No entanto, uma pessoa quando sobe pelos seus méritos tem sempre uma corte de gente que está à espera que ela caia. São uns verdadeiros abutres. É a fase que ele está a viver.

P - Como se explica que ele esteja parado?
R - Ele afrontou inimigos poderosos. O Rangel não é uma pessoa qualquer, teve um papel decisivo na comunicação social em Portugal. Cometeu erros, como toda a gente, é certo, mas revolucionou os media.

P - Acha que é possível Emídio Rangel recuperar o seu peso no sector?
R - Pois, o Emídio neste momento tem as portas um bocado fechadas, de facto. É a verdade. Mas eu acredito que ele vai dar a volta ao problema.

Entrevista (excertos) de Luís Marinho, no Correio da Manhã.

Ouvi bem?!

Confesso que estava meio a dormir na manhã de sábado, quando a Margarida Marante deu uma entrevista ao engenheiro Segadães Tavares.

Tenho ido ao site da TSF para ver se ouvia melhor o que me pareceu ouvir, mas continua por actualizar.

Fica aqui o registo, em todo o caso:

- será que eu ouvi que há propostas de construções escolhidas em concurso por serem mais baratas e não pela qualidade técnica, garantias e segurança?

- será que eu ouvi que há construções destas na Expo 98, decididas em função do orçamento e não de factores qualitativos?

PS - o contexto da conversa era a segurança e a eventualidade de um sismo em Lisboa.

Quer verdade? Vá a outra porta

El periodismo tiene más que ver con lo verosímil que con la verdad - Jean Daniel, director do Nouvel Observateur, que fundou e dirige há 40 anos, em entrevista ao El Pais, de que há um cheirinho aqui no Clube de Jornalistas.

Continuo na minha: o que é visível não é o importante.

O que nos é dado ver, ler e ouvir é que se consegue, o que alguém consegue, o que alguém deixou conseguir, o que alguém reputa de importante.

E que tal se se vissem os media apenas como uma mera plataforma, à qual tem acesso quem pode e tem interesse nisso ou precisa disso?

Talvez não se lhes exigisse tanto, nem esperasse demais.

O mundo da bola não é só, nem sobretudo, nem especialmente, a competição entre 11 tipos de cada lado a correr atrás da dita - apesar de sermos capazes de nomear os titulares, os suplentes, os que já não fazem parte da equipa e os que poderão vir a fazer parte dela. E o resto? Por que é que um negócio que só dá prejuízo atrai tanto candidato a gestor, presidente, director? É contra as leis da economia...

O mundo do espectáculo, do show business, não é só, nem sobretudo, nem especialmente, os que aparecem à boca de cena. Somos capazes de alinhar os últimos hits, bem como os dos sixties. Como se faz uma starlette? Por que é que as suas vidas cor-de-rosa terminam tantas vezes em pesadelo?

O mundo da prostituição não é só, nem sobretudo, nem especialmente, as/os prostitutas/os que se deixam ver. O que é feito do dinheiro que originam? O que acontece às louras esculturais, espampanantes, apetitosas, capitosas, quando chegam aos 30? Aos 40? Aos 50? Chegam a chegar? São reconvertidas, recauchutadas e recuperadas para filmes de terror?

A lógica é esta.

É o que permite avançar com a análise para temas como manipulação, alienação, frustração, vazio, blá-blá-blá... ver sem perceber; sózinho na multidão; burro carregado de livros; possidente carente;...

Mas o que é importante, designadamente pelo efeito, pelo impacto, pelo condicionamento, acaba por encontrar o seu caminho até à visibilidade.

Mesmo maltratados noticiosamente e reduzidos à evidência atomizada, desenquadrada, desenraízada, os acontecimentos como os ditos desastres naturais (inundações, secas, sismos,...) ou as dita chagas sociais (corrupção, droga, prostituição, crime, guerras, sinistralidade rodoviária, maus hábitos alimentares, ...) impõem-se no quotidiano noticioso.

A sua recorrência deveria aconselhar a discussão da sua regularidade.

Por que não é feita?

Falta de interesse?

Incapacidade?

Distracção?

Por exemplo, a lavagem de dinheiro: quantos artigos, mesas-redondas, conferências, aberturas de noticiário, debates ou entrevistas na telefonia houve recentemente?

Consegue lembrar-se?

Eu não.

Mas eu sou distraído.

Só reparei que os portugueses envolvidos neste caso de tráfico de droga na Venezuela são noticiados como sendo objecto de ameaças de morte, o que não impede que eu veja a cara dela na televisão, bem como a do advogado, e o décor do hotel onde ela está...

Isto sim é informação.

O envolvente - o negócio da droga; os circuitos; os agentes; as nova rotas (Cabo Verde); o consumo; a lavagem do dinheiro - é díficil de captar na câmara.

Uma mulher, ameaçada, a chorar, é que é.

Quando for grande quero ser jornalista.


sábado, novembro 06, 2004

Matem-se, mas atenção aos passarinhos!

UN official calls for protection of environmental during war.

Environmental destruction during war exacerbates instability, UN official says.

Pois

Ministro da Agricultura Pescas minimiza consequências de perda soberania no mar.

Na RTP.

spin masters

As agências de comunicação e o poder.

Bom trabalho das jornalistas Helena Pereira e Cristina Ferreira.

No Público.

PS - nas aulas de marketing ensina-se que se um produto for mau não há roupagem, nem tanga, que o aguente, que o sustente, que o prolongue, no mercado (mesmo os bons, às vezes, sabe Deus...).
Mas, entretanto, é como diz o Pacheco Pereira, no Abrupto: Uma parte do mundo de “negócios” que circula ao lado e dentro dos partidos é constituída por empresas que vivem das encomendas dos partidos (nas campanhas eleitorais) e dos governos.
Mesmo assim creio que a teoria do ciclo de vida do produto também se aplica a isto (a este). É de esperar alguma modernização...
Se não se aplicar, resta lembrar a história, e o domínio esmagador, avassalador, total, do PCUS sobre os media.
É como dizia o outro: a história repete-se. Primeiro como tragédia; depois como farsa.

EUA: Fica o aviso

2008–it’s the economy stupid

Many Democrats are running around, trying to learn from the last Presidential election – the 2004 one–yes, it is over – what to do next. Many hold that something must be done about moral values. I am all for attending to values, but given the way Bush is proceeding, by 2008 the deficit will be so troublesome and hence the economy in such shambles, that even half of the Republicans will have little else on their mind.

Amitai Etzioni.

Educação. Qual? Para quem?

A escola está a tornar-se progressivamente irrelevante na formação dos jovens.

Luís Nazaré, no Jornal de Negócios.

(para ler em conjunto com a entrevista a Roberto Carneiro, ver infra "17 anos depois")

Media em Portugal

PT Tem Opção de Compra do Diário Digital - Público.

Cavaco Silva e a Comunicação Social, por Arons de Carvalho - Público.

Ex-director do "Diário de Notícias" Diz-se "Vítima de Luta de Agências de Comunicação" - Público.

Moção do PSD Defende Alienação pelo Estado de Meios de Comunicação Social - Público.

PS Quer "Reprivatizar" império mediático da PT - Público

José Diogo Madeira ingressa na Bairro Alto como director executivo... - Meios&Publicidade

... e acumula as novas funções com as de publisher do grupo editorial da revista Prémio... - Meios&Publicidade

... grupo que passa a explorar comercialmente o Jornal do Benfica - Meios&Publicidade

Será verdade?! (2)

UM ESTUDO feito por um cirurgião e um engenheiro portugueses estima que, em Portugal, três mil pessoas morrem nos hospitais - das cerca de um milhão que são internadas por ano - em consequência de erros nos tratamentos efectuados.

No Expresso.

Será verdade?!

O TRATADO assinado na semana passada, em Roma, atribui a competência exclusiva de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos biológicos do mar à União Europeia. Ou seja, a Constituição Europeia retira a Portugal a soberania sobre a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE). «É incrível como o Governo português deixou passar esta medida sem qualquer contestação. Em Bruxelas ficaram muito surpreendidos por Portugal não se ter oposto», comenta João Salgueiro, no Expresso.

Afeganistão: Ópio em barda lá...

... e alguma (demasiada) heroína cá.

In this edition of Afghanistan Watch, we interview Dr. Pierre-Arnaud Chouvy, one of the world's leading experts on international drug trafficking. Dr. Chouvy is a Research Fellow at the French National Scientific Research Center (CNRS); his website geopium.org is a must-read for those interested in the causes and consequences of opium production in fragile states. He is an author of numerous books and articles on the subject, and is a frequent contributor to Jane's Intelligence Review.

Afghanistan Watch: How would you evaluate the international community's counternarcotics strategy in Afghanistan so far?

I don't think there has been any counternarcotics strategy in Afghanistan so far. Even the term "counternarcotics strategy" suggests the opium question is a military issue.

To overcome both opium production and terrorism in Afghanistan, the government and the international community should focus less on waging wars on drugs and terrorism and more on implementing a broad program of alternative and integrated development in the whole country.

Within this, a multi-level strategy involving effective sanctions on criminal activities is critical. This program should be implemented in gradual phases so as to secure political and territorial stability. As I have written, long-lasting peace, combined with political and economic development, must be achieved if Afghanistan is successfully rid itself of the drug economy/war economy nexus.


O resto - e muito mais - está aqui, no Afghanistan Watch - a Project of the Century Foundation.

O site (Geopium) do entrevistado está na coluna da direita.

EUA: Explicações

The Democrats Didn’t Lose in this Election, They Won, por John Belisarius, no blogue de Ruy Teixeira:

(...)
The truth is that in presidential elections the Democrats have basically been a minority party since 1968, when George Wallace cut deeply into the Dems blue-collar support in Michigan and the other industrial states as well as the South. In 1972, when the Republicans played the “Real Majority” vs. the “Elitists” game against the Dems for the first time, Nixon got 60% of the vote to McGovern’s 37%. Carter won a narrow victory in 1976 but look at the record since then.

1980 Jimmy Carter 41% vs. Reagan+Anderson 57%
1984 Walter Mondale 41% vs. Reagan 59%
1988 Michael Dukakis 46% vs. Bush Sr. 53%
1992 Bill Clinton 43% vs Bush+Perot 56%


Democrats never got anywhere even close to 50% of the vote until Clinton’s reelection campaign in 1996 (Clinton 49%, Dole/Perot 49%) and Gore’s 2000 run (Gore 48%, Bush 48%).
(...)

Que é como quem diz: a New Deal Coalition, construída por Roosevelt (ver Wikipedia), continua a desagregar-se.

Esta coligação refere-se à junção de diversos grupos de eleitores que permitiram uma posição dominante dos Democratas de 1932 a 1964, ano em que perderam o domínio do Sul para Goldwater, até a um breve e efémero regresso à posição cimeira com Carter (1976).



sexta-feira, novembro 05, 2004

Paul Krugman (1)

Paul Krugman, no The New York Times, em artigo intitutlado No Surrender:

I don't hope for more and worse scandals and failures during Mr. Bush's second term, but I do expect them. The resurgence of Al Qaeda, the debacle in Iraq, the explosion of the budget deficit and the failure to create jobs weren't things that just happened to occur on Mr. Bush's watch. They were the consequences of bad policies made by people who let ideology trump reality.


2 mandatos depois...

Texto na TSF sobre a participação do presidente da República num seminário sobre microcrédito:

O Presidente da República quer o combate aos interesses instalados que se opõem ao reforço da coesão social, tendo reiterado a defesa de uma política de envolvimento económico que dê prioridade ao emprego e ao crescimento.
(...)
«É preciso não adiar mais a efectiva concretização de uma estratégia de desenvolvimento económico e social, afrontando interesses instalados e vencendo resistências que se opõem às reformas necessárias para melhorar o desempenho da economia e reforçar a coesão social», afirmou.


"17 anos depois..."

Entrevista de Roberto Carneiro, ex-ministro da Educação, ao Correio da Manhã

P - Afirmou em 1987 ao Expresso, quando era Ministro da Educação: “A escola funciona mal, a qualidade é baixa, os professores estão desmotivados, os alunos não se levantam da cama com prazer para irem à escola.” Ainda subscreve a frase?

R - Continuo insatisfeito com o nosso sistema de ensino. 17 anos depois, dois terços da população continua a ter apenas nove anos de escolaridade. É manifestamente pouco.

EUA: 7.454.190.987.200,81 dólares

Em título está o valor da dívida pública norte-americana.

Aliás, estava.

É que aquele montante era o que se verificava às 03:44:13 AM GMT de 05 Nov 2004.

Na ocasião, the estimated population of the United States is 294,714,453
so each citizen's share of this debt is $25,292.93.


O valor actualizado está disponível aqui.

O que se passará quando os chineses deixarem de comprar dólares?

Quando Alan Greenspan subir as taxas de juro?

Com a guerra no Iraque a exigir mais notas verdes?

Tenho uma ideia que a Europa vai vender menos, que a Alemanha vai gritar, que haverá mais uns a gemer...

Ah, mas há um que sei que vai estar em festa.

É o costume.

EUA: Follow the money

The winners of a handful of congressional races are still unknown, but one thing is certain: Money won big in the 2004 elections.

In 96 percent of House races and 91 percent of Senate races that had been decided by mid-day today, the candidate who spent the most money won, according to a post-election analysis by the nonpartisan Center for Responsive Politics. The findings are based on figures reported Oct. 13 to the Federal Election Commission.

EUA: Bush's Brain

Karl Rove.

A estudar.

Pelos interessados.

E aos curiosos, como eu, também não faz mal.

EUA: Eu, preconceituoso, me confesso

Confessions of an Alienated Journalist

(...)
I am now taking seriously the theory that we mainstream journalists are different from mainstream America. "Different" is too pale a word. We are alienated. We may live in the same country, but we treat each other like aliens. Maybe it's worse than that because we usually see and suspect the alien in our midst. The churched people who embrace Bush, in spite of a bumbling war and a stumbling economy, are more than alien to me. They are invisible.
(...)

Na Poynter.


EUA: Interessantíssimo

Que tal cruzar os resultados eleitorais com o consumo de energia?

Veja aqui, sff.

Já viu?

Que tal?

Os tipos de Princeton são assim.

Este, Robert Vanderbei, é particularmente perigoso porque é (vai como veio copiado):
Professor, Operations Research and Financial Engineering
Associated Faculty Member, Departments of Mathematics and Computer Science
Associated Faculty Member, Program in Applied and Computational Mathematics

Além do mais tem ideias.

Literalmente luminosas.

Produtividade

Fala-se muito em aumentar a produtividade na Função Pública reduzindo o número de funcionários.

A divisão da massa salarial pelo número de funcionários é uma mera conta, utilizada como indicador de produtividade porque os economistas entendem que não há outro indicador que dê uma ideia do que se pretende.

A utilização deste rácio resulta da ignorância dos economistas, da sua incapacidade em apurar a produtividade da Função Pública, presos que estão da metodologia da coisificação, da quantificação, da metrologia (parafusos, sacos de cimentos, carcaças,...).

Já ficam cheios de problemas em calcular a produtividade de alguém que viva de explicações ao ensino secundário, um porteiro de cinema, um manager de carreiras artísticas ou futebolísticas, um barbeiro, ...

É de calcular a qualidade dos serviços, imateriais por definição, que se trata.

Serviços públicos, por exemplo, como saúde, educação, justiça, segurança, fomento económico, representação internacional, ambiente, desporto, cultura, ... (enfim, é ver os nomes dos ministérios e secretarias de Estado e respectivas funções nominais).

Mudar um dos termos da relação (mais ou menos salários; mais ou menos funcionários) não muda rigorosamente nada, em termos substantivos.

O mesmo resultado (elevar o rácio; aumentar a produtividade de forma estatística) é obtido com o aumento da massa salarial, mantendo o número de funcionários.

Se se quiser brincar aos números, pode-se chegar ao resultado de a produtividade não aumentar, em termos estatísticos, mesmo que os funcionários públicos existentes, com os salários actuais, trabalhem melhor e aumentem a qualidade dos serviços públicos que prestam.

Da mesma forma, a redução da quantidade dos funcionários públicos reduzirá a massa salarial - o que deixa a produtividade na mesma.

A não ser que se aumentem então os ordenados, para utilizar a disponibilidade financeira conseguida com a redução dos efectivos.

Mas isto não é aumentar a produtividade.

É sim aumentar os gastos salariais per capita.

Pode aliás acontecer que o aumento da produtividade assim conseguido vá de par com a degradação da qualidade dos serviços públicos.

Por exemplo, se se reduzir o número de polícias numa esquadra de 10 para 1 e se triplicar o ordenado do que ficou, consegue-se um aumento espectacular da produtividade, apesar de o serviço público ter desaparecido.

O slogan menos Estado, melhor Estado requer a utilização de instrumentos qualitativos, mais do que quantitativos.

Contas...

... ou conceitos?


quinta-feira, novembro 04, 2004

Droga (5)

Os números não baixam. Antes invadem outras idades, outros territórios e outros padrões de consumo. Já não são só os jovens, nem só os urbanos e já não é só a heroína.

Madalena Fontoura, no Público.

The Great Media Breakdown

All governments lie, the muckraker I.F. Stone used to say. They fudge and omit. They bury and muffle inconvenient facts. They do this repeatedly, relentlessly, shamelessly. That's hardly surprising. Why shouldn't they seek— as a Marine Corps public affairs officer, Lt. Colonel Richard Long, told a conference on journalism and the Iraq war—to "dominate the information environment"?

But of late, the government has had plenty of help in its efforts at dominance. To a disgraceful degree, the organs of news have been grinding out its tune. Many are the reasons for deference. Reporters and editors are credulous, fearful, and flatly bamboozled. Timid about getting out ahead of a public they respect more when it is "conservative" (read: rightwardly radical) than when it is liberal, they bend over backward to accommodate spin doctors.


Todd Gitlin, professor de Jornalismo e Sociologia na Universidade de Columbia, na Mother Jones.

Sarsfield Cabral: a previsão

A divisão interna do PPD-PSD ultrapassa, em muito, a questão presidencial. O partido pode tornar-se numa pequena e pouco relevante força política
(...)
O que dará cabo do PSD será transformar-se num instrumento para facilitar negócios, com fachada política populista.


DN, 2 de Novembro de 2004.

EUA

Já agora, façamos o contraditório: TOP TEN REASONS WHY MEDIA MATTERED IN THE 2004 PRESIDENTIAL RACE.

EUA

Clinton (ela) regressa em 2008? Com Edwards? Contra Frist? Ou McCain?

Já se pensa no pós-Bush: Countdown for 2008 Election Begins.

E este ainda nem foi eleito...


quarta-feira, novembro 03, 2004

Clássico (2)

O túnel do Rossio vai estar fechado mais ano e meio, até 30 de Julho de 2006.

Isto com um bocado de jeito...

EUA

Bush ganhou; o mundo perdeu.

Para além das questões de política interna, como a necessidade de os Democratas extravazarem da orla costeira e dos centros urbanos e chegarem ao interior, é interessante reparar na derrota da opinião publicada.

A maior parte dos media apoiou Kerry, e não estou a pensar nos que se publicam fora dos States, como A Capital ou o The Economist.

Qual é a verdadeira importância dos media?

Como se explica que um presidente em exercício, o designado incumbente, seja reeleito quando todos os dias só havia notícias más sobre o seu desempenho [e estamos cá para esperar pelas próximas]? Kerry era assim tão mau? Masoquismo dos eleitores? Os que o reelegeram não eram afectados pelas más notícias? Os media, de papel e televisivos, foram suplantados por outros media? Ou só são importantes para a minoria que os faz?

terça-feira, novembro 02, 2004

Clássico

O túnel do Rossio ficará fechado um ano, em vez dos dois meses anunciados, na altura do encerramento-surpresa.

Um desvio de 500% nas previsões.

Para já...


EUA: Em cada esquina um jornalista

A MSNBC apelou à participação dos cidadãos com histórias sobre as eleições.

Aparentemente foi uma (boa) ideia com uma grande aceitação.

EUA

Os EUA são um país-continente.

As polarizações urbanas e industriais são conhecidas. Basta ver o mapa.

As nossas (mesquinhas, insignificantes, ínfimas) oposições/contradições litoral-interior lá têm outra escala - existem.

Quando cá se fala em ultramontanos, camponeses/rurais, urbanitas, operários, intelectuais (vá lá, façamos um esforço para manter a seriedade) lá fala-se do mesmo - mas à séria.

Será admissível, para o caso, conceber a existência de visões do mundo em função destas polarizações?

Se isto for legítimo, e não se vê por que não dá-de-ser, então Bush e Kerry têm de ser vistos de forma mais inteligente do que a que transparece nos media.

Isto é, importará antes enveredar pela análise das elites e do que lhes subjaz.

Será demasiado simples, injusto até, estilizar os traços e opôr o petróleo do Texas ao MIT do Massachusetts? Os recursos naturais à alta tecnologia? Os cowboys aos cosmopolitas? O conservadorismo autárcico, religioso, rural ao liberalismo urbano?

Em todo o caso, esta é, como de costume, uma disputa entre brancos. Esta seria outra linha de análise: a representação e peso político dos grupos étnicos. Mas também as grandes empresas e a capacidade de auto-sustentação e reprodução do complexo económico norte-americano, independentemente do titular do poder político.

Outro assunto muito substantivo...


segunda-feira, novembro 01, 2004

Novembro

Diz-me, mês nono: o que trazes contigo? Dentro de ti?


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