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sexta-feira, dezembro 31, 2004

Selectividades, assimetrias, valorizações

A cobertura noticiosa do drama do maremoto no Oceano Índico revela debilidades, enviezamentos, limitações, dependências, ignorâncias, da Comunicação Social (lato senso) que importa considerar.

Sem ser exaustivo:

* assimetria nacionalista - quantos portugueses foram afectados? (a versão nacional foi mudando conforme o país dos media) - na notícia sobre o acontecimento. Em consequência o estar (bem ou mal) de pouco mais de uma centena teve um tratamento completamente desproporcionado em relação ao de milhões.

* assimetria geográfica - privilégio da Tailândia no caso português. Isto levou à secundarização da situação nos outros países, designadamente da Indonésia, onde parece que está a situação mais grave, se bem que em termos relativos, as Maldivas terão sido o país mais afectado. A Birmânia existe? Fica na zona ou faz fronteira com a Rondónia? Escapou imune? Graças à ditadura militar que está em Rangoon? Escapou-me (só a mim?) toda e qualquer informação sobre este país. Porquê?

* assimetria temática - menciona-se en passant os guerrilheiros tamil, do Sri Lanka, ou os independentistas do Aceh. Não se podiam arranjar umas perguntas, e alguém para responder, sobre a quem aproveita a devastação do Aceh (100 mil mortos? Jakarta desistiu de contar vítimas?!)

* assimetria continental - então e na África Oriental? Passou-se alguma coisa? Há necessidades (além das que são conhecidas há muito)? A solidariedade tem sido forte, expressiva e significativa?

Isto é que surge de imediato, em grandes reflexões ou preparações.

Será que é possível prolongar o raciocínio e o julgamento a outros temas noticiosos?

Se sim, será que é de ficar preocupado?

PS - Deixem-se os jornalistas de fora disto. Eles são apenas o front office, o rosto visível, o emissário, de entidades. A sua putativa autonomia tem de ser lida, enquadrada e relativizada por várias lógicas, como a da sociologia e psicossociologia das organizações ou a da perspectiva ecológica de inserção num sistema de forças, pressões e legitimações, internas e externas. Digamos que têm a mesma autonomia que têm os árbitros de futebol, os cientistas, os embaixadores ou os comandantes de uma unidade militar (exemplos avulso, mas que exemplificam o que se pretende).

Discordo...

... que se insultem as pessoas que continuaram a ir de férias para as áreas sinistradas, porque já tinham as coisas marcadas.

Há quem o faça em termos vitriólicos.

Discordo porque...

... é próprio de regimes historicamente falhados e histericamente repressivos;

... não adianta absolutamente nada à essência da discussão que é preciso ter (se haverá é outro ponto);

... erra rotundamente o alvo (se há alguém para escoar raiva, impotência, desespero, o que for, não é, não pode ser, o primeiro turista acidental, ou irresponsável, ou inconsciente, ou insensível, que é posto no ar por um programa de televisão ou rádio).

Há por aí uns pseudo-colunistas muito criticados pelo seu vazio de ideias, por deverem o estatuto a uma indigência mental e a uma prática de bajulação que os habilita a servir quem manda e agredir quem incomoda.

So what?

São importantes? Merecem a atenção, o espaço, a tinta - a irritação?

Ou estão precisamente a servir de pára-raios? De amortecedor? De airbag? De cortina de fumo? De acessório?

O importante é sempre o principal.

Continua a ser, sempre, mesmo quando a irritação põe as reservas, ou a intendência, na primeira linha.

E o principal não é o turista acidental com evidência mediática por um dos acasos da vida.

Pessoas informadas não devem cair nestas armadilhas básicas.

Droga (16)

O Independente divulga um diagnóstico sombrio da PJ sobre as Regiões Autónomas.

É atribuída a um polícia a seguinte frase: Se não há dinheiro para papel higiénico, como é que se podem trazer para aqui polícias?

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Seja lá Ele quem for...

..., pressupondo que exista, está inocente.

"Como Posso Saber a Razão Disto? É o Poder de Deus", diz uma mãe, desesperada, sem explicações para a desgraça que lhe aconteceu.

Muito já se está a escrever e discutir sobre as causas reais, estruturais, sobre um desastre, cuja dimensões são trágicas, catastróficas, de (muito) difícil apreensão.

Por exemplo: A construção em cima da linha da costa - nalguns casos mesmo na praia -, o aquecimento global ou a poluição são algumas das ameaças que enfraquecem os ecossistemas do litoral, perdendo-se capacidade de resistência às catástrofes naturais.

Há que discutir, analisar, perceber - e ultrapassar os lamentos e as lamúrias, sentimentais, mas estéreis de facto.

Conviria que depois da ajuda internacional - cujos extremos estão a ir do forretismo mais inqualificável à generosidade mais espantosa - se discutisse isto a sério.

Também era uma oportunidade de redenção de certos agentes sociais.

Desastres... naturais?!

Rui Camacho, no JN, com um texto pequeníssimo, mas cheiíssimo de desmistificações, a propósito do sismo na Ásia.

Imperdível.

Entretanto, o resultado das probabilidades mal calculadas (título do seu artigo) aponta para 100 mil mortos e 5 milhões em risco de fome e sede.

Como tudo tem um reverso - qual será o esta desgraça? Vai uma aposta em como não é um reverso natural?


Onde páram as elites? (16)

António Valdemar. Sempre.

Agora sobre Garrett: Em tudo quanto fez, Garrett, pela sua formação intelectual, e pelo modo de estar no mundo, preconizava que «a ciência, a arte de governar, que hoje chamamos política, deve ter por aliadas íntimas e indispensáveis as letras e as artes; é impotente sem elas, são repugnantes e odiosos os seus esforços quando os não acompanham e suavizam aquelas».



quarta-feira, dezembro 29, 2004

Onde páram as elites? (15)

Como dizia recentemente Vítor Constâncio, em Portugal está tudo à prova - as elites e as instituições, incluindo os partidos e os seus dirigentes. Só será possível sair daqui se se for capaz de pensar o longo prazo, de interiorizar o que significa funcionar dentro de uma unidade económica e monetária com uma moeda forte e no quadro da globalização dos mercados. O "se" quer dizer as elites políticas, mas também empresariais, sindicais, intelectuais e profissionais. É pedir muito?

Teresa de Sousa, no Público.

Onde páram as elites? (14)

Teodora Cardoso está aqui.

Uma senhora, de leitura obrigatória.

Por exemplo: Os dados relativos à parte final de 2004 mostram, com toda a clareza, que o mito da retoma se esfumou e que a competitividade da economia continua a agravar-se. Para 2005, o melhor que podemos esperar é que nos livre dos simplismos que pretendem resolver à martelada problemas complexos e nos reserve um pouco mais de bom senso, de honestidade política e também da sageza necessária para ajudar a encontrar soluções reais para os problemas, em vez daquela com que alguns intelectuais se comprazem em recordar a nossa arraigada incapacidade para os resolver.

No Jornal de Negócios.

terça-feira, dezembro 28, 2004

Ser ou parecer? Valer ou conhecer?

Se para singrar vale mais parecer que ser, ter boas ligações que saber, possuir cartões de clubes vários em vez de canudos, privilegiar a imagem em detrimento do conteúdo, a táctica em vez da estratégia, o simples ao complexo, o seguidismo à autonomia - então como é que isto cola com o discurso do mérito, da produtividade, da racionalidade, do interesse público, social e colectivo?

Não cola.

Está-se dependente de voluntarismos, de acasos, de altruísmos de terceiros - ou não.

Ao mesmo tempo, já se constatou na sequência de eleições - esse momento único, nobre, ímpar, literalmente de eleição, da democracia, de recolha da dita opinião popular (o que pressupõe um povo com uma opinião) - contestadas, duvidosas, suspeitas, manipuladas, falseadas, que vai por aí, um bocado por todo o lado?

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Não confundir a árvore com a floresta

Quando ouço ou leio debates sobre a situação económica portuguesa interrogo-me se quem a debate tem uma noção clara da gravidade da situação em que estamos mergulhados.
É que, normalmente, a discussão gira à volta do défice e da sustentabilidade das finanças públicas.

(...)
Perda de competitividade contínua desde os anos 90, aliada à revolução do comércio mundial com a entrada da China (e da Índia), em grande, nesse comércio, alargamento a Leste da União Europeia, euro alto em relação ao dólar, o que vai ser da economia portuguesa?
Este é o nosso problema mais grave, de que o défice das contas públicas não é senão uma emanação.


João Ferreira do Amaral, no DN.

Aqui é assim

O Presidente do Uzbequistão Islam Karimov, no poder desde a época soviética, denunciou ontem as "tomadas de poder sob a cobertura da democracia" em países da ex-URSS (...) aqui é o Leste (no Público).

EUA: O reverso da potência

Last year 7.6 million American families -- or 10 percent of all families -- lived in poverty, a big jump from 2000.

Um extenso dossier sobre a pobreza nos EUA, feito pela CNN.

- Millions of Americans live in poverty, more families are suffering and hunger is seen growing.

- The ranks of the working poor grow in number.

- For millions, healthcare is secondary to keeping a roof over their heads and food on the table.

- Giving is up, but public confidence in charities is down.

Onde páram as elites? (13)

Um membro da élite que se assume, em entrevista ao JN: Augusto Mateus.

Fica aqui este cheirinho:

P - Por que motivo somos tão pouco produtivos?

R - Por três razões principais: escolaridade baixa e um ensino demasiado abstracto e pouco prático; pouca organização (o que nos fez desenvolver respostas alternativas que, em linguagem popular, se chamam desenrasca) e escolhas erradas, ao tentar proteger o emprego sem procurar aumentar a produtividade. Há que perceber que a produtividade hoje não é física. Trabalhamos, sem dúvida, mais intensamente, mas o que hoje conta é o valor. Quando uma pessoa escolhe umas calças, fá-lo por causa da cor, do corte ou da marca e não está a pensar no trabalho que deu fazer as bainhas.


O resto (por acaso, a maior parte) do texto também é (muito) interessante.

Onde páram as elites? (12)


(...)
Dois investigadores de reputadas universidades norte-americanas publicaram recentemente um trabalho onde mostram que a prevalência dos maus sobre os bons políticos pode acontecer mesmo quando os eleitores os sabem distinguir. Este trabalho, sugestivamente intitulado «Maus Políticos», assenta fundamentalmente em três ideias.
(...)


Fernando Machado, no DN.

Penso que o paper a que este professor da Católica se refere é este, da autoria de Francesco Caselli, da Universidade de Harvard, e Massimo Morelli, da Universidade do Estado do Ohio, que publicaram um primeiro draft de um paper intitulado Bad Politicians em Novembro de 1999 e um segundo em Dezembro de 2002.


domingo, dezembro 26, 2004

Por que rezam os que sofrem?

Interrogação e tentativa de resposta no Diário Ateísta.

Não é preciso concordar com todo o raciocínio desenvolvido pelos autores deste blogue para realçar a pertinência da questão que colocam: por que rezam os que sofrem?

Por que se persegue o Céu na Terra?

Por que nos viramos para personagens abstractas, metafísicas - as de carne e osso não são credívieis, nem substituíveis por outras melhores?

Por que razão os governantes dizem que não fazem milagres - para desculparem a sua impotência, incompetência, inconsequência?

Por que razão os que são supostos curar o sofrimento também rezam, sofrem e se lamentam - e se reduzem ao "tenha paciência"?

Quando é que se eleva o nível do debate e se apercebe a lógica sistémica, ecológica, estrutural que nos envolve, da qual fazemos parte e a qual perturbamos/influenciamos de forma directa, detectável, evidente e explicável facilmente sem ncessidade de recorrer ao bater de asas da borboleta chinesa (sem o ignorar contudo)?

Onde páram as elites? (11)

Em que nos ajuda a estratégia definida na Cimeira de Lisboa? Queremos de facto a sociedade do conhecimento? Ou apenas acenar com poeira mediática? Os nossos jovens vão de facto aprender os valores do conhecimento, ou continuarão alienados à engrenagem do consumo e da competição antropofágica? Como é possível uma sociedade do conhecimento em que estes temas se não debatem? O conhecimento só interessa para criar empregos mais sofisticados, ou vai justamente ao cerne dos valores que pretendemos promover?

Luis Moniz Pereira, no Público.

sábado, dezembro 25, 2004

Coisas importantes

GENEVA, 15 December (WMO)—The global mean surface temperature in 2004 is expected to be +0.440 C above the 1961-1990 annual average (140C), according to the records maintained by Members of the World Meteorological Organization (WMO). This value of 0.44o C places 2004 as the fourth warmest year in the temperature record since 1861 just behind 2003 (+0.490C). However, 1998 remains the warmest year, when surface temperatures averaged +0.540C above the same 30-year mean. The last 10 years (1995-2004), with the exception of 1996, are among the warmest 10 years on record.

Documento da Organização Metereológica Mundial.

Media: Fica a lembrança

From Iraq casualties to health care to evolution, a Newsweek apresenta algumas issues that should have received more attention from the media in 2004.

O Reino de Deus não é deste mundo

Papa pede a Cristo que não abandone o Homem (no Público).

O da Rainha de Inglaterra é: The Queen has appealed for tolerance and understanding between cultural and religious groups in Britain's diverse society (na BBC).

Existem aqui muitas coisas que não batem certo.

Pevides ou tremoços?

Bleak future for Kazakh caviar.

Na BBC.

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Feliz Natal

As doenças chamadas indiferença e intolerância (no DN).

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Onde páram as elites? (10)

(...)
Os partidos são hoje hostes profissionais de assalto aos cargos públicos.
(...)
Na óptica dos dirigentes, gente que pensa pela sua cabeça é uma ameaça.
(...)
A lei deve interferir sem pejo na orgânica geral dos partidos e impor-lhes uma maior democraticidade interna, tão essencial à concorrência das ideias e dos projectos como à renovação das elites. Estamos mal servidos de políticos, reconheça-se, porque também estamos mal servidos de democracia na esfera interna dos partidos.

Rui Valada, no Público, em artigo que assina como Professor e Advogado, militante do PSD (ala reformadora).

Défice

Estado: -6.991
Serviços e Fundos Autónomos: +882
Administração Regional e Local: +124
Fundos da Segurança Social: +589

Soma: -5.396 milhões de euros (4,0% do PIB).

Valores de Outubro.

Informação de hoje, no Banco de Portugal

Non stop

Todos os dias há festa.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Darfur (5)

More than 70,000 people have died so far in the Darfur region of Sudan, according to the United Nations under secretary-general for humanitarian affairs, Jan Egeland (CNN).

Só para repetir - 70 mil mortos.

Más contas

. práticas de desorçamentação
. deficiências no sistema de apuramento de receitas e despesas públicas
. desconformidade do registo de algumas operações com os princípios contabilísticos vigentes
. inclusão de valores considerados não definitivos

Tribunal de Contas, Parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2003, Vol. 1, pág. 69.

A ler

O blog Pura Economia.

Pactos, patos e rafeiros

Tal como se diz que a Natureza tem horror ao vazio, também se pode considerar que a Economia ignora rigidezes juridico-burocráticas.

Por exemplo, o tão falado pacto de estabilidade e crescimento.

Se o pacto exige uma meta nominal, formal, de défice inferior a 3% do PIB, tudo bem: apresente-se um valor nominal, formal, de défice inferior a 3% do PIB.

Nem que para isso se tenha de mentir, esconder, manipular, inventar, criar artifícios (cativar despesa corrente, se for verdade, é um espanto!), comprometer o futuro.

Tal como os almoços, também não há rigidezes juridico-burocráticas grátis.

Não vale dizer que a Alemanha e a França também não cumprem, também inventam, também ultrapassam os limites determinados nos textos jurídicos.

Tanto quanto sei pertencem ao clube restrito dos Estados-membros contribuintes líquidos. Na teoria, isto não lhes dá direitos especiais sobre os outros. Mas sempre podem argumentar que se reduzissem as contribuições para a UE (leia-se: Espanha, Irlanda Grécia, Portugal, designadamente) ficariam melhor na fotografia orçamental.

O que é indubitável, em qualquer caso, é que um défice corresponde a receitas inferiores às despesas e que esta situação é sempre insustentável, na essência e no tempo. Não há medidas extraordinárias que aguentem.

Ou se aumentam as receitas, como impostos ou preços dos serviços estatais (propinas, custos de saúde), ou se cortam custos, como pensões, ou se privatizam os próprios serviços estatais (como escolas, hospitais, estradas,..,). De forma simplista, pode-se dizer que privilegiar o aumento da receita é atacar os ricos e as classes médias altas; privilegiar o corte dos custos é atacar os pobres e as classes médias baixas.

O combate à evasão fiscal é algo necessariamente adquirido, mas importa constatar o papel dos offshores na contracção das bases fiscais dos Estados.

A concorrência fiscal em que estes mesmos Estados estão envolvidos - para atrair capital e exportar desemprego - só agrava a tendência.

Ou seja, enquanto a população envelhece - o que aumenta os encargos orçamentais -, o Estado, independentemente da orientação do governo, vê a sua base fiscal cada vez mais reduzida.

O duelo é assim este: Colectividade versus Capital.

O futuro não deverá andar muito longe de um cenário deste tipo: mais impostos sobre o Trabalho e o Consumo (fontes imóveis de receita), menos sobre o Capital (fonte móvel de receita), e serviços públicos mais reduzidos, de pior qualidade e mais caros, para os cidadãos enraízados, que não conseguem deslocar-se do país, por oposição a uma elite desenraízada, móvel, cosmopolita.

Em termos sociais, isto traduzir-se-á em mais injustiça, mais desigualdade, mais egoísmo, mais selvajaria nas relações humanas (será a versão amplificada do velho ditado 'em casa onde não há pão,...').

Ficção?

Oxalá.

Nota: Recuperar Lorenz?

Iraque: O pior dia dos EUA

Na CNN.

Na BBC.

No Financial Times.

No Le Monde.

Na Reuters.

Droga (15)

A prescription cannabis drug made by UK biotech firm GW Pharmaceuticals is set to be approved in Canada (BBC).

terça-feira, dezembro 21, 2004

Perguntas do Diabo

Porque é que Deus criou Satanás?

No Diário Ateísta.

Rio? Choro?

Estou com um défice de decisão...

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Europa: Recordar o passado

La gauche française attend une Europe sociale depuis des décennies: Robert Frank historien, spécialiste de l'Europe et des relations internationales, expose les positions socialistes à chaque étape de la construction européenne et explique pourquoi l'euroscepticisme resurgit aujourd'hui (Libération).

Liberalização comercial e emprego

Millions of the world's poorest textile trade workers will lose their jobs under new trade rules to be introduced in the new year, a charity has warned (BBC).

Este artigo da BBC localiza os perdedores de emprego no Bangladesh, Nepal, Camboja e Sri Lanka.

Em Portugal o habitual fado do Vale do Ave já há muito que soa a desafinado.

Os empresários que se querem manter na actividade pelo custo da mão-de-obra há muito que deveriam ter ido para a Tunísia ou Cabo Verde.

Os trabalhadores deveriam procurar sair desta actividade (mas é muito melhor falar do que fazer para quem está de fora, como eu).

E as elites, os poderes públicos, os representantes eleitos do voto popular ou as forças políticas ditas alternativas - que têm a dizer? Que balanço fazem dos n programas de desenvolvimento do Vale do Ave? Como já me vai faltando a memória, lembro-se da OID, do Proave (acho que agora é o Pirave), mas também do Pedip, do Prime, do Iapmei, do Icep, do Ifadap, dos pólos universitários, da Unidade Vimaranense, do poder local interventivo, do concelho de Vizela. Como é que se chegou, se regressou, a isto? Às manchetes com a fome no Ave?

Lembro-me ainda de ter ouvido de um político no activo que o desenvolvimento regional não era o fim da política desportiva, em alusão à concentração dos estádios de futebol do Euro 2004 no litoral. Como se o desenvolvimento regional fosse fim de alguma política vertical (industrial, agrícola, educativa,...) ou horizontal (concorrência, qualidade,...).

Os sindicatos, por norma proteccionistas, também devem falar. Recordar como é que a região foi escolhida para acolher o investimento estrangeiro numa mão-de-obra baratíssima e constatar que este sai porque tem outra mão-de-obra ainda mais barata.

Os defensores do liberalismo económico também devem falar, desde logo, os economistas e advogados, que constituem a maior parte dos autores dos textos, acordos e tratados internacionais que consagram esta tendência liberalizadora - mas da qual excluem as respectivas profissões, dando um exemplo interessante de proteccionismo corporativo.

Por fim - fatalismo? realismo? dó? -, veja-se que a perda de 1 emprego em Portugal dá para criar 10 ou 20 na China, que permitirá a tantos outros chineses um nível de vida com que nunca sonharam, mesmo no regime da cama quente. O drama individual que se vê na televisão ou se lê nos jornais dói porque está ali à nossa frente, é visível, vê-se, ouve-se, sente-se. Mas - e os milhões de dramas que desconhecemos? Não é o nosso desconhecimento que os faz desaparecer ou amenizar.

Será que no fundo tudo se resume a querer, a conseguir, ser empregado de uma multinacional? - isto, claro, na impossibilidade de aceder à mesa do orçamento.

Onde páram as elites? (9)

O Compromisso Portugal está prestes a atingir o meio milhar de aderentes, número que mais do que duplica o dos subscritores iniciais do movimento (DN).

(jantares do PS) Amontoavam-se operacionais, intelectuais de vários ramos do saber, compagnons de route, autarcas, sindicalistas, ex-comunistas da primeira geração de dissidentes, soaristas de sempre, professores universitários, médicos e juristas, funcionários públicos, modestos empregados (...) cientistas e deputados, arquitectos e cantores, até adversários das disputas intestinas (DN).

Emmanuel Nunes estreia ópera em Lisboa em 2006 (JN e JN).

O evento (Pão para Todos) serviu também para juntar pessoas. "Deu para ver quem vive aqui à volta da praça (da Figueira). Na sua maioria são idosos e mulheres carenciadas de inicitivas destas (no JN).

Há famílias a passar fome no Vale do Ave (CM).

(Carlos) Fabião recebe Ordem da Liberdade (A Capital).

Tenho as costas cheias de cicatrizes das facadas que levei, Santana Lopes (TSF).

domingo, dezembro 19, 2004

uuu come UUU

Lembra-se do BCP que, vindo do nado, engoliu o, na altura, gigante BPA?

Será que essa história se repetirá agora em outros planos, que não o económico-empresarial-financeiro?

Também não estou a pensar no plano desportivo-clubístico, apesar de hoje até o treinador de uma equipa chamada Penafiel dizer que pretendia pontuar na Luz, quando há alguns anos o objectivo era perder por poucos...

sábado, dezembro 18, 2004

Ucrânia (4)

Um país - Ucrânia - e uma lider a seguir com cada vez mais atenção: Yulia Tymoshenko.

Top opposition leader Yulia Tymoshenko says in the Dec. 11 issue of Korrespondent magazine that “it’s necessary to start not with economic or social reforms, but with securing a free mass media. Otherwise, no reform is going to get results”, no Kyiv Post, onde cheguei via The Periscope.

Venham de lá essas propostas

Aquilo que eu peço aos cidadãos do Pinhal Novo, de Palmela, a qualquer cidadão do país, é que se informe sobre as propostas, sobre a maneira como cada um dos responsáveis pretende responder às vossas preocupações, ao futuro da educação, da saúde, da justiça, da economia (Jorge Sampaio, no Público).

O Presidente também apelou à elevação no debate.

Estranhei.

Um debate centrado em propostas só pode ser elevado, não é?

Não acredito que não haja propostas, contra-propostas e outras (mais) propostas.

Tese, antítese, síntese - e o seu oposto.

Não serão só bandeirinhas, aventalinhos, canetinhas, cartazinhos, embleminhas, beijinhos, abracinhos, sorrisinhos, apertinhos de mão, promessinhas, lamentinhos, demagogicinhas, pois não?

Claro que não, nem sobretudo.

Esta deverá ser a campanha eleitoral com mais elevação, com mais propostas, com mais conteúdo, alguma vez realizada em Portugal, tanto quanto a memória alcança.

A moeda boa vai aparecer e a má esforçar-se por demonstrar que melhorou e os seus críticos estão enganados.

É lógico esperar isto, não?

Onde páram as elites? (8)

Cadilhe insatisfeito com «País que tem para apresentar» (DN).

Cavaco critica contabilidade criativa (DN).

PS aceita apoio de Pinto da Costa e critica «leviandade» de Rui Rio (DN).

Onde páram as elites? (7)

Vai ser muito interessante ver a composição das listas de candidatos a deputados.

Who cares?

The number of people displaced by the last six years of conflict in the Democratic Republic of the Congo (DRC) is now estimated at 3 million – 2.5 million in the east alone – and nearly 4 million people have died as a direct or indirect result of the conflict, the United Nations Children’s Fund (UNICEF) said today.

Nas Torres Gémeas morreram 3.000.

Quatro milhões correspondem a 1.333 vezes aquelas mortes.

Vira, vira, vira homem / vira, vira

José Adelino Maltez diz, em Como pôr o sistema educativo a dar luz? Fazendo-o arder?, que já vi[u] um neto mental de Veiga Simão sentado na mesa principal do megajantar de Sócrates, só porque não chegou a ministro da educação do seu amigo e camarada Barroso...

De resto, esta repetição de descobertas súbitas das Estradas de Damasco, em que Saulos se transformam em Paulos e, agora, Paulos em outras graças, está a motivar a redescoberta dos clássicos portugueses.

Óptima consequência.

Guerra Junqueiro está cada vez mais em alta. Ainda bem.

Turquia

Já escrevi aqui que alguns norte-americanos com apelidos parecidos com Coelho, O'Shea, Falconetti, Rbyzinszcky ou Morales estão contra a entrada de imigrantes nos EUA.

Da mesma forma, alguns europeus estão contra a entrada da Turquia na União Europeia basicamente porque este país seria uma espécie de Cavalo de Tróia dos EUA.

Argumento brilhante, como o anterior, aliás.

Alguém se lembra a quem é que a CEE deve a vida? Foi um projecto europeu? Ou uma construção norte-americana?

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Onde páram as elites? (6)

Rui Rio fez ontem um diagnóstico preocupante da situação que se vive em Portugal. «Vivemos numa situação de ingovernabilidade», disse, referindo a dificuldade em desenvolver as reformas estruturais da sociedade.

No DN.

Será verdade?! (11)

O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, admitiu esta quinta-feira, a possibilidade de se candidatar à presidência da Câmara do Porto.

Na TSF.

Involução ou adaptação?

Estar-se-á a passar (regredir? realizar?) da utopia para a distopia como norma intelectual orientadora?

Estar-se-á a passar da ilusão para a des/ilusão?

As esperanças depositadas em placebos não acabarão por redundar em nocebos? Ambas filhas da mesma raíz: as frequentes auto-sugestões mentais ou as tomadas do desejo por realidade?

Estar-se-á condenado a descrer das elites existentes, enquanto se vai fazendo pela vidinha?

A alternativa a uma rendição a uma realidade que se rejeita, ou que incomoda, são os amortecedores artificais, químicos, e/ou os cinismos compensadores da ausência/liquidação/impossibilidade de utopia?

Perante o que parece ser uma autofagia envolvente, uma entropia uniformemente acelerada, o que se pode esperar de uma - qualquer que seja - correcção, ou mera reacção, sistémica?

E entretanto?

A adaptação é sempre hipótese. Ao fim e ao cabo, o homem tanto habita nas zonas mais frias, como nas mais quentes, tanto é capaz de estar no espaço cósmico, como nas profundezas oceânicas.

But...

Aí? Aí não pode!

You Can Run But You Can't Hide (Offer Not Valid In Western Pakistan).

No The Poor Man, por indicação do Bradford DeLong.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

O Grande Medo da Economia Ocidental

Bin Laden tape urges attacks on oil plants.

No Financial Times.

Padrões de futuro

Vem aí o certificado de decência?

Energia

Turkey leftovers will take on a whole new use after a Minnesota company finishes construction of a power plant fired by the birds' droppings.

Na CNN.

Onde páram as elites? (5)

Fustigado pela concorrência internacional, falho de recursos humanos, desmotivado e mal dirigido, o tecido económico nacional dá sinais evidentes de exaustão.

Luis Nazaré, no Jornal de Negócios.

Onde páram as elites? (4)

Burro.
Gatuno.
Jerico.
Ladrão.
Rinoceronte.
Vendedor de sifões de retretes.


No JN.

António Valdemar

Sempre uma delícia.

O balanço de Junqueiro incluído no final da Pátria e que pela sua flagrante oportunidade temos comentado e transcrito, (Uma Pátria ou uma Pia?, 11/11/2004; Portugal, numa autópsia, 19/11/2004) pretendeu, segundo o próprio poeta, apresentar em sintético esboço a fisionomia da nacionalidade portuguesa.

No DN.

Coisas importantes

Acho que ainda não percebemos bem onde estamos metidos: a United Nations climate convention opened its 10th anniversary high-level meeting today with warnings that much more needs to be done to avert a veritable biblical list of plagues arising from global warming caused by human action (ONU).

Se não deixávamo-nos de tretas e carnavais e outras coisas que tais.


Será verdade?! (10)

O secretário de Estado adjunto do Ministério da Administração Interna, Paulo Pereira Coelho, que esteve na origem do pedido de demissão do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), afirmou-se "envergonhado" com o organismo, que acusa de desconhecer "que riscos existem em Portugal e com que meios os pode combater".

No Público.

Já agora, o site do SNBPC.

Droga (14)

Avaliação da estratégia de luta contra a droga: Governo não sabe quanto gasta e falhou na prevenção.

No DN:

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Iraque: Mais 110 mil soldados

O senador McCain recomenda que o efectivo militar norte-americano no Iraque aumente em 110 mil unidades.

Na CNN.

Relativizar sem relativismos

Como a importância das coisas muda quando se altera a perspectiva...

Como quando se deambula pelo site do Banco Mundial ou se vêem as notícias diárias divulgadas pela ONU.

O nosso mundo é um pouco mais do que o nosso umbiguinho.

Porém, nunca a ignorância ou o egoísmo serviu para a imunidade ou impunidade.

Onde páram as elites? (3)

(...)
É também verdade que muitos «políticos de qualidade» não encaram a profissionalização como atractiva e, ainda que filiados ou dirigentes, retiram-se para actividades bem mais lucrativas (financeira e simbolicamente) no sector público e privado, realizando activi- dades de lobbying informal, encontrando «nichos de mercado» nos media, como «personalidades da área», etc.
(...)
António Costa Pinto, no DN.

terça-feira, dezembro 14, 2004

Pois

Un antidépresseur est un outil (no Libération).

Na ausência de esperança...

Onde páram as elites? (2)

«As elites económicas não interiorizaram dois princípios fundamentais na nossa entrada no euro: a politica orçamental tem que ser disciplinada e estar disponível para poder ter um papel anti-ciclico; e por outro lado, a evolução dos custos unitários do trabalho tem que se aproximar da evolução deste indicador na União Europeia», frisou Vítor Constâncio (no Jornal de Negócios).

Ainda não?! Porquê?

Estas elites económicas devem ser os políticos que estão no governo (fazem o orçamento), os empresários, os sindicalistas e os grupos de pressão interessados nas verbas orçamentais/orçamentadas.

É uma questão de interiorização de novas regras ou a repetição de velhas lutas pelo dinheiro, para pôr a coisa de forma crua?

Coisas importantes

O governador do Banco de Portugal (BdP) deixou, ontem, o aviso: Portugal dispõe de um prazo de dois a três anos para resolver "o grave problema de consolidação orçamental". Falando no encerramento do III Fórum de Banca, Vítor Constâncio sublinhou que existe o risco de o período de estagnação ser mais longo do que o que podia esperar-se [destaque nosso]. Ao nível da política orçamental, o governador do BdP salientou que, excluindo o efeito das receitas extraordinárias, os défices orçamentais dos últimos anos e do próximo andariam entre os 4% e os 5%, situação que não é sustentável (no JN).

Os alertas têm sido feitos: como é que a economia pode crescer? Com o Estado amarrado ao défice e cada vez mais endividado? Com as famílias endividadas a comprarem importações? Com as empresas receosas de investir? Com os mercados externos (Alemanha e Espanha) com perspectivas que já foram melhores? E Portugal exporta o quê? Automóveis para a Alemanha? Até quando, com a Europa de Leste ali à mão de semear? Têxteis??!! Já se viu bem o futuro económico deste país? Reduzir-se-á a acolher ingleses e alemães no Algarve? Mas isto não chega para alimentar 10 milhões de almas - e bocas.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Mauritânia

Slavery: Mauritania's best kept secret (BBC).

A Mauritânia vem no mapa.

Em relação a Portugal é até mais perto do que o Darfur.

Em relação à comunidade internacional está mais longe do que a Lua.

Iraque: Custos da guerra

O National Priorities Project está a disponibilizar um contador dos custos financeiros da guerra para os EUA.

Os outros custos são de mais difícil quantificação, mas talvez mais importantes.

É um começo, em todo o caso.

A (im)potência da Universidade

Graças ao Fim do Jornalismo cheguei a uma entrevista interessante de Manuel Pinto ao Notícias Lusófonas.

O jornalista Jorge Castro apresenta a entrevista da seguinte forma: Manuel Pinto (professor de Jornalismo na Universidade do Minho, Portugal, e Provedor do Leitor do maior jornal português – o Jornal de Notícias) passa a pente fino o Jornalismo. Sem papas na língua, diz que nesta profissão «existe, cada vez mais, um fosso entre uma elite que sobrevive e encontra em qualquer caso o seu lugar ao sol e a maioria dos profissionais, em situação periclitante... ganhando mal e estando sujeita a inúmeras contingências e dependências». Manuel Pinto acrescenta que «as consequências deste processo de precarização podem ser, a prazo, catastróficas para o jornalismo». Ou seja «redacções sem memória e sem identidade» e que podem levar a «um jornalismo anódino, inofensivo, domesticado». Por outras palavras, «tudo menos jornalismo».

Para que serve então a Universidade?

Será o Saber um luxo, dispensável, incapaz de condicionar as forças estruturantes da realidade?

Como é que a Universidade, impotente para travar aquele processo de precarização, forma aprendizes de Jornalismo para redacções sem memória e sem identidade» e que podem levar a «um jornalismo anódino, inofensivo, domesticado». Por outras palavras, «tudo menos jornalismo»?

Os jornalistas com tarimba estarão condenados à expulsão das redacções e à exterioração de mágoas como professores universitários e/ou recordação dos seus tempos, esses sim, bons, heróicos, de referência/reverência?

Confesso que ignoro as condições de concorrência na altura do Diário da Manhã ou se havia jornalismo não domesticado no Diário. Ouvi falar em saneamentos no Diário de Notícias, salvo erro na altura do Prémio Nobel, em noticários televisivos alinhados no Conselho de Ministros,..

Desconheço se a concentração económico-empresarial de hoje pode ser equiparada à influência politico-ideológico-partidária de ontem, se a precarização de hoje pode ser comparada com os duplos e triplos empregos de ontem.

Quando tiver tempo faço uma tese sobre isto.

Parece-me um tema interessante...

Será verdade?! (9)

(...) o senhor Presidente que, depois de ter criado no quadro de pessoal da Câmara mais um lugar de veterinário municipal, na opinião de muitos desnecessário, possibilita que um filho seu ocupe esse lugar", refere o deputado demissionário em "Carta Aberta ao Presidente da Câmara", publicada ontem nos jornais locais. E adianta: "Não satisfeito com a façanha, eis senão quando surge a sua filha a ocupar mais um lugar de técnico superior de sociologia na Câmara do Sabugal, também na sequência de concurso público aberto para o efeito".
(...)

No Público.

Vi esta no Os Cães Ladram e a Caravana Passa.

Democracia

A democracia exige/pressupõe/reclama condições de participação do cidadão.

Se este não as tiver, a democracia é formal, um rótulo sem substância, um conceito acantonado - tal como, aliás, o de cidadão (em tese, um sem-abrigo é um cidadão... sem abrigo) ou de cidadania.

Entre aquelas condições estão as da dignidade laboral.

Sem emprego, ou com emprego degradado, a vida pessoal, familiar e social está comprometida/reduzida/inibida.

Não se trata de sugerir uma via laboral para a democracia, mas de realçar os impedimentos que para a democracia podem resultar, no caso (porque há muitas outras vertentes a considerar), de uma degradação laboral.

O que foi agora relatado sobre a Lidl na Alemanha é apenas um pretexto de reflexão.

Democracia não é um conceito que se refira a uma realidade primária, pré-existente, mas antes invoca algo que é o resultado de um conjunto de interacções.

Nestas interacções, os agentes interagem da forma que podem.

Se estão inibidos ou limitados, interagem de forma inibida ou limitada.

É daqui que decorrem as famosas élites ou os sistemas de representação ou ainda os canais de selecção dos representantes.

Back to Weber: é político quem pode, não quem quer.

Se a variável determinante é a possibilidade, mais do que a vontade, então a qualidade é factor secundário no desempenho político.

Ao contrário, tem de se privilegiar a autonomização da lógica do político como um agente que tem interesse em conquistar e ganhar o poder (formal, político), fazendo o que for preciso: insinuando-se junto dos detentores dos poderes fácticos, de forma mais ou menos subtil, mais ou menos grosseira; discursando para os eleitores, adaptando as palavras aos contextos, procurando a maximização do seu efeito eleitoral, pouco se preocupando com as consequências a médio prazo; gerindo alianças em função da manutenção do poder ou da corrosão da base dos adversários.

Claro que esta lógica faz sentido no universo da política e dos seus habitantes (os políticos) mas é insustentável, uma vez que este universo não está auto-centrado, nem imune à envolvente, numa lógica de relacionamento sistémico.

Qual o interesse da empregada de balcão da grande superfície na política, se mal tem dinheiro para si, tempo para a família, vontade de saber o que se passa na sociedade? Sem know-how político, que mais lhe resta, que mais pode fazer, além do insulto a eles ou da retracção na concha individual, atomizada, a-social?

E qual é a capacidade de proposta - e sobrevivência a médio prazo - dos partidos supostamente alternativos, de classe ou de causas, reduzidos ao discurso, incapazes de aceder ao centro da decisão política? Tenderão a minguar, ou porque a sua base eleitoral morre fisicamente, ou se cansa do protesto infrutífero.

Incapazes de perceber, aceitar, modificar, esta realidade, esta impossibilidade/incapacidade/limitação do diálogo, os políticos socorrem-se da boçalidade: em vez de ideias, debates, propostas, privilegiam-se as canetas, os sacos de plástico, os barretes.

Não admira que insensíveis a confrontos verbais que pouco lhe têm dito, que quase nada têm significado na melhoria do seu quotidiano, a jogos florais, de cintura, que visam a fuga às responsabilidades, os cidadãos troquem os debates televisivos pelo futebol, pelas telenovelas, ou pela cervejola.

Que ideias há, que propostas serão feitas, qual é a agenda partidário-eleitoral em temas como:

Ambiente
Corrupção
Corrupção
Corrupção
Droga
Educação
Energia
Fiscalidade
Guerra e Paz
Justiça
Ordenamento do Território
Poluição
Protecção Civil
Saúde
Segurança Social?

Luís Campos e Cunha, director da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, publicou um artigo de opinião na edição do Público de 05 de Setembro de 2004, que intitulou Sete Medidas para Um Programa de Esquerda .

As medidas eram estas:

1. Acabar com o sigilo fiscal (a par de uma declaração de riqueza).

2. Alterar a lei da droga. A droga deveria ser distribuída gratuitamente por receita médica.

3. Acabar com o financiamento privado dos partidos. O financiamento exclusivamente público permitiria que os partidos ficassem mais imunes a lobbies ilegítimos, quando não mesmo ilegais.

4. Atrair mais e melhores pessoas para a actividade política. Sugeria que o vencimento das pessoas em cargos públicos seja (apenas como exemplo) 50 por cento acima da média dos rendimentos do trabalho declarados em IRS nos 3 anos anteriores a tomar posse!

5. Acabar com a dependência do financiamento das câmaras em relação a novos projectos urbanísticos.

6. Criar um imposto sobre a terra: meio cêntimo por metro quadrado, por exemplo. Até os fogos de Verão teriam mais dificuldade em se propagar...

7. Introduzir o inglês na pré-primária.

Campos e Cunha reconhecia que a lista era manifestamente incompleta.

No entanto, admitia que com estas sete medidas ter-se-ia a prazo, mais ou menos curto, políticos, partidos e um Estado mais fortes e independentes para enfrentarem os grandes lobbies e as forças corporativas mais imobilistas.

E elas são muitas, desde logo o poder económico, mas também os professores (incluindo os universitários), os juízes, os médicos, os jornalistas...

Mas Campos e Cunha fazia um aviso que clasificou de importante: defendendo estas medidas, perder as eleições poderá ser uma honra, mas é também muito provável!

Então?

Como vai ser?

Mentir, ocultar, gerir a verdade, privilegiar a imagem, a estética, a(s) plástica(s), para conquistar o poder político formal?

A honestidade, a RES PUBLICA, a CIDADANIA, não têm lugar, cotação, relevância, no mercado político?

Isto faz algum sentido?

Ou é o sentido que isto faz que não tem sentido?

domingo, dezembro 12, 2004

Dão jeito, mas são (muito) problemáticas

Nominee to head Homeland Security falls victim to 'nanny problem'.

Um aspecto interessante nas discussões sobre a imigração nos EUA é o das opiniões dos norte-americanos com apelidos do género O'Hara, Gonzalez, Vittorio, os nossos mais familiares Camacho, Coelho ou Silva, ou mais mediáticos como Kissinger ou Brzezinski.

R.I.P.

Next.

sábado, dezembro 11, 2004

Darfur (4)

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Alpha Oumar Konaré, pediu ontem a todas as partes do conflito na província sudanesa do Darfur para respeitarem o cessar-fogo, denunciando violações "inaceitáveis" dos acordos (Público).

Pronto.

É desta.

Já se sabia que Colin Powell denunciou a situação como genocídio...

Dava-se por certo que as violações de mulheres e crianças como arma de guerra seriam inaceitáveis...

... mas agora que a União Africana declarou as violações dos acordos como inaceitáveis, a comunidade internacional - esse ser brioso, voluntarista, corajoso, coerente, valente, esperança dos fracos e oprimidos, amedrontador dos abusadores, garante da equidade,... - vai intervir, com força, determinação, eficácia, pela lei e pela grei.

Só pode.

Claro que não aceitará as inaceitáveis violações dos acordos.

Onde é que isto descambaria se se aceitassem estas violações?

Já não há violadores de acordos com honra.

O que vale é a comunidade internacional.

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Corrupção (4)

Political parties are most corrupt institution worldwide
according to TI Global Corruption Barometer 2004
.

Não se sai da vaca fria: sistema de representação, capacidade de organização e expressão de interesses, captura das instituições públicas por interesses particulares, os partidos como máquinas de grupos de interesse para a conquista do poder político formal...

A dimensão mundial do fenómeno permite leituras e análises mais saudáveis do que as enquistadas nos quadros nacionais, mas com a preocupação de evitar o outro perigo equivalente, o da diluição universalista.

Material para apreciação não falta.

Outra coisa é o que se pode fazer com ele e as brilhantes análises que permitir.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Iraque: Isto quer dizer alguma coisa?

(...)
Soldiers at Camp Buehring, a staging area in the Kuwait desert, peppered Rumsfeld with queries about the standard of equipment they would be using and about the Pentagon's "stop-loss" policy, which prevents troops from leaving the military service even if they are eligible to retire or quit.
(...)
"As you know, you have to go to war with the Army you have, not the Army you want," Rumsfeld said (...)
CNN.

Marine diz que viu civis serem massacrados (JN).

(...) it's not clear to what extent the public was aware of just how bad things had gotten in Iraq. For while there was much informative reporting on the war, a number of factors combined to shield Americans from its most brutal realities (...) (The New York Review of Books).

Será verdade?! (8)

Putin, a pretexto da Ucrânia, no The New York Times, de 7 de Dezembro (Putin Says He Will Accept the Will of the Ukrainian People):

(...)
"I do not want us to divide Europe," he said, "into people for the West and people for the East, into people of first and second category."
Next, he worried aloud that the "people of the second category," a group with "figuratively speaking, dark-colored political skin (...)"


quarta-feira, dezembro 08, 2004

Onde páram as elites?

Peço ajuda.

Peço ajuda para encontrar alguém das elites.

Isto porque toda a gente - repito, toda a gente - diz mal das elites: que são um nojo, egoístas, desprezíveis, desgraçadoras do país, ignorantes, retrógadas, enfim, a lista é extensa.

Isto porque, apesar da extensão, gravidade e frequência dos ataques, insultos e críticas ninguém - repito, ninguém - se dá por achado, por membro da elite, ou sequer defensor da honra desta.

Ainda por cima, entre os críticos das elites estão algumas, para não dizer muitas, ou quase todas, personalidades de topo da vida política, económica, social, desportiva, cultural, intelectual, ..., do país.

O que me está a falhar?

Fartura de fome

Hunger costs millions of lives and billions of dollars - FAO hunger report

Chronic hunger plagues 852 million people worldwide

8 December 2004 -- Hunger and malnutrition cause tremendous human suffering, kill more than five million children every year, and cost developing countries billions of dollars in lost productivity and national income, according to
FAO's annual hunger report, The State of Food Insecurity in the World 2004 (SOFI 2004).

Pois

População juvenil consome cada vez mais álcool e droga.

No JN.

Para que servem...

... o Eurostat, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Ecofin?

Depois das certezas quanto à batota orçamental da Grécia, é a vez de a Itália estar sob suspeita de falsear contas púbblicas.

No JN.

Mário Soares

Apontamentos:

1 - Já se notou a ausência do PC da blogosfera?

2 - Acho que as vendas de Cícero, Ortega y Gasset e Alexandre O'Neill vão disparar.

3 - A forma labrega como certos seres gozam/atacam/discordam de Soares só é comparável com a cobardia que manifestaram em 1975.

4 - A forma inteligente como algumas pessoas manifestam o seu apreço crítico pela figura do ex-presidente é de saudar.

Soares dixit:

A sociedade civil também tem culpas no cartório: grupos económicos, media, lobbies, autarquias, intelectuais, magistrados. Não são só os políticos. Há que acabar com a impunidade, separar corruptos de não-corruptos, competentes de incompetentes, restaurar a honra republicana, servir o Estado e os outros e nunca se servir a si próprio.

Se quisermos evitar revoltas anárquicas é preciso fazer reformas conhecidas com os olhos nas pessoas e não nos cifrões.

Sou socialista, republicano e laico.

terça-feira, dezembro 07, 2004

O novo motor de crescimento económico

The Security-Industrial Complex.

Na Forbes.

Trabalhar para quê?

Half the world's workers - some 1.4 billion people - are trapped in grinding poverty unable to earn enough to lift themselves and their families above the US$2 a day poverty line (Organização Internacional do Trabalho).

Homenagem

Fernando Nobre, fundador da Assistência Médica Internacional.

Valemos uma ninharia, diz em entrevista ao CM.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Coisas importantes

Climate change: Uncharted waters?

Na BBC.

domingo, dezembro 05, 2004

Prostituição e sucesso

Aquela de o arguido do Apito Dourado não poder frequentar o Estádio do Dragão e locais de prostituição é interessante, tal como a de não poder contactar com dirigentes do FCP e prostitutas.

O que esta situação evidencia é o papel da prostituição na economia legal, na vida legal, social, de figuras e instituições putativamente respeitáveis, exemplares para a comunidade, inclusive dirigentes da sociedade.

Permite também outra leitura de fenómenos como o do caso Paula.

Quem tiver lido Robert Merton recorda-se da anonímia que caracteriza a sociedade urbana, que permite que se privilegiem os sinais exteriores de sucesso e se secundarize a forma como são obtidas.

Vem nos livros.

É da vida.

Como é que o discurso político encaixa, enquadra, lida, com estas realidades estruturantes?

Chechénia

The Russian defence minister at the time, Pavel Grachev, had suggested that Grozny could be captured by a regiment of paratroops in a couple of hours.

That was 10 years ago.


Recorda a BBC.

mens sana in corpore sano

Bacanais.
Arbitrais.
Virginais.
Portais.
Futebolais.
Morais.
Endinheirais.
Exemplificarais.
Reinarais.
Justiçais.

Que tais?
Que mais?

Matemática

ax2 + bx + c = 0.

Zero.

sábado, dezembro 04, 2004

Darfur (3)

Rape, fighting continue in Sudan's Darfur region despite accords, constata a ONU.

Aqui estaria a decorrer um genocídio, admitia Colin Powell.

Este é um tema difícil de vender nos, e pelos, media.

Mulheres violadas, crianças esventradas, vidas destroçadas caiem mal nos telejornais, incomodam o jantar de família, perturbam a pacatez do serão televisivo.

Nada como as Celebridades - na quinta, nos estádios, na política - para prender a atenção.



Produtividade (2)

De Henry Ford a Bill Gates, pelo BNPParibas.

Será verdade?! (8)

A audição foi formalmente interrompida pelo cansaço da juíza Ana Cláudia Nogueira (...) [que] pretendeu evitar que Pinto da Costa ficasse detido na prisão da PJ, tal como aconteceu com Valentim Loureiro (...) [e] como se verifica diariamente com muitos outros cidadãos. Alegando questões de segurança - a claque portista ameaçava invadir o tribunal e permanecer à porta das instalações prisionais - a juíza decidiu-se pela libertação imediata (no JN).

A claque portista ameaçava invadir o tribunal?!

E permanecer à porta das instalações prisionais?

Uma juíza que é capaz de estar a mexer num ninho de vespas, numa caixa de Pandora, não tem protecção de uma claque de adeptos da bola?!

E se isto é verdade, os que ameaçaram uma juíza ficaram impunes?

Não pode ser verdade.

Há aqui qualquer coisa que não percebo...

Só pode ser engano, ou uma história mal contada, ou uma remake dos filmes de cowboys, ou algo do género.

Digo eu.

(Im)possibilidades e (in)conveniências

A mesma água não volta a passar sob a mesma ponte.

O clima está em mudança acelerada. Há menos nevoeiro. Reduzem-se as hipóteses para mitos sebastianistas. Ou quem os invoca está apenas a soltar lebres?

Um país de medicados

Report: 44% of Americans medicated (CNN).

Natal

Este ano chegou mesmo mais cedo!

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Retratos

O queixo de Sandra Brás treme enquanto tenta conter as lágrimas. Sem casa nem bens, devido a um incêndio, ocorrido há 15 dias em Oliveira do Douro, Sandra vai, amanhã, ficar sem dois dos seus três filhos. A Comissão de Protecção de Menores assim decidiu, alegando que o realojamento da família, decidido pela Segurança Social, num único quarto de uma pensão de duvidosa qualidade no Bonfim, no Porto, não é tecto para os meninos (No JN).

A PJ...

... quer ouvir Jorge Nuno Pinto da Costa?!

Nesta quadra festiva, de amizade e partilha entre os homens?

O Pai Natal existe mesmo?

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Coisas importantes

Além das partes gagas e anedóticas das situações, conseguir-se-á ir mais além, e ver/tratar/encarar/discutir/considerar o essencial, o estrutural, o importante, o que conta?

Quando se discutem as bases do País (população, desde logo), a sua viabilização (economia, defesa), a sua projecção (educação, saúde, justiça, língua, aliança externas), as ameaças (externas como Espanha, internas como degradação institucional) - discute-se o quê?

Quem fez mal?

Em quem reside a solução?

Isto é questão de fulanização ou problema sistémico-estrutural?

A 'incompetência' de que falava Cavaco é argumento válido ou está ao nível do 'louco' com que os soviéticos classificavam os dissidentes?

Se só um 'louco' dissidia da sociedade do povo, pelo povo e para o povo (ou classe operária, a treta é a mesma), a 'incompetência' refere-se a quê?
Ao casino?
Ao drama dos professores?
Ao caso (quase perdido!) dos alunos (analfabetos, infantilizados,...)?
À destruição do SNS?
Ao fim do SMO?
Às contrapartidas das compras militares?
Ao panorama na Justiça?
À situação na frente desportiva?

Seja como for, o que terá acontecido para que Portugal esteja assim ao fim de 30 anos de 25 de Abril, entre os quais 10 de Cavaquismo?

O que é que falhou na correcção das estruturas socio-economicas, na selecção do pessoal político,...?

Incompetência (de quem?) ou outro argumento, outra explicação?

(quando tiver tempo vou procurar identificar alguma respostas, mas para já ficam estas notas/perguntas de investigação: os partidos são centros de racionalização de estruturas ancilosadas ou foram capturados por estas? Incompetência é conceito válido no contexto da luta socio-economico-política? Quem beneficia das situações consideradas, o clássico follow the money?)

A dita lei...

... de Gresham, no Wikipedia.

Constituição da República Portuguesa

Está aqui, cortesia da Assembleia da República.

Receita pública; morte privada

Tobacco is the only legal product that causes the death of one half of its regular users. This means that of the current 1.3 billion smokers, 650 million people will die prematurely due to tobacco.

Na OMS.

Como se conjuga esta condenação à morte com a receita fiscal que proporciona?

O que o fisco arrecada compensa o que as economias perdem em baixas de produtividade, os sistema de saúde em sobrecarga e os países em vidas humanas?

Então porque não legalizar - e taxar! e taxar! - a heroína?!

Não sei se mata tantos...

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Será verdade?! (7)

Quinta-feira, Novembro 25, 2004

MOMENTO absolutamente zen, e triste marco do jornalismo português, é o telex da Lusa de ontem sobre o discurso de Mota Amaral, no encerramento das comemorações dos dez anos da licenciatura em Jornalismo em Coimbra. Acontece que o reitor teve medo de se confrontar com os estudantes, que se preparavam para sair da sala quando ele falasse, e Mota Amaral não foi à cerimónia. Dito por outras palavras: a Lusa publicou uma notícia sobre uma coisa que nunca aconteceu
(António Granado, no Ponto Média).

Toda a história no blogue Sopa de Pedra. Muita matéria para reflectir sobre as condições em que se produz o jornalismo hoje. Pelo menos em alguns sítios ou/e em alguns momentos (Aula de Jornalismo).

Portugal?

Bruxelas!

Blog

Word of the year.

Higiene e limpeza

Há muito a limpar.

É próprio das mudanças.

Boa época para...

... negociantes de produtos de limpeza,

... tratadores de cães raivosos

... e charlatães habituais nestas circunstâncias.

Atenção, porém, que o circo continua na cidade.

Há vontades e há capacidades - às vezes não casam.

Há o poder da ilusão e há a ilusão do poder (Joaquim Aguiar já o escreveu) - às vezes também não casam.

Há o poder visível e há a visibilidade do poder - às vezes também não casam.

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