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segunda-feira, janeiro 31, 2005

Onde páram as elites? (39)

(...)
Os partidos políticos e os seus principais responsáveis são, obviamente, um espelho do país e do seu nível de desenvolvimento.

(...)
O bom povo e os maus políticos é uma ficção, porventura reconfortante. Não é, seguramente, o caso português.


José António Lima, no Expresso.

Onde páram as elites? (38)

(...)
Somos o primeiro tempo que só aclama actores, adula comediantes e futebolistas, revê-se em cançonetistas e locutores.
(...)
Insensivelmente, a nossa sociedade vem descaindo para uma sabedoria de taberna e camarim.

(...)
Por mais que nos esforcemos, não nos livramos da sensação de corrupção que exala da vida pública.

(...)

Um artigo suculento de César das Neves, no DN.

Com excertos extremados, extremistas, radicais, mas que só contribuem para realçar o subjacente.

domingo, janeiro 30, 2005

O que se vê não é o que conta

O massacre mediático a que são sujeitos os agentes políticos, que tanto cria como reflecte a imagem de degradação/insuficiência/desqualificação da classe política, deve ser considerado em que termos?

Esta citação de um texto baseado numa conversa com João Adelino Faria, da SIC, dá que pensar: São tantas as horas seguidas a ler noticiários e a entrevistar pessoas, "não há tempo para preparar nada", que JAF recorre ao instinto, que se tem revelado "bom conselheiro". A experiência que trouxe de muitas partes do mundo diz-lhe "que a pergunta mais básica, aquela que não foi pensada, é sempre a melhor" (DN).

Com a análise da cena política sujeita a este tipo de insuficiências, sem escamotear outras mais cuidadas, nem ignorar análises de ex-políticos, ou de políticos retirados ou à espera da hora do seu regresso, certo é que a análise política está muito fulanizada, superficializada, espectacularizada, pouco ideologizada.

Este enviezamento para a superficialidade da evidência mediática da crítica, mais do que análise, política tem por complemento/consequência o facto de esconder/ignorar/menorizar o desenvolvimento de outras forças/fenómenos/ocorrências mais estruturais/estruturantes/condicionantes.

Ouve-se na rádio dizer que que se pretende introduzir o tema da homossexualidade na campanha eleitoral. A homossexualidade?!!! Por alma de quem? Continua-se sem saber como se resolve o drama da educação, do acesso à saúde, da qualificação laboral, da protecção da floresta, da solidariedade com os desvalidos (velhos, pobres, infantes, deficientes,...), dos 20% (VINTE POR CENTO) da população que estão em situação de pobreza, da justiça, que sei eu, e quer-se introduzir a homossexualidade na campanha?!! Pois, cá espero a introdução do tema "importância da inclinação do raio de sol no desenvolvimento da pituitária dos caracóis". Ou quer-se atingir alguém? E se esse alguém, ou outro alguém por si, ripostar? Passa-se à troca de argumentos sobre padrões morais, éticos, sexuais?
Esta redução da discussão política à vertente da abjecção dá que pensar.

Se a política é uma das mais nobres artes, não foi graças a esta vertente - baixa, abjecta, assassina - que ganhou tal qualificativo.

A acreditar que a política é mesmo uma das mais nobres artes, tem, então, de se conceder que a política acontece noutros lugares, com outros agentes, sobre outros assuntos.

A política mediática é para entreter.

O que é importante está algures.

Peter Pan

O mito da eterna juventude.
Sempre em festa.
A irresponsabilidade permanente.
O lambuzado que nega ter ido aos doces.
A voz de falsete.
A necessidade de chamar a atenção.
A birra como recorrência.
Que falta de paciência.

sábado, janeiro 29, 2005

Onde páram as elites? (37)

(...) os males do país radicam exclusivamente na incapacidade de decisão política, na falta de coragem para afrontar os estrangulamentos há muito instalados em Portugal, na corrupção de agentes políticos e funcionários colocados no topo da hierarquia do Estado, afinal, na expropriação do poder político, legitimado pelo voto popular, por parte de grupos de interesses que atravessam os partidos e uma parte do sector empresarial. Este é o verdadeiro "sistema" que manda!
(...)

Eduardo Dâmaso, no Público.

O duelo propaganda - verdade

Que jeito que dá consultar o site do Center for Media and Democracy.

Sempre se aprende alguma coisa: Propagandists use a variety of propaganda techniques to influence opinions and to avoid the truth.

Panorama, horizonte, perspectiva

Caput mortuum.

Amartya Sen

Human development, as an approach, is concerned with what I take to be the basic development idea: namely, advancing the richness of human life, rather than the richness of the economy in which human beings live, which is only a part of it.

Uma interessante - mais uma! - entrevista com este Nobel da Economia, desta feita à Asia Source, onde cheguei graças à Revista de Teoria Política.

Impostos

Num país em que a economia paralela é 22% do PIB e a evasão fiscal está avaliada entre 5% e 7% do PIB, que outra hipótese há além de carregar na tributação indirecta, sobre os que não podem fugir ao Fisco?

Entretanto, o director-geral dos Impostos admite que o combate à evasão fiscal pode render o suficiente para acabar com a conversa, o drama, a obsessão, do défice orçamental.

E isto admitindo que é impossível evitar toda a evasão e concedendo que é preciso tempo para apresentar resultados daquela dimensão.

Stop Government Propaganda Act

Uma iniciativa destinada a parar com o government-funded "journalism".

Nos EUA, obviamente.

Condições objectivas

Um país de analfabetos não pode dar o salto para a sociedade baseada no conhecimento.

É ver as considerações expressas sobre Portugal no relatório sobre as Orientações Gerais sobre Política Económica, divulgadas agora pela Comissão Europeia (páginas 211-218).

Onde páram as elites? (36)

Temos metade (talvez menos) do País a trabalhar e a outra metade a intrigar, porque é essa a sua forma de sobrevivência.
(...)
Uma campanha eleitoral deveria ser um momento superior de esclarecimento, um momento superior de entropia negativa.
Mas, ao ser atravessada pelo triângulo da calúnia, do boato e da intriga, acaba por ser uma demonstração da pior entropia.


Paulo Cunha e Silva, no DN.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

China

Como será quando a China começar a comprar empresas e fazer investimentos de raiz nos EUA e se deixar de comprar só títulos da dívida?

Com o como será quero antecipar as reacções norte-americanas às compras chinesas de instituições emblemáticas dos EUA.

Uma repetição das reacções que houve quando o Japão começou a comprar em Hollywood.

Para já, admite-se que Bush interfira na compra da Divisão de PC da IBM pela chinesa Lenovo.

Será sem dúvida um tema interessante de acompanhar, tal como o efeito da sucção de empresas e empregos industriais, dos países industrializados, e matérias-primas, dos países em vias de desenvolvimento, por parte da economia chinesa.

Tenho suspeitas que isto tenha alguma influência no que se passa cá no burgo, mas devem ser infundadas pelo silêncio gritante envolvente.

Talk is cheap

UN's daunting 2005 agenda: reform, war on poverty and terror.

Droga (18)

Chief of UN anti-narcotics office visits Afghanistan to look at rising opium problem.

Procuram-se alternativas.

Já há alguns anos.

Aliás, décadas...

Coisas importantes

There can be few greater challenges in the twenty-first century than addressing the threat of climate change. Left unmitigated, the impacts are expected to be devastating. Urgent action is needed.

Este é um relatório que já fora aqui referido, mas sem link.

Passa a tê-lo, através desta ligação ao Center for American Progress.

A parada está alta

Aut Caesar aut nihil.

(Ou Imperador ou nada)

Divisa de César Bórgia.

Lamento...

... que o Paulo Gorjão - que desconheço pessoalmente - tenha decidido acabar com o seu Bloguitica, que lia interessadamente.

Acho que a blogosfera, a discussão da política e os comentários do quotidiano ficam mais pobres.

EUA: Depois do Iraque, o Irão?

O artigo em que Seymour Hersh trata esta hipótese está aqui, na New Yorker.

Soft power, hard power, no power

"National power is measured by the capacity to persuade one's friends, overawe one's enemies, and have one's goals accepted as legitimate by international opinion. Iraq has revealed a failure of U.S. power in all these dimensions."

Jack Beatty, na The Atlantic.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Onde páram as elites? (35)

Um texto a ter obrigatoriamente à mão.

Para ir lendo.

O indigno estratagema do boato, por Jorge Coelho, no DN.

Onde páram as elites? (34)

Foi lendo Eduardo Prado Coelho em versão digital no Público que descobri esta caracterização de um dos factores de bloqueio da modernização da sociedade portuguesa, segundo a SEDES o domínio das "Nomenclaturas Perdurantes". Entre as várias que poderia escolher, tem sido a classe política, e nesta o segmento que se situa no "núcleo duro" dos partidos, a que tem sofrido mais nos últimos tempos.

António Costa Pinto, no DN.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Onde páram as elites? (33)

Em Portugal, os poderes habituaram-se a falar aos portugueses como quem fala para as crianças.

Leonel Moura, no Jornal de Negócios.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Coisas importantes

Climate crisis near 'in 10 years'.

Na BBC.

Política

O que significam os sinais de afastamento das pessoas em relação à política?

Mera reacção, alérgica, a um mau espectáculo?

Ou uma acção, preventiva, de dar prioridade às coisas prioritárias?

Que coisas serão estas que afastam do espaço público, colectivo? A sobrevivência elementar, sinal de sociedade subdesenvolvida, em que as carências empurram as pessoas para o desenrascanço individual, mais do que para o comprometimento social? Ou, pelo contrário, posses suficientes para dispensar este comprometimento, entregando-o a agentes que tratam da manutenção da lei, ordem e segurança, contendo a massa amorfa e potencialmente contestária?

Desertificada por pessoas com ideias, ficará a política condenada a ser protagonizada por pessoas habituadas a declamar ideias de terceiros, como actores/artistas, ou a dirigir instituições com projecção social, como as desportivas ou empresariais? Significa isto que a questão decisiva da ideologia está resolvida e que hoje vai de si, com os agentes políticos a terem o seu estatuto social revisto em baixa? Ou seja, o centro de comando social já não se situa na política. Pelo menos, nos agentes políticos internos. O que autoriza que o processo de selecção e recrutamento tenha aberto a malha.

A tão falada falta de um homem ao leme significa que a nau o dispensa? Ou apenas reflecte a incapacidade da Polis construir uma hegemonia, com os poderes existentes a anularem-se, condicionarem-se, equilibrarem-se, equivalerem-se? A existir, esta hegemonia duraria quanto tempo até suscitar o aparecimento de um interesse contra-hegemónico?

É utópico esperar um governo, na verdade qualquer instituição social, estável e eterno - apenas porque os equilíbrios sociais são instáveis, porque a sociedade é dinâmica.

O resto é tribuna, oratória, demagogia, retórica - artes de expressão e comunicação; não de domesticação da realidade social.

PS - Há também que contar com as outras realidades, por exemplo, as ambientais. Podemos ignorá-las, mas não é método.

Onde páram as elites? (32)

(...)
"O país consome demasiado tempo e energias em discussões e eventualidades" que se propagam como "espuma mediática, mas inconsequente, enquanto os problemas sérios com que o país se debate e as questões que verdadeiramente importa discutir nos passam muitas vezes despercebidos"
(...)

Jorge Sampaio, no JN.

Gostei da espuma mediática...

Corrupção (10)

(...)
Nada poderia ser mais salutar para consolidar a confiança nos políticos, partidos e instituições democráticas que um exigente e eficaz pacto anticorrupção.
(...)

João Cravinho, no DN.

Media: Sensações

Sinto que o jornalismo passa ao lado do essencial.

João Almeida, no DN.

O milagre irlandês...

... acabou.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Efemérides históricas e hipocrisias actuais

A ONU assinalou hoje a passagem do 60.º aniversário do fim do Holocausto.

A comemoração assinala a libertação pelo Exército Vermelho, em 27 de Janeiro de 1945, do campo de Auschwitz-Birkenau, onde foram assassinados e cremados centenas de milhar de judeus, ciganos, eslavos, prisioneiros soviéticos de guerra, deficientes, Testemunhas de Jeová e homossexuais.

Kofi Annan afirmou na ocasião que On occasions such as this, rhetoric comes easily. We rightly say ‘never again.’ But action is much harder. Since the Holocaust the world has, to its shame, failed more than once to prevent or halt genocide.

Camboja?

Ruanda?

Darfur?

...?

...?

...?

Cooperação internacional?

Direito de ingerência?

...?

O direito do mais forte a escrever a história?


domingo, janeiro 23, 2005

Pelo choque de inteligências, de vontades

Por entre o choque fiscal (Durão Barroso), o choque tecnológico (José Sócrates) e o choque de gestão (Santana Lopes), com o pedido de um sobressalto por parte do Banco de Portugal (Vítor Constâncio) pelo meio, com a demonstração de abandono socio-económico em que se encontra o País e a sua população, fica-se com a certeza de que é preciso dar um abanão a alguma coisa.

As dúvidas aparecem quanto à coisa que é preciso abanar, com que é preciso chocar.

Um choque fiscal, mesmo na versão de cumprir o prometido, é remédio que provou não funcionar. Baixar o IRC não é o argumento decisivo para fomentar o investimento, nacional ou estrangeiro (IDE), se não se mexer no resto. Quanto ao IDE, aliás, nem se põe a questão de pagar IRC nos primeiros 10 anos, por exemplo. A teoria - e a prática - é esclarecedora quanto aos factores de atracção de IDE. É só ler.

Um choque de gestão ou tecnológico são uma e a mesma coisa. Apenas diferem nas palavras. Para o caso em apreço, o que aparece em segundo lugar soa a repetição, a falta de imaginação. Verdade se diga que o choque tecnológico, por sua vez, mais não é do que outra designação para produtividade. A produtividade, vê-se/ouve-se/lê-se, requer acções integradas, sistémicas, estratégicas, mas os seus ganhos só se fazem sentir a médio prazo.

Seja como for, um choque fiscal, tecnológico ou de gestão - pelo menos, nos termos em que têm sido apresentados - ficam sempre aquém da proposta de Vítor Constâncio.

Ficam-no apenas por um motivo: o governador do Banco de Portugal acompanhou o seu pedido de um sobressalto com a denúncia dos interesses corporativos que abafam, impedem, esconjuram a consideração do interesse colectivo.

Só para recordar: Sem um sobressalto reformista forte, que mude comportamentos e vença interesses corporativos instalados, estaremos condenados a um longo período de crescimento económico medíocre em divergência com o resto da Europa. Na situação a que chegámos, talvez possamos encontrar esperança em que esse sobressalto se concretize num pensamento de Jean Monnet, precisamente um dos pais fundadores da União Europeia, segundo o qual "os homens só agem em estado de necessidade e só reconhecem a necessidade em momentos de crise" (Nota de Apresentação, Boletim Económico, Dezembro de 204, Banco de Portugal, p. 8).

Mais do que racionalidades abstractas e tecnocráticas, os planos obedecem sempre a opções parciais, resultam da expressão de interesses de grupos, de lobbies, de forças organizadas.

Primeiro, há que evidenciar isto.

Depois, há que qualificar.

Mas isto é pedir/esperar muito de quem tem basicamente a cultura, a argumentação, os truques das RGA, não é?

Felizmente que, como a Natureza tem horror ao vazio, já se notam alguns sinais correctivos, pelo menos alguma vontade, e que subjazem ao artigo de Augusto Santos Silva, no Público: O Debate Não É Só Entre Os Partidos.

sábado, janeiro 22, 2005

Memória a menos? Ignorância a mais?

Bem sei que a memória é um produto escasso e sujeito a avarias quando existe.
Bem sei que os tempos são de velocidade uniformemente acelerada, o que os torna nada propícios à retenção de informação, por muito estrutural, importante e decisiva que seja.

Mas caramba esta história de um quarto dos municípios estarem á beira da morte social, ou coisa que o valha, já tem mais do que barbas.

Há uns anos que Eugénio Castro Caldas falou das desigualdads regionais em Portugal.

Mais perto no tempo, mas já há quase duas décadas, foi elaborado um plano de desenvolvimento regional, no contexto da preparação do primeiro quadro comunitário de apoio, em que basicamente se fazia a mesma fotografia.

Queimando etapas e referências, pode-se mencionar o estudo que Daniel Bessa fez para o ministro Carlos Tavares, do governo Durão Barroso, chamado Programa de Recuperação de Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD).

Porquê o espanto com as conclusões deste estudo do ministro Negrão?

Aliás, para quê este estudo?

O que trás de novo, além de fotografias socio-económicas conhecidas?

Sobretudo: Que consequências práticas terá? Vamos sair das cidades e ir para o campo?

Perguntas (im)pertinentes:

1) Como se vão atalhar as causas do subdesenvolvimento regional?

2) Qual a escala de acção recomendável, ou, se se quiser, quais são os níveis de acção identificados/recomendados (local, municipal, regional, transfronteiriço, europeu) e como se articulará a acção de correcção das desigualdades?

Mas...

... será concebível corrigir assimetrias regionais, sem perceber a lógica que as enforma? Se não se percebe, não se corrige; se se percebe, tem de se dizer que as assimetrias são inevitáveis e incorrigíveis: quando a economia se expande, as áreas marginais recolhem alguma migalhas, quando a economia se contrai, as áreas marginais são as primeiras a sofrer.

... ao focar no território, que é grande, mas tem poucos habitantes, ignoram-se os deserdados das urbes? As desigualdades urbanas? As cidades desertas ou entregues ao segmento lumpen dos marginalizados, abandonados, loosers?

É pedir muito que se considere - ah, a vaca fria... - a lógica sistémica; o acquis teórico e prático; os estudos feitos, já agora; os efeitos da moeda única; da afirmação crescente da China no mercado, que significa a sucção de recursos naturais de África e Rússia e de empregos do Ocidente; da entrada em vigor de liberalizações de mercado, como o têxtil, há muito tão anunciadas como ignoradas,...

Enfim, estas coisas desconhecidas, esotéricas, inesperadas, mas que explicam a inutilidade de parte do território (população?!) português, para o actual quadro de referência socio-económico, e a dificuldade (impossibilidade?!) de suster o seu definhamento.

O desenvolvimento regional tem o mesmo mal, e a mesma bondade, de qualquer política unidimensional - sobretudo quando se ignoram os seus porquês, as suas causas.

É preciso ir além dos sintomas da doença, para a curar (isto no pressuposto de que se quer acabar com as assimetrias, mas neste caso, atenção: é o que o território reflecte as outras desigualdades, por exemplo, de educação, de rendimento, de atracção de investidores, de acesso a infraestruturas de saúde, de energia, de telecomunicações, de estradas, ...).

Por que razão é que auto-estradas portuguesas se situam quase metro por metro em cima das antigas estradas romanas?

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Uma península, vários Estados?

Rovira diz que chegou a hora da Catalunha livre (JN).

Eleições: Frenesim versus propositura

Isto de tratar por diferente o que é igual e por igual o que é diferente permite todo o tipo de oportunismo, mas também dá azo a escorregadelas permanentes.

Se um ser é baixote, de que lhe serve apresentar a ideia de que quer integrar a selecção de basquetebol como jogador? Pode ter vontade mas, sem capacidade, a proposta está eivada de desonestidade - e ridículo, tanto maior quanto maior for o folclore da sua apresentação.

De que serve a proclamação de grandes princípios, valores e éticas pacifistas, se no primeiro choque om a realidade, por exemplo quanto ao des/emprego, se fica enleado no facto de a fileira conflito/guerra/armamento/Forças Armadas aparecer como solução?

A realidade (a sua definição ode ser um problema) será sempre um bom critério aferidor da bondade das propostas - se estas existirem. Ajudará pelo menos a separar o que é mero frenesim eleitoral(ista) do esforço de apresentar propostas, separar o que se reduz à tentativa de ocupação do espaço mediático do que procura reorganizar o espaço social, separar a forma (mediática, plástica, inconsequente) da substância (viável ou não).

Outro assunto é a viablidade das propostas apresentadas, condicionadas pelos poderes fácticos (que não vão a votos) ou pelo ambiente sócio-económico. É pena que a discussão não chegue aqui. Talvez permitisse dar sumo a conceitos como democracia, partidos, eleições...

domingo, janeiro 16, 2005

Prova de resistência

Afflictis lentae.

Corrupção (9)

Alguma ciência sobre o assunto.

Do Center for Institutional Reform and the Informal Sector (IRIS).

sábado, janeiro 15, 2005

Eleições: O Big Brother

There will be the usual rallies, balloons and posters. But the real battle in the coming general election may be almost invisible as Britain's main political parties mimic American campaign techniques and concentrate on a few swing voters, using marketing technology

As everyone knows who has bought a cinema or theatre seat by phone, a huge amount of marketing information has been culled from billions of transactions about neighbourhoods, shopping habits, favourite TV programmes and lifestyle.


Este é o início de um artigo, intitulado Postcode data could decide next election, de Patrick Wintour, do The Guardian, que está no Spinwatch.



Como gosto dos estúpidos (pontos, claro!)

McCarthy, um futebolista do Porto, disse que a sua equipa perdeu pontos estúpidos, ao comentar o resultado (empate) com a Académica de Coimbra.

Se tivese ganho e recebido os três pontos em disputa, os pontos agora perdidos passariam a inteligentes?

Eleições

Os momentos eleitorais, por serem momentos de instabilidade e com algum envolvimento popular, revelam vários tipos de pessoas dentro ou em torno dos partidos políticos, que deveriam merecer um estudo, quiçá uma tese em qualquer coisa.

. o militante bem-intencionado, que cola cartazes, dá ideias, entrega dinheiro, esfarrapa-se todo em colaborar;
. o reaparecido (em especial nos partidos em que o cheiro a poder é mais forte);
. o calculista, que gere as relações com quem importa, abandonando ou recuperando velhos conhecidos, conforme a conjuntura e as perspectivas;
. o/a que procura alma gémea;
. o sempre-em-pé, que já ligou a um velho conhecido no outro partido just-in-case;
. o embaixador de um interesse corporativo, que se apresenta com as melhores credenciais, antes/depois de o fazer no partido rival;
. os que manobram nos bastidores;
. os seguranças que exibem os músculos para impressionar garinas;
. os cerebrais;
. os broncos;
. os fazedores de reis;
. os reis;
. os princípes;
. os conselheiros;
. os cortesãos;

No tempo que se seguiu ao maremoto ouviram-se histórias horripilantes sobre a canalhice e de espantar sobre solidariedade.

Na política, estrito senso, há menos mortes do que num maremoto.

Só.

Canalhice e solidariedade estão muito presentes.

Vamos ver o que chega ao cidadão comum.

Rumores

Os rumores que começam a circular, reforçados com o truque velho de publicar coisas no estrangeiro que depois são importadas para exibir, confirmam que para alguns dos intervenientes no jogo da política o que conta é o resultado.

O objectivo a atingir, o resultado almejado, é ganhar ou destruir o adversário. Os fins justificam os meios. Com mais ou menos batota, mais ou menos mentiras, mais ou menos demagogia, mais ou menos má-fé.

Esta prioridade faz com que a apresentação de propostas por parte destes intervenientes seja secundária, o que justifica a ausência, impreparação ou irrealismo destas, substituídas por impropérios, truques, show-off.

Outra consequência é a poluição do espaço público, o que impede a discussão das propostas que alguém apresente.

Perante este ruído, como se comunica om o cidadão eleitor?

Melhor, como é que o cidadão eleitor se posiciona?

Liga ao barulho ou afasta-se?

O Margens de Erro promete para 2.ª feira uma ajuda para esclarecer esta situação (ver Teaserzinho).

Mas aposto singelo contra dobrado em como o preocupa-se é com a sua vidinha, resmungando entredentes contra eles, sem condições (Weber), chamado/limitado pela urgência quotidiana.

Apesar da dimensão da população portuguesa que ronda o limiar da pobreza (20%) não é menos certo que parte importante da mesma já tem condições para se pensar e à política.

Resta saber se o faz de forma consequente.

Os rumores prejudicam esta consequência.

Até porque basta começar.

São como as cerejas.

Estar-se-á mesmo na antecâmara da campanha eleitoral mais suja que Portugal alguma vez conheceu?

Parabéns...

... ao Random Precision pelo eco da história do chefe da PSP.

Lá chegará o dia em que os jornais servirão para publicar os blogues.

Coisas importantes

O exercício prospectivo da CIA sobre os próximos 15 anos.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Pobreza

O patamar abaixo do qual é-se considerado pobre em Portugal era, em 2001, de 3.589 euros no caso dos indivíduos solitários e de 7.538 euros no caso de um casal com dois filhos dependentes, pelas estatísticas mais recentes do Eurostat.

O primeiro montante a dividir por 12 meses dá 299 euros (60 contos) e o segundo 628 euros (126 contos).

Estes valores correspondem a 60% do rendimento mediano (e não médio) nacional.

Um valor mediano é o rendimento que divide a população em duas partes iguais, enquanto que um valor médio resulta da média de todos os rendimentos, podendo/devendo ser ponderado pela quantidade dos indivíduos titulares de cada rendimento. Como é bom de ver, a média é superior à mediana.

A pobreza é um conceito relativo e a sua quantificação varia de país para país.

Está visto

Táctica. Imediato. Atacar. Destruir. Pulverizar. Histerismo.

Tal parece ser a lógica comportamental de quem (nervoso, agressivo, descompensado) tem culpas a esconder, responsabilidades a esconjurar, perdas de credibilidade a alijar do passivo.

Estratégia. Médio/Longo prazo. Propor. Construir. Discutir. Tranquilidade.

Esta deve ser a maneira de estar de quem tem algo construtivo a apresentar, soluções de problemas derivadas de uma filosofia de serviço público a propor, um interesse colectivo a viabilizar.

Mas, dado que a política é um mercado como qualquer outro - em que o prémio é o voto - e, como tal, não tem uma concorrência perfeita, é de esperar o predomínio de argumentos não-concorrenciais destinados a subverter a concorrência: truques, malandrices, golpes baixos, privilegiar o acessório, o mediático, o simples.

Predominarão os sentimentos, as emoções, os nervos à flor da pele, a retórica, a pose, o olhar à matador, o aspecto, a tanga.

Conseguir-se-á ir além disto, por uma qualquer feliz ocorrência?

Bom-Bom? Mau-Mau! Expliquem-se.

(...) A alegada entrada da Galp na exploração em São Tomé tem estado na ordem do dia, depois de o "Diário Económico" ter revelado que o prolongamento da viagem de Morais Sarmento ao arquipélago se deveu ao facto de o ministro da Presidência levar uma "mensagem confidencial" de Santana Lopes para o governo são-tomense, onde o primeiro-ministro daria conta do interesse estratégico no negócio.

Contudo, fonte próxima de Santana garantiu ao JN que Sarmento não levou mensagem do primeiro-ministro. E o "Correio da Manhã" noticiou ontem que o gabinete do primeiro-ministro de São Tomé garantiu não ter recebido indicações de Sarmento, em cuja comitiva viajou o administrador da Galp com o pelouro dos negócios internacionais (...)


No JN.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Corrupção (8)

A Polícia Judiciária ficou “surpreendida” com a dimensão do fenómeno da corrupção na Administração Pública (no CM).

Sensacionalismo jornalístico?

Aproximação à realidade?

António Valdemar (3)

A frescura habitual deste cronista do DN.

Desta vez sobre Egas Moniz.

Apenas um naco: (...) eng.º Silva Dias, chefe e director de serviço da Emissora Nacional, [afirmou quando foi noticiada a atribuição do Prémio Nobel a este médico] «Egas Moniz, com Nobel ou sem Nobel, é um filho da puta da oposição!». O regime não perdoava.

Droga (de aritmética)

Mais de 100.000 jovens morreram de «overdose» em 15 países membros da União Europeia, entre 1999 e 2002, segundo um estudo do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) divulgado esta quarta-feira, em Lisboa.

Este é um número que representa uma média anual de perto de 9.000 jovens desde o ano de 1996, dá conta o estudo.

Realeza. Nobreza. Tristeza.

Londres, 12 Jan (Lusa) - O príncipe Harry apresentou hoje as suas desculpas depois da publicação, na primeira página do jornal Sun, de uma fotografia mostrando-o em uniforme nazi, tirada numa festa de fatos de fantasia, anunciou a família real.

Media: Ainda é possível fazer pior

(...) notícias-adivinhas (...) estratagema elementar (...) aberrações noticiosas (...) consequências mais desastrosas (...) aberrações mentais (...) Mas está provado que o mau é aquilo que agrada à maioria dos portugueses. E a condição de sobrevivência das empresas de televisão é, evidentemente, agradar-lhes. Talvez consigam fazer ainda pior...

Rui Camacho, no JN.

Corrupção (7)

Corrupção é perigo para alicerces do Estado.

Souto Moura, na TSF.

Solidariedade

Que não falte a força nem a vontade - nem o dinheiro.

Além do sudeste asiático, há mais uns milhões que precisam da nossa ajuda.

In 2005, the United Nations agencies and their non-governmental partners – some 104 organisations in total – seek US$ 1.7 billion to meet the basic survival and protection needs of 26 million people struck by major emergencies.

São apenas 255 milhões de contos (o dólar está a 150 paus), o que dá menos de 10 contos por pessoa.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Falta de nível

Falta de maturidade.
Falta de vergonha.
Falta de noção do ridículo.
Falta de respeito.
Falta de formação.
Falta de vocação.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Desastres... naturais?! (6)

Francisco Ferreira, entrevistado na Pública: Estamos a Potenciar a Catástrofe em Vez de Tomarmos Medidas de Adaptação às Alterações Climáticas

Media: A relação morte/quilómetro

(...) le tsunami aurait-il autant frappé les esprits si de nombreux touristes occidentaux – quelque 7 500 d'après les dernières estimations – n'avaient pas péri ou n'étaient pas portés disparus ? Le rapport "mort/kilomètre", selon lequel un mort près de chez nous nous affecte plus que cent morts dans un pays lointain, a été inversé (...)

Não há praias no Sudão - entre 1,5 e 2 milhões de mortos em 20 anos - nem complexos hoteleiros para ocidentais no Darfur (70 mil mortos em 2 anos).

Uma crónica (im)pertinente no Le Monde.

Crescimento do PIB: Por que parou? Como volta?

Entre 1961 e 1973, a economia portuguesa cresceu a uma média anual de 6,9%.
Entre 1974 e 1985, o crescimento médio anual foi de 2,2%.
Entre 1986 e 1990, a expansão média anual foi de 5,7%.
Entre 1991 e 1995, foi de 1,7%.
Entre 1996 e 2000, a média anual situou-se em 3,9%.
Por anos (mais recentes) o crescimento da economia foi de 4,6% (1998), 3,8% (1999), 3,4% (2000), 1,6% (2001), 0,4 (2002), -1,2% (2003) e 1,3% em 2004.

Fonte: Comissão Europeia, Statistical Annex of the European Economy, Outono de 2004, p. 194.

Para 2005, o Banco de Portugal prevê 1,6%.

Por outro lado, o crescimento do PIB potencial não pára de abrandar (ver Comissão Europeia, Cyclical Adjustment of Budget Balances, Outono de 2004, p. 54).

Assim, pergunta-se: qual é a causa deste abrandamento?

O crescimento anterior a 1974 foi obtido em parte substancial pela emigração e a economia de guerra, a par da adesão à EFTA.

O abrandamento posterior a 1974 explica-se com o choque petrolífero, mas em particular pela instabilidade política subsequente ao 25 de Abril.

O regresso ao crescimento forte a partir de 1986 é atribuível à adesão à CEE.

A partir de 1991, a economia começou a dar-se mal com guerras do Golfo, implosão da URSS, reunificação alemã, perda do instrumento cambial e aparecimento de novos produtores no comércio mundial.

A liberalização têxtil rebentará com o que por aí existe à custa do esmagamento de custos (é que na China ainda são mais baixos).

E a fileira automóvel que ponha as barbas de molho, uma vez que a tendência é para ir para Leste e, depois, para a China.

Assim, pergunta-se:
- Como é que a economia vai crescer? Vai-se apostar em alguns segmentos industriais de maior dinâmica internacional? Quais? Como?
- Que emprego se vai criar? Quanto? Em que empresas? Como atrair as estrangeiras, quando as alternativas a Portugal nunca foram tantas e tão boas, para não dizer melhores? Com a esponja da Administração Públcia indisponível para absorver os recém-chegados ao mercado de trabalho, haverá mesmo criação líquida de emprego, ou a emigração volta a ser a válvula de escape? Mas, para onde?
- O discurso do desenvolvimento regional está datado e ultrapassado. O crescimento da economia continua baseado no eixo Braga-Setúbal - e de lá não sairá. Será que Portugal vai ser a Idanha-a-Velha da Europa? Integrará a este título o circuito das zonas históricas do Velho Continente?

Alguma coisa subjaz ao alerta, à constatação, de Daniel Bessa, em entrevista ao Público: Portugal esteve na moda e passou de moda .

Clima

Cheias no Norte da Europa.
Seca em Portugal.

Não era assim.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Corrupção (6)

* Onde pára este e estoutro dinheiro?

* É muito raro encontrarmos qualquer situação de investigação na qual não nos confrontemos com um off-shore, um paraíso fiscal. Que são obstáculos à investigação
(...)
É preciso que as instituições públicas tenham mecanismos de prevenção da corrupção. Não se permitirem determinado tipo de subterfúgios legais, como dividir contratos para evitar a fiscalização do Tribunal de Contas, ou os ajustes directos. É fundamental uma fiscalização eficaz da administração pública (...)
(José Mouraz Lopes, director nacional adjunto da PJ para o crime económico).

Bom trabalho do DN.

Há défice de formação nos magistrados do MP.

Portugal entre os menos corruptos.

Escutas restritivas para titulares de cargos políticos.

Um quinto do PIB fora da economia.

«Maior corrupção situa-se na política e sistema fiscal».

«Não há uma cultura de prevenção da corrupção».

Onde páram as elites? (31)

No sistema eleitoral vigente a maior parte dos nomes são eleitos à sombra do líder do partido e dos principais líderes nacionais (Mário Mesquita, no Público).

Três cavalheiros, Santana, Sócrates e Portas, nomearam pessoalmente cerca de 80 deputados (António Barreto, no Público).

Onde páram as elites? (30)

Aqui está Eduardo Catroga, com uma boa entrevista ao DN.

(...)
P - Quais são essas questões de fundo?
R - A básica é a da sustentabilidade das finanças públicas, a médio e a longo prazo. Aliás, esta é a questão central (...) Nos próximos dez anos será um desafio permanente.
(...)
R - Aumentar o investimento, público ou privado, não é uma questão fundamental. Há dezenas de anos que Portugal tem níveis de investimento dos mais elevados entre os países da OCDE. O que existe é um problema de qualidade desse investimento.
(...)


Mas fala também de assuntos como natalidade, envelhecimento, qualidade das políticas públicas, falta de concorrência (ou do poder de algumas empresas), educação, novos termos de concorrência internacional,...

Enfim: ideias, propostas, sugestões, críticas, perspectivas.

Em outro local deste jornal, Nuno Valério interroga-se sobre a posibilidade de a demagogia vir a ficar com um mercado mais reduzido:

Pode especular-se sobre a possibilidade de, atingidos certos níveis de saturação, a demagogia eleitoral se tornar contraproducente para os seus praticantes e o eleitorado escolher candidatos com programas menos prometedores, mas mais exequíveis. Uma atitude desse género poderia fazer com que políticos, se não bons, pelo menos de melhor qualidade, surgissem nas competições eleitorais.

Será razoável esperar que uma tal situação se verifique algum dia em Portugal?


domingo, janeiro 09, 2005

Onde páram as elites? (29)

Aqui está Cadilhe, com a sua pespectiva habitual.

Uma revolução nas finanças públicas: Uma meta difícil - mas plausível nos quatro anos de uma legislatura - deveria ser reduzir para dois terços a actual escala de actividade corrente do Sector Público Administrativo.
(...)
as despesas correntes teriam de descer em volume quase 7% ao ano, num cenário de inflação a manter-se baixa e PIB a crescer bem. "O quê? 7% ao ano! Mas isso é de loucos", clamarão alguns políticos, "é o colapso do Estado, é humanamente impossível, socialmente intolerável, politicamente um desastre". E, sentenciarão muitos dos "burocratas monopolistas", "isso é próprio de uma tecnocracia, não da democracia". Ora, o que respondo a tais exclamações é que o Estado português só vai lá com um grande abanão. Respondo que, para grandes males, grandes remédios. E respondo que o mal é mesmo muito grande
(...)

Uma entrevista ao JN que vai dar que falar.

Onde páram as elites? (28)

O país [está] a desfazer-se.

Vítor Andrade, no Expresso/Emprego, 8 de Janeiro de 2004.

Ajuda internacional: Avareza vs. estratégia

Os EUA foram acusados de sovinice na ajuda às vítimas do maremoto asiático.

Um texto recente, de Tom Barry, do International Relations Center, introduz uma outra perspectiva sobre a designada ajuda pública ao desenvolvimento: U.S. Isn't "Stingy," It's Strategic.

De onde vêm as elites?

- Como e por que razão é que as pessoas começam a desempenhar funções e cargos políticos?

- Quem é seleccionado e por quem?


- Quais as variáveis contextuais que têm maior impacto no recrutamento político?

- Em que medida é que os processos e padrões de recrutamento afectam os estilos de liderança e as escolhas políticas?

Quatro perguntas, entre tantas outras, que se podem fazer a propósito da origem das elites, o que permite explicar ou perceber muito da sua actuação.

A cadeira de Recrutamento Político do mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa é um dos locais onde se fazem aquelas perguntas.

Que tipo de respostas se encontrarão?

sábado, janeiro 08, 2005

Onde páram as elites? (27)

(...)
Não é possível trazer mais qualidade para a vida política se as profissões, as universidades, os meios artísticos, as comunidades científicas e técnicas, os centros de competência e inteligência continuarem a encarar as questões das políticas públicas, mesmo nos seus aspectos técnicos, como exteriores ao seu mundo próprio e portadoras do mal.
(...)

Os Medíocres Só Estão Lá Porque Deixamos, por Augusto Santos Silva, no Público.

A insustentável leveza das estatísticas

A velha máxima: A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística.

Quanto é demais?

Qual é o limiar a partir do qual há emoção, acção, reacção, preocupação, inversão, prevenção?

Ou não há?

E estamos perante um fenómeno recorrente, como a História parece indicar?

Se assim for, de que serve a emoção instântanea, se assentar na amnésia histórica?

Um artigo perturbador de Christopher Dickey, na Newsweek: The world rarely takes notice of disasters and wars until they cross a mind-boggling threshold of pain. Are Americans starting to feel the same way about U.S. soldiers dying in Iraq?

PS - Há um link com o título: How Many Iraqi Civilians Have Been Killed?

Eleições

Ilusões?
Orações?
Corações?
Decorações?
Desilusões?
Opções?
Nomeações?
Identificações?
Representações?
Auscultações?
Considerações?
Decisões?
Acções?
Interrogações.

Os poderes fácticos são sujeitos a escrutínio?

A lógica sistémica da vida política, económica, social, ideológica, cultural, vai ser sujeita a escrutínio?

Sem querer enveredar por determinismos estruturalistas, convirá que as coisas não se esgotem na superficialidade conjunturalista.

Ou não há mesmo mais nada? Estamos reduzidos a optar entre a vacuidade e o tacticismo? Entre o Zero e o Infinito? Entre o 'Sou Muito Bom' e 'Eles São Maus'?

Se as estruturas de representação política se reduzem a arenas/plataformas de conquista/manutenção do poder político formal - proporcionando espectáculos internos indecorosos e externos a roçar a banalidade e mesmo a boçalidade - então desacreditam-se enquanto oferecedoras de esperança, ilusão, utopia - e representação. Reduzem-se a grupos de interesses, cristalizados, auto-centrados, que erguem barreiras à entrada de potenciais rivais, com interesse em aceder à(s) coisa(s) pública(s) para benefício próprio. Vem nos livros.

Se patrões e sindicatos se entendem, em plena sede da Concertação Social, supostamente tripartida, dispensando a terceira parte com proveito, ao que parece, então para que serve o governo, os partidos, a Assembleia da República, a Democracia?

A ministra que prefere os jornalistas aos deputados é uma aberração ou apenas uma primícia dos novos tempos?

Desastres... naturais?! (5)

O economista Nouriel Roubini - uma das melhores páginas da internet de economia e não só - agrupou imensa informação, que é actualizada, sob o tema Economics of Natural Disasters.

A pergunta

Onde Estava Deus Naquele Dia?

Do umbigo ao mundo

. Espanha em desagregação
. A miséria que os paraísos turísticos escondem
. Os desastres naturais que contam com uma grande ajuda do homem
. A China no mercado mundial
. A corrupção das instituições políticas pelo dinheiro sujo
. O tráfico de homens, mulheres e crianças
. O Iraque (lembramo-nos do Iraque?)
. O fundamentalismo religioso nos EUA
. Israel/Palestina
. O X aniversário da conferência de Barcelona
. A consagração da junk TV
. A destruição do ambiente
. As guerras pelos recursos (petróleo, água, minérios, ...)
. A nuclearização
. O Iraque (lembramo-nos do Iraque?)
. A incapacidade de os Europeus terem os filhos necessários à substituição das gerações levará à recomposição racial no Velho Continente?
. A implosão da África sob a sida
. A contracção da população russa
. O modelo social assente na urbanização e automobilização ainda tem futuro?
. Com a China a sugar fábricas (empregos), energia, minérios, que futuro o das outras economias? O da portuguesa por exemplo? Faz sentido falar em economia portuguesa, ou esta não passa de um dente menor de uma roda dentada intermédia de um sistema mais complexo de interligações, dependentes de uma roda motora estruturante (que tem sido o consumidor norte-americano financiado pelo credor chinês)?
. Com a evasão fiscal em passo de corrida acelerado, à escala internacional, muito por graça dos offshores, como lidar com os défices orçamentais nacionais? Cortando as despesas sociais (leia-se: pensões, saúde, educação, formação, segurança,...)?

Hello!?

Senhoras e senhores candidatatas e candidatos a dirigentes!?

Is everybody in?
Is everybody in?
This cerimony is about to begin!

Onde páram as elites? (26)

Estava a actual situação política portuguesa a precisar de tanta coisa, menos isto o confrangedor espectáculo da selecção de candidatos a deputados.

Paquete de Oliveira, no JN.

Onde páram as elites? (25)

Intelectuais, peixeiras, bancários, banqueiros, agricultores, estivadores, jornalistas, polícias, políticos, pescadores e advogados de Portugal: une-vos a crença na descrença, o fado do falhanço, o gozo da derrota antecipada (e o gozo antecipado da derrota).

Mário Negreiros, no Jornal de Negócios.

Onde páram as elites? (24)

Temos que trazer ao governo de Portugal os mais capazes e não aqueles que melhor gerem a carreira partidária e os interesses particulares.

Num momento em que se exige à comunidade empresarial um comportamento ético e a adopção das melhores práticas à luz dos valores morais universais, importa que também a classe política assuma o compromisso de pautar o seu comportamento por padrões éticos inquestionáveis, pelo rigor e pela competência, passo decisivo para cativar e mobilizar a chamada sociedade civil para a mudança que urge em Portugal.


Bruno Bobone, no Jornal de Negócios.

Onde páram as elites? (23)

E acima de tudo, é preciso inverter radicalmente a tendência para se considerar o deputado simples pau-mandado do Governo ou das direcções partidárias, destinado simplesmente a levantar-se ou a sentar-se consoante uma mal entendida disciplina partidária. Um Parlamento cujos membros não se respeitam a si próprios como representantes democráticos da soberania popular merecerá o respeito de quem?

João Cravinho, no DN.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Foge cão...

... que te fazem barão, visconde, deputado, gato, ministro, árvore, escritor, peixe-espada, rei-capitão-soldado-ladrão, cadela.

Onde páram as elites? (22)

«Sem um sobressalto reformista forte», que vença «interesses corporativos instalados», Portugal está condenado a «um longo período de crescimento económico medíocre, em divergência com o resto da Europa».
O alerta foi lançado ontem por Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, ao apresentar as previsões para a economia portuguesa para 2005 e 2006
(DN).


Boletim Económico de Dezembro do Banco de Portugal.
Nota de Apresentação do Governador do Banco de Portugal.


Onde páram as elites? (21)

Os tempos que aí vêm serão duros, e os decisores políticos, mais do que nunca, terão de se apoiar nas elites. Nas várias elites. Que não estão nas listas e - pior - nem nelas se revêem.

João Morgado Fernandes, no DN.

Onde páram as elites? (20)

Aqui está Teodora Cardoso, com Linhas de força de uma nova política orçamental, no Diário Económico.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Lá se vai a produtividade

Putting families first, por Amitai Etzioni (5 de Janeiro de 2005).

Finally some good news: Families are no longer taking a backseat to careers.

Desastres... naturais?! (4)

Repesquei isto da ONU.

É de 8 de Dezembro de 2004

UN OFFICIAL WARNS OF 'ENORMOUS TASK' TO PREVENT NATURAL DISASTERS New York, Dec 8 2004 4:00PM After a year of devastating natural disasters, from the earthquake in Bam, Iran, to the recent typhoons in the Philippines, the United Nations' most senior humanitarian official warned today that the world faces an "enormous task" in preventing and preparing for these emergencies while mitigating their after-effects on an increasingly vulnerable population.

Jan Egeland, the UN Emergency Relief Coordinator, told a press conference in Geneva that the number of people at risk from disasters is rising mainly, experts say, because economic migration has forced people to settle in large numbers in high-risk cities (destaque meu).

More than 1,200 delegates from 120 countries will gather next month for the World Conference on Disaster Reduction in Kobe, Japan, where they are expected to agree to a 10-year global action plan to remove the worst effects of natural disasters.

"For once there will be world resources focusing on prevention through which the world can become a better place," Mr. Egeland said, adding he expected that donor nations would increase their financial support after the conference.

Officials from Japan, Iran and Cuba are scheduled to conduct sessions explaining the lessons they have learned on disaster preparation and reduction after the deadly Bam earthquake and the series of typhoons and hurricanes that struck the Caribbean and East Asian regions this year.

The head of the UN disaster-reduction body, Sálvano Briceño, told the same press conference in Geneva that while natural hazards can never be entirely eliminated, their impact can be "reduced enormously" so long as there is appropriate investment in environmental management.

Mr. Briceño, Director of the International Strategy for Disaster Reduction (<"http://www.unisdr.org/">ISDR), also warned that the continuing impact of natural disasters was hurting the attempts of many countries to lift their citizens out of poverty. "One thing natural disasters did was to keep the poor poor," he said.

ISDR has reported that migrants are increasingly willing to settle in high-risk areas, such as over-flooding plains or along seismic faults, because so many rural regions lack basic services and economic opportunities (sublinhado meu). 2004-12-08


A conferência de Kobe promete - será interessante de seguir, pelo menos.

Desastres... naturais?! (3)

World Conference on Disaster Reduction, 18-22 January 2005, Kobe, Hyogo, Japan (International Strategy for Disaster Reduction)).

Pós-graduação em Dinâmicas Sociais e Riscos Naturais, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Dealing with Increased Risk of Natural Disasters: Challenges and Options, FMI (2003).

Picture This: Hit by Disaster, FMI (2003).

The Economics of Natural Disasters, Anthony Yezer (2000).

Reassessement of Natural Disasters: Living Conditions and People's Vulnerabilities to Natural Disasters, Heather Bakrim (2000).

BBC.

Reliefweb.

António Valdemar (2)

(...)
Portugal também está a viver uma situação complexa, agravada por dificuldades crescentes.Todos os dias somos confrontados com o descalabro na saúde, na segurança social, na educação e ensino; a escalada vertiginosa e assustadora do desemprego, a crise orgânica na justiça e na investigação policial, prolongando os trâmites de milhares de processos (quantos deles até à prescrição) e deixando impunes crimes de corrupção, fraude, evasão fiscal, tráfico de influências e branqueamento de capitais.

Tudo isto contribui para um discurso de suspeição e desconfiança. O País mergulhou na grande instabilidade política e social e questiona-se acerca do futuro. Nuns casos resvala para a indiferença e passividade, noutros para a indecisão e o cepticismo.

(...)

António Valdemar, no DN.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Democracia (2)

It has been said that democracy is the worst form of government except all the others that have been tried (Sir Winston Churchill, 1874 - 1965).

O recurso a esta blague é cada vez mais insuficiente para justificar o que surge, no pior cenário, como um desfilar de espertalhões, nulidades, anti-sociais, que se esfaqueiam, pisam e atropelam, para ver quem consegue apanhar a réstea de sol, abocanhar o bolo, sacar a maior parte, ou, no melhor cenário, uma tentativa, a mais das vezes infrutífera, falhada, inconsequente, de sugerir, discutir e analisar.

Entre a expressão, por vezes (muitas) selvática, dos interesses relativos, que capturam o centro decisional supostamente encarregue do interesse público, e a impotência dos analistas; entre a força e a cultura; entre o egoísmo e o altruísmo (cidadania, se se quiser, admito); com a luta de classes a reduzir-se a classes de lutas - parece que a democracia está cada vez mais cingida aos seus aspectos formais, inóquos, estéreis.

Começa a ser inadiável evidenciar quais são os canais de representação dos grupos sociais - o conceito de cidadão é um filtro ideológico que esconde alguns interesses grupais - e os mecanismos de selecção dos dirigentes.

Isto já foi feito, não é novo, é tema clássico da ciência política, mas precisamente por ser um assunto científico, digamos (erradamente) assim, é que anda arredado da discussão pública da política, presa a horizontes menores e peada por interesses discutíveis.

Já se viu a quantidade de eleições que têm sido questionadas nos últimos tempos, um pouco por todo o lado? Parece que não há uma certa. Por que será?

Para aceitar a democracia, neste contexto, só na base de ser uma alternativa à guerra civil. Se assim for, então do que se trata é da convivência, em termos mutuamente suportáveis, de grupos com interesses diferentes, contraditórios, antagónicos, irreconciliáveis. Isto será possível? Em especial, quando o bolo orçamental encolhe, ou é mal distribuído? Se o dinheiro do orçamento vier a baixar, em resultado da anemia da economia, o que se pode esperar, com uns a fugir ao fisco e outros a serem apanhados pela fome?

Onde páram as elites? (19)

(...)
Quando os regimes democráticos são crescentemente baseados num pacto explosivo entre as massas e o populismo de alguns, o segmento não cleptocrático das elites entra justificadamente em depressão. Portugal parece ter batido no fundo no que toca às relações entre elites, sendo a classe política o bombo da festa.
(...)

António Costa Pinto, no DN.

terça-feira, janeiro 04, 2005

Media: O porno-jornalismo

A fronteira do «porno-jornalismo» é fácil de transpor. Sempre que ocorre uma catástrofe, alguns media e alguns jornalistas resvalam para o sensacionalismo desenfreado ou para a mais abjecta exploração dos sentimentos. Noutras paragens, isso não passa sem crítica. Em Portugal, é como se fizesse parte da paisagem.

Em Clube de Jornalistas.

Onde páram as elites? (18)

O problema da sociedade portuguesa e de algumas sociedades europeias é o da esclerose institucional. Sociedades estáveis tendem a desenvolver grupos de interesse especial focalizados na acção redistributiva para si próprios, cujo efeito é o de entravarem a inovação tecnológica e o crescimento económico.
(...)
Na realidade, há os grupos que se conseguem organizar de forma eficaz e que beneficiam de rendas e benesses especiais, enquanto há outros que permanecem latentes ou por não terem voz ou por não terem instrumentos eficazes de pressão política. Os problemas das finanças públicas, do lado da despesa, não são mais do que um epifenómeno da esclerose institucional.
(...)

Paulo Trigo Pereira, no Público.

Adeus. Até à próxima crise (se sair desta...)

Enredados no pragmatismo quotidiano, dependentes da lógica das relações de força intra-partidárias concelhias e distritais, socio-profissionais, estudantis e outras que tais, os representantes/dirigentes políticos não têm tempo para pensar a médio prazo, nem pensar em como se chegou ao presente. Quanto muito, o médio prazo é a próxima semana, e o passado mal vai além de ontem.

De algum modo a procurar compensar esta carência, os mais reconhecedores de tal insuficiência procuram envolver-se com quem pensa, sabe, reflecte. Mas são poucos. Quer os que reconhecem, quer os que pensam. Os profissionais das máquinas partidárias detestam estes sabichões, vistos como detentores de um poder e uma legitimidade que pode ameaçar o poder e a legitimidade do chefe partidário clássico. Nascem aqui os episódios anedóticos dos ataques aos independentes. Resulta também daqui o predomínio dos aparelhistas, dos profissionais da política, para quem esta é um modo de vida. Literalmente. Enquanto tal, quem questionar estes profissionais está a colocar-lhes uma questão vital. Só pode esperar reacções próprias de quem se sente vitalmente questionado.

Claro que isto tem pouco ou nada a ver com o discurso habitual sobre os partidos como organizações racionais de representação de grupos sociais, apesar de alguns se apresentarem como partido de eleitores. Já passaram à fase, conhecida nas empresas, em que os gestores profissionais se emanciparam do controlo dos accionistas. É deste aparente divórcio entre representantes e representados que se alimenta a desconfiança popular em relação aos políticos, tratados como 'eles'.

Perante a pouca importância dada pelos putativos representantes aos assuntos que afectam a maioria, ou a totalidade, dos representados (eleitores e não-eleitores), é com naturalidade que o eco-sistema social se faz sentir, impondo um choque de realidade, devolvendo com juros os maus-tratos que sofre e a ignorância a que é votado. A história do défice orçamental mais não é do que a expressão de um disfuncionamento (económico), de uma crise de valores (evasão fiscal), de uma impotência do Estado em fazer aplicar as leis que aprova (fileira polícia-justiça), de uma hipocrisia estatal internacional (paraísos fiscais). Neste exemplo, não há aumento de impostos nem corte de despesas que resolvam o problema de fundo - a corrosão da base fiscal do Estado, desde logo, pelos paraísos fiscais, autênticos buracos negros internacionais, que têm a vida facilitada pela hipocrisia dos Estados que lhes permitem a existência. É esta história como podia ser uma outra qualquer relacionada com o quotidiano colectivo de uma colectividade social: desde umas inundações até umas colocações de professores nas escolas.

É tão difícil assim ter uma visão sistémica, complexa, inter-relacionada, das coisas? Por que se há-de ceder à ignorância histérica, ao flash televisivo, à simplicidade momentânea? Há momentos em que o silêncio é de ouro e a palavra de lata. Trata-se de saber se há gestão da agenda e do discurso e se esta é feita pelos media.

O que que quererá dizer este bruáááá na blogosfera contra um certo tipo de jornalismo: simplista, parcelar, parcial, superficial, limitado, reduzido ao soundbyte? Será ouvido por quem importa? E o que fará este quem importa?

Entretanto, não se esqueça que, digam lá o que disserem os políticos, o eco-sistema continua a funcionar. Depois não nos podemos queixar de desastres apresentados como naturais, da corrupção das instituições, da insustentabilidade ambiental da economia, da degradação social da existência humana, do predomínio dos bobos da corte no espaço público.


segunda-feira, janeiro 03, 2005

Onde páram as elites? (17): Fernando Valle

(...)
Em todas as relações da sua vida, Fernando Valle sempre cultivou os ideais da igualdade, liberdade e fraternidade, envolvendo neles amigos, adversários e desconhecidos. Para esta figura de democrata, do melhor que Portugal sempre teve, não havia inimizades e muito menos ódios. Os tais ódiozinhos que tanto estão na moda, principalmente nos partidos políticos, onde o egoísmo e a cupidez campeiam num fartar-vilanagem que nos confrange a alma.
(...)
Bastas vezes vislumbrei a ruga cavada e escutei a voz magoada quando se apercebia da luta tremenda na disputa sem regras pelos lugares em listas preparadas que serviriam de trampolim para qualquer mais-valia. "Não foi para isto que lutei!", costumava desabafar.

E quando se falava das injustiças que matreirices institucionais ou malícias pessoais assumiam, os olhos penetrantes e cheios de indignação proclamavam: "Estamos na época do que se lixe! É uma vergonha, este egoísmo que vai por aí. É uma tristeza"
.
(...)

Fernando Castanheira, no Público.

Corrupção (5)

Corrupção, fraude e branqueamento de capitais.

Um seminário da PJ, visto no Direitos.

domingo, janeiro 02, 2005

Desastres... naturais?! (2)

(...)
As new technology allows, or as poverty demands, rich and poor alike have pushed into soggy floodplains or drought-ridden deserts, built on impossibly steep slopes, and created vast, fragile cities along fault lines that tremble with alarming frequency.

In that sense, catastrophes are as much the result of human choices as they are of geology or hydrology.

(...)

ANDREW C. REVKIN, no The New York Times.

Solidariedade: Erros de cálculo? Excesso de calculismo?

Os EUA decuplicaram a sua ajuda às vítimas do maremoto no Oceano Índico de 35 (trinta e cinco) milhões de dólares - menos de metade do custo previsto da cerimónia de reinvestidura de Bush - para 350 milhões de dólares.

O Japão multiplicou a sua contribuição por 16,6(6) de 30 (trinta) milhões de dólares para 500 milhões de dólares.


Media: Recordar os Taxi

Os Taxi foram, há uns anitos, uma banda do rock português.

Tinham uma canção, salvo erro, intitulada Chiclete cuja letra incluía, a páginas tantas, estes versos:

Mastiga
Deita fora
Se demora


Por que me lembrei desta letra?

Por causa de um artigo do Le Monde sobre o consumo de informação.

(...) la "surconsommation" se double d'une superficialité des informations engrangées. Lorsqu'elles sont questionnées sur les événements de la journée tels qu'ils sont rapportés par les médias, les personnes interrogées ont des difficultés à retracer le contexte et le déroulement exact des événements ou l'identité des acteurs. Ne reste souvent que "le sentiment superficiel de savoir" (...).

Media: Estudar a propaganda (contributo)

Resources for studying propaganda.

Da Disinfopedia.

sábado, janeiro 01, 2005

Droga (17)

LONDON (Reuters) - The British Medical Journal (BMJ) said Friday it has sent documents to U.S. health regulators that it said appear to suggest a link between the antidepressant drug Prozac and suicidal behavior.

Na CNN.

V Império: Um Mito Revisitado em Dia de Ano Novo

Sempre que nos lembremos de Quinto Império, logo nos virá à ideia o Padre António Vieira e as suas afirmações da realeza do Duque de Bragança, D. João II. Dele aprendemos que deveria tratar-se da instauração da hegemonia portuguesa sobre o Mundo todo.

Como antecedente mais notável recordaremos certamente o maior teorizador e apóstolo principal do Sebastianismo, o clérigo D. João de Castro, filho bastardo de D. Álvaro de Castro e neto do grande vice-rei da Índia de quem tomou o nome.

Mas a ideia vinha de trás e era muito cara a D. Sebastião.

Recapitulemos: os quadro grandes Impérios, que se tinham sucedido no Próximo Oriente, cada um dominando grande parte do mundo então conhecido, e que a exegese tradicional identifica, respectivamente, com os dos assírios (Nabucodonosor), dos persass e medos (Dario), dos gregos (Alexandre) e dos romanos (Rómulo), dariam depois lugar ao Quinto Império: um reino universal, a abranger todos os continentes, todas as raças e todas as culturas, que havia de levar à conversão de todos os hereges; um reino de paz e concórdia entre todos os habitantes do Mundo, que nas interpretações posteriores duraria mil anos e seria regido indirectamente por Cristo: o governo espiritual exercido pelo Papa e o governo temporal por um Rei português, que D. Sebastião queria ser.

A chegada desse Quinto Império, anunciado pelo Profeta Daniel, iria trazer a supressão da guerra e das desigualdades e a instauração definitiva de uma existência pacífica e de abundância, edificada sobre a perfeição finalmente atingida. Este conceito coincide com a Sétima Idade, de Santo Agostinho, e com a Terceira Era, de Joaquim de Fiore. Em resumo: não faltava divulgação de prestígio que emprestasse credibilidade à ideia do advento do governo universal.

No Poema da Pátria Portuguesa Luís de Camões refere os Impérios anteriores e também prevê o Quinto (...).


Arnaldo de Mariz Roseira (2004), A Noção de Quinto Império n'Os Lusíadas, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, S. 121 (1-12), p. 107.

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