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quarta-feira, janeiro 05, 2005

Democracia (2)

It has been said that democracy is the worst form of government except all the others that have been tried (Sir Winston Churchill, 1874 - 1965).

O recurso a esta blague é cada vez mais insuficiente para justificar o que surge, no pior cenário, como um desfilar de espertalhões, nulidades, anti-sociais, que se esfaqueiam, pisam e atropelam, para ver quem consegue apanhar a réstea de sol, abocanhar o bolo, sacar a maior parte, ou, no melhor cenário, uma tentativa, a mais das vezes infrutífera, falhada, inconsequente, de sugerir, discutir e analisar.

Entre a expressão, por vezes (muitas) selvática, dos interesses relativos, que capturam o centro decisional supostamente encarregue do interesse público, e a impotência dos analistas; entre a força e a cultura; entre o egoísmo e o altruísmo (cidadania, se se quiser, admito); com a luta de classes a reduzir-se a classes de lutas - parece que a democracia está cada vez mais cingida aos seus aspectos formais, inóquos, estéreis.

Começa a ser inadiável evidenciar quais são os canais de representação dos grupos sociais - o conceito de cidadão é um filtro ideológico que esconde alguns interesses grupais - e os mecanismos de selecção dos dirigentes.

Isto já foi feito, não é novo, é tema clássico da ciência política, mas precisamente por ser um assunto científico, digamos (erradamente) assim, é que anda arredado da discussão pública da política, presa a horizontes menores e peada por interesses discutíveis.

Já se viu a quantidade de eleições que têm sido questionadas nos últimos tempos, um pouco por todo o lado? Parece que não há uma certa. Por que será?

Para aceitar a democracia, neste contexto, só na base de ser uma alternativa à guerra civil. Se assim for, então do que se trata é da convivência, em termos mutuamente suportáveis, de grupos com interesses diferentes, contraditórios, antagónicos, irreconciliáveis. Isto será possível? Em especial, quando o bolo orçamental encolhe, ou é mal distribuído? Se o dinheiro do orçamento vier a baixar, em resultado da anemia da economia, o que se pode esperar, com uns a fugir ao fisco e outros a serem apanhados pela fome?

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