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sábado, janeiro 22, 2005

Memória a menos? Ignorância a mais?

Bem sei que a memória é um produto escasso e sujeito a avarias quando existe.
Bem sei que os tempos são de velocidade uniformemente acelerada, o que os torna nada propícios à retenção de informação, por muito estrutural, importante e decisiva que seja.

Mas caramba esta história de um quarto dos municípios estarem á beira da morte social, ou coisa que o valha, já tem mais do que barbas.

Há uns anos que Eugénio Castro Caldas falou das desigualdads regionais em Portugal.

Mais perto no tempo, mas já há quase duas décadas, foi elaborado um plano de desenvolvimento regional, no contexto da preparação do primeiro quadro comunitário de apoio, em que basicamente se fazia a mesma fotografia.

Queimando etapas e referências, pode-se mencionar o estudo que Daniel Bessa fez para o ministro Carlos Tavares, do governo Durão Barroso, chamado Programa de Recuperação de Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD).

Porquê o espanto com as conclusões deste estudo do ministro Negrão?

Aliás, para quê este estudo?

O que trás de novo, além de fotografias socio-económicas conhecidas?

Sobretudo: Que consequências práticas terá? Vamos sair das cidades e ir para o campo?

Perguntas (im)pertinentes:

1) Como se vão atalhar as causas do subdesenvolvimento regional?

2) Qual a escala de acção recomendável, ou, se se quiser, quais são os níveis de acção identificados/recomendados (local, municipal, regional, transfronteiriço, europeu) e como se articulará a acção de correcção das desigualdades?

Mas...

... será concebível corrigir assimetrias regionais, sem perceber a lógica que as enforma? Se não se percebe, não se corrige; se se percebe, tem de se dizer que as assimetrias são inevitáveis e incorrigíveis: quando a economia se expande, as áreas marginais recolhem alguma migalhas, quando a economia se contrai, as áreas marginais são as primeiras a sofrer.

... ao focar no território, que é grande, mas tem poucos habitantes, ignoram-se os deserdados das urbes? As desigualdades urbanas? As cidades desertas ou entregues ao segmento lumpen dos marginalizados, abandonados, loosers?

É pedir muito que se considere - ah, a vaca fria... - a lógica sistémica; o acquis teórico e prático; os estudos feitos, já agora; os efeitos da moeda única; da afirmação crescente da China no mercado, que significa a sucção de recursos naturais de África e Rússia e de empregos do Ocidente; da entrada em vigor de liberalizações de mercado, como o têxtil, há muito tão anunciadas como ignoradas,...

Enfim, estas coisas desconhecidas, esotéricas, inesperadas, mas que explicam a inutilidade de parte do território (população?!) português, para o actual quadro de referência socio-económico, e a dificuldade (impossibilidade?!) de suster o seu definhamento.

O desenvolvimento regional tem o mesmo mal, e a mesma bondade, de qualquer política unidimensional - sobretudo quando se ignoram os seus porquês, as suas causas.

É preciso ir além dos sintomas da doença, para a curar (isto no pressuposto de que se quer acabar com as assimetrias, mas neste caso, atenção: é o que o território reflecte as outras desigualdades, por exemplo, de educação, de rendimento, de atracção de investidores, de acesso a infraestruturas de saúde, de energia, de telecomunicações, de estradas, ...).

Por que razão é que auto-estradas portuguesas se situam quase metro por metro em cima das antigas estradas romanas?

Comments:
Vive-se no imediatismo.
Eles não têm tempo para pensarem e resolverem os problemas deste país a médio e longo prazo.
Coitados!
 
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