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domingo, janeiro 30, 2005

O que se vê não é o que conta

O massacre mediático a que são sujeitos os agentes políticos, que tanto cria como reflecte a imagem de degradação/insuficiência/desqualificação da classe política, deve ser considerado em que termos?

Esta citação de um texto baseado numa conversa com João Adelino Faria, da SIC, dá que pensar: São tantas as horas seguidas a ler noticiários e a entrevistar pessoas, "não há tempo para preparar nada", que JAF recorre ao instinto, que se tem revelado "bom conselheiro". A experiência que trouxe de muitas partes do mundo diz-lhe "que a pergunta mais básica, aquela que não foi pensada, é sempre a melhor" (DN).

Com a análise da cena política sujeita a este tipo de insuficiências, sem escamotear outras mais cuidadas, nem ignorar análises de ex-políticos, ou de políticos retirados ou à espera da hora do seu regresso, certo é que a análise política está muito fulanizada, superficializada, espectacularizada, pouco ideologizada.

Este enviezamento para a superficialidade da evidência mediática da crítica, mais do que análise, política tem por complemento/consequência o facto de esconder/ignorar/menorizar o desenvolvimento de outras forças/fenómenos/ocorrências mais estruturais/estruturantes/condicionantes.

Ouve-se na rádio dizer que que se pretende introduzir o tema da homossexualidade na campanha eleitoral. A homossexualidade?!!! Por alma de quem? Continua-se sem saber como se resolve o drama da educação, do acesso à saúde, da qualificação laboral, da protecção da floresta, da solidariedade com os desvalidos (velhos, pobres, infantes, deficientes,...), dos 20% (VINTE POR CENTO) da população que estão em situação de pobreza, da justiça, que sei eu, e quer-se introduzir a homossexualidade na campanha?!! Pois, cá espero a introdução do tema "importância da inclinação do raio de sol no desenvolvimento da pituitária dos caracóis". Ou quer-se atingir alguém? E se esse alguém, ou outro alguém por si, ripostar? Passa-se à troca de argumentos sobre padrões morais, éticos, sexuais?
Esta redução da discussão política à vertente da abjecção dá que pensar.

Se a política é uma das mais nobres artes, não foi graças a esta vertente - baixa, abjecta, assassina - que ganhou tal qualificativo.

A acreditar que a política é mesmo uma das mais nobres artes, tem, então, de se conceder que a política acontece noutros lugares, com outros agentes, sobre outros assuntos.

A política mediática é para entreter.

O que é importante está algures.

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