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terça-feira, janeiro 25, 2005

Política

O que significam os sinais de afastamento das pessoas em relação à política?

Mera reacção, alérgica, a um mau espectáculo?

Ou uma acção, preventiva, de dar prioridade às coisas prioritárias?

Que coisas serão estas que afastam do espaço público, colectivo? A sobrevivência elementar, sinal de sociedade subdesenvolvida, em que as carências empurram as pessoas para o desenrascanço individual, mais do que para o comprometimento social? Ou, pelo contrário, posses suficientes para dispensar este comprometimento, entregando-o a agentes que tratam da manutenção da lei, ordem e segurança, contendo a massa amorfa e potencialmente contestária?

Desertificada por pessoas com ideias, ficará a política condenada a ser protagonizada por pessoas habituadas a declamar ideias de terceiros, como actores/artistas, ou a dirigir instituições com projecção social, como as desportivas ou empresariais? Significa isto que a questão decisiva da ideologia está resolvida e que hoje vai de si, com os agentes políticos a terem o seu estatuto social revisto em baixa? Ou seja, o centro de comando social já não se situa na política. Pelo menos, nos agentes políticos internos. O que autoriza que o processo de selecção e recrutamento tenha aberto a malha.

A tão falada falta de um homem ao leme significa que a nau o dispensa? Ou apenas reflecte a incapacidade da Polis construir uma hegemonia, com os poderes existentes a anularem-se, condicionarem-se, equilibrarem-se, equivalerem-se? A existir, esta hegemonia duraria quanto tempo até suscitar o aparecimento de um interesse contra-hegemónico?

É utópico esperar um governo, na verdade qualquer instituição social, estável e eterno - apenas porque os equilíbrios sociais são instáveis, porque a sociedade é dinâmica.

O resto é tribuna, oratória, demagogia, retórica - artes de expressão e comunicação; não de domesticação da realidade social.

PS - Há também que contar com as outras realidades, por exemplo, as ambientais. Podemos ignorá-las, mas não é método.

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