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segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Andar pelos próprios meios

O governo sueco decidiu acabar com a sua cooperação com a Guiné-Bissau ao fim de 30 anos, com o argumento de ter chegado a hora de o país começar a andar pelos seus próprios meios, noticia o JN.

Esta falta de paciência, também designada por a fadiga da ajuda, traz-me à lembrança outros países, bem mais ricos do que a Guiné-Bissau, assim estilo Grécia, Espanha e Irlanda.

E Portugal.

domingo, fevereiro 27, 2005

Raiz

E se se fosse à raiz das coisas?

Se se primitivasse o discurso?

Se se soubesse do quê, de onde, derivam conceitos dados como unidimensionais e de percepção inequívoca?

Primitivas e derivadas - existem, e não só na estatística. Mesmo que só existissem aqui deveriam ser exportados para outros campos do saber.

Qual é a primitiva de País, Interesse Público, Cidadão, Cidade, Nacional?

Depois pode-se falar de derivadas como Governo, Representação, Defesa, Justiça, Educação...

Depois da Estrutura, a Função.

Claro que se sabe que a Estrutura não veio do nada nem é imutável, que condiciona, mas também é sujeita a retroacções.

Lógica de sistemas.

É pedir muito?

Sabe-se que Deus gosta das pessoas simples (fez tantas), mas, vá lá, encore un effort.

A folhagem é mais atraente, o efeito que a brisa tem nas folhas, a sombra que estas proporcionam, o abrigo que oferecem para um descanso merecido,...

Penetrar o tronco, então, isso é mesmo tarefa de pica-pau, mas, co'os diabos, é na raiz que está o segredo.

Será que é por isso que os extasiados com a espectacularidade, o visível, o cromático, levam a palma, em termos de número, aos que frequentam os subterrâneos, as toupeiras e outros furões, que, mais discretos e menos deslumbrados, percebem e controlam a lógica radical, das raízes, das coisas?

A História acelerou...

... e os ciclos políticos estão cada vez mais curtos.

Entropia a velocidade uniformemente acelerada?

sábado, fevereiro 26, 2005

Fraude fiscal (2)

Responsável da PJ admite ineficácia na coordenação do combate ao crime fiscal.

Em busca dos cheques perdidos

Two months after tsunami only some UN agencies have received full funding.

Fraude fiscal

Retrato da situação pelo director-geral dos Impostos, Paulo Macedo, apresentado em conferência feita em 27 de Janeiro de 2005 na Associação Fiscal Portuguesa.

Vêm aí os chineses?!

Depois do grito de 'Vêm aí os japoneses', agora passar-se-á a gritar: Vêm aí os chineses?! (A third of MG Rover's 6,000 Longbridge workers are likely to lose their jobs if a Chinese carmaker buys the firm, sources close to the talks have said).

Até quando?

É apenas questão de o dólar dar um trambolhão ou o sistema bancário chinês implodir?

E se fosse sustentável? O Velho Continente colonizado pelo Império do Meio, ele que nunca teve ambições imperialistas... Começar pelo Reino Unido cheira a acerto de contas.

O Mundo é composto de mudança...

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

só p'a lembrar

The scarcer the resources in an economy, the more one has to choose between different goals.

Piadas

When asked whether the president's vision of spreading democracy would be applied equally to friends and foes alike, a US official joked: 'We can be pragmatic when we like'.

Guy Dinmore, Critics pour water on US foreign policy's fiery vision, Financial Times, 21/02/05.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Vidinhas

(...) Um político, em campanha, que decida não prometer nada além da vidinha - tem a eleição garantida.
(...)

Rui Camacho, no JN.

Espero que daqui a quatro meses estejamos todos tão unidos como agora.

José Sócrates, citado pelo JN.

Anomia versus utopia

Ubi malos praemia sequuntur, haud facile quisquam gratuito bonus est.

Trocar uma eventual crise amanhã por uma certa hoje

(...) The first priority is to do something about the fiscal crisis we have right now, not worry about the fiscal crisis we might face a generation from now.
(...)

Paul Krugman, na The New York Review of Books sobre défice da segurança social [eventual crise amanhã] e défice orçamental [crise certa hoje, devido a factores como a redução dos impostos].

Inteligências, borbulhas e estruturas

Já o escrevi neste blogue: José Adelino Maltez é das melhores - e das mais independentes, e livres - cabeças que o País tem. O seu blogue (Sobre o Tempo que Passa) é de leitura diária obrigatória. Alinhe-se ou não com o autor em termos ideológicos, há que o reconhecer: é um prazer/dever lê-lo (e já o pensava antes de ele me fazer o favor de incluir este blogue - até porque não nos conhecemos - num dos seus sítios electrónicos por onde divulga registos, desabafos e produções científicas). Vem isto a propósito do reconhecimento que a sua escrita vai conhecendo na blogosfera, com referências mais recentes no Causa Nossa e no Blasfémias, a propósito da reconstrução da designada Direita política.

Este tema da reconstrução do espaço político à Direita ou à Esquerda, por muito importante que seja - e será certamente - não impede que seja relativizado.

Tenho para mim que a escolha de dirigentes políticos do País predominantemente em razão da rejeição dos que estão é algo que obedece a uma lógica de reprodução contraccionista [por oposição à decantada reprodução alargada].

O que significa colocar a discussão no campo oposto, das propostas, dos valores, dos credos, das crenças, da discussão aberta, não dogmática. Mas - hélas! - isto será tanto mais difícil quanto os designados interesses instalados se coligarem contra quem os questiona, pela auto-defesa, pela auto-preservação.

E volta-se à vaca fria: às assimetrias nas in/capacidades de afirmação de interesses, aos mecanismos de selecção e representação (ou exclusão) política. Aquilo que se diferencia entre quem quer e quem pode, uma vez que nem sempre querer é poder.

Independentemente disto, a sociedade política assenta num eco-sistema natural, que por vezes se auto-regula à bruta. Convinha dar-lhe alguma atenção para que não se fale em desastres naturais. Para mais, a política também é cada vez mais internacional. Como se podem discutir uns temas e esquecer outros? Apenas por cinismo? Por conveniências selectivas? Então, tretas. É a velha máxima: Para os amigos tudo, para os outros a Lei?

A política de imigração começa onde acaba a PAC, ou acaba-se com esta?
A política de cooperação cede o passo quando há cooperação política com tiranetes?
A política ambiental eclipsa-se face ao economicismo ambiente?
E...?
E...?
E...?

Por outras palavras, qual é a capacidade de regeneração ecológica do sistema político, no sentido de considerar/preservar/sustentar a Res Publica? Na ausência ou insuficiência desta capacidade, não é só o sistema político que está comprometido - é toda a humanidade.

A lógica do homo oeconomicus é predadora. A das relações de força também. Mas não há outra lógicas - viáveis. Restam as formas de auto-regulação da nossa nave espacial, a Terra. Às vezes, a guerra é (tem sido) uma delas.

Vamos ater-nos às estruturas, sem extasiarmo-nos com as borbulhas epifenomenológicas, e à sua lógica sistémica.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Darfur (7): Mortícinio na praça pública

The situation in Sudan's war-torn Darfur region is deteriorating rapidly, more than 4 million people could be in desperate need of life-saving aid by mid-year, and the Security Council and world at-large must act now to put a robust force on the ground and pressure on all sides, the top United Nations relief official warned (...) "I wish we had a fraction of [the Indian Ocean tsunami aid mobilization] for the Darfur tsunami which has displaced many more and which is potentially taking also more lives altogether unless action is taken.".

Parece que é mais importante agir noutros sítios.

Parece que é importante termos a gasolinazinha nos depósitos dos nossos carrinhos e electricicidade para nos aquecermos ou arrefecermos e ligar os computadores e os frigoríficos, enfim essas miudezas quotidianas...

Darfur?

O que é isso?

Tem lá pessoas?

Com direitos?

Humanos?

E valem muito, quer dizer, mais ou menos do que uns litritos de petróleo?

Humor britânico

O lider da oposição no Reino Unido defende medidas mais duras contra a imigração.

O senhor em causa é filho de... pai imigrante.

Ver BBC e Região de Leiria.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Media: Confissões

É verdade que esta campanha eleitoral foi oca e desinteressante. Faltou-lhe política, como já aqui escrevi. Mas nós, jornalistas, sempre tão críticos dos políticos, não podemos enjeitar a responsabilidade que também nos cabe, desde logo na escolha dos assuntos que divulgámos. Demasiadas vezes preferimos as tricas e os boatos aos temas realmente importantes.

Breves e soltas

Voto de protesto não pode ser confundido com voto de adesão (programas eleitorais valem cada vez menos).

Acções dos governos estão cada vez mais condicionadas por forças que lhes são exteriores e sobre as quais pouco ou nada podem.

O peso da comunicação social é relativamente insignificante. O pouco eco, para não dizer efeito contraproducente, que algumas análises tiveram, apesar do tempo de antena generoso concedido a alguns comentadores, prova-o.

Uma lógica eleitoral assente na penalização, mais do que na da propositura, é perversa - e virar-se-á amanhã contra os que beneficiou hoje.

É díficil fugir ao populismo, tanto à esquerda como à direita.

Há uma correlação forte entre subida do desemprego e queda do governo. Foi assim com Cavaco Silva, António Guterres e Durão Barroso/Santana Lopes. Como será com José Sócrates se persistirem as dificuldades de crescimento da economia portuguesa?

Sem crescimento económico, fica tudo mais dependente do Orçamento do Estado. Mas se as fontes de receita deste se contrairem (se continuarem a contrair), até por força do refinamento da evasão fiscal, então aumentará a luta entre os grupos de interesse pelo que existe. Quem tiver interesse mas não pertença a um grupo ou integre um sem força não poderá trincar o bolo orçamental.

domingo, fevereiro 20, 2005

Leituras com pó (22)

(...)
Sucessivas passagens d'Os Lusíadas aplicam-se à actual realidade portuguesa: os factores de insegurança; o compasso de espera no relançamento económico; a precariedade dos vínculos laborais e do apoio à terceira idade; a falta de horizontes para milhares de jovens; a erosão familiar que desfaz laços afectivos, gera o desespero, a violência, a criminalidadee e intensifica a apagada e vil tristeza.
E a crise na saúde? E as listas de espera nos hospitais que aumentaram de 90 mil para mais de 140 mil?
(...)
E a crise na justiça?
(...)
E a crise moral? A venalidade, o suborno e a corrupção aos mais diversos níveis?
(...)

António Valdemar, Camões, precisa-se, Diário de Notícias, 17/06/04.

Leituras com pó (21)

O mal de Portugal são os videirinhos do pessimismo, os oportunistas dos sentimentos, os demagogos da vida fácil e os comissários incompetentes. São os que por actos e atitudes fogem das suas responsabilidades deixando para outros a resolução dos problemas.

Carlos Pereira da Silva, Expresso, 24/07/04.

Leituras com pó (20)

O populismo é hoje a doença infantil das democracias (...) Alimenta-se da televisão e da ignorância do povo, ignorância relativa em vista da crescente complexidade das sociedades modernas. E como o populismo não tem objectivos transcendentes de progresso e de bem estar para todos, apesar de o afirmar constantemente, contenta-se em servir os poderosos e em trabalhar para o seu enriquecimento pessoal.

Henrique Neto, Diário de Notícias, 29/07/04.

Leituras com pó (19)

A campanha para as eleições europeias foi tudo menos civilizada e cordata (...) Uma verdadeira animação mediática, onde se misturaram calão barato com ideias caras. Triste Portugal, que nem nos momentos nobres é capaz de manter uma mínima nobreza de linguagem.

Nuno Pacheco, Público, 15/06/04.

De regresso à realidade

Paz. Guerra. Serviço militar. Relações internacionais. Nuclear.
Pão. Economia. Empresas. Competitividade. Solidariedade.
Habitação. Cidades. Automóvel. Guettos.
Saúde. Novas doenças. Recursos. Resposta às necessidades.
Educação. Prospectiva. Qualificação.
Justiça. Inimputáveis. Acesso. Celeridade. Podridão.
Cultura. Língua. Património.
Demografia. Idosos. Pensões. Imigração. Choque de culturas.
Europa. Alianças. Mundo. Prioridades/capacidades/debilidades.
Ética. Princípios. Valores. Religião.
Droga. Esperança. Traficantes. Dinheiro sujo.
Ambiente. Poluição. Clima. Energia.
Protecção civil. Incêndios. Inundações. Construção.
Estado. Política. Representação. Selecção. Expressão.
Orçamento. Impostos. Evasão fiscal. Paraísos fiscais (infernos de cidadania).

Lógica sistémica. Lógica sistémica. Lógica sistémica.
Lobbies. Lobbies. Lobbies.
Espaço público. Serviço público.
Negocismo privado. Captura dos centros de decisão. Rentismo.
Relações de força. Relações de força. Relações de força.

(Ir)relevância do nacional como espaço de acção.

É curto o caminho da ilusão/esperança para desilusão/cinismo.

Regresso à realidade.

Back to business.

Não são, nunca foram, nunca serão, as eleições, quaisquer eleições, que ditam a estabilidade ou instabilidade do poder político formal.

Leituras com pó (18)

A campanha nem sequer permite saber que "questões europeias" são essas que devíamos ter debatido e que não debatemos.

José Vítor Malheiros, Público, 08/06/04.

Leituras com pó (17)

Mesquinho país onde a ignorância atrevida é compensada com comendas e benesses e o conluio negocista e caciqueiro impera (...).

São José Almeida, Público, 25/07/04.

sábado, fevereiro 19, 2005

Onde é que nós íamos?

(...)
O resultado de domingo não resolverá nada. Não tardará muito que a realidade, agora ignorada, nos torne a levar, ou comece a levar, às questões que verdadeiramente interessam: a questão do Estado e a questão do regime.

Vasco Pulido Valente, no Público.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Leituras com pó (16)

Portugal precisa desesperadamente de profissionais qualificados em todos os sectores de actividade, de elites intelectuais e profissionais, mas também de elites de carácter, que prezem e defendam a verdade, que não cedam relativamente ao que é inadiável realizar. Não das "elites" de compadrio, de dinheiro sujo, de influência, de fidelidade aos "cartéis", que são as "elites" que emergem e se tornam dominantes, quando não se formam e promovem as verdadeiras elites.

Guilherme Valente, Público, 16/09/04.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Kyoto

UN’s Kyoto treaty against global warming comes into force.

Isto é simples.

Com ou sem tratado, com ou sem EUA, com ou sem alterações de hábitos de consumo, a lógica sistémica do funcionamento do planeta faz-se sentir.

E nada a pára.

Já falta água no Algarve?
Há inundações em sítios onde não havia água?
Neva em terras que desconheciam a neve?

Pois...

A falta de água no Algarve reduz a produção de laranjas e expulsa do mercado alguns produtores.

Pois...

E nós - consumidores - comemos menos laranjas, se as pudermos comprar, uma vez que ficarão mais caras.

Mas quem diz laranjas diz outras coisas: menos água é menos pasto, menos pasto é menos carne e leite,...

Tratados?
Declarações?

Limpemos as mãos à parede.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Parar é morrer

Tempus fugit, utere.

Plano inclinado

Aqui, ali, além, acolá e acoli.

Ontem, hoje e amanhã.

Até onde?

Até quando?

O saber custa.

Muito.

A ignorância custa mais.

Muito mais.

Nas relações de força, o que conta é a... força.

Ai dos vencidos.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

O Fim do Jornalismo...

... chegou ao fim.

Mais um blogue que se fina.

Interrogava, à abrir, para que servem, afinal, os jornalistas? Será que estamos no princípio do fim desse fenómeno chamado Jornalismo? Este weblog serve para isso mesmo: sabermos se a Internet e as novas tecnologias vão colocar um ponto final no jornalismo, ou se, pelo contrário,...

Devem-se procurar as respostas noutro sítio, que já não neste.

Leituras com pó (15)

O futuro parece que nos escorre dos dedos como a areia em vez de o estarmos a construir.

Rui Vilar, entrevista ao Público, 25/10/04.

Iraque: Resultados eleitorais

. Aliança Unida do Iraque (xiita) - 4.075.295
. Aliança do Curdistão - 2.7175.551
. Lista do Iraque (do primeiro-ministro interino, Iyad Allawi) - 1.168.943
. Iraquianos (do presidente interino, Ghazi al-Yawer) - 150.680
. Partido Comunista - 69.920
. Cristãos Assírios - 36.255
. Partido Islâmico (sunita, encabeçado por Mohsen Abdel-Hamid) - 21.342
. União dos Democratas Independentes (enabeçado pelo sunita Adnan Pachachi) - 12.728
. Partido Nacional Democrata (encabeçado pelo sunita Naseer Kamel al-Chaderchi) - 1.603

Abstenção superior a 40%.
Xiitas e curdos ganham.
Sunitas perdem.

Eleições: ponto de chegada ou de partida?
De partida para onde?
Para uma situação mais favorável ao Irão, por mais paradoxal e esdrúxulo que este resultado da intervenção militar liderada pelos EUA possa parecer?
Para um Iraque federal? Estilo Jugoslávia?
E como se atingirá o federalismo: com muitos ou poucos tiros?
E quanto tempo durará?
E onde se arrumam os sunitas?
E a minoria católica?
Ah - já me esquecia - e as mulheres? O que se vai sabendo dá para perguntar se a democracia, agora eleitoralmente consagrada, se traduzirá para o sexo fraco (?!) num quotidiano pior do que o havia no tempo de Saddam?

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Má notícia...

... o fim do Ma-Schamba.

Despediu-se com uma reflexão sobre o respeito que um país que se preze dá aos seus mortos, caídos sob a sua bandeira.

Relembrar o óbvio

O que interessa é determinado mais pela influência internacional que pela mesquinhez das intrigas de freguesia. Qualquer Governo que saia das eleições terá muito menos influência que aquela que ele mesmo sabe não ter.

César das Neves, no DN, relembra o óbvio, mas que passa por surpresa no contexto actual.

Desastres... naturais?! (7)

A responsabilidade das catástrofes já não é do Cosmos, mas sobretudo das nações.

Um artigo arrepiante de Rui Barbosa, no JN.

Media: Sob escrutínio

Mário Mesquita, na sua página semanal no Público, analisa o desempenho recente da classe jornalística sob quatro ângulos.

Aqui fica um cheirinho:

Jornalistas-seleccionadores - Como se transforma em poucos segundos de telejornal um comício de duas horas?

Jornalistas-narradores - o repórter empresta o seu olhar ao cidadão comum que não tem a possibilidade de observar directamente certos acontecimentos

Jornalistas-especuladores - A arte de transformar especulações em notícias

Jornalistas-promotores - Promotores de macro e mini-eventos, os jornalistas destacam-se, em especial, quando fazem eco de "escândalos". O periódico especializado na matéria é, desde os tempos de Paulo Portas, "O Independente".

domingo, fevereiro 13, 2005

Obviamente

Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE em 13 de Fevereiro de 1965.

Há 40 anos.

Apenas há 40 anos...

A memória é curta e o tempo escoa-se, célere.

Fundação Humberto Delgado.

Media: SOS Crise

(...)
Les causes externes (da redução da circulação da imprensa escrita paga) sont connues. D'une part, l'offensive ravageuse des quotidiens gratuits.
(...)
L'autre cause externe est, bien sûr, Internet...
(...)
Il y a aussi le phenomène des blogs...
(...)
Mais cette crise a aussi des causes internes qui tiennent, principalement, à la perte de crédibilité de la presse écrite. En premier lieu parce que celle-ci appartient de plus en plus à des groupes industriels que contrôlent le pouvoir économique et sont en connivence avec le pouvoir politique. Et aussi parce que le parti pris, le manque d'objéctivité, les mensonges, les manipulations et même tout simplement les bidonnages ne cessent d'augmenter. On sait qu'il n'y a jamais eu d'âge d'or de l'information, mais ces dérives atteignent maintenant des quotidiens de qualité
.
(...)
De plus en plus de journalistes considèrent que ce sont leur opinion - rarement étayées - qui sont sacrées, tandis qu'ils n'hésitent pas à deformer les faits pour les contraindre à justifier leurs opinions.
(...)
Nous demeurons persuadés que de la qualité de l'information dépend celle du débat citoyen. La nature de celui-ci déterminant, en dernière instance, la richesse de la démocratie.

Ignacio Ramonet, Médias en crise, Le Monde Diplomatique, Janeiro de 2005.

Media: Fontes anónimas (3)

Reflexões interessantes, de Diogo Pires Aurélio, Ruben de Carvalho e Vicente Jorge Silva.

Leituras com pó (14)

Miséria de elites.
(sobre a venda de activos empresariais portugueses a Espanha)

Do nosso complexo de inferioridade em relação a Espanha passámos ao complexo de derrotado. E quem tem a responsabilidade são as elites portuguesas, os dirigentes associativos e empresariais, os sucessivos Governos.


Nicolau Santos, Expresso, 13/12/03.

Media: Fontes anónimas (2)

O que p'raí vai.

Fonte anónima 1 diz que fulano pensa, mas não pode dizer. Publica-se o que a fonte anónima 1 pensa que fulano pensa.

Fonte anónima 2 diz que de certeza que beltrano nunca faria isso que lhe é atribuído. Publica-se o que fonte anónima 2 acha que beltrano faria ou não.

Vaca fria: Os media são plataformas de transporte/projecção de opinião, mercados, mensagens, avisos, alertas, recados.

É ilusão pensar outra coisa.

Pior: É ignorar as transformações estruturais na indústria dos media.

Às vezes têm informação.

As mais das vezes reduzem-se ao infotainment.

No entretanto, servem de campo de batalha, ao qual acede quem pode.

Alguém falou de jornalismo? Muito bem. E isso é o quê?

Leituras com pó (13)

Mãe deixou filho sozinho em casa para ir esquiar. Como não tinha passaporte válido, menino de 11 anos ficou em terra e passou duas semanas numa casa vazia.

Público, 28/12/02.

Leituras com pó (12)

(...)
P - Então por que dava as consultas de graça?
R - Bom, os senhores são muito novos e não se apercebem das carências da época, carências de toda a espécie: de higiene, de cultura, de alimentos... Não digo que houvesse fome, mas havia deficiências. As pessoas andavam descalças, com as roupas num fiapo, com frio, sujas.
(...)
R - Eu venho a conhecer o mundo sucessivamente, há muitos anos. E quem diz que o passado é que era bom, não está bom da cabeça. É que não tem comparação possível; a vida de carências de toda a natureza a que eu assisti com a vida que hoje se leva. As possibilidades de vida que hoje se abrem... não tem comparação!
(...)
P - O egoísmo, para o senhor, sempre foi um defeito terrível...?
R - Sim, sim. Procurei ser útil aos outros, na medida do possível - nunca o consegui totalmente, com certeza, mas pelo menos tenho a consciência de que o tentei sempre.

Fernando Vale, entrevista ao Expresso, 11/01/03.

Leituras com pó (11)

Brasil desperdiça quase metade da água colectada.

Público
, 26/01/03.

Leituras com pó (10)

Vão ver as fortunas de pessoas em redor do futebol e como isso está ligado ao imobiliário, a alterações de Planos Directores e a concursos públicos.

Dias da Cunha, Correio da Manhã, 29/12/02.

Leituras com pó (9)

(...) a UE está a transformar-se num paquiderme acéfalo.

João Ferreira do Amaral, Os dois elefantes, Expresso, 28/12/02.

Leituras com pó (8)

A atitude de vencidos da vida da actual elite bloqueia a mudança.

Patinha Antão, Os anos do resurgimento, Expresso, 28/12/02.

Leituras com pó (7)

Depois de ver e ouvir a fúria das associações médicas, industriais e farmacêuticas contra os preços de referência e a promoção dos medicamentos genéricos, só me resta concluir: talvez seja necessário reformar a saúde pública, não contra, mas sem os médicos. E sem as farmácias. E sem a indústria. Parece absurdo, mas talvez seja a única solução.

António Barreto, Pela nossa saúde, Público, 27/10/02.

Leituras com pó (6)

Precisamos de melhores empresas e de melhores empresários.

Jorge Sampaio, Público, 27/10/02.

Isto sugere as seguintes máximas:

Os políticos reclamam melhores empresários.

Os empresários reclamam melhores políticos.

Os políticos desejam melhores (e mais) eleitores

Os empresários desejam melhores (e menos) trabalhadores.

Os eleitores desejam melhores políticos.

Os trabalhadores desejam melhores empresários e melhores políticos.

Os políticos desejam melhores empresários e melhores trabalhadores.

Os empresários desejam melhores trabalhadores e melhores políticos.

Mas...

... os políticos desejam melhores políticos?

... os empresários desejam melhores empresários?

... os trabalhadores desejam melhores trabalhadores?

Está tudo de acordo (em exigir/reclamar/desejar/esperar que o Outro melhore; em não ser auto-exigente com o Mesmo) ou está tudo em desacordo, em particular quanto à concretização de mudanças, dese logo quanto à repartição do custo destas, que é imediato, enquanto que os benefícios são diferidos e incertos?

Grupos de interesse? Lobbies? Captura do Estado? Rendas de situação? (In)capacidade de representação e expressão político-institucional? Têm tudo a ver com isto, não é? Se assim for, então os desejos têm pouca influência num mundo em que o que conta são as relações de força, que evoluem conforme a força de cada interveniente.

Pelo menos, é o que parece...

Leituras com pó (5)

Terrorismo, Iraque e Coreia do Norte continuaram a dominar esta semana.

Jorge Almeida Fernandes, De Moscovo a Los Cabos, Público, 27/10/02

Leituras com pó (4)

Um juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) foi alvo de um processo e inicialmente punido com uma sanção de advertência, por alegadamente ter afirmado que "todos os elementos do Conselho Superior da Magistratura são uns filhos da puta".

A sanção acabou, porém, por ser anulada pelo STJ.


António Marinho, Supremo absolve insultos de juiz, Expresso, 27/12/03.

Lógica eleitoral

Li algures que as campanhas eleitorais assentam numa relação a três: entre um candidato, o seu (principal) adversário) e o eleitor.

Faz sentido.

E explica muita coisa. Basta aplicar a lógica das ramificações: se x então y, de onde se pode evoluir para z ou w. É matemática elementar:

. para o eleitor, o candidato diz directamente que é o maior e o adversário o menor; em alternativa/complemento ao discurso directo semeia-se, de forma indirecta, intermediada, a dúvida entre o eleitor sobre a qualidade (em várias áreas) do adversário.

. para o adversário diz-se que se é melhor que ele, que o que ele faz/propõe não presta ou é cópia do que o candidato já propôs e, como ninguém é perfeito, quanto mais se investigar o seu passado (em várias áreas) tanto mais armas de arremesso se encontram para lhe atirar à cara (há entretanto que evitar/prevenir/minimizar acções similares do adversário, porque ninguém é perfeito e quanto maior o passado do candidato mais hipóteses terceiros têm de encontrar vulnerabilidades, situação em que o candidato pode sempre recorrer à vitimização).

. para o interior do seu grupo, o candidato tem que unir/ convencer/estimular/excitar, no esforço da procura da vitória. Se não calar rivais/dissidências surge debilitado e sem credibilidade na campanha de convencer o universo fora do seu grupo partidário [se não conquista o seu partido, como é que quer conquistar o país?, perguntará o eleitor]. O resultado da derrota é sair da liderança e entrar na fase da travessia do deserto, em que ninguém o conhece. Se não encontrar água, corre mesmo risco de vida. Política, claro. Esta perspectiva acicata o candidato no seu esforço de apresentar uma frente interna unida e de reduzir (a hipótese de vitória dos) rivais a pó. A lucidez na materialização deste esforço pode ser prejudicada se a situação for desesperada.

Infelizmente, as pessoas valem pelo que fazem, pelos lugares que ocupam, pelos favores que podem conceder, pelo dinheiro que controlam e cuja aplicação podem influenciar - não pelo que são, e está-se a pressupor o melhor dos cenários/casos, que são umas jóias de pessoas, com quem se é capaz de beber um copo, de emprestar a chave de casa e até de o deixar estar com a irmã mais nova. Mas esta é a regra do jogo. É, tem sido e parece que assim continuará.

É a vida, diria/dizia o outro.

sábado, fevereiro 12, 2005

Leituras com pó (3)

Há 50 por cento de hipóteses de um retrocesso civilizacional catastrófico neste século.

Martin Rees, entrevista ao Público, 13/12/03

Leituras com pó (2)

Portugal não tem elites nem capital.

Eduardo Catroga, Expresso, 27/12/03

Leituras com pó (1)

o mundo está cada vez mais rasca. o cão amarelo de martin amis é sobre isso. no livro fala-se em obscenificação da vida quotidiana. é a mesma coisa. essa coisa chama-se mundo e o mundo é rasca, é desprezível e é perigoso. é o que é. e é amarelo.

Capa do suplemento Mil Folhas, do Público, 25/09/04

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Tempos modernos

De asini umbra disceptare.


quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Darfur (6): Horror sim, genocídio não

A man's eyeballs are gouged out. A classroom of school girls is violated in public. Babies are tossed into fires as their mothers watch. Other victims are crucified, dragged on the ground by horses and shot in the head. The United Nations' report -- 176 pages in all -- is filled with many more such horrible details of rapes, killings, assaults and plundering. All of these are crimes -- but do they constitute "genocide"?

No, according to the U.N. report.


Jonathan Curiel, no San Francisco Chronicle, onde cheguei via The Periscope.

O documento da ONU está aqui.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Onde páram as elites? (46)

(...) Temos consciência da pobreza ideológica dos partidos, da pobreza das suas propostas de mudança.
(...)
Quando é preciso lembrar velhos valores [justiça, igualdade, solidariedade, proximidade], é porque não existem.
(...)
A pobreza aparece como a expressão de uma sociedade que exclui e de um poder político que não exerce justiça. Pobreza é, sobretudo, ausência de justiça. Se a justiça não é a preocupação primeira de um Governo, como é que se pode manter um povo solidário e interessado?
(...)

Agostinho Jardim Moreira, no Público.

Media: Fontes anónimas

Já não há fontes anónimas como antigamente.

Onde páram as elites? (45)

Numa notável entrevista à Renascença e ao Público, o historiador Rui Ramos lembrou a nossa incapacidade para fazer reformas, apesar de serem conhecidos os diagnósticos e os remédios. É que os governantes não se assumem como políticos. Desde há 30 anos têm a legitimidade do sufrágio universal para combaterem os interesses instalados, mas pouco a usam.

Francisco Sarsfield Cabral, no DN.

Relatividade histórica

Para Fernando Pessoa, cuja existência se iria desenrolar, tanto quanto se poderia prever, no Portugal de seus tempos, isto é, no ponto mais baixo que poderia atingir a descendente curva da austera, apagada e vil tristeza, a alternativa apresentada foi a mais tentadora que se poderia imaginar: a da Inglaterra.

Agostinho da Silva, Um Fernando Pessoa, Lisboa, Guimarães, 1988, 1.ª edição: 1959, p. 13.

Ânimo pois.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

UEM?

R.I.P.!

(...)
A União Económica e Monetária, tal como a conhecemos até aqui, acabou. Teve vida breve, como muitos de nós auguraram. Não deixa saudades e complicou enormemente o futuro, tanto da Europa no seu conjunto como o dos estados membros individualmente considerados (em particular Portugal).
(...)
é tempo de se criar um novo sistema monetário europeu que, simultaneamente, garanta estabilidade e crescimento.

João Ferreira do Amaral, no Jornal de Negócios.

Onde páram as elites? (44)

(...)
A minha suspeita, quando vejo o desprezo a que é remetida a imagem do Estado e a indiferença com que os actores políticos tratam a questão, é a de que alguém está a trabalhar para que só daqui a uns tempos se venha a perceber que afinal as coisas não eram bem como se pensava.
(...)
Um dia, os cidadãos vão perceber que a imagem do Estado que existe em Portugal não é autónoma em relação à sua própria imagem. Se o Estado somos nós, a imagem que dele fazemos é a imagem que temos de nós próprios.
(...)

Estêvão de Moura, no Público.

Aqui está uma boa sugestão: começar uma discussão sobre o que é o Estado.

Ainda por cima não é nova. É só rever alguns calhamaços. Pode ser que se refresquem algumas memórias sobre serviço público, interesse público, diferença entre Administração e Governo, probidade, mas também valores, políticas, opções, projectos, personalidades, sonhos, e ainda grupos de pressão, lobbies, rendas de situação, luta pelo acesso ao bolo orçamental, luta política, luta de grupos, luta de classes, luta sem classe,...

É uma boa sugestão.

Coisas importantes

Despite Kyoto’s coming into force, vigorous debate between and among climate sceptics and climate hawks continues.

No The Economist

Pois é

Vita brevis, ars longa, occasio praeceps, experimentum pericolosum, judicium difficile.

Iraque: Um Estado teocrático a caminho?

O Público traz hoje um artigo que pode ser uma antevisão do futuro da democracia iraquiana.

O título é: Líderes xiitas querem o islão na Constituição do Iraque

Alguns excertos:

(...)
o carismático ayatollah Ali Sistani, que deu a sua chancela a uma lista eleitoral que se prepara para vencer as legislativas, defende que o Estado iraquiano deve ser islâmico
(...) o seu porta-voz, xeque Ibrahim Ibrahimi: “Avisamos os responsáveis contra uma separação entre Estado e religião”.
(...)
[Em] Bassorá (...) os partidos xiitas têm transformado a cidade num bastião islâmico desde a queda do regime de Saddam Hussein. Milicianos expulsam vendedores de álcool da rua, as mulheres são agredidas se não se tapam dos pés à cabeça, e em alguns tribunais, os juízes sentenciam com base na sharia.
(...)


segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Media: Sob fogo

Vem de longe o criticismo dos jornalistas.

Entre a ignorância, o de estarem a soldo de interesses mais ou menos públicos, mais ou menos inconfessados, o de prosseguirem agendas próprias, de tudo um pouco têm sido acusados.

Umas vezes com razão, outras não.

Convenha-se, porém, que há um desequilíbrio inquestionável entre o escrutínio a que sujeitam alguns agentes sociais, designadadamente os políticos, alguns políticos, e aquele a que são sujeitos.

Augusto Santos Silva alude a este desequilíbrio, no seu artigo semanal no Público (indisponível on-line) de sábado, ao escrever: Não vejo como é que a condição profissional de jornalista pode, no plano da produção de opinião política, ser garantia suficiente ou adicional de competência e isenção. Da mesma forma, menciona os hipervalorizados especialistas do jornalismo dito económico, que, enquanto não arrancarem dos políticos promessas de despedimentos maciços, subidas galopants de impostos e reduções draconianas de direitos sociais, dirão sempre deles cobras e lagartos.

Em causa está sobretudo saber se os jornalistas têm qualificação técnica e capacidade de controlar enviesamentos ideológicos para exercer o seu ofício.

O PressThink é apenas um dos muitos locais que disponibilizam elementos e material de reflexão sobre as paradas elevadas, sérias, vitais que existem em torno do mundo do jornalismo. Mas que dão outra consistência ao lamento de Santos Silva sobre a infantilidade do nosso sistema de comunicação.

Já Pedro Magalhães, no seu Margens de Erro descreve situações de ignorância, ao ponto de desabafar: Mas nas escolas de comunicação social donde brotam estes jornalistas, não se fala destes assuntos? Pelos vistos, não (ver post Amostras voluntárias, de 4 de Fevereiro).

Há uns anos, em Novembro de 1969, o então vice-presidente dos EUA, Spiro Agnew, que fazia ticket com Nixon, leu um discurso, escrito por Patrick Buchanan, que ficou para a história pelo ataque à imprensa. Tratava-se de uma reacção aos comentários instantâneos (instant analysis) dos jornalistas a um discurso de Nixon. Basicamente assentava no princípio The views of this fraternity do not represent the views of America.

Os jornalistas portugueses estarão a abrir caminho a isto?

Em todo o caso, não se deve dar mais importância às coisas do que a que têm.

Ainda no Público de sábado, Dan Gillmor, em entrevista a António Granado prevê a criação de media por pessoas que antes eram só audiências e que os jornalistas poderão aprender muito com os cidadãos comuns.

Na introdução do seu livro Nós, Os Media, cuja tradução para Português serviu de pretexto para a entrevista admite: Aceito que os meus leitores saibam mais do que eu - e este é um facto libertador, que não ameaça a minha vida de jornalista.

Há que ter capacidade de alargar o horizonte de referência e relativizar os factos.

Imagens de Portugal no mundo (2)

A ex-empregada da rede "Biedronka", propriedade da Jerónimo Martins, na Polónia, foi eleita pelos média polacos como símbolo da luta contra a exploração dos trabalhadores pelo capitalismo selvagem.

Mais uma capa da Newsweek, mesmo na versão polaca, dedicada ao país.

Igreja versus Maçonaria

O cardeal-patriarca de Lisboa disse que quem é católico não pode ser mação.

O grão-mestre do Grande Oriente Lusitano contra-argumentou dizendo que a Maçonaria sempre se honrou de contar com altas figuras da Igreja Católica, de que cito por todos o cardeal Saraiva, visto ter sido meu antecessor, mas também do senhor D. José Policarpo.

No Diário de Coimbra, onde cheguei via Causa Nossa.

Imagens de Portugal no mundo (1)

Na Wikipedia.

Media: Objectividade?

Não sei o que é, mas parece que acabou.

Dan Gillmor dá um dos contributos mais recentes para esta discussão.

domingo, fevereiro 06, 2005

Dois milhões de mortos até Abril?

Two million children will die needlessly between now and the next meeting in April. If rich countries are going to keep their promises to tackle obscene poverty they need deliver - and deliver quickly.

Max Lawson, da Oxfam, na BBC, a propósito da discussão no G7 do cancelamento da dívida de alguns dos países mais pobres do mundo.

O assunto é complexo e tem mais vertentes.

A purga dos recursos locais por parte das elites dirigentes locais é uma delas, que é diluída em raciocínios mais gerais (mais estreitos?), como os da geopolítica.

A (in)capacidade de (auto-)sustentação das economias destes países é outra.

As fronteiras estatais de África, herdadas da colonização, outra ainda.

Volta-se, mais uma vez e sempre, à lógica sistémica versus medidas isoladas.

sábado, fevereiro 05, 2005

Regresso...

... do Bloguítica.

Rezas

A Diocese de Beja recuperou uma oração do papa Paulo VI proferida em Agosto de 1976, quando a Itália passava por uma situação de seca extrema, e tornou-a acessível aos alentejanos através da sua página na Internet, para que "orem a Deus pedindo chuva", lê-se no Público.

Sem comentar a novidade da internet, interrogo-me: por que razão anda Deus a preocupar pessoas que já têm um quotidiano tão cheio de carências? É preciso mais para testar a sua fé?

Também não percebo as preces pelas melhoras do Papa. Se Deus o quisesse bom, por que é que tinha permitido que adoecesse?

Por que não se discutem mais estas questões, estes paradoxos, estas confissões/manifestações de impotência?

A falta de chuva no Alentejo é a nossa versão dos furacões na Florida, das inundações em São Petersburgo, das chuvas na Europa Central e do Norte,... a doença do Papa é a idade.

Por que razão a ignorância, a superstição, o irracional têm tanto peso na vida social? Por culpa dos "ignorantes", "supersticiosos", "irracionais"? Por conveniência de terceiros (já dizia Salazar: se soubesses o que custa mandar,...)?

Poder: O político e o fáctico

Vasco Pulido Valente desferiu no Público de sexta-feira um dos mais violentos ataques à classe política em geral de que tenho memória.

A título de exemplo, aqui ficam alguns nacos de prosa, escolhidos com dificuldade dada a fartura textual:

Com Santana Lopes não é possível ter uma conversa seguida sobre coisa nenhuma. Nos melhores momentos, o homem não excede o desenvolvimento mental dos quatro anos.
(...)
A inocência pública continua a presumir que os políticos compreendem, em geral, os problemas da sociedade portuguesa e que lá num cantinho remoto do seu cérebro sabem como os resolver. Nada justifica este optimismo. Pelo contrário.
(...)
Os políticos têm a cabeça infinitamente vazia, admitindo, por muito favor, que têm cabeça.

É capaz de ter razão.

Como ex-político - foi secretário de Estado adjunto de Sá Carneiro e deputado do PSD - conhece bem a classe política actual. Como historiador, no ICS, conhece bem a classe política dos séculos em que tem interesses confessos, XIX e XX.

Há uns anos, Mendo Castro Henriques escrevia no Euronotícias, de 20 de Julho de 2001, que também em Pulido Valente se vê a linhagem do pessimismo histórico, a apreensão dos democratas sinceros que vêem a liberdade extinguir-se e, olhando em redor, duvidam profundamente que haja gente e meios para a defender contra os passos avassaladores do poder, tomem estes a forma de um bailinho da Madeira, de uma chula de Matosinhos, ou de um hip-hop populista da Figueira da Foz. Nestas matérias Pulido não perdoa e investe, liberalmente, contra todos os que revelam inépcias, desconchavos, desacertos, contradições, raciocínios enviesado, falaciosos, ou simplesmente estupidez, muita estupidez. Pulido não perdoa.

Pode ser que seja assim.

Mas interrogo-me se não é excessivo este massacre analítico e mediático da classe política; se não se está a atacar a essência do sistema político democrático, apesar de todos os defeitos do sistema de selecção e representação política.

Não porque o sistema não o mereça (talvez), não porque a classe política não deva estar sob escrutínio permanente (que deve), não porque a selecção e representação política não mereça reparos e exija conserto (que merece e exige), mas porque o massacre é desproporcionado em relação a outros poderes que, assim, beneficiam com a menor exposição público-mediática, em alguns casos inexistente de todo.

Trata-se dos chamados poderes fácticos, não sujeitos a controlo público, político, democrático, nos termos em que são os designados políticos.

Entre os mais institucionalizados, clássicos e com protagonistas/representantes conhecidos estão a Igreja, as Forças Armadas, os Grupos Económicos e Financeiros, as Multinacionais.

Depois existem todos os grupos informais, cujos membros se relacionam, protegem e potenciam, através de redes de cumplicidades, influência e projecção - dos gays aos sócios da Casa Regional da Terrinha (solidariedade emigrante), dos licenciados em Tal-e-Tal do ano X aos admiradores da Marilyn.

No oposto, na ilegalidade e criminalidade, situam-se outros poderes, que interferem, moldam, para não dizer estruturam, o quotidiano social, de que os mais óbvios são os traficantes de pessoas, de armas, da designada droga.

A sociedade, a política, a Res Publica, ganharia claramente se estes poderes tivessem a mesma exposição mediática e atenção de analistas/comentadores que a classe política.

Ao fim e ao cabo, os políticos são apenas um grupo de agentes sociais, que não nasce do acaso. Vale a pena repetir que há um curso de mestrado - deverão existir mais, com certeza, mas fica aqui este registo - em que este assunto é discutido directamente. Na cadeira de Recrutamento Político, do mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, da FCSH interroga-se: Como e por que razão é que as pessoas começam a desempenhar funções e cargos políticos? Quem é seleccionado e por quem? Quais as variáveis contextuais que têm maior impacto no recrutamento político? Em que medida é que os processos e padrões de recrutamento afectam os estilos de liderança e as escolhas políticas?

Dizer mal, o piorio, desfazer, rebentar com a classe política corresponde a questionar o que lhe subjaz. Por outras palavras: os portugueses. E a impedir que se foque com a mesma intensidade outros agentes tão ou mais importantes/estruturantes/determinantes.

Por exemplo, a tradução mediática do fenómeno droga anda em torno da imagem do arrumador de carros, de uma ou outra apreensão, de uns roubos por esticão, uma ou outra morte por overdose, e pouco mais. Mas - e o resto? A maior parte dos drogados nem sequer tem visibilidade pública, ou porque são legais (estimulantes, ansiolíticos,...) ou porque são consumidores de marijuana. Onde está o dinheiro da droga?

Por exemplo, as casas de alterne são um tema que, desmultiplicado, pode dar para averiguar as causas da prostituição, tipificação da clientela, turismo sexual, beneficiários do investimento feito com o dinheiro gerado por esta actividade, duplicidade moral da sociedade, realidade familiar, ...

Por exemplo, o tráfico de armas também deve dar muitas histórias, pelo pouco que se vai lendo. Enfim, a indústria da guerra em geral. Até porque muitos (todos?) desenvolvimentos tecnológicos nascem da investigação militar. O caso mais óbvio é o da internet.

Será o ataque ao político uma espécie de jogo nacional?, que corresponde a uma qualquer forma de compensação?

Que fazer?

É possível melhorar a democracia?

Ou esta não tem remédio, o que existe é mesmo o melhor que se pode arranjar e esperar, pelo que há que começar a pensar em alternativas, na pior das hipóteses, ou em habituarmo-nos a esta - como direi? - triste, apagada e vil tristeza democrática, na melhor das hipóteses?

Será que se estão a concentrar muitas, demasiadas, todas as esperanças no agente político, quando ele - pobre coitado -, na realidade, vale pouco? Quando ele está entalado, condicionado, limitado, por um conjunto de contra-poderes ou de outros poderes, que em alguns (muitos? demasiados?) casos podem mais do que ele?

Não se diz que a política é a arte do possível? Diz-se. Mas não se diz o que a limita.

Será que se está reduzido à escolha entre decepção/desilusão e cinismo/criticismo?

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Make poverty history

A frail Nelson Mandela told thousands gathered in London's Trafalgar Square Thursday that the world must do a better job of eliminating poverty (CNN).

Desejos...

... fora da realidade.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Onde páram as elites? (43)

(...)
Há um problema sério, detectável na crise das lideranças. O aparelhismo transformou-se no factor procriador desta nova classe política, que, por fraqueza, está à mercê da tutela clientelar dos grandes negócios e dos grupos de pressão.
(...)

Rui Moreira, no Público.

Onde páram as elites? (42)

O manifesto de Adolfo Pinto Leite, Adriano Moreira, Alberto de Castro, Amândio de Azevedo, Antero Calvo, António Cardoso e Cunha, António Neto da Silva, António Galvão Lucas, António Tavares, António Marques, Arlindo Cunha, Carlos Magno, Dionísio Vinagre, Ernâni Lopes, Fernando Faria de Oliveira, Fernando de Almeida, Guilherme Costa, João Salgueiro, Joaquim Faria e Almeida, Jorge Araújo, Jorge Armindo, Jorge Martins, José Loureiro dos Santos, Licínio Almeida Cunha, Ludgero Marques, Luís Pombo, Mário Nuno Neves, Mário Pinto, Nuno Fernandes Thomaz , Nuno Oliveira, Pedro Almeida, Rui Moreira, Serafim Fernandes e Tiago Gali Macedo.

Chama-se Um sobressalto cívico e vi-o no DN.

Mais um contributo para a discussão.

Estratégia de Lisboa

Decidiu-se um novo começo.

Confesso que não percebi porque é que o outro falhou, isto é, não vi justificações oficiais, responsabilidades discutidas, este tipo de coisas, à excepção disto: We need to revamp the Lisbon Strategy because the delivery process which has become too complicated and is poorly understood. It generates much paper, but little action. Responsibilities between the national and the European level have become blurred. Limited ownership of member states is the result.

O que significa que, muito provavelmente, dentro de uns anos estar-se-á a dar outro recomeço, até porque the new growth and job strategy is based on a clear division of responsibilities between the EU level and the Member States. While the European Commission can act as a facilitator, the main responsibility for the economic reform process lies with the Member States.

Pode ser que me engane.

Até lá vamos-nos entretendo, enquanto se reconhece que o potencial de crescimento pode cair para 1%, repito, desta vez por extenso, um por cento.

Brilhante.

O pós-guerra já foi.

A guerra também.

Também?

Migrações e desastres (naturais e outros)

Cerca de 150 milhões de pessoas podem tornar-se "refugiados do clima" até 2050, sobretudo devido à subida do nível da água do mar, segundo um estudo apresentado hoje numa conferência internacional sobre alterações climáticas (RTP).

Entretanto, a Organização Internacional das Migrações está a realizar um forum sobre migrações e desenvolvimento.

Conviria a um país de viajantes e emigrantes dominar melhor esta temática.

Não só porque Portugal passou ao estatuto de país de imigração, como este mesmo estatuto deverá acentuar-se, tanto por força dos designados desastres naturais, como por força das tendências existentes.

Entre estas tendências estão a reunificação familiar e a acção criminosa.

Alguém já reparou na quantidade de mulheres imigrantes que estão registadas como bailarinas nas estatísticas do SEF?!

Por alguma razão, a burocracia político-administrativa da ONU já há mais de 10 anos que se preocupa com o tráfico de pessoas.

Sem resultados, aliás, como é timbre da cooperação internacional em geral.

PS - Não esquecer que a ONU mais do que um ente que paire sobre a cena internacional, qual zeppelin, é antes, como o nome indica de resto, uma Organização de Nações Unidas. Se as Nações e os respectivos Estados não se unem, então que não se culpe o resultado dos seus (des)equilíbrios de força. O Annan - tal como os seus antecessores - está inocente.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Coisas importantes

Mudança climática.

Nem sonhamos o quanto a nossa vida vai ser alterada.

Apenas um hint óbvio: menos chuva é menos pastagem, menos pastagem é menos alimento para o gado, o que significa menos leite e menos carne, que serão vendidos mais caros, a menos compradores...

Ah: e há ainda aquela coisa do petróleo... não se sabe se a produção já bateu no tecto.

Just in case, aqui fica este link para o ClimateArk - Climate Change Portal...

... e este para um estudo do WWF intitulado Arctic Climate Change with a 2 degree C Global Warming.

Conversa versus interesses instalados

(...)
As reformas em Portugal dificilmente se farão de forma endógena. Os portugueses querem reformas mas não estão dispostos a passar por um processo de reforma. Estamos demasiados habituados a certos processos de vida para correr o risco de mudar. Há demasiados interesses constituídos que sabem bem os custos da mudança e poucos são aqueles que têm a percepção dos seus potenciais benefícios. A nossa vontade reformista está prisioneira de "certa forma de vida" e de um problema de acção colectiva.
(...)

Miguel Poiares Maduro, no DN.

Os felizes

Beati pauperes spiritu.

Onde páram as elites? (41)

Medina Carreira.

Leitura obrigatória.

No Público: A Verdade Não Mora Aqui.

Onde páram as elites? (40)

Numa recente e interessante entrevista, Marçal Grilo queixou-se das elites portuguesas.

O centro da amargura não radica propriamente nelas mas no facto de se distanciarem “do que se passa no país”, de estarem “um pouco desnacionalizadas” e até de “evitarem conhecer o país”. Terá razão. Mas qual é a motivação para tal comportamento?

(...)

Mário Melo Rocha, no Diário Económico.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Totalitarismo, demagogia e retórica

Em Orwell o totalitarismo começa com a novílingua, não com a polícia secreta.

O que significa que um discurso vitorioso de guerra pressupõe a vitória na guerra do discurso.

Iraque

Quanta esperança.

Quanta ilusão.

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