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quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Inteligências, borbulhas e estruturas

Já o escrevi neste blogue: José Adelino Maltez é das melhores - e das mais independentes, e livres - cabeças que o País tem. O seu blogue (Sobre o Tempo que Passa) é de leitura diária obrigatória. Alinhe-se ou não com o autor em termos ideológicos, há que o reconhecer: é um prazer/dever lê-lo (e já o pensava antes de ele me fazer o favor de incluir este blogue - até porque não nos conhecemos - num dos seus sítios electrónicos por onde divulga registos, desabafos e produções científicas). Vem isto a propósito do reconhecimento que a sua escrita vai conhecendo na blogosfera, com referências mais recentes no Causa Nossa e no Blasfémias, a propósito da reconstrução da designada Direita política.

Este tema da reconstrução do espaço político à Direita ou à Esquerda, por muito importante que seja - e será certamente - não impede que seja relativizado.

Tenho para mim que a escolha de dirigentes políticos do País predominantemente em razão da rejeição dos que estão é algo que obedece a uma lógica de reprodução contraccionista [por oposição à decantada reprodução alargada].

O que significa colocar a discussão no campo oposto, das propostas, dos valores, dos credos, das crenças, da discussão aberta, não dogmática. Mas - hélas! - isto será tanto mais difícil quanto os designados interesses instalados se coligarem contra quem os questiona, pela auto-defesa, pela auto-preservação.

E volta-se à vaca fria: às assimetrias nas in/capacidades de afirmação de interesses, aos mecanismos de selecção e representação (ou exclusão) política. Aquilo que se diferencia entre quem quer e quem pode, uma vez que nem sempre querer é poder.

Independentemente disto, a sociedade política assenta num eco-sistema natural, que por vezes se auto-regula à bruta. Convinha dar-lhe alguma atenção para que não se fale em desastres naturais. Para mais, a política também é cada vez mais internacional. Como se podem discutir uns temas e esquecer outros? Apenas por cinismo? Por conveniências selectivas? Então, tretas. É a velha máxima: Para os amigos tudo, para os outros a Lei?

A política de imigração começa onde acaba a PAC, ou acaba-se com esta?
A política de cooperação cede o passo quando há cooperação política com tiranetes?
A política ambiental eclipsa-se face ao economicismo ambiente?
E...?
E...?
E...?

Por outras palavras, qual é a capacidade de regeneração ecológica do sistema político, no sentido de considerar/preservar/sustentar a Res Publica? Na ausência ou insuficiência desta capacidade, não é só o sistema político que está comprometido - é toda a humanidade.

A lógica do homo oeconomicus é predadora. A das relações de força também. Mas não há outra lógicas - viáveis. Restam as formas de auto-regulação da nossa nave espacial, a Terra. Às vezes, a guerra é (tem sido) uma delas.

Vamos ater-nos às estruturas, sem extasiarmo-nos com as borbulhas epifenomenológicas, e à sua lógica sistémica.

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