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domingo, fevereiro 13, 2005

Lógica eleitoral

Li algures que as campanhas eleitorais assentam numa relação a três: entre um candidato, o seu (principal) adversário) e o eleitor.

Faz sentido.

E explica muita coisa. Basta aplicar a lógica das ramificações: se x então y, de onde se pode evoluir para z ou w. É matemática elementar:

. para o eleitor, o candidato diz directamente que é o maior e o adversário o menor; em alternativa/complemento ao discurso directo semeia-se, de forma indirecta, intermediada, a dúvida entre o eleitor sobre a qualidade (em várias áreas) do adversário.

. para o adversário diz-se que se é melhor que ele, que o que ele faz/propõe não presta ou é cópia do que o candidato já propôs e, como ninguém é perfeito, quanto mais se investigar o seu passado (em várias áreas) tanto mais armas de arremesso se encontram para lhe atirar à cara (há entretanto que evitar/prevenir/minimizar acções similares do adversário, porque ninguém é perfeito e quanto maior o passado do candidato mais hipóteses terceiros têm de encontrar vulnerabilidades, situação em que o candidato pode sempre recorrer à vitimização).

. para o interior do seu grupo, o candidato tem que unir/ convencer/estimular/excitar, no esforço da procura da vitória. Se não calar rivais/dissidências surge debilitado e sem credibilidade na campanha de convencer o universo fora do seu grupo partidário [se não conquista o seu partido, como é que quer conquistar o país?, perguntará o eleitor]. O resultado da derrota é sair da liderança e entrar na fase da travessia do deserto, em que ninguém o conhece. Se não encontrar água, corre mesmo risco de vida. Política, claro. Esta perspectiva acicata o candidato no seu esforço de apresentar uma frente interna unida e de reduzir (a hipótese de vitória dos) rivais a pó. A lucidez na materialização deste esforço pode ser prejudicada se a situação for desesperada.

Infelizmente, as pessoas valem pelo que fazem, pelos lugares que ocupam, pelos favores que podem conceder, pelo dinheiro que controlam e cuja aplicação podem influenciar - não pelo que são, e está-se a pressupor o melhor dos cenários/casos, que são umas jóias de pessoas, com quem se é capaz de beber um copo, de emprestar a chave de casa e até de o deixar estar com a irmã mais nova. Mas esta é a regra do jogo. É, tem sido e parece que assim continuará.

É a vida, diria/dizia o outro.

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