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segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Media: Sob fogo

Vem de longe o criticismo dos jornalistas.

Entre a ignorância, o de estarem a soldo de interesses mais ou menos públicos, mais ou menos inconfessados, o de prosseguirem agendas próprias, de tudo um pouco têm sido acusados.

Umas vezes com razão, outras não.

Convenha-se, porém, que há um desequilíbrio inquestionável entre o escrutínio a que sujeitam alguns agentes sociais, designadadamente os políticos, alguns políticos, e aquele a que são sujeitos.

Augusto Santos Silva alude a este desequilíbrio, no seu artigo semanal no Público (indisponível on-line) de sábado, ao escrever: Não vejo como é que a condição profissional de jornalista pode, no plano da produção de opinião política, ser garantia suficiente ou adicional de competência e isenção. Da mesma forma, menciona os hipervalorizados especialistas do jornalismo dito económico, que, enquanto não arrancarem dos políticos promessas de despedimentos maciços, subidas galopants de impostos e reduções draconianas de direitos sociais, dirão sempre deles cobras e lagartos.

Em causa está sobretudo saber se os jornalistas têm qualificação técnica e capacidade de controlar enviesamentos ideológicos para exercer o seu ofício.

O PressThink é apenas um dos muitos locais que disponibilizam elementos e material de reflexão sobre as paradas elevadas, sérias, vitais que existem em torno do mundo do jornalismo. Mas que dão outra consistência ao lamento de Santos Silva sobre a infantilidade do nosso sistema de comunicação.

Já Pedro Magalhães, no seu Margens de Erro descreve situações de ignorância, ao ponto de desabafar: Mas nas escolas de comunicação social donde brotam estes jornalistas, não se fala destes assuntos? Pelos vistos, não (ver post Amostras voluntárias, de 4 de Fevereiro).

Há uns anos, em Novembro de 1969, o então vice-presidente dos EUA, Spiro Agnew, que fazia ticket com Nixon, leu um discurso, escrito por Patrick Buchanan, que ficou para a história pelo ataque à imprensa. Tratava-se de uma reacção aos comentários instantâneos (instant analysis) dos jornalistas a um discurso de Nixon. Basicamente assentava no princípio The views of this fraternity do not represent the views of America.

Os jornalistas portugueses estarão a abrir caminho a isto?

Em todo o caso, não se deve dar mais importância às coisas do que a que têm.

Ainda no Público de sábado, Dan Gillmor, em entrevista a António Granado prevê a criação de media por pessoas que antes eram só audiências e que os jornalistas poderão aprender muito com os cidadãos comuns.

Na introdução do seu livro Nós, Os Media, cuja tradução para Português serviu de pretexto para a entrevista admite: Aceito que os meus leitores saibam mais do que eu - e este é um facto libertador, que não ameaça a minha vida de jornalista.

Há que ter capacidade de alargar o horizonte de referência e relativizar os factos.

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