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quinta-feira, março 31, 2005

Desastres... naturais?! (9)

O ser humano alterou a Terra nos últimos 50 anos a uma velocidade sem precedentes. E esta tendência compromete a manutenção de serviços básicos que o planeta oferece e que sustentam a própria civilização humana, a começar pela disponibilidade de água.

Ricardo Garcia, no Público.

Parabéns ao ser humano.

Isto de as coisas serem atribuídas a entidades impessoais não é método.

Se não se identificam os causadores, os provocadores, os responsáveis dos fenómenos negativos, como é que estes podem ser evitados, prevenidos?

A quem é que beneficiou esta transformação que nos dizem que é entrópica, suicidária, catastrófica?

Os grupos de interesse têm nomes, tal como aliás os bois.

quarta-feira, março 30, 2005

Madeira

As imagens televisivas do administrador da Vicaima a agredir os jornalistas, perante a bonomia envolvente, em reacção à acção da Greenpeace são interessantes.

Porque é que o senhor estaria de cabeça perdida?

Não é que isto seja como as bruxas, mas o certo é que há comércio ilegal de madeiras.

A opção de reacção escolhida parece-me estar longe de ser a recomendável para refutar acusações ou afastar suspeitas.

Indo além do caso em si, o que está em causa é uma economia que funciona/assenta em bases insustentáveis, seja pela não renovação dos recursos explorados, seja pelos seus efeitos ambientais, como é cada vez mais claro.

E falar de uma economia insustentável é falar também de empregos insustentáveis.

Em alguns mercados fala-se em bolhas.

Especulativas.

Insustentáveis.

Que acabam em hard landing.

A consultar: WWF; Traffic.

Darfur (10)

300 mil mortos.

Dois milhões de refugiados.

A resposta do mundo tem sido scandalously ineffective.

Alguém falou em destruição massiva?

terça-feira, março 29, 2005

Desastres... naturais?! (8)

Vêm aí problemas.

A Universidade de Columbia e o Banco Mundial divulgaram um relatório preocupante: Risk Analysis Reports Over Half of World’s Population Exposed to One or More Major Natural Hazards.

Como é que fazemos?

Agimos agora?

Ou solidarizamo-nos depois?

segunda-feira, março 28, 2005

Serviço/Interesse público

Acho que este tema vai estar cada vez mais em foco.

Aqui fica mais uma contribuição.

(...) Seria importante, por exemplo, que o novo Governo fizesse uma avaliação sistemática da aplicação em Portugal das Linhas de Orientação para a Gestão de Conflitos de Interesse no Serviço Público adoptadas pelo Conselho da OCDE em 2003, tanto mais que elas devem ser revistas em 2006. Também seria importante elaborar um Código de Conduta do Governo, a exemplo do que existe no Reino Unido, Irlanda, Austrália, Canadá ou na Espanha de Zapatero. Poucas coisas destruirão mais a credibilidade dos políticos e das instituições democráticas que a sua prolongada incapacidade para controlar e sancionar conflitos de interesses.

João Cravinho, no DN.

domingo, março 27, 2005

Droga (21): Um país drunfado

Os portugueses tomam cada vez mais antidepressivos, calmantes e indutores de sono. Nalguns casos, esse consumo escapa ao controlo médico e farmacêutico. E mesmo quando os remédios são prescritos há clínicos que negligenciam o perigo de dependência, diz o presidente da Associação Portuguesa de Medicina da Adicção.

Um trabalho de Catarina Gomes (textos) e Pedro Cunha (fotos), no Público.

Economia e interesse público na realidade

(...)
Os números falam por si: das 3241 edificações clandestinas existentes nas áreas protegidas cerca de 97 por cento estão próximas do litoral. Em 2003 foram recenseadas pelo menos 132 novas construções a menos de 500 metros da praia e destas 75 ficavam a menos de 50 metros. Como seria possível tamanho assalto ao litoral se não houvesse conivência, suculentamente reembolsada, de agentes da administração pública e de eleitos ou outros titulares de cargos políticos? Se não houvesse uma manipulação criminosa na própria elaboração legislativa com diplomas sem condições de aplicabilidade ou recheados de alçapões para permitirem a criação de um manto diáfano de aparente legalidade formal?
(...)

Eduardo Dâmaso, no Público.

O que o PIB se fartou de crescer à conta destas e d'outras...
O emprego que foi criado...
Os impostos que foram amenizar o défice...

Tem de se começar a pensar em deduzir à criação de valor as ditas externalidades negativas. Talvez se concluísse que às vezes há mais destruição que criação. O problema é que a parcela negativa (destruição) é suportada pela comunidade, mas a positiva (criação) fica com o promotor da destruição.

Há contas que são mesmo inconvenientes.

Código da Estrada: Lei nova já há

Os meios humanos e materiais da Brigada de Trânsito são insuficientes para fazer cumprir o novo Código da Estrada, «muito rigoroso e violento», disse José Manageiro, da Associação dos Profissionais da Guarda/GNR.

Na TSF.

sábado, março 26, 2005

Ainda sobre a UEM

A UE é um projecto político, que radica no choque de vontades entre a Rússia e o Ocidente, e deriva da decisão da Administração norte-americana conter Moscovo. Tudo o resto deriva daqui.

É da lógica das coisas que quanto a pressão externa alivia, a coesão interna diminui. Na ausência daquela pressão, desaparece a unidade interna. Muitas vezes retomam-se os conflitos congelados entretanto. Não nos esqueçamos que o que se designa Europa, mas que melhor fora que se designasse por Europa Central e Ocidental, goza um inédito período de paz de 60 anos consecutivos. Apenas há 60 anos. O berço dos Direitos Humanos assenta em território embebido em sangue.

A razão da criação da moeda única europeia é política. Nunca foi uma medida racional ou justificável em termos teóricos, desde logo na perspectiva das áreas monetárias óptimas, apesar de Mundell ter recebido o Prémio Nobel, umas décadas depois de apresentar a sua teoria, graças à UEM. Desta forma não vale a pena insistir na racionalidade económica do euro. Apenas porque existem tantos ou mais argumentos de ordem contrária. Aliás, exemplifica-se com a Alemanha. Esta que que impôs critérios apertados para a criação da UEM é a mesma que está a desrespeitar esses critérios. Vá lá. Um pouco de seriedade não fica mal. O país é o mesmo, mas a orientação económica é, digamos, um pouco diferente. A ortodoxia monetária foi imposta pela CSU bávara. A mudança de governo trouxe outras perspectivas, mudança que continuou após a saída do primeiro ministro da Economia do governo de Schroeder.

O mesmo predomínio do político ocorreu quando foram alargadas as bandas de flutuação do MTC do SME, em 1992, para acomodar o custo da reunificação alemã, em 1989. Mais outro efeito monetário de uma decisão eminentemente política e de carácter nacional, mas que teve custos económicos internacionais. É o luxo das moedas-âncora. Decidem para onde querem ir, as outras seguem. Na teoria porém o SME era simétrico. Na prática era o quero-posso-e-mando alemão.

O euro morreu? O euro continuará? A resposta não tem importância. Porque o essencial é evitar a armadilha de considerar únicas, harmoniosas, racionais, quaisquer políticas comunitárias, uma vez que resultam sempre das negociações entre as partes. Partes estas que fazem questão de não deixar de fora das discussões a força que têm. A evolução internacional resulta das assimetrias nas relações de força. Onde a política, enquanto expressão de vontade sustentada em meios, é o factor determinante. E não qualquer racionalidade abstracta. Por muito que custe a alguns maduros. Os monetaristas são... os monetaristas. Não são os economistas. Que não se espere qualquer unanimidade entre estes, mas que também não se reduzam a uma corrente, por muito mainstream que o seja conjunturalmente.

Um autor que expõe as lógicas políticas e económicas subjacente à UEM de forma equilibrada é Paul de Grauwe. Boa leitura.

O elo mais fraco

(...)
Of the 10.6 million children under 5 years of age who die each year around the world, most succumb to pneumonia (19 percent), chronic diarrhea (18 percent), malaria (8 percent), newborn blood infection or newborn pneumonia (10 percent), preterm delivery (10 percent) and asphyxia at birth (8 percent), according to the results of a study appearing in the March 26 issue of The Lancet.

Sadly, these grim statistics are largely unnecessary since each of these conditions "are largely amenable to simple intervention," according to study co-author Dr. Robert E. Black, a professor and chairman of the Department of International Health at the Bloomberg School of Public Health at Johns Hopkins University.

(...)

Onde páram as elites? (47)

(...) na "integridade" da política e no espírito de serviço público, duas baboseiras sem sentido (...).

Vasco Pulido Valente, no seu estilo habitual - truculento, mas baseado em pilhas de conhecimento de estórias e da história - comenta as legitimações invocadas por mais um grupo de interesse ou, como diz, indivíduos que hoje sentem em si próprios a irresistível vocação de nos pastorear.

O historiador, comentador e ex-político interroga ainda: De onde vêm eles? Que tradições representam? Quem os recomenda e apoia fora do pequeno mundo em que circulam? Ninguém sabe.

É mais uma daquelas crónicas cheias de sumo.

Retenha-se apenas o que subjaz à citação com que se abriu este post.

Passando por cima da questão da integridade, a ausência do espírito de serviço público permite a presença dominante de grupos de interesses, por definição com espírito de serviço privado, parcial, mesmo que alguns destes estejam desprovidos de tradição e pouco mais valham fora de um eventual círculo estrito e restrito de apoiantes.

Até porque podem servir a outros grupos bem mais importantes e tradicionais.

Na democracia, ou fora dela, o poder político resulta sempre do confronto de interesses em presença.

O partido do interesse público costuma levar falta de comparência nesses confrontos, apesar de o seu nome legitimar, a maior parte das vezes, as propostas avançadas.

Se a definição do interesse público fosse tão pacífica quanto uma leitura imediata, superficial, evidente, o sugere ficaria por explicar o que se passa por esse mundo fora.

Basta ler os títulos e ver o sangue que pinga dos telejornais.

Interesse público?

Que jeito que dá aos intereses privados.

A questão é assim a de saber qual dos interesses privados precisa de mais pessoas, uma vez que a satisfação de uns pressupõe a derrota de outros. Em muitos casos, a exclusão social dos derotados; em alguns casos, a debilitação física dos perdedores, que pode incluir o cenário da sua morte.

Alguém disse que a política não mata?

Serviço público?

Integridade?

Pois.

Convém ir lendo história.

sexta-feira, março 25, 2005

George Kennan

(...)
He knew Russia better than any other American at the time. He had watched the Soviet experiment from the beginning; his first Soviet memo had been sent in his 20s, when he was third secretary in Riga, predicting that the system would fail. His Russian was faultless, and he had seen the yellow of Stalin's eyes. But many Americans concluded, when the Soviet Union eventually fell, that it was Ronald Reagan's doing, and his arms race that had tipped it.
(...)

O obituário pelo The Economist.

O artigo The Sources of Soviet Conduct, assinado por X, na Foreign Affairs. A sua versão original, o telegrama longo, é disponibilizada pela George Washington University.

Um mundo interessante

The U.S. military will significantly increase its role in halting the production and sale of poppies, opium and heroin in Afghanistan, noticia o The New York Times. Do lado da procura, não vai nada?

A Quirguízia parece querer juntar-se à Geórgia e à Ucrânia. Seguir-se-á mais algum membro da ex-URSS? Onde parará o movimento?

Os capacetes azuis da ONU estão cada vez mais debaixo de fogo. Os casos mais recentes dizem respeito a abusos sexuais na República Democrática do Congo, onde mais de uma centena de "capacetes azuis" da MONUC são alvo de investigações por parte da ONU. Segundo as alegações, os abusos, incluindo violações, terão sido cometidos contra mulheres e crianças em troca de comida ou de pequenas quantias em dinheiro, notícia o Público. Quem (nos) protege dos protectores?

Luiz Felipe Scolari admite que teve de recorrer a uma desculpa para conseguir reunir a selecção nacional mais cedo. Nuno Gomes admitiu que, no passado, houve jogadores que vieram à selecção para «descansar», noticia a TSF. Selecção de todos nós? Representação do País? Ponto alto na carreira de um jogador? Quanto é que vale, em trocados, essa conversa do todos nós, País, ponto alto? Porque razão é que havia de ser o interesse da população das bancadas a determinar o que quer que fosse? Basta que grite e insulte o árbitro e o adversário. Pobres coitados.

Empresários e sindicatos aplaudem a "medida simbólica" ontem aprovada pelo governo [apoio, a partir de Junho, à colocação de jovens até 35 anos, com qualificação superior em gestão, engenharia, ciência e tecnologia ou áreas relacionadas com a inovação, em empresas com menos de 250 trabalhadores e que tenha em curso projectos de pesquisa], mas lamentam o valor reduzido dos subsídios previstos, porque um jovem qualificado merece mais do que 560 euros mensais atribuídos pelo Estado. O resultado, concordam patrões e sindicatos, é que os empresários vão ser forçados a abrir os cordões à bolsa, notícia o Jornal de Notícias. Pobres coitados. Estavam tão bem servidos de ignorantes baratos.

António Guterres pode ser o próximo alto-comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR), noticia tudo o que é media. O país inteiro regojizou-se. Que bom. Depois de Cutileiro na OSCE, de Barroso na Comissão, Guterres num dos corpos da ONU. Antes fora Figo no Barcelona, com Couto e Baía, antes de rumar ao Real Madrid, onde esteve com Queiroz e Peseiro, Queiroz que voltou a Manchester, onde se lhe juntou Cristiano Ronaldo, mas também Mourinho no Chelsea, com a legião portuguesa, Pauleta no PSG. Lembro-me ainda de Chalana no Bordéus e de Oliveira no Bétis. Alguém sabe onde fica o Darfur? Uma das tarefas do comissário-geral é reunir esforços para cuidar das situações. Porque não preveni-las? Se Guterres não for o escolhido. Portugal não deve entrar em depressão. Dada a persistência das causas haverá oportunidades nos próximos séculos de outro português ser escolhido para o cargo.

Ahistória de Os Malucos do Riso é sem dúvida a de um dos mais notáveis casos de sucesso e de persistência da televisão portuguesa. Mas, como muitas vezes acontece, a qualidade raramente anda a par das audiências. Agora, com o regresso da Quinta da TVI, o programa do horário nobre da SIC transmutou-se e passou a chamar-se Os Malucos nas Arábias. Era de esperar o pior. No entanto, a metamorfose é apenas aparente, escreve Miguel Gaspar no DN. Quem disse que a concorrência era má? O consumidor é soberano. O cliente tem sempre razão. Do confronto, da comparação das ofertas concorrentes resulta a escolha, a selecção, da melhor. Não é? Não é. Então, como será?

quarta-feira, março 23, 2005

Adeus União, Olá Directório

Antes do euro aparecer, Martin Feldstein previu que ele iria trazer a guerra entre os membros da futura união monetária.
Uns não quereriam pagar os problemas dos outros, justificava.
Que não, contrapunham os defensores do euro.
Pelo contrário, asseveravam, sem euro é que teríamos a guerra entre europeus, de regresso aos velhos egoísmos estatais.
Aí está.
O alargamento do leque das situações em que se aceitam défices excessivos faz com que o Tratado de Maastricht valha pouca coisa, dilui o compromisso colectivo e abre mais espaço à expressão da vontade individual de quem pode (ou resulta precisamente desta vontade).

Seja como for, a união monetária já foi.
A renacionalização da PAC é ideia que faz o seu caminho.
A PESC nunca se afirmou nem impediu - naturalmente - a afirmação das políticas externas nacionais, de acordo com as possibilidades e capacidades de cada um.
A Estratégia de Lisboa é gira. Pena que metade do prazo fixado para a sua realização tenha sido perdido e a distância (leia-se: atraso) para os EUA aumentada. Nada que atrapalhe o discurso político europeu.

Entre ameaças de implosão interna, sujeita a pressões externas (por bons motivos, mas também por maus), com crises/angústias identitárias, a ver, ainda no retrovisor, a China a aproximar-se cada vez mais, enquanto os norte-americanos se afastam, sem petróleo, o que a coloca nos braços da Rússia, com uma direcção política que ainda tem de provar, a UE aproxima-se de uma encruzilhada.

Mais uma?

A final?

Convinha que os seus membros se fossem entendendo para prolongarem de algum modo a trapalhada burocrática de Bruxelas e o autêntico bodo aos pobres que a UE significa para alguns, além dos novos membros de Leste - qualquer alternativa aos séculos de guerras anteriores a 1939 é boa.

Conseguirão?

A averiguar...

. população envelhecida
. paisagem demográfica, cultural, sociológia, ..., alterada pela imigração
. sem dinamismo económico, EUA a fugir, China a aparecer...
. sem petróleo
. sem moeda internacional
. sem forças armadas em ambiente dinamicamente instável, a leste e no sul.
. ...

terça-feira, março 22, 2005

UEM? R.I.P.!

O economista João Ferreira do Amaral considera que a União Económica e Monetária acabou.

Armas: É só agir

O antigo director da Polícia Judiciária Militar, Alcino Roque, acusou esta terça-feira os governos de terem há muito tempo informações sobre o que se passa em relação às armas ilegais.

Na TSF.

domingo, março 20, 2005

Fome

As educadoras do Centro Social de Camarate contavam que à segunda-feira os meninos vinham esfomeados. Maria José dizia que tinha dias em que não provava "um bocadinho de pão". Foi há um ano. E os números então recolhidos apontavam para 200 mil pessoas com fome em Portugal. Um ano depois, o PÚBLICO foi ver o que mudou no dia-a-dia de algumas das instituições e das pessoas cujas histórias há um ano relatou. Há uma ideia bastante consensual: "É muito claro que a situação piorou."

Um grande trabalho de Andreia Sanches e António Marujo, no Público.

Segurança: Do óbvio ao importante

O assassínio de mais dois polícias por um criminoso de delito comum levanta várias, muitas, demasiadas, questões.

Pela sua evidência, repitam-se apenas algumas das já formuladas:

- impotência sentida pelas forças policiais para fazer frente à crescente violência contra a Polícia

- (Joaquim Raposo, presidente da Câmara da Amadora) destacou a necessidade de repor a autoridade das forças policiais, que actualmente não conseguem intimidar os criminosos.

- a necessidade de reforçar a Polícia de Segurança Pública com mais equipamento e mais meios humanos.

- A falta de autoridade e de meios das forças de segurança

- Luís Maria, do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP), afirmou que a violência contra as forças de segurança está a aumentar porque os criminosos perceberam que "a polícia é ineficaz no combate à criminalidade" e "não pode fazer nada".

- Também o presidente da distrital de Lisboa da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), José Magalhães, (mencionou) a falta de preparação da Polícia para combater "novos tipos de criminalidade que vieram com a imigração de Leste, Africa e Brasil".

Algumas das reacções apontam ainda para que os polícias passem a encarar o comum dos transeúntes como um perigo potencial para a sua vida.

Certo é que Portugal está a descobrir um novo tipo de criminalidade comum, mais violenta do que os ditos brandos costumes indiciam.

O acontecido há uns anos na casa de alterne em Amarante terá sido um dos primeiros avisos.

A abertura de fronteiras com a integração económica foi acompanhada de mais alertas.

A degradação da situação económico, social e política facilita comportamentos anómicos.

A falta de meios (de vontades?) é apenas a gasolina com que se quer apagar o fogo.

Agora: que não se caia na armadilha de querer resolver o problema da criminalidade com medidas policiais, enformadas de uma mera lógica - simples, elementar, básica, instintiva - securitário-repressiva.

O que se passa com as casas de alterne, tão apreciadas por esse país fora?

O que se passa com o fenómeno da imigração, tão apreciado no mercado de trabalho e visto como a salvação da segurança social?

O que se passa com a lavagem do dinheiro?

O que se passa com o tráfico de drogas ilícitas?

Depois: uma pergunta inocente - se na lide com criminosos de delito comum, grosso modo os pilha-galinhas, a Polícia de Segurança Pública demonstra esta falta de preparação e meios, como é com os criminosos mais elaborados, refinados e, ao fim e ao cabo, mais importantes e mais destruidores?

Seria triste que tudo isto ficasse reduzido à discussão do assassínio de dois polícias, enquanto se espera pela telenovela ou pela deslocação ao estádio ou, ainda, pela abertura do bar onde está aquela alternadeira loura brasileira (ou será ucraniana? russa, talvez? portuguesa, se calhar?).

Justiça

In Courts, Threats Become Alarming Fact of Life
By DEBORAH SONTAG
Threats against judges, prosecutors and public defenders appear to be a regular, almost routine, part of courthouse life.


No The New York Times.

Tráfico de crianças: 1,2 milhões/ano

O tráfico de crianças, estimado em cerca de 1,2 milhões de indivíduos por ano, está a aumentar em todo o mundo, anunciou, ontem, em Viena, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Usadas para exploração sexual e económica.

Na sexualidade dão para prostituir, para aliviar a tensão dos/das necessitados/as; algumas serão mesmo filmadas em acção para alimentar a rentabilidade da indústria vídeo, cujos lucros transformados em investimentos animarão a economia.

Na economia aumentam/proporcionam lucros, baixam os custos e até contêm o crescimento dos preços.

É só ganho.

Pena ser à conta da destruição de - quantos? - 1,2 milhões de crianças.

Who gives a shit?

Hoje, Cabo Verde; amanhã, o mundo

Cabo Verde na União Europeia?

Why not?

Os DOM-TOM estão lá.

A actual Argélia foi fundadora enquanto colónia francesa.

Cabo Verde é um país independente, mas fundou a EFTA, tal como Angola e todo o Ultramar português..

Ah! Pois é. Mas Cabo Verde é um país independente...

A que corresponderá uma zona de comércio livre com os países do sul mediterânico senão à anexação industrial destes, enquanto se lhes veda o acesso ao mercado agrícola da UE (em resultado do que se importa os seus nacionais)?

A diferença entre estar ou não na UE é a de participar ou não nos processos de decisão da UE.

Assim, o que importa é 1) esclarecer o que é a UE; 2) que poder tem.

Se é um clube cristão de brancos, a sua evolução é uma coisa. Dependerá da disputa ideológica entre os ramos da cristandade - menorizando as outras religiões.

Se é uma zona de comércio livre, economicamente integrada, e protegida do exterior por vários mecanismos aduaneiros (dos formais aos informais), a sua evolução dependerá mais do avanço da liberalização económica (redução das barreiras que protegem/isolam do exterior) e das reacões proteccionistas que de outra coisa.

Do esclarecimento de 1) dependerão alargamentos futuros (à Ucrânia, à Federação Russa, à Turquia/Israel/Margem sul do Mediterâneo), mas o 2) dependerá do que se mostrar na cena internacional.

Os 25 enquanto 1 não existem na cena internacional. Para quê passá-los a 40? E que tal se se reduzirem a 3 ou 4? Sempre seria uma aproximação à realidade, um regresso à história, à disputa entre continentalistas e maritimistas, aos agentes principais (Alemanha, França, Reino Unido).

Quem já se esqueceu da pretensão nortista de excluir os sulistas, então depreciativamente designado Clube Med, do clube de elite que deveria ser a Zona Euro?

Os jogos políticos em torno das fronteiras, que as definem/desenham/estruturam/mudam conforme a força que os protagonistas demonstram ao longo dos tempos, deveriam incorporar os progressos tecnológicos (e os truques) que estão a reduzir as barreiras à mobilidade internacional a uma velocidade impressionante.

O conceito de fronteira, de muro, de separação, é cada vez mais fluído, mais ténue.

Mas ainda dá para brincar.

sábado, março 19, 2005

Energia

(...)
Os «fundamentais» do mercado mundial do petróleo nunca foram tão negativos.
Para quem sabe «descodificar» as afirmações e o jogo de palavras do sector, cada dia confirma a tensão que se vive no mercado
.
(...)

Nuno Ribeiro da Silva, no Jornal de Negócios.

sexta-feira, março 18, 2005

Programa do governo

Pronto.

Está entregue.

Agora é só ir conferindo a sua aplicação.

O documento está aqui.

quinta-feira, março 17, 2005

Realidades

the UN Economic and Social Council (ECOSOC) met today to figure out how to meet the challenges of carrying out recommendations on global socio-economic development as well as population issues and women's struggle for greater equality.

(...)
One of the papers before the Council said in summary, "Between 1990 and 2001, the proportion of people living in extreme poverty (less than $1 a day) has declined from 28 to 22 per cent, or by 137 million people."
On the other hand, "the number of undernourished in the developing countries fell by only 9 million, or 3 percentage points, while it actually increased in the second half of the 1990s," it said.
An estimated 1.4 billion people were "working poor," living on less than $2 a day, while an additional 186 million people were estimated to be officially unemployed worldwide, it said.

(...)

Encruzilhadas

Não é de admirar, mas as coisas começam a apertar.

A discussão sobre os impostos e a ameaça/certeza de seca são apenas manifestações epifenomenológicas das alterações estruturais que ocorrem sob a nossa (in)sensibilidade.

A conversa dos impostos é fácil de perceber. As necessidades de receitas fiscais para satisfazer os compromissos orçamentais não são satisfeitas porque a economia não cresce e porque a fuga fiscal é um fenómeno imparável, em resultado do que Vito Tanzi já designou como as térmitas fiscais. Reformular os impostos, como mexer nas taxas do IVA para aumentar as receitas, enquanto não se aumentam mesmo as taxas dos impostos, é medida de recurso. Outra conversa - talvez mesmo A conversa - é o nível e a qualidade da despesa pública. Mas, dê lá por onde der, há inevitabilidades a que não se pode fugir. Cá estaremos para as ver. Diga-se de passagem que taxar os bilhetes de futebol em 5% no IVA não lembra ao careca. O futebol é um bem de primeira necessidade para quem?!

Da mesma forma, todo o bruá que se levantou quanto ao aumento da fiscalidade automóvel deve ser considerado também em função do ambiente, da emissão de gases de efeito de estufa, de que o dióxido de carbono é o maior responsável. A palavra seca diz alguma coisa? Quando o fisco taxar a actividade económica em função das suas externalidades será o fim da irracionalidade actual. Por exemplo, talvez o preço de um automóvel tivesse de ser multiplicado por dez. Mas - hélas - o fisco é como a justiça: cego, surdo e mudo. Ou não será bem assim? Em todo o caso, não há fisco, nem reza, que resistam à irrupção da China e da Índia no panorama energético mundial, a par da manutenção da importância dos EUA. Parece que o pessoal tem um entendimento diferente do que vem no dicionário do conceito não-renovável.

O que disse Constâncio

(...)
Não podemos generalizar e universalizar o princípio do utilizador-pagador porque isso implicaria admitir que não existe lugar para a intervenção do Estado como expressão da solidariedade entre cidadãos em que assenta a boa sociedade.
(...)
Neste contexto, é de esperar, por exemplo, que os impostos sobre veículos e combustíveis tenham que funcionar, na presentes circunstâncias, como alternativas a portagens, uma vez que o sector rodoviário deverá pagar grande parte das infraestruturas que utiliza.


O discurso, na íntegra, que proferiu no congresso do transporte ferroviário, está aqui.

Meias verdades

Será que os que acusam os vários governos de destruição do tecido industrial, com a resultante desindustrialização estão a defender o tecido industrial que existe?

Esse mesmo tecido industrial que paga mal, desrespeita os direitos laborais, e que se instalou em Portugal precisamente porque na altura Portugal era a China disponível (em termos de condições de trabalho)?.

Está-se a defender um tecido que está a afundar precisamente porque há um outro que ainda consegue ser menos respeitador dos trabalhadores?

Não quero crer que este posicionamento proteccionista esteja a esquecer que os chineses, mesmo no sistema da cama quente, ficam melhor do que têm estado até aqui.

Suprema crueldade: a deterioração da situação de x europeus corresponde à melhoria de vida de x+n chineses.

Isto é irrefutável.

O problema é evacuar da discussão que há poucos recursos para os pretendentes.

Talvez seja por isto que há aí uns maduros (?!), penso que na Inglaterra, que defendem a redução da população mundial.

Maltusianos, dir-se-á.

Pois.

Dir-se-á.

Entretanto, vamo-nos (os que podem) entretendo com os títulos dos jornais e as imagens das televisões que dão conta da consequência das disputas pela posse/defesa ou pelo acesso aos recursos: fomes, guerras, lambe-botismo, ...

E entretanto estas consequências vão apresentando a sua factura em termos populacionais...

Maltusianos, dir-se-á.

Pois.

quarta-feira, março 16, 2005

Corrupção (11)

A Transparência Internacional divulgou hoje o seu relatório anual sobre o estado da corrupção no mundo, o Global Corruption Report 2005.

Inclui estes Monuments of corruption’:

- The Lesotho Highlands Water Project, in which US$2 million were allegedly paid in bribes by Acres International and 11 other international dam-building companies.
- The Cologne incinerator project in Germany, where US $13 million was allegedly paid in bribes during the construction of a US$ 500 million waste incineration plant.
- The Yacyretá hydropower project on the border of Argentina and Paraguay, built with World Bank support, is flooding the Ibera Marshes. Due to cost overruns, the power generated by Yacyretá is not economic and needs to be subsidised by the government. According to the head of Paraguay’s General Accounting Office, US$1.87 billion in expenditures for the project ‘lack the legal and administrative support documentation to justify the expenditures’.
- The reservoir of the Bakun dam in Sarawak, Malaysia, which will submerge 700 km2 of tropical rain forest. The mandate to develop the project went to a timber contractor and friend of Sarawak’s governor. The provincial government of Sarawak is still looking for customers to consume the power to be generated by the project.
- The Bataan nuclear power plant in the Philippines, built at a cost of more than US $2 billion. The contractor, Westinghouse, admitted paying US $17 million in commissions to a friend of former president Marcos. The reactor sits on an active fault line, creating a major risk of nuclear contamination if the power plant ever becomes operational.
- The Bujagali dam in Uganda, which is currently being investigated for corruption by the World Bank and four different governments after a British subsidiary of the Norwegian construction company, Veidekke, admitted paying a bribe to a senior Ugandan civil servant. The cumulative environmental impacts of Bujagali and other dams on the Nile have never been assessed.

Alguém viu por aí...

... o Partido do Interesse Geral?

... o Partido do Interesse Público?

Não?

É só para confirmar que não sou o único.

Tem havido alguns editoriais e artigos de opinião que parece pressuporem a existência de tal partido, ou esperarem que os partidos concorrentes às eleições, uma vez chegados ao poder político formal se transfigurem, e evoluam de partido de uma facção, um grupo, uma parte, para o todo, para uma União Nacional qualquer.

Que sentido faz isto?

Não é assim de espantar que haja tantas definições de interesse geral e interesse público quantos os partidos existentes, as suas facções internas, os grupos de interesse não representados nos partidos.

Right?

(Mais) pessoas dispensáveis

Globally, 126.5 million children under 5 years of age are underweight, with 89.2 million in Asia, 34.5 million in Africa and 2.8 million in Latin America and the Caribbean.

Conseguimos!!!

Quilimanjaro sem neve pela primeira vez em 11 mil anos.

E agora?

segunda-feira, março 14, 2005

Desemprego só vai subir

(...)
o nosso tecido industrial tradicional não tem produtos que não sejam já banais para a China, a Malásia ou a Tailândia. É evidente que a perda de postos de trabalho por deslocalização se acentuará. E não será apenas o capital estrangeiro a sair. Também muitas empresas portuguesas entre as melhores terão de deslocalizar boa parte da sua produção para o Magrebe, para o Leste ou para a Ásia se quiserem manter o controlo dos seus mercados e a sua quota de exportação.
(...)

O alerta de Cravinho, no DN.

Portugueses dispensáveis

Mais de dois milhões de pobres em Portugal.

Mais "desastres naturais" anunciados

Fusão de glaciares dos Himalaias ameaça milhões de asiáticos.

sábado, março 12, 2005

O mundo...

... está sem condições de governabilidade.

(Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à TSF).

XVII Governo Constitucional

Primeiro-Ministro
José Sócrates
Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro
Filipe Baptista

Ministro de Estado e da Administração Interna
António Costa
Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local
Eduardo Cabrita
Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna
José Magalhães
Secretário de Estado da Administração Interna
Ascenso Simões
Sub-Secretário de Estado da Administração Interna
Fernando Rocha Andrade

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
Diogo Freitas do Amaral
Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação
João Gomes Cravinho
Secretário de Estado dos Assuntos Europeus
Fernando de Oliveira Neves
Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
António Braga

Ministro de Estado e das Finanças
Luís Campos e Cunha
Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento
Manuel Baganha
Secretária de Estado do Tesouro e Finanças
Maria dos Anjos Capote
Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
João Amaral Tomás
Secretário de Estado da Administração Pública
João Figueiredo

Ministro da Presidência
Pedro Silva Pereira
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Jorge Lacão
Secretário de Estado da Juventude e do Desporto
Laurentino Dias

Ministro da Defesa Nacional
Luís Amado
Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar
Manuel Lobo Antunes

Ministro da Justiça
Alberto Costa
Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Justiça
José Conde Rodrigues
Secretário de Estado da Justiça
João Tiago Silveira

Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Francisco Nunes Correia
Secretário de Estado do Ambiente
Humberto Rosa
Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades
João Ferrão
Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional
Rui Baleiras

Ministro da Economia e da Inovação
Manuel Pinho
Secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação
António Castro Guerra
Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor
Fernando Serrasqueiro
Secretário de Estado do Turismo
Bernardo Trindade

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
Jaime Silva
Secretário de Estado Adjunto da Agricultura e das Pescas
Luís Vieira
Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional e das Florestas
Rui Nobre Gonçalves

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Mário Lino
Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e das Comunicações
Paulo Campos
Secretária de Estado dos Transportes
Ana Paula Vitorino

Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social
José António Vieira da Silva
Secretário de Estado da Segurança Social
Pedro Marques
Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional
Fernando Medina
Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação
Idália Moniz

Ministro da Saúde
António Correia de Campos
Secretário de Estado da Saúde
Francisco Ventura Ramos
Secretária de Estado Adjunta e da Saúde
Carmen Pignatelli

Ministra da Educação
Maria de Lurdes Rodrigues
Secretário de Estado Adjunto e da Educação
José Pedreira
Secretário de Estado da Educação
Valter Lemos

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Mariano Gago
Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Manuel Heitor

Ministra da Cultura
Isabel Pires de Lima
Secretário de Estado da Cultura
Mário Vieira de Carvalho

Ministro dos Assuntos Parlamentares
Augusto Santos Silva

O que se passou?

FC Porto goleado no Dragão pelo Nacional (4-0).

O Porto é um dragão com pés de barro?!

sexta-feira, março 11, 2005

Coincidências infelizes

Coincidência de notícias do mesmo dia, do último dia do ministro das Finanças no governo, que Bagão Félix bem dispensaria.

Economia entrou em recessão técnica no último trimestre de 2004.

Paulo Portas condecora Bagão Félix.

Migrações (1)

(...)
Pergunta - Como controlar os fluxos migratórios?

Resposta - É difícil, os transportes são cada vez mais baratos e as comunicações estão muito facilitadas. Não se pode controlar as migrações reforçando as medidas de repressão junto às fronteiras. A melhor forma para reduzir a imigração é reduzindo as desigualdades económicas e sociais entre os diferentes países.
(...)

Entrevista de Stephen Castles a Céu Neves, no DN.

quinta-feira, março 10, 2005

Rafael Marques

O relatório Lundas: as pedras da morte, apresentado por Rafael Marques e Rui Falcão de Campos, na Fundação Mário Soares, dá muitos motivos de reflexão. Sobre Angola. Sobre Portugal. Sobre a maldição das riquezas naturais. Sobre as fraquezas humanas. Sobre o heroísmo.

Água

Se a sua falta significa custos para os produtores de gado, pastagens e hortofrutícolas, entre outros, qual será a quota de sacrifício a suportar pelos campos de golfe?

Se Portugal é um importador líquido de água no seu comércio internacional de bens - uma vez que no de serviços é exportador, dado que ingleses e alemães vêm molhar-se cá, por fora e por dentro -, via importações alimentares, o que é de esperar da evolução dos preços destes produtos?

quarta-feira, março 09, 2005

Cada vez mais...

... a atracção pelos cães está em franca ascenção.

... conhecem-se melhor as minorias que aproveitam/estruturam a lógica das relações de força assimétricas, os insiders, os mal/empregados, os venerandos e obrigados associados, os videirinhos, os oportunistas.

... vê-se a impotência dos críticos esclarecidos, materialmente desinteressados, reduzidos à azia, ao desespero intelectual, ao papel de Santo António a pregar aos irmãos peixes, à interpretação lúcida do teatro de sombras que ocorre nos vários palcos, mais ou menos públicos, mais ou menos recatados.

... é visivel a vacuidade do discurso no espaço público, a inépcia/incapacidade dos agentes públicos alterarem/melhorarem estruturas sociais - a não ser que sejam agentes privados de facto -, a incompetência gritante dos mediadores comunicacionais (que tanto jeito dá, aliás, a terceiros), que alguns teóricos justificam com predeterminações estruturais e outros com fados divinos (O destino marca a hora/ P'la vida fora/ Que havemos de fazer?).

... a massa, entretanto, espartilha-se entre sofredores passivos, impotentes, inúteis (no sentido em que Adriano Moreira fala de povos in/úteis) e recolhedores de migalhas, toxicodependentes lato senso (de consumidores de telelixo às substâncias químicas, passando pelas mais variadas práticas de escape e compensação).

... é a entropia como consequência que se perfila, com a implosão no horizonte.

Isto vai acabar mal.

A lógica de condomínio fechado, de ilha de paz, sossego e segurança, dura até quando? A que custos, entretanto? E depois?

Ilusões.
Desilusões.
Renovações.

Permanências.

Darfur (9): Seria cómico, mas é trágico

8 March 2005 – The United Nations will join an African Union assessment team going to the troubled Darfur region in western Sudan to find out what is needed to strengthen security for the people caught up in civil strife there.

terça-feira, março 08, 2005

Meninos: PORTEM-SE BEM!!!

7 March 2005 – With West Africa holding the African record for unconstitutional government tenure, including coups, a top United Nations envoy today called on the region's leaders to understand that power entails responsibilities to protect, care for and be accountable to their people.

Understand?!!!

Infelicidade no statement, ou - who knows?! - as coisas são mesmo assim?

Mas... tudo o que a comunidade internacional arranja é enviar um senhor de cá ralhar com os senhores de lá, apesar dos milhões de mortos de facto e mortos-vivos (com as esperanças de vida mais baixas do planeta, diga-se de passagem)?!!

Porquê?

8 de Março

Dia da Mulher.

Por que será que são os necessitados, os desvalidos, as minorias, as causas perdidas, que precisam de datas especiais?

Mas sobretudo por que se insiste, ano após ano, na mesma fórmula, perante a escassez de resultados?

Por o folclore associado à celebração do dia ser apelativo?

Ou por que há vergonha em admitir que o folclore é mesmo isso e de isso não passa?

PS - Por exemplo, há quanto tempo se fala do tema violações massivas no Darfur?

segunda-feira, março 07, 2005

Perguntas académicas

Num contexto em que assistimos à emergência de uma estrutura nova, porque muito menos formal, de governação mundial, onde os governos e parceiros da sociedade civil, o sector privado e outros estão a formar coligações funcionais através das fronteiras geográficas e das linhas políticas tradicionais, para conduzir a política pública ao encontro das aspirações de uma cidadania mundial;

Numa era em que as campanhas de lobbying se tornaram num "lugar comum" e assumem um papel preponderante na condução da macro-política nacional, europeia e internacional, impõem-se, nomeadamente, dotar os estudantes de uma capacidade teórica significativa, ligada à realidade empírica e a estudos de caso integrados nas várias envolventes susceptíveis de análise. São objectivos da cadeira, entre outros, fornecer aos alunos os instrumentos teórico-científicos que lhes permitam perceber o funcionamento do mundo com base nesta relação Grupos Políticos - Sociedade Civil, e avançar com algumas respostas, numa linha realista, a questões tão complexas como:

1. Quem Governa?

2. Os Partidos Políticos ou os grupos com fortíssimos interesses na sua rectaguarda, que financiam as campanhas, asseguram os votos necessários à vitória, os jobs for the boys, as decisões judiciais "adequadas"?

3. O exercício do poder resulta, por outro lado, da conjugação dos "pequenos poderes" político e económico?

4. Onde está a salvaguarda dos interesses dos cidadãos, dos eleitores e dos contribuintes?


(apresentação da cadeira Grupos Políticos e Sociedade Civil do programa do mestrado em Ciência Política do ISCSP).

Droga (20)

Mark Kleiman disponibiliza, em arquivo, uma série de notas.

Algumas óbvias, outras espantosas, todas motivo para reflexão sobre acções e actores; causas, manifestações e consequências.

domingo, março 06, 2005

África, terra de heróis

No Gana (1), Gana (2), Joanesburgo, Moçambique, e Botswana.

Um excelente trabalho da MSN.

CAPAR para controlar ESCRAVOS

(...)
Mr Mohamet said if he had not escaped, he would have been castrated this week.
His master tried to control his slaves by castrating them or using amputation.
(...)

Esta história da BBC é de 4 de Setembro de 2002.

A de hoje é esta: The government of Niger has cancelled at the last minute a special ceremony during which at least 7,000 slaves were to be granted their freedom. Também da BBC.

Capar?!
ESCRAVOS??????????'!!!!!!!!!!!!!
Hoje?!
Direito Internacional?!
Solidariedade internacional?
Direito de ingerência?!
ONU?!
O Niger exporta URÂNIO e anda à procura de PETRÓLEO.
Alguém pode dar uma palavrinha aos seus responsáveis?

Campos e Cunha revisitado

Em 5 de Setembro de 2004 publicou-se aqui este post:

Professor Coragem

Sete Medidas para Um Programa de Esquerda

Resumo de um artigo de opinião de Luís Campos e Cunha, professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, incluído na edição do Público de domingo, 05 de Setembro de 2004

1. Acabar com o sigilo fiscal (a par de uma declaração de riqueza).

2. Alterar a lei da droga. A droga deveria ser distribuída gratuitamente por receita médica.

3. Acabar com o financiamento privado dos partidos. O financiamento exclusivamente público permitiria que os partidos ficassem mais imunes a "lobbies" ilegítimos, quando não mesmo ilegais.

4. Atrair mais e melhores pessoas para a actividade política. Sugiro que o vencimento das pessoas em cargos públicos seja (apenas como exemplo) 50 por cento acima da média dos rendimentos do trabalho declarados em IRS nos 3 anos anteriores a tomar posse!

5. Acabar com a dependência do financiamento das câmaras em relação a novos projectos urbanísticos.

6. Criar um imposto sobre a terra: meio cêntimo por metro quadrado, por exemplo. Até os fogos de Verão teriam mais dificuldade em se propagar...

7. Introduzir o inglês na pré-primária.

A lista é manifestamente incompleta.

No entanto, com estas sete medidas teríamos a prazo, mais ou menos curto, políticos, partidos e um Estado mais fortes e independentes para enfrentarem os grandes "lobbies" e as forças corporativas mais imobilistas. E elas são muitas, desde logo o poder económico, mas também os professores (incluindo os universitários), os juízes, os médicos, os jornalistas...

Um aviso importante: defendendo estas medidas, perder as eleições poderá ser uma honra, mas é também muito provável!

sábado, março 05, 2005

Pois é

1 - Campos e Cunha diz que subida de impostos é praticamente inevitável.

2 - Marques Mendes critica ministro das Finanças indigitado.

3 - Miguel Beleza defende aumento do IVA para 20 por cento.

Fausto

ao princípio era o verbo
hoje é a verborreia.

Oh! Ana vem ver.
Oh! Ana vem ver.
Oh! Ana vem ver.

Lá vem a nau Catrineta
que tem muito que contar!
ouvide, agora senhores,
uma história de pasmar.

que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir

rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

Eu, Rosie
Eu se pudesse dir-te-ia
que partout everywhere em toda a parte
a vida égale idêntica the same
é sempre um esforço inútil
um vôo cego a nada.

no horizonte gelado
do inverno dos neutrões
arrastam-se tão sózinhas as vidas apodrecidas
lambendo as feridas abertas
dardejantes e famintas
de luz e côr
da côr do sangue
findou-se o ser
no fim do mundo
no horizonte gelado do inverno dos neutrões


Fausto, no CCB, em Maio.
Boa despedida da Primavera.
Imperdível.

sexta-feira, março 04, 2005

Petróleo

The price of the UK's Brent crude oil hit a new record high of $53 a barrel during trading on Thursday (BBC).

Mas quem disse que este modelo de crescimento económico é sustentável?

E que tal decuplicarmos o imposto sobre os combustíveis, o IA, o de circulação,...?

Os valores a que chegaríamos dariam uma (pálida) imagem do saque a que estamos a sujeitar o planeta.

Ah, um pequeno pormenor: o nós que está implícito na frase anterior exclui aí uns 80% da humanidade.

Quem disse que o homem é racional?

Só mesmo o propriamente dito, o interessado em causa própria.

Se as democracias quisessem mesmo ir atrás das armas de destruição maciça bastava-lhes olhar para si próprias - e verem o estado ecológico, lato senso, em que o par urbanização-automóvel as colocou, e aos outros.

Um desafio: Pensar Portugal (o mundo é demasiado) a 10 anos, com menos água e o petróleo acima dos 50 dólares.

Filme de terror, não?

À atenção da Esquerda (?!):

- ler a Direita (?!)

O post O regresso dos Medici, com Borgia nos meandros, em Sobre o Tempo que Passa, de 03/03/05.

Só para que não se diga que nunca se falou de passarinhos.

quinta-feira, março 03, 2005

Leituras com pó (29)

O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem ao Público que seria um acto 'suicida' se Durão Barroso trocasse, nesta altura, o lugar de primeiro-ministro pelo de presidente da Comissão Europeia. Para o professor de Direito, seria uma espécie de sentença de morte para o PSD 'para todas as eleições seguintes'. (...)

H.P., Público, 23/06/04.

Leituras com pó (28): Darfur (8)

Do Ruanda a Darfur

A tragédia silenciosa e a operação de limpeza étnica que tem por palco o Darfur, no Sudão, lembram demasiado o Ruanda para que possam continuar a ser ignoradas.


José Manuel Fernandes, Público, 23/06/04.

Powel e Annan tentam ajudar Darfur

Ana dias Cordeiro, Público, 30/06/04

Leituras com pó (27)

Adriano Moreira [presidente do Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior] alerta para perigo de 'contaminação' do mercado no ensino superior público

(...) A questão que se coloca é a de saber se serviços de interesse geral , como o ensino ou a saúde, continuarão a ser elementos fundamentais do 'modelo social europeu' ou 'poderão ser arrastados pela onda de privatizações, como parecem desejar os norte-americanos, ou pelo menos remetidos ambiguamente para o mercado'. (...)

Isabel Leiria, Público, 09/07/04.

Leituras com pó (26)

Os grandes partidos portugueses estão hoje tomados por interesses perversos que fazem com que eles próprios sejam avessos às reformas e mudanças, considerou Marçal Grilo (...).

Marçal Grilo - (...) Nunca tivemos elites tão boas como temos hoje. Temos uma elite forte na vida académica, milhares de doutorados, temos uma elite na área financeira e económica, na àrea dos gestores (...) (mas) as elites estão um pouco desnacionalizadas. Assumem-se como cidadãos do mundo, da globalização, e têm um certo snobismo intelectual de distanciamento em relação ao que se passa no país. (...) fazem gala em dizer que estão desligadas dos problemas do país. (...)

José Manuel Fernandes e Graça Franco, Público, 24/01/05.

Leituras com pó (25)

Uso de dinheiros públicos foge ao controlo do Estado.

António Cluny, Diário de Notícias, 17/01/05.

Leituras com pó (24)

A 'coligação negativa' dos interesses instalados é um dos principais obstáculos ao crescimento, mas em Portugal ninguém parece empenhado em enfrentá-la.

José Manuel Fernandes, Público, 17/01/05.

Leituras com pó (23)

Não têm aparecido líderes políticos fortes para avançar com algumas reformas.

António Carapatoso, Público, 17/01/05.

quarta-feira, março 02, 2005

Rota da seda... por comboio

Pequim, 02 Mar (Lusa) - Um comboio de mercadorias que vai passar a circular duas vezes por mês entre a China e a Alemanha iniciou hoje a sua viagem inaugural entre Hohhot, capital da Mongólia interior, e Frankfurt, anunciou a agência Nova China.

Murro no estômago

Bem-vindos ao condomínio PIDE/DGS.

Trocar hospitais e livrarias por estátuas

Reports from Turkmenistan say President Niyazov has ordered the closure of all the hospitals in the country except those in the capital, Ashgabat.
(...)
At the same time, the president has also ordered the closure of rural libraries, saying they are pointless because village Turkmens do not read.
Criticism of the president is not allowed in Turkmenistan, but civil rights activists abroad say he has destroyed social services while spending millions of dollars of public money on grand projects, such as gold statues of the leader and a vast marble and gold mosque, one of the biggest in Asia.


Vem na BBC,

Droga (19)

Narcotics supply and demand reduction strategies must work together, report at UN says

1 March 2005 – The supply of and demand for narcotics are inter-related and they must be rolled back together if reduction strategies are to be successful, according to the annual report of an independent drug control body released at the United Nations today [The 2004 report of the International Narcotics Control Board].
(...)
Government action to reduce drug use all too often focuses on supply, it says.(...)

Por que será?
E por que insistem?

Economia e pobreza infantil crescem a par

NEW YORK, 1 March 2005 - The proportion of children living in poverty, or on less than $1 per day, has risen in most of the world’s developed countries since the early 1990’s, according to UNICEF’s latest report from the Innocenti Research Centre in Florence.

Como se explica que o aumento do decantado PIB se traduza pela deterioração da condição de vida?

PS - Estatísticas (uma morte é um drama; muitas são estatísticas):
* Total number of children younger than five living in France, Germany, Greece and Italy:10.6 million .
* Number of children who died in 2003 worldwide before they were five: 10. 6 million. Most of these deaths could have been prevented.

terça-feira, março 01, 2005

Problema (escassez) alimentar

28 February 2005, Rome - Worldwide, 36 countries need external food assistance, while 11 countries face unfavourable prospects for their current crops, the UN Food and Agriculture Organization (FAO) said in a report released today. "The causes are varied, but civil strife and adverse weather predominate.

20.000 - Ontem. Hoje. Todos os dias.

When a once-in-a-century natural disaster swept away the lives of more than 100,000 poor Asians last December, the developed world opened its hearts and its checkbooks. Yet when it comes to Africa (...) much of the developed world seems to have a heart of stone.
(...)
Yesterday, more than 20,000 people perished of extreme poverty.


Editorial do The New York Times, Thousands Died in Africa Yesterday, 27 de Fevereiro de 2005.

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