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sábado, março 26, 2005

Ainda sobre a UEM

A UE é um projecto político, que radica no choque de vontades entre a Rússia e o Ocidente, e deriva da decisão da Administração norte-americana conter Moscovo. Tudo o resto deriva daqui.

É da lógica das coisas que quanto a pressão externa alivia, a coesão interna diminui. Na ausência daquela pressão, desaparece a unidade interna. Muitas vezes retomam-se os conflitos congelados entretanto. Não nos esqueçamos que o que se designa Europa, mas que melhor fora que se designasse por Europa Central e Ocidental, goza um inédito período de paz de 60 anos consecutivos. Apenas há 60 anos. O berço dos Direitos Humanos assenta em território embebido em sangue.

A razão da criação da moeda única europeia é política. Nunca foi uma medida racional ou justificável em termos teóricos, desde logo na perspectiva das áreas monetárias óptimas, apesar de Mundell ter recebido o Prémio Nobel, umas décadas depois de apresentar a sua teoria, graças à UEM. Desta forma não vale a pena insistir na racionalidade económica do euro. Apenas porque existem tantos ou mais argumentos de ordem contrária. Aliás, exemplifica-se com a Alemanha. Esta que que impôs critérios apertados para a criação da UEM é a mesma que está a desrespeitar esses critérios. Vá lá. Um pouco de seriedade não fica mal. O país é o mesmo, mas a orientação económica é, digamos, um pouco diferente. A ortodoxia monetária foi imposta pela CSU bávara. A mudança de governo trouxe outras perspectivas, mudança que continuou após a saída do primeiro ministro da Economia do governo de Schroeder.

O mesmo predomínio do político ocorreu quando foram alargadas as bandas de flutuação do MTC do SME, em 1992, para acomodar o custo da reunificação alemã, em 1989. Mais outro efeito monetário de uma decisão eminentemente política e de carácter nacional, mas que teve custos económicos internacionais. É o luxo das moedas-âncora. Decidem para onde querem ir, as outras seguem. Na teoria porém o SME era simétrico. Na prática era o quero-posso-e-mando alemão.

O euro morreu? O euro continuará? A resposta não tem importância. Porque o essencial é evitar a armadilha de considerar únicas, harmoniosas, racionais, quaisquer políticas comunitárias, uma vez que resultam sempre das negociações entre as partes. Partes estas que fazem questão de não deixar de fora das discussões a força que têm. A evolução internacional resulta das assimetrias nas relações de força. Onde a política, enquanto expressão de vontade sustentada em meios, é o factor determinante. E não qualquer racionalidade abstracta. Por muito que custe a alguns maduros. Os monetaristas são... os monetaristas. Não são os economistas. Que não se espere qualquer unanimidade entre estes, mas que também não se reduzam a uma corrente, por muito mainstream que o seja conjunturalmente.

Um autor que expõe as lógicas políticas e económicas subjacente à UEM de forma equilibrada é Paul de Grauwe. Boa leitura.

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