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domingo, abril 24, 2005

Banalização? Mediocratização? Fim das máscaras?

Queremos os muros pintados!
Queremos os muros pintados!
Queremos os muros pintados!


O slogan publicitário passa com insistência na rádio para promover a venda de um destacável de um jornal alusivo ao 25 de Abril.

Interessante a forma como actos que foram marcantes, para não dizer transcendentes, na época em que ocorreram, são banalizados uma geração depois.

É história. Não é novidade. Sempre foi assim. Este epísódio vale apenas por nos ser próximo.

Trinta e um anos depois, Portugal tem a novidade de Belmiro de Azevedo e Jardim Gonçalves, a readaptação das famílias tradicionais, o acesso aos supermercados e aos cartões de crédito, a troca de África (onde mandava) pela Europa (onde não manda), uma democracia formal - mas permanece com dificuldades ancestrais na segurança, no desenvolvimento e na justiça, num prolongado exercício no fio da navalha.

A cosmopolitazação da população - culturalmente pelos media; demograficamente pela imigração - é outra novidade...

Quando se somam sinais de incapacidade de as instituições abarcarem a totalidade e a complexidade da realidade, além de estarem elas próprias sujeitas a ataques crescentes de grupos de intereses criminosos, como serão vistas dentro de 31 anos?

Resposta difícil, por certo, mas que deverá incluir a mesma banalização, esvaziamento de conteúdo, de importância até, que o 25 de Abril apresenta hoje.

Que se pode esperar para os próximos 31 anos?

Pelo menos a consideração de forma mais séria - não necessariamente mais eficiente ou eficaz - de vários fenómenos de origem e consequência sistémica. Mais do que a impossibilidade de a Europa crescer num mundo económico sino-norte-americano, trata-se da sustentabilidade ambiental, dos conflitos pelo acesso a recursos naturais, da corrupção/captura das instituições públicas por interesses privados orientados pelo lucro de curto prazo, socializando custos, da generalização das referências ideológicas fornecidas pela televisão de massas (concursos, telenovelas, futebol).

Será o pós-religião (com as várias visões cada vez mais disputadas por outras racionalidades e perspectivas e a demonstrarem dificuldade de adaptação a um mundo em contracção uniformemente acelerada graças à tecnologia) a repetição do pós-ideologia (definida esta como as grandes correntes de teoria social do século XIX-XX)?

Como será a novidade da internacionalização activa, autónoma e voluntarista da China, após uma história de agressões estrangeiras, que incluíram a ocupação? Fará o mesmo?

Estamos na antecâmara do nacionalismo/localismo/individualismo como lógica dominante à escala internacional?

Sem a ideologia clássica nem a religião plurissecular, será o regresso da lei da força pura e dura, o que corresponderia a identificar a lei humana com a lei da selva e a reduzir tudo o que é teoria de relação social (Antropologia, Direito, Economia, Organização e Gestão de Empresas, Polemologia, Política, Psicologia, Relações Internacionais, Sociologia, ...) à Etologia e à Sociobiologia?

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