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sexta-feira, abril 15, 2005

Democracia versus Mérito

Desgraçados dos que pensam que o mérito conduz a algum lado sem ser à derrota, se ficar confinado apenas à sua valia.

A pulhitização (expressivo termo de José Adelino Maltez em O princípio da limitação dos mandatos e as paródias gerontocráticas do micro-autoritarismo) é apenas outra forma de categorizar o sacrifício do ideal do interesse público no altar, no palco, na praça, na arena, da luta política.

Luta política esta que não se distingue por motivos nobres, mas antes pelo acesso, ou manutenção, de recursos - sejam eles, entre tantos, naturais (território, petróleo, água, ouro, diamantes,...), sociais, financeiros ou sexuais (mulheres para garantir a descendência ou ilustrar o status). Veja-se, por todos, Michael Klare.

Os partidos políticos são máquinas de conquista/manutenção do poder, e - qual exército - afirmam-se com tanto sucesso quanto mais meios tiverem.

Vê-se na televisão aquelas tropas fadangas de maltrapilhos do Terceiro Mundo. Pois. É pensar nos equivalentes partidários ocidentais. E nos que não assentam praça em qualquer fileira. Por falta de tempo, de interesse, de vontade, de capacidade de representação, de possibilidade de expressão na lógica partidária.

Com todos os condicionalismos e especificidades próprias do universo partidário, é a representação, a expressão, a materialização do interesse público, por definição, que é sacrificada.

Não pode ser de outra maneira.

Os partidos representam e expressam grupos, partes, alguns.

É a sua essência.

Não é por estarem no poder que passam a preocupar-se ou a exprimir o dito interesse público.

As preferências pelas suas clientelas representam a exclusão, ou a secundarização, das clientelas dos outros. A dita corrupção - tanto enquanto apropriação abusiva de recursos públicos por parte de interesses privados, como degradação das instituições ou das suas prestações - pode ser vista como derivada desta lógica, o que a ser verdade a torna irradicável.

A qualificação analítica do facto depende da intensidade da indignação do qualificador.

Mas que não se esperem decisões políticas tomadas primodialmente em função do mérito.

As Repúblicas Democráticas não são Repúblicas Meritocráticas. E quanto a estas é (seria) todo outro campo de discussão que se abre. Desde logo, o seu desvio para a redução da representação aos experts, aos peritos, o que a transformaria na República dos Lobbies.

É a vida.

A lógica da força, sem sabedoria nem beleza.

Perante isto, há os que se afirmam, dotados de bases inexpugnáveis, e os que procuram sobreviver. Com mais dignidade, uns; sem qualquer dignidade, outros.

Independentemente do que o bicho homem faz, ou deixa de fazer, no seu universo social, de relações políticas, as suas acções, ou omissões, têm consequências no seu habitat.

Pode ignorá-las, ou adiar a sua leitura.

Mas sofre-as, sempre.

A questão é a da sustentabildiade do eco-sistema natural, que do social só a boa-vontade, a cegueira ou o interesse, diz que está bem e recomenda-se.

Tal como o outro.

É isto que leva os ditos dirigentes e responsáveis políticos a privilegiar a re-acção, em vez da acção.

Mais uma vez: é a vida.

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