.comment-link {margin-left:.6em;}

segunda-feira, abril 04, 2005

Media: A era dos blogues

O provedor dos leitores do DN intitula o seu artigo de hoje A era dos blogues.

Isto é um fenómeno, mas a invenção da electricidade também, a qual aliás subjaz à internet.

Não são as novas tecnologias, ou a generalização das velhas, que determinam melhorias estruturais. Veja-se a generalização do "saber ler, escrever e contar", do telégrafo, da rádio, da imprensa, da televisão - em termos técnicos e de abertura á iniciativa privada.

É a velha discussão sobre a bondade intrínseca dos avanços da ciência e da técnica, abastardados pela miopia/estupidez/ganância humana.

Basta ver o estado miserável a que chegou o mundo.

Paradoxos.

Tal como os que se passam na era e no universo dos blogues.

Basta ver as metas várias, que existem um pouco por todo o lado, sobre intenções a cumprir em 10 anos.

Os que aparentemente passam a ter direito à voz graças aos blogues, na realidade, já a tinham, o que alias subjaz à conversa da info-exclusão.

Apenas se dão uns reajustamentos no universo dos incluídos, dos possidentes (também) da voz.

Para citar o autor: (...) Basta ver, por exemplo, como os adolescentes têm aproveitado para criar espaços de afirmação e de descoberta de si, de partilha com os outros, de manifestação de uma vontade de pertença à cultura do seu grupo de pertença (...)

Ora, estes adolescentes têm computador em casa (logo, têm computador, telefone, casa, electricidade, dinheiro para pagar isto, o almoço assegurado,... enfim, estas miudezas que distinguem uma situação de bem-estar de outras em que a sensação é outra).

Agora, que os jornalistas sejam picados e questionados por este novo espaço público (ou alargamento do velho?), é interessante, mas não deixa de ser um problema, um assunto, típico do universo dos info-incluídos.

De resto, entre a multidão solitária e o solitário na multidão e distância é mais curta do que se pensa.

A proliferação de vozes no espaço público é fenómeno temporário, típico do estado infantil, em trânsito para a sua conglomeração.

José Carlos Abrantes cita números que dão contra da existência de 37 mil blogues activos e de uma média diária de criação avaliada em 76 por dia, no Sapo.

Destes 37 mil sou capaz de mencionar de cabeça uma dúzia se tanto.

Dos outros, vai-se densificando, todos os dias, uma rede de pontos, de conglomeração, na base de afinidades - gostos, temas, assuntos,... - que ordena, e reduz, a aparente efervescência da blogosfera.

E falta fazer a contagem complementar: a dos que morrem, além de ter de se considerar também a frequência de uso/actualização do blogue.

Mas este é na essência um fenómeno de incluídos.

Um luxo, pelo desperdício de tempo que acarreta (contra mim falo).

Um serviço público, no caso dos que divulgam opiniões fundamentadas, informações interessantes, pistas de reflexão, até produtos político-ideológicos.

É como o Passeio Público e a tropa (conhecimento exclusivo de quem a fez): há lá (cá) muito filho de muita mãe.

Comments: Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Link to ClockLink.com