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quarta-feira, junho 29, 2005

Corrupção (13)

(...)
Em Portugal, a corrupção tem vindo a alastrar e é seguramente um dos maiores entraves ao nosso progresso económico e social. Atacá-la sem complacências deveria ser uma prioridade do Estado português.

Francisco Sarsfield Cabral, no DN

terça-feira, junho 28, 2005

Como é possível?

(...)
Visivelmente incomodado com este episódio, imediatamente aproveitado pela oposição, Luís Campos e Cunha, acompanhado do secretário de Estado do Orçamento, Manuel Baganha, explicou ontem, em conferência de imprensa realizada ao final da tarde, que existiu uma duplicação na contabilização das despesas e das receitas em impostos, na passagem de valores para diferentes quadros. "A mesma operação foi registada duas vezes", sintetizou Manuel Baganha,
(...)

No DN.

Iraque: E agora?!

No military solution in Iraq, all should be brought into political process – Annan.

Onde páram as elites? (67)

Salvar a área florestal do País só será possível com o seu ordenamento e a reintrodução das espécies autóctones, como carvalhos e castanheiros, defende António Campos, ex-eurodeputado socialista, em entrevista ao JN.

segunda-feira, junho 27, 2005

Onde páram as elites? (66)

(...)
Muitos dos privilégios e regalias agora em causa acumularam-se ao longo de décadas de sucessivas capitulações, demissões e abusos de altos dirigentes políticos e administrativos, oriundos de todos os partidos sem excepção, que na gestão da função pública sobrepuseram as suas conveniências e comodidades à defesa de uma visão de Estado, fosse ela qual fosse.
(...)

João Cravinho, no DN.

Parabéns, Ivo Saruga!

Parabéns, apesar de atrasados. Reproduzo aqui - excepcionalmente, porque a circunstância também o é - dois votos de parabéns, formulados por dois leitores de um post já antigo (que também repito).

O enfº Ivo não desiste perante as dificuldades.Tem um coração enorme e cheio de generosidade. Hoje, 25/06/05, faz 25 anos, e está longe da família e amigos, mas perto de quem mais precisa dele. Está no SRILANKA, com a chancela da AMI a completar mais uma missão de ajuda humanitária às vítimas do Tsunami.Certamente com mais histórias, umas tristes outras alegres, como sempre acontece,mas com uma vontade enorme de voltar sem nunca saber exactamente para onde. Há,contudo, sempre alguém a chamá-lo porque o seu coração é de elástico como o disse Catarina Furtado.Maré alta também está de parabéns por conter no seu espaço este testemunho tão nobre, que nos faz sentir tão pequeninos. Parabéns Ivo. Céu
# posted by Anonymous : 11:52 PM

IVO SARUGA!O VOLUNTARIADO ESTÁ MAIS RICO COM PESSOAS COMO TU QUE AJUDAS A LUTAR CONTRA A MORTE. AQUELE MENINO NUNCA TE ESQUECERÁ! PARABÉNSM.C.
# posted by M.C. : 12:02 AM

O post, datado de 19 de Novembro de 2004, intitulava-se São Tomé e Príncipe e era este:

Estávamos em casa quando o telefone tocou. Era o Carlitos, enfermeiro do centro hospitalar, a informar que tinha chegado uma criança em muito grave condição. Pediu-me que lá fôssemos para o auxiliar. Assim fizemos. Não havia electricidade, estava tudo escuro, somente se distinguia uma ténue luz de uma vela por entre as janelas. Depáramo-nos com uma situação de plena angústia: a criança, deitada numa maca com uma vela perto dela a iluminá-la, apresentava uma grande dificuldade respiratória e estava com uma bradicárdia enorme. Perguntámos ao enf. Carlitos e existia algum ambú pediátrico. Comecei a insuflar com o ambú, garantindo alguma entrada de oxigénio para os pulmões deste menino, enquanto o Dr. Yuri ia auscultando para garantir que a ventilação estava a ser adequada. Porém, a criança apresentava uma grande quantidade de secreções que lhe estavam a entupir as vias respiratórias.Sabíamos que a criança não aguentaria muito tempo naquelas condições. Assim, ponderámos levá-la para o hospital central na capital. Contudo, a viagem a uma velocidade segura, demora aproximadamente 90 minutos. Mesmo 40 minutos seria tempo demais. Tínhamos de desobstruir as vias respiratórias da criança de imediato. Apesar da vontade e experiência do Dr. Yuri, não existia material para que tal acção pudesse ser realizada. Comecei a insuflar o ambú e começaram a sair secreções da boca do menino. Perguntei de imediato se tinham aspirador ou algo para aspirar a criança. Dizem-me que não. "Pensa", disse para mim mesmo. Pergunto por uma sonda de aspiração normal, mas também não havia. Então, pedi um sistema de soro, cortei as pontas e, com uma extremidade na minha boca e a outra na boca do menino, fui aspirando uma quantidade enorme de secreções. Vou alternando com o ambú. Queria uma bala de oxigénio para que o ambú fosse mais eficaz... também não havia. A criança começa com batimentos cardíacos cada vez mais lentos, cada vez mais distante. Iniciámos massagem cardíaca mas não resultou: o pqueno coração daquele menino com menos de meio metro definhou e o seu corpinho frágil começou a perder todo o seu calor.Apesar de já me ter deparado várias vezes com a morte ao longo da minha experiência profissional, sinto que é o dia mais triste da minha carreira. A falta de recursos e o isolamento deixaram-no à mercê da natureza que, embora por vezes se revele maravilhosa, neste momento emergiu impiedosa. Após vinte e cinco dias de sensações, vida e energia, às 21h15 de sexta-feira do dia 27 de Agosto (lembram-se do que estavam a fazer?), um menino despediu-se de nós, de todo o mundo. Será que eu e o Dr. Yuri poderíamos ter feito algo mais? Será que tomando qualquer outra decisão poderíamos ter ajudado mais o menino? Sinceramente, penso que não. Por outro lado, os recursos poderiam ser bastante melhores. Apesar de não ter a certeza de que isso salvaria o menino, seria, sem qualquer dúvida, um princípio.Ilha de São Tomé,27 de Agosto de 2004.

Carta de Ivo Saruga, enfermeiro voluntário da AMI, publicada na AMINotícias, n.º 33, 3.º trimestre de 2004, página 16.

domingo, junho 26, 2005

Não há pachorra!

Não há pachorra para os cara de pau, para a desvergonha, para as falsas virgens, ...

Não há pachorra para os que só exibem o acessório, o secundário, o não importante ...

Não há pachorra para os que defendem imagens putativamente positivas à custa de (não sei como qualificar) ...

PS - o nível da despesa pública, expresso em percentagem do PIB, só vai continuar a crescer. É a outra face da moeda, quando se diz que a economia está a definhar. Basta aliás mantê-lo em termos absolutos ou até cortá-lo, desde que o PIB baixe ainda mais. É só fazer contas.

quinta-feira, junho 23, 2005

Energia (6)

O entusiasmo que anda no ar em relação à energia nuclear ainda não me permitiu perceber como é que depois se movimentarão os automóveis.

Ainda não se percebeu - ou não se que quer dizer? - que estamos à beira do fim de um modelo de crescimento (ocidental) assente no consumo (privilegiado, desregrado, orgíaco) de recursos não renováveis.

Isto prenuncia uma coisa má: Guerra. É a auto-regulação do Sistema-Terra.

É só fazer as contas.

E a China não tem de arcar com as culpas pelo aumento do preço do petróleo , como alguns (muitos, demasiados) insistem.

Apenas apareceu agora no mercado, graças aliás aos investimentos ocidentais.

Mas está com um consumo 'per capita' que é uma 'vergonha', quando comparado com outros.

Imagine-se o que seria se tivesse o consumo 'per capita' de, sei lá, os EUA, por exemplo.

Também é só fazer as contas.

Mas que dá jeito atribuir as culpas, as explicações, as responsabilidades à China, lá isso dá.

Oh, se dá.

PS - e que tal colocar a frota automóvel a biodesel importado dos países pobres, atrasados e subdesenvolvidos? É só uma pergunta...

segunda-feira, junho 20, 2005

Aceleras

Um português que corre na Fórmula 1 ficou em terceiro lugar numa corrida com 6 carros, porque outros 14 decidiram não participar na prova por causa de problemas com pneus.

Alguns proclamaram de forma exuberante a boa nova, chegando a admitir que a presença do português no pódio no final da corrida lhe pudesse significar, para a próxima época, uma mudança para uma equipa melhor.

Entretanto, o DN traz uma entrevista com Luís Laureano Santos, presidente do Conselho Superior da Ordem dos Advogados, em que este afirma que em matéria de comunicação social, entendo que o mensageiro deve ser crítico. Mas crítico qualificado e altamente credível.

Onde páram as elites? (65)

(...)
O que falha, no nosso País, não é apenas o Estado, mas a Igreja, as classes abastadas e até os pobres, corruptos uns, indiferentes outros e, outros ainda, forçados à luta rasteira pela sobrevivência. Numa socidedade miserável, nada disto é surpreendente, mas dói.
(...)

Maria Filomena Mónica, no Público, de domingo, sobre um caso de menor em risco. Só lido. Como diz: É uma odisseia kafkiana que revela o País que somos e o Estado que temos.

Onde páram as elites? (64)

Palhaçadas, intitula Francisco Teixeira da Mota a sua coluna sobre Justiça no Público, de domingo.

Em causa, o Tibunal Constitucional e os deputados regionais do PSD-Madeira.

Onde páram as elites? (63)

O maior fogo de 2004 deixou marcas irrecuperáveis no montado do Baixo Alentejo e do Algarve. Quase 4000 pessoas, boa parte idosas, que tinham como único rendimento a cortiça, o medronho e o mel vivem hoje no limiar da pobreza. Esquecidas pelo (anterior) governo, que "prometeu milhões e deu tostões", e pelas câmaras de televisão, atraídas pelo espectáculo pirotécnico, aguardam o fim dos seus dias no cenário inóspito da floresta queimada.

Reportagem de Ricardo Dias Felner, no Público, de domingo.

Follow the money... (2)

(...)
o exposto chega para se perceber a dificílima negociação sobre os fundos comunitários que em breve o governo terá de concluir com os inúmeros centros de interesse que, a partir do alegado ou real bem estar dos portugueses, tentam sentar-se à mesa dos Quadros Comunitários de Apoio.

João Cravinho, no DN.

sábado, junho 18, 2005

Migrações (2)

Os apelos ao reconhecimento público da comunidade imigrante em Portugal são tocantes, acredito até que sinceros. Os cartazes são bonitos. "Portugal agradece" fica bem, passa a imagem de 'grato e reconhecido', estimula à integração, enfim, tudo como deve ser.

Tudo?

Bem, há sempre uma aldeia perdida na Gáulia...

Que tal se do apelo se passasse à prática? Se do cartaz se passasse para a realidade? Se do construído (cartaz) se passasse para o vivido?

Por exemplo, se Portugal tem 10% da população imigrante ou de origem estrangeira, do que é que os partidos estão à espera para expressarem esta realidade nos seus corpos dirigentes e, já agora, nos seus grupos parlamentares (mais do que nas suas listas de candidatos)?

Se há quotas para as mulheres, também deve haver quotas para candidatos com a nacionalidade portuguesa, mas de origem estrangeira. Ficava bem ter um centrista Jorge Ulianov, um social-democrata Ricardo Khomeini, um socialista António Rczebshty, um comunista José Porter, um bloquista Luís Ravanelli.

É que não virá longe o dia em que o comando distrital (nacional?) da PSP de Lisboa será chefiado por um Abdelkader da Costa, tal como há xerifes norte-americanos de ascendência portuguesa. Não se tem elogiado o lobby português no Congresso norte-americano, encabeçado por essa figura de referência que é Tony Coelho, ou o peso da comunidade portuguesa nas estruturas sociais de Newark, por exemplo?

Do que se está à espera?

É claro que a comunidade imigrante tem de ter outras perspectivas no horizonte do que servir à mesa, se bem que qualquer emprego em Portugal seja melhor do que a situação no seu país de origem, onde em muitos casos nem sabiam se chegariam vivos ao fim do dia. Aqui entra-se no tema oportunidades e possibilidades de concretizar e desenvolver capacidades, que se aplica tanto aos estrangeiros como aos nacionais.

Outra pista: que tal se os portugueses, além de tratarem bem os estrangeiros em Portugal, tratassem mal quem os escorraça da sua terra natal? Nem é difícil: bastava às vezes não alinharem em festas sociais com que as ditaduras se procuram lavar... Mas se as criticassem nos foruns internacionais também não lhes ficava mal.

Os fenómenos migratórios misturam sempre uma repulsa (do lugar de origem) e uma atracção (do local de destino). No fundo, trata-se sempre da forma como as pessoas são tratadas. Como os portugueses bem sabem.

sexta-feira, junho 17, 2005

Tanto (tanta) ...

... borrifo
... salpico
... gotícula
... agitação

... distracção

quarta-feira, junho 15, 2005

Esfomeados, mas com música e desendividados (por enquanto)

Aproxima-se o Live Aid 2, que os organizadores perferem designar por Live 8.

Perdão da dívida, cooperação para o desenvolvimento, leis comerciais mais justas, são vistas como vias para make poverty history.

Há o dream team e há a dream factory.

É preciso mais do que música, o perdão da dívida não impede que esta renasça e se volte a acumular, a cooperação para o desenvolvimento é uma anedota, para não dizer outra coisa, as leis comerciais serão mais justas quando as galinhas tiverem dentes...

Vai-se mantendo o tema na agenda.

PS - Alguém fez o balanço do primeiro Live Aid? É uma ajuda que peço, porque não o vi em lado algum. Mas parece que foi um esforço inglório, não?

Votos

Por que será que na União Europeia parece que há uns votos que valem mais do que outros?

Se forem a favor da situação, muito bem.

Se forem do contra, muito mal, vamos a refrear as votações, que assim não vale.

Isto, em Português de lei, chama-se batota, manipulação, desvergonha.

Não há outros argumentos? Aliás, não há argumentos - lógicos, pedagógicos, evidentes, úteis - para vender os benefícios do Tratado?

Os grandes dirigentes são incapazes de comunicar com o ?

Então, se isto for assim, ninguém se interroga, ninguém pára para pensar, tão emproado que está da sua certeza, que fica descansado na estratosfera, olhando com enfado para os que lá em baixo, ignorantes, peados no lufa-lufa do dia-a-dia, chafurdam no pântano que as elites são incapazes de secar?

Se são incapazes de comunicar com o , se são incapazes de lhe facilitar o caminho, se persistem em se fechar em redomas - estão à espera do quê? De milagres? De manifestações de agradecimento?

Se são impotentes para facilitar a vida ao , por que carga de água insistem em lhe aliviar os bolsos, consumindo os impostos que este a custo lá vai pagando?

Impostos pagos em troca de promessas e truques.

terça-feira, junho 14, 2005

Conversa da treta

Porque será que a morte de Álvaro Cunhal provocou uma catadupa de afirmações ocas (bacocas?), com Mário Soares a ser uma das poucas excepções, quando disse que "A História nunca lhe dará razão"?

Se não há nada para dizer, ou não se quer dizer algo desagradável, não se diga.

Ponto.

segunda-feira, junho 13, 2005

Coisas importantes

Estamos há seis anos a crescer 1% ao ano, em média. Que me lembre, é o pior período da economia portuguesa dos últimos 50 anos.

Vítor Bento, em entrevista no DN.

domingo, junho 12, 2005

Premonitório, ou o exercício da lógica

(...)
Expresso - Afirma que os portugueses comeram carne contaminada com BSE.
A. G. - (...) cerca de 12.500 animais infectados entraram na cadeia alimentar entre 1995 e 2000 (...) este número peca por defeito.

Expresso - É possível não haver casos humanos da nova variante Doença de Creutsfeldt Jakob no país?
A. G. - Para lhe responder, o que posso referir é o caso do Japão: desde Setembro de 2001, testa os bovinos de todas as idades destinados ao consumo e encontrou atá à data 14 casos positivos, correspondendo a 2,49 bovinos por cada milhão de animais. No entanto, já diagnosticou, em Fevereiro, o primeiro caso humano de BSE. Portanto, algo parece falhar no nosso país.
(...)

Entrevista (parte) de Alexandre Galo, ex-director do Laboratório de Veterinária, ao Expresso, de 23 de Abril de 2005.

sábado, junho 11, 2005

Onde páram as elites? (62)

Vêm aí os casos mortais de BSE nos portugueses.

António Campos recorda quando diziam que ele é que estava louco, não as vacas.

No Correio da Manhã.

Ficção? Realidade?

Para desenjoar: Asimov.

Tempos interessantes (5)

2005 is 'make-or-break' year for world's poor, Annan says.

More than a million children work in mines, “digging for survival,” UN says.

African child deaths could reach 5 million by 2015, warns UN agency.

Idas à praia

Para evitar a repetição do que se passou hoje em Carcavelos há várias hipóteses:

. encher as praias de polícias (claro que perante acontecimentos já ocorridos em combóios e centros comerciais também seria necessário encher os centros comerciais e os comboios de polícias - e se calhar as faculdades, as escolas secundárias ou preparatórias, quem sabe as igrejas, ou recintos desportivos, ou restaurantes, ou...).

. estabelecer portões de entrada nas praias, que assim teriam um direito de entrada reservado, estilo condomínio privado.

. estabelecer controlos de saída dos bairros problemáticos, que assim seriam transformados em bantustões.

. perceber o que está a passar, tem sido, é e continuará a ser um bom ponto de partida. O capital importou trabalho para as obras. Mas o trabalho reproduziu-se. Para espanto dos contabilistas empresariais, para quem o factor humano está fora dos seus rácios. Isso, descartam-se, é problema da sociedade. Como se está a ver. É clássico. Tanto assim que a apropriação privada de benefícios e a socialização dos custos é tema recorrente nos manuais. O que vem na televisão é apenas o resultado - espectacular, mas resultado - esperado.

post-scriptum - e é evidente que a solução não pode, nem deve ser exigida a uma lógica policial. Como sempre, a acção depende da identificação das causas que se conseguir, puder ou querer fazer.

sexta-feira, junho 10, 2005

Onde páram as elites? (61)

Um país e um Estado que consente, sem consequências, a linguagem de taberna de Alberto João Jardim é um Estado que vai perdendo o respeito por si próprio. E cujos responsáveis políticos vão abdicando de se fazerem respeitar.

José António Lima, no Expresso, em artigo intitulado O Estado na Taberna.

Tempos interessantes (4)

Um gang com 500 (quinhentos!) membros assaltou banhistas na praia de Carcavelos. A PSP garante que a situação já está sob controlo. Na praia de Carcavelos, subentenda-se(TSF).

Que grande poder de atracção têm os gangs dos dias de hoje, dirá alguém mais distraído, admitindo que talvez se deva à vontade de ir passar um dia à praia, mas lembrando-se de fenómenos similares nos combóios.

Quinhentas pessoas é muita gente, mesmo mais que alguns comícios partidários.

Acabaram-se as pontes, os contactos, entre estas pessoas e as integradas?

O apocalipse é a sua única saída? A sua única forma de se fazerem ouvir? A única forma de se fazerem medalhar com títulos de nobreza, quer dizer, de jornais?

E o que fazem os leitores de jornais? Viram a página para a secção de desporto? Ou para a secção dos apelos ao patriotismo, entre a da gastronomia e a da moda? Ou talvez, haja esperança, para os artigos de opinião sobre a Europa.

O primarismo do anti-político

Esta aparente fronda anti-políticos, patente no misto de crítica e voyeurismo sobre os rendimentos dos cargos políticos, também pode ser lida como um sinal da escassez de recursos para todos.

Quando havia dinheiro mais ou menos a rodos - ia-se exportando, ia-se trabalhando, ia-se beneficiando de uns trocos na repartição interna dos fundos comunitários -, o ambiente estava mais ou menos apaziguado. Ia-se discutindo os casamentos entre homossexuais, direitos dos animais, igualdade entre géneros e outras questões de civilização similares e aparentadas.

Com a subida do desemprego, subsequente à atrofia progressiva do aparelho produtivo interno, e a ausência de perspectivas positivas para o comum dos cidadãos, passado o bálsamo que foi a vitória do Benfica no campeonato, dominam as preocupações banais, quotidianas, da sobrevivência, própria e do agregado.

Esta procupação social, ambiente, em pano de fundo é contrastada com o bem-estar relativo - e absoluto - dos titulares de cargos políticos, que supostamente deveriam resolver os problemas da comunidade que lideram ou, pelo menos, supostamente representam.

Aqui não se trata já de, admitamo-lo, inveja, mas está aquém, no plano elementar, básico, primário, determinante, da disputa dos recursos, estilo "porque é que os políticos estão estar a acumular rendimentos, mordomias, honrarias e boa vida se não resolvem os meus problemas?".

O argumento pior, limite, é "porque é tu tens se eu não tenho?". Fica-se a um passo da realidade efectiva da selva, com a disputa violenta de recursos escassos, onde o mais fraco perece.

E agora?

Encaminharnos-emos para a solução fácil, demagógica, redutora, de reduzir benefícios aos ditos políticos? Estes enveredarão pela solução dos problemas? E será que esta solução depende deles? Ou andamos todos ao engano, depositando esperanças e ilusõs na capacidade de delivery da classe política, quando esta de facto não o pode fazer, limitada por outras forças e centros de racionalização da vida colectiva? A ser positiva a resposta a esta última interrogação, a solução também não estará no desenvolvimento de tendências cesaristas, bonapartistas, apesar de se estarem a reunir condições favoráveis a estas.

Entretanto, vamo-nos entretendo, com os desvalidos a desejarem a situação dos validos e a procurarem quem esteja ainda pior para se reconfortarem na sua escassez.

segunda-feira, junho 06, 2005

Futuro

Porque será que (parece que) andamos - nós, Portugueses - a leste da discussão pública sobre as potencialidades, as consequências, os problemas, da nanotecnologia?

Estarmos condenados a sofrer o que outros nos conseguem impor é uma coisa, ignorar é outra.

domingo, junho 05, 2005

Interessante

Secretário de Estado da Justiça recusou aumento de vencimento.

Muda-se o tempo; muda-se a lei

4 JUNHO - 18:39

Campos e Cunha reafirma inexistência de ilegalidade na acumulação de rendimentos


4 JUNHO - 22:11

Sócrates anuncia lei para acabar com acumulação de vencimentos e reformas

sábado, junho 04, 2005

Tempos interessantes (3)

Nearly 2 billion people must be provided safe water and basic sanitation by 2015 to meet the United Nations Millennium Development Goal (MDG) of halving the number lacking access (...)
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

All countries have rapes, of course. But here in the refugee shantytowns of Darfur, the horrific stories that young women whisper are not of random criminality but of a systematic campaign of rape to terrorize civilians and drive them from "Arab lands" -a policy of rape.
One measure of the international community's hypocrisy is that the world is barely bothering to protest
.
(...)
A Policy of Rape, de Nicholas Krisdtoff, no The New York Times.

Onde páram as elites? (60) (act.)

Para Jardim, esta celeuma surgiu por causa de "alguns bastardos no Continente que decidiram desabafar o ódio que têm contra" si. O líder madeirense chegou mesmo a chamar alguns profissionais da comunicação do Continente de “filhos da p...”.

Augusto Santos Silva diz que há um conjunto de expressões inqualificáveis quando são usadas em termos públicos.

Sindicato dos Jornalistas pede intervenção do Presidente da República.

UE: Para sempre! Para sempre?

A firmeza (candura?) com que os defensores da união monetária europeia rejeitam a possibilidade de os resultados negativos dos referendos francês e holandês (para já) comprometerem a moeda única é de assinalar (embevecer?).
Almunia, por exemplo, diz que o euro é um casamento para a vida.

Admite contudo que para que seja "preservado o património da União Monetária", o PEC deve ser aplicado "de modo sério e rigoroso".

Não percebo.

Não é suposto que as coisas na UE são aplicadas de modo sério e rigoroso?

Fica a pergunta (académica e diletante, subentenda-se): E se não forem?

Acaba-se o casamento?

Ou encurta a vida?

Media: Por detrás das notícias

Um em cada quatro jornalistas do distrito de Aveiro trabalha ilegalmente e 34 por cento não têm vínculo laboral, revela um trabalho sobre a comunicação social regional hoje apresentado na Feira do Livro da cidade.

No Público.

Onde páram as elites? (60)

Bastardos?!

Filhos da puta?!

Nomenklatura

Todos os regimes têm as suas nomenklaturas.

A ocorrência, e conhecimento, de situações classificáveis entre o escandaloso e o dúbio é uma questão de tempo, de sensação de impunidade (ou de legalidade!) e de ausência de checks and balances.

A cereja no topo do bolo é quando se invoca a legalidade para justificar o discutível.

A juridificação do social e do político tem constituído causa para imensas teses, algumas das quais apontam a impossibilidade de unificar o que é antagónico, diverso ou impossível de reduzir a um máximo divisor comum - é até por isso que a lei muda de vez em quando. Recordo-me, por exemplo, da proibição da lei da greve. Pois, de um dia para o outro o que era proibido passou a ser permitido...

Qual é a raíz quadrada de um mínimo de ética? Qual é o ponto de equilíbrio no mercado da moral?

Desilusões? Traições? Espanto?

Welcome to the jungle...

A (des)propósito:

Castália [a República dos cientistas metafísicos] é evidentemente uma impossibilidade. O homem autocontrolado, harmonioso, interiorizado e pacificado, não é fácil de obter. Os homens divididos, em guerra consigo mesmos, dominados por uma revolta insensata, é que são a espuma dos dias (...)

António Marques Bessa, Quem Governa? Uma Análise Histórico-Política do Tema da Elite, Lisboa, ISCSP, 1993, página 155.

quinta-feira, junho 02, 2005

Um Tratado

Que não.

Que as pessoas votaram contra o Tratado Constitucional porque estão preocupadas com umas coisas e aborrrecidas com outras.

Que as pessoas votaram contra o Tratado porque este veio a calhar para servir de ponto de descarga de iras, frustrações e descontentamentos.

Que o Tratado é muito bom, garante muitas coisas, resolve outras tantas ou mais, racionaliza, efectiva, acelera, melhora,...

Mas... não seria mais avisado considerar as coisas que mais preocupam as pessoas?

Porque se há-de dizer "em relação a isso que o incomoda, a gente depois trata disso, mas agora vote lá 'sim' a isto..."?

Detecta-se aqui alguma dessincronização entre a análise do mainstream político e o quotidiano do Mr. Nobody?

Não é reducionista atribuir o Não em França e na Holanda à conjugação das teses da extrema-direita e extrema-esquerda?

Mas se são extremos como é que conseguem seduzir o middle?

Este será assim tão tonto, que não tenha capacidade própria de análise?

Detecta-se aqui alguma incapacidade do maistream em perceber o que lhe aconteceu?

Press versus blogs

Ten Things Radical about the Weblog Form in Journalism:

1.) The weblog comes out of the gift economy, whereas most (not all) of today’s journalism comes out of the market economy.


(...)

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