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sábado, junho 18, 2005

Migrações (2)

Os apelos ao reconhecimento público da comunidade imigrante em Portugal são tocantes, acredito até que sinceros. Os cartazes são bonitos. "Portugal agradece" fica bem, passa a imagem de 'grato e reconhecido', estimula à integração, enfim, tudo como deve ser.

Tudo?

Bem, há sempre uma aldeia perdida na Gáulia...

Que tal se do apelo se passasse à prática? Se do cartaz se passasse para a realidade? Se do construído (cartaz) se passasse para o vivido?

Por exemplo, se Portugal tem 10% da população imigrante ou de origem estrangeira, do que é que os partidos estão à espera para expressarem esta realidade nos seus corpos dirigentes e, já agora, nos seus grupos parlamentares (mais do que nas suas listas de candidatos)?

Se há quotas para as mulheres, também deve haver quotas para candidatos com a nacionalidade portuguesa, mas de origem estrangeira. Ficava bem ter um centrista Jorge Ulianov, um social-democrata Ricardo Khomeini, um socialista António Rczebshty, um comunista José Porter, um bloquista Luís Ravanelli.

É que não virá longe o dia em que o comando distrital (nacional?) da PSP de Lisboa será chefiado por um Abdelkader da Costa, tal como há xerifes norte-americanos de ascendência portuguesa. Não se tem elogiado o lobby português no Congresso norte-americano, encabeçado por essa figura de referência que é Tony Coelho, ou o peso da comunidade portuguesa nas estruturas sociais de Newark, por exemplo?

Do que se está à espera?

É claro que a comunidade imigrante tem de ter outras perspectivas no horizonte do que servir à mesa, se bem que qualquer emprego em Portugal seja melhor do que a situação no seu país de origem, onde em muitos casos nem sabiam se chegariam vivos ao fim do dia. Aqui entra-se no tema oportunidades e possibilidades de concretizar e desenvolver capacidades, que se aplica tanto aos estrangeiros como aos nacionais.

Outra pista: que tal se os portugueses, além de tratarem bem os estrangeiros em Portugal, tratassem mal quem os escorraça da sua terra natal? Nem é difícil: bastava às vezes não alinharem em festas sociais com que as ditaduras se procuram lavar... Mas se as criticassem nos foruns internacionais também não lhes ficava mal.

Os fenómenos migratórios misturam sempre uma repulsa (do lugar de origem) e uma atracção (do local de destino). No fundo, trata-se sempre da forma como as pessoas são tratadas. Como os portugueses bem sabem.

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