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segunda-feira, junho 27, 2005

Parabéns, Ivo Saruga!

Parabéns, apesar de atrasados. Reproduzo aqui - excepcionalmente, porque a circunstância também o é - dois votos de parabéns, formulados por dois leitores de um post já antigo (que também repito).

O enfº Ivo não desiste perante as dificuldades.Tem um coração enorme e cheio de generosidade. Hoje, 25/06/05, faz 25 anos, e está longe da família e amigos, mas perto de quem mais precisa dele. Está no SRILANKA, com a chancela da AMI a completar mais uma missão de ajuda humanitária às vítimas do Tsunami.Certamente com mais histórias, umas tristes outras alegres, como sempre acontece,mas com uma vontade enorme de voltar sem nunca saber exactamente para onde. Há,contudo, sempre alguém a chamá-lo porque o seu coração é de elástico como o disse Catarina Furtado.Maré alta também está de parabéns por conter no seu espaço este testemunho tão nobre, que nos faz sentir tão pequeninos. Parabéns Ivo. Céu
# posted by Anonymous : 11:52 PM

IVO SARUGA!O VOLUNTARIADO ESTÁ MAIS RICO COM PESSOAS COMO TU QUE AJUDAS A LUTAR CONTRA A MORTE. AQUELE MENINO NUNCA TE ESQUECERÁ! PARABÉNSM.C.
# posted by M.C. : 12:02 AM

O post, datado de 19 de Novembro de 2004, intitulava-se São Tomé e Príncipe e era este:

Estávamos em casa quando o telefone tocou. Era o Carlitos, enfermeiro do centro hospitalar, a informar que tinha chegado uma criança em muito grave condição. Pediu-me que lá fôssemos para o auxiliar. Assim fizemos. Não havia electricidade, estava tudo escuro, somente se distinguia uma ténue luz de uma vela por entre as janelas. Depáramo-nos com uma situação de plena angústia: a criança, deitada numa maca com uma vela perto dela a iluminá-la, apresentava uma grande dificuldade respiratória e estava com uma bradicárdia enorme. Perguntámos ao enf. Carlitos e existia algum ambú pediátrico. Comecei a insuflar com o ambú, garantindo alguma entrada de oxigénio para os pulmões deste menino, enquanto o Dr. Yuri ia auscultando para garantir que a ventilação estava a ser adequada. Porém, a criança apresentava uma grande quantidade de secreções que lhe estavam a entupir as vias respiratórias.Sabíamos que a criança não aguentaria muito tempo naquelas condições. Assim, ponderámos levá-la para o hospital central na capital. Contudo, a viagem a uma velocidade segura, demora aproximadamente 90 minutos. Mesmo 40 minutos seria tempo demais. Tínhamos de desobstruir as vias respiratórias da criança de imediato. Apesar da vontade e experiência do Dr. Yuri, não existia material para que tal acção pudesse ser realizada. Comecei a insuflar o ambú e começaram a sair secreções da boca do menino. Perguntei de imediato se tinham aspirador ou algo para aspirar a criança. Dizem-me que não. "Pensa", disse para mim mesmo. Pergunto por uma sonda de aspiração normal, mas também não havia. Então, pedi um sistema de soro, cortei as pontas e, com uma extremidade na minha boca e a outra na boca do menino, fui aspirando uma quantidade enorme de secreções. Vou alternando com o ambú. Queria uma bala de oxigénio para que o ambú fosse mais eficaz... também não havia. A criança começa com batimentos cardíacos cada vez mais lentos, cada vez mais distante. Iniciámos massagem cardíaca mas não resultou: o pqueno coração daquele menino com menos de meio metro definhou e o seu corpinho frágil começou a perder todo o seu calor.Apesar de já me ter deparado várias vezes com a morte ao longo da minha experiência profissional, sinto que é o dia mais triste da minha carreira. A falta de recursos e o isolamento deixaram-no à mercê da natureza que, embora por vezes se revele maravilhosa, neste momento emergiu impiedosa. Após vinte e cinco dias de sensações, vida e energia, às 21h15 de sexta-feira do dia 27 de Agosto (lembram-se do que estavam a fazer?), um menino despediu-se de nós, de todo o mundo. Será que eu e o Dr. Yuri poderíamos ter feito algo mais? Será que tomando qualquer outra decisão poderíamos ter ajudado mais o menino? Sinceramente, penso que não. Por outro lado, os recursos poderiam ser bastante melhores. Apesar de não ter a certeza de que isso salvaria o menino, seria, sem qualquer dúvida, um princípio.Ilha de São Tomé,27 de Agosto de 2004.

Carta de Ivo Saruga, enfermeiro voluntário da AMI, publicada na AMINotícias, n.º 33, 3.º trimestre de 2004, página 16.

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