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domingo, julho 31, 2005

Metodologia

Quem está ao nível do chão tem uma certa perspectiva das coisas.

Quem, no mesmo local, estiver no cima de umas escadas, tem outra.

Se, ainda no mesmo sítio, conseguir ter visão exterior a partir de uma altura equivalente a 10 andares, terá ainda uma outra perspectiva.

Quanto mais alto, maior a perda de pormenor e maior a percepção do conjunto e do contexto.

É fácil constatar os pormenores quotidianos. É o primeiro nível de análise e relacionamento com o mundo envolvente.

Já dá mais trabalho procurar apurar regularidades, a partir da observação do mesmo quotidiano, pela aparente desordem fenomenológica que é inerente a este.

Mas o importante é conseguir adivinhar o futuro, a partir dos pormenores e das regularidades.

Ou seja, a crítica é fácil - Talk is cheap, dizem os britânicos.

Se se quiser evitar ser uma barata tonta, a criticar tudo o que mexe e de que se discorda, há que procurar apurar regularidades para adivinhar o futuro.

Só assim se pode perceber o que se passa e antecipar o que se vai passar por mera projecção de tendências e lógicas.

É então que há possibilidades de críticas substantivas e proposituras alternativas.

Básico, não é?

Não é.

É por isso que o disparate campeia, a demagogia avulta e a paciência encolhe.

sábado, julho 30, 2005

Argumentações

O que se diz para procurar convencer terceiros da justeza das nossas opiniões tem limites.

Quando se adiantam argumentos ridículos (para não dizer estúpidos, de mau gosto ou reveladores da indigência mental do autor) ou se procura ridicularizar o adversário, até é possível fazer avançar a posição que se defende.

Mas porque este avanço não está sustentado, sendo antes atribuível a habilidades retóricas ou a lógicas do 'sim, porque sim', as suas consequências negativas acabarão por ocorrer.

Estou recordado do fenómeno do sobre-investimento nas telecomunicações ocorrido nos EUA nos Roaring Nineties - belo título de um livro suculento de Stiglitz - resultante, entre outros factores, da tese do first move advantage.

Escusa-se de sair de Portugal para constatar a alarvidade que tem caracterizado o investimento, por exemplo, empresarial.

Sendo o País um dos que investe mais, é rigorosamente também um dos em que o investimento menos rende, menos se traduz em ganhos económicos.

A que se deve esta falta de qualidade das decisões dos lideres?

À má classificação de despesas de funcionamento?

Ao mau trabalho prévio de análise da sua justificação?

Que lições, que conclusões, existem por aí sobre este fenómeno tão falado?

Que consequências se podem esperar na ausência da publicitação (ou da própria existência!) destas lições e conclusões?

Em cada...

... esquina - um amigo.

... casinha de campo - relva, palmeira e piscina.

... rotunda - relva e florzinhas.

Ninguém dá por aí uns cursos de gestão de água?

É que depois não haverá água para a gestão.

quinta-feira, julho 21, 2005

Campos e Cunha

É um mau sinal a sua saída.

Ninguém se cansa em 3 meses.

O argumento é outro.

Até prova em contrário, esta demissão pode ser atribuída à acção dos lobbies que beneficiam do Orçamento do Estado.

Teixeira dos Santos assume o cargo em condições extremamente delicadas.

Vamos ver como evolui, entre, por um lado, seguir a linha de Campos e Cunha e, por outro, a advogada pelos detractores do ex-ministro.

Mas a questão de fundo não é esta mudança de pessoas nos cargos de Estado.

É o que lhe está subjacente - a pobreza do crescimento da economia, que ameaça reduzir-se a uma economia de pobres, sujeita mesmo assim a rentistas sanguessugas.

Enquanto este problema - O problema, na realidade - não for resolvido, os ministros das Finanças, e já agora os da Economia, suceder-se-ão, de forma infrutífera, acumulando frustrações.

O essencial escapa cada vez mais à acção dos governantes. No caso concreto de Campos e Cunha pode-se acrescentar: "mesmo os mais qualificados tecnicamente".

Acho que a consideração do exemplo do Mezzogiorno começa a ser cada vez mais imperativa.

Depois de os portugueses terem sonhado em ser a Califórnia na Europa, pode ser que venham a ter um estilo de vida igual ao daqueles italianos.

quarta-feira, julho 20, 2005

Corrupção (16)

excerto da entrevista de Freitas do Amaral ao DN:

Pergunta - A propósito de PALOP e da sua visita a Angola, de que forma é que Portugal pode chamar a atenção dos responsáveis angolanos para o facto de que os níveis de corrupção não abonam nem a favor do país nem para a sua imagem externa?

Resposta - Posso ser inteiramente franco consigo? Eu acho que Portugal, em matéria de corrupção não pode dar lições a nenhum outro país do mundo. Infelizmente. Comecemos nós por liquidar esse fenómeno cá dentro e então, depois, talvez possamos falar da nossa experiência perante outros países.

Onde páram as elites? (74)

António Costa Pinto, uma leitura sempre muito interessante, questiona no DN a valia efectiva do contributo de José Gil.

Excluindo a pecha habitual a este tipo de comentários de dizer que o crítico não aponta altenativas nem saídas, parece-me pertinente quando aponta que Gil não considerou, tanto quanto deveria, a produção analítica sobre a realidade portuguesa.

Porém, se se considerar que Gil privilegiou a constatação, mais do que a explicação ou projecção, a crítica perde sentido.

Tomo nota de que a ameaça do "desaparecimento" de Portugal é tema recorrente das elites intelectuais portuguesas pelo menos desde o século XIX.

É caso para dizer: até que enfim que acordaram.

Portugal tem 862 anos.

Não é eterno.

Nada é eterno.

Todos conhecemos entidades estatais que desapareceram, outras que apareceram e umas terceiras ainda que aparecem uns anos, desaparecem outros e tornam a aparecer outra vez.

E forçoso será reconhecer que a situação hoje, e a que se perspectiva, é radicalmente difrerente da do século XIX.

Água

Portugal não é a Inglaterra.

Logo, a que se deve a profusão de arrelvamentos por parte das autarquias?

Se a crise da água provoca críticas às quantidades absorvidas pelos campos de golfe, não está na altura de também começar a questionar a política ambiental autárquica?

A instalação a esmo de espaços verdes com base na relva, por exemplo, arrelvamento de separadores de trânsito e de rotundas, sustentados com quantidades elevadas de água, é mesmo o que se precisa?

Esta prática inclui também a opção por vagas de choupos e plátanos, espécies óptimas para as alergias, como se sabe.

Os hospitais não podem alertar as câmaras? As câmaras não têm know-how suficiente para corrigir estas práticas?

Como é evidente, sem água, a paisagem dominante nos morros circundantes das vias de circulação é a de uma vegetação rasteira, que contrasta com o viço, o brilho, a beleza, das faixas arrelvadas. Claro, enquanto estas são regadas, porque quando o deixam de ser reduzem-se a pó ou a ervas baças, rasteiras, próprias de ambientes secos, não húmidos.

Quem queremos enganar com a relva?

O clima, ao impormos uma vegetação própria dos climas do Norte da Europa?

Ou a nós próprios, afugentando o espectro da seca com a disseminação de imagens e símbolos que (pensamos que) a contrariam?

terça-feira, julho 19, 2005

Onde páram as elites? (73)

É a própria viabilidade da economia portuguesa que está ameaçada.

O Conselho Económico e Social não escolhe, nem esconde, nem gere, as palavras.

Ao fim de duas décadas a ser alagado, em todos e cada um dos dias, por milhões de contos provenientes dos fundos comunitários, Portugal está assim.

domingo, julho 17, 2005

Onde páram as elites? (72)

Reler, (re)descobrir o passado no presente, prever o futuro no presente.

E o presente, perguntar-se-á?

Pois, não existe... Esfuma-se na transição entre o que foi e o que há-de ser. Aquilo que se pensa que é - é apenas um estado de espírito. O que é diferente do espírito de Estado.

Descobri isto de José Adelino Maltez.

Leituras de Verão


Onde páram as elites? (71)

Pedro Rolo Duarte, violentíssimo, no DN:

(...)
Portugal - o país onde os governos se enganam nas contas do défice sem por isso serem penalizados, o país onde as empresas dependentes do Estado esbanjam dinheiro de toda a forma e feitio, o país onde ser "filho de" ou pertencer ao partido constitui passaporte para uma carreira generosamente remunerada, o país onde a justiça, a saúde e a educação têm o quadro de miséria que se sabe.
(...)

Onde páram as elites? (70)

(...)
qual é o sector de actividade, grupo profissional, corporação, sindicato, que não está reclamante? Reclamante do Estado, reclamante do Governo, reclamantes uns dos outros.
(...)
A imagem, porém, que ressalta é a de que estamos perante uma "sociedade bloqueada". Os juízes fazem greves de zelo, ameaçam os polícias que vão "bloquear" Lisboa, médicos e enfermeiros não operam, professores faltam às aulas, repartições são fechadas. Ouvem-se dos outros (não funcionários públicos) os habituais anátemas de que são esses os grandes "proxenetas" do Estado.
(...)
Paquete de Oliveira, no JN.

sábado, julho 16, 2005

Onde páram as elites? (69)

Ordenados em Portugal devem baixar 10%

Sugestão do presidente do BPI, no Expresso, de hoje, que acrescenta que quem ganha mais devia ter uma redução entre 12 e 15%.

Gastos milionários na Galp

Este é o título de outra notícia do Expresso, de hoje, que dá conta de contratações de filhos de Miguel Horta e Costa, Silveira Godinho e Alípio Dias; de um cunhado de Morais Sarmento; e de outras situações curiosas e interessantes.

Mudando de página e de jornal, segue-se para o Público.

A progressão portuguesa em matéria de responsabilidade dos empresários é quase irrisória.

Eduardo Dâmaso, em Editorial

Se calhar, estamos só a viver o início de uma realidade insustentável. Em matéria de "sustentabilidade", tudo, ou quase, pode e deve ser questionado e monitorizado. Da água à energia, passando pela floresta ou pela paisagem Portugal constitui, cada vez mais, um exemplo de insustentabilidade.


Carlos Alberto Cupeto, em artigo de opinião.

quarta-feira, julho 13, 2005

Media: A auto-censura

A ordem de prisão dada por um juiz norte-americano à jornalista Judith Miller, do New York Times, por esta se recusar a revelar a fonte que lhe forneceu o nome de uma agente do CIA no âmbito de uma investigação para uma reportagem, levou a direcção do jornal Cleveland Plain Dealer – o diário com maior tiragem no Ohio - a suspender a publicação de duas reportagens (...)

Na Meios&Publicidade.

Media: O problema da verdade

Nunca deixar que a verdade estrague uma boa história é uma velha máxima, sempre em reactualização constante: Timisoara, violações no metro em Pris, arrastões em Carcavelos,...

Leonel Moura, no Jornal de Negócios faz umas reflexões interessantes, provocadas pelo trabalho de Diana Andringa:

Para os distraídos recapitule-se. Um dia destes o país foi abalado com um evento tremendo, embora nada original, e que dá pelo nome de arrastão segundo marca registada pelos nossos irmãos brasileiros.
(...)
Acontece que no caso português, sempre excêntrico, a coisa começou, não com um facto concreto, mas com uma pura invenção policial e mediática. Como hoje se sabe o arrastão nunca existiu e não houve sequer, na ocasião, um único roubo declarado na praia de Carcavelos.
(...)
Diana Andringa (...) montou um singelo vídeo (...). Deu com isso uma grande lição. Aos colegas, cada vez mais preguiçosos e subservientes; ao jornalismo no seu todo que vai perdendo a autonomia crítica, tão fundamental para uma verdadeira sociedade pluralista e democrática; às empresas de comunicação por óbvia e crescente perda de credibilidade.
(...)

Percebo a ideia. Tenho é dificuldade de localizar no tempo o período da autonomia crítica do jornalismo. Problema meu, concerteza...

Negro (2)

Boletim Económico de Verão do Banco de Portugal.

Negro (1)

Apresentação do relatório anual do Banco de Portugal na comissão parlamentar de Assuntos Económicos.

segunda-feira, julho 11, 2005

Imposto automóvel

Qual é o sentido de reduzir o imposto automóvel?

Facilitar a aquisição da viatura, trocando o peso fiscal do acto do momento inicial para os anos subsequentes.

Muito bem: significa isto que se incentiva um modelo de transportes assente na viatura individual, que está a dar os resultados evidentes... e outros menos visíveis no imediato, mas que (hélas!) são tão claros que até ofuscam.

Parabéns pela sagacidade.

Arrastados

O que p'raí vai de ataques aos jornalistas por casua do arrastão que não foi.

E é bem feito.

Mas que não se confunda a árvore com a floresta.

Os jornalistas são apenas o front office de um sector que está em profunda reformulação, a começar pela sua lógica e essência.

A tradição já não é o que era.

(E mesmo o que foi...)

Talvez se esteja, ao fim e ao cabo, a aproximar o desejo à realidade, a ilusão aos factos, a distorção ideológica à inelutabilidade vital.

Que a discussão sobre a auto-regulação versus regulação imposta não faça perder de vista o essencial da realidade, que Mário Mesquita introduz com o título do seu último livro sobre o dito quarto poder.

O Quarto Equívoco, intitulou ele a sua obra.

Terrorismo (2): Sugestão interessante...

(...) teremos de nos habituar a viver sob a ameaça terrorista. Fazendo mais no esforço de prevenção - por exemplo, na eliminação de offshores susceptíveis de financiar atentados.
(...)
(Francisco Sarsfield Cabral, no DN.)

Mas, salvo erro, esta sugestão já tem pelo menos 4 anos.

Em todo o caso, porque se autorizou a constituição destes centros?

A quem aproveitam?

A quem desaproveitam?

Onde páram as elites? (68)

(...)
A situação actual não parece brilhante, as dificuldades actuais vêm de longe, independentemente da casa decimal. E no que se tem dito nas últimas décadas sobre a reforma do Estado, a ideologia tem tido um grande peso, eventualmente racionalizada através do argumento de redução da despesa.

E assim descuidou-se a capacidade de análise e de interpretação das mudanças na sociedade e dos interesses económicos em confronto, condição necessária de defesa do interesse público. O resultado é que as políticas públicas ficam mais vulneráveis a erros de concepção e a interesses particulares.

(...)

João Confraria, no DN.

domingo, julho 10, 2005

Terrorismo

Economic and Financial Impact of Terrorism, por Roubini.

sexta-feira, julho 08, 2005

Londres, Julho 2005


London Terror Bombings Kill 37, Wound 700
(Yahoo).

Britain launches search for bombers (CNN).

Time and again, ministers and security chiefs have said an attack on the UK was inevitable - it was a case of when, not if (BBC).

quinta-feira, julho 07, 2005

Corrupção (15)

The Main Institution in the Country is Corruption.

Um paper de um académico norte-americano sobre Angola, que, diz o DN, pode levar o governo de Luanda a romper relações com o FMI.

quarta-feira, julho 06, 2005

ar de... (de quê?)

parece-me haver um certo feeling de lassidão / histerismo / desorientação no ar.

terça-feira, julho 05, 2005

Madeira?

Madeira?

Não conheço.

O quê?

Não querem lá chineses?

Então, quem é que querem lá?

Os que estão na Venezuela?

Não, não são os venezuelanos.

Os que estão na África do sul?

Não, não são os sul-africanos.

São os outros.

Mas também não conheço.

Tenho de ter cuidado com o que digo.

sábado, julho 02, 2005

Corrupção (14)

(...) este país, com o grau de fraude que tem, não vai a lado nenhum. (...)

José Luís Saldanha Sanches, em entrevista à Visão, de 30 de Junho de 2005.

CNOOC / Unocal

Comércio livre...

Investimento directo estrangeiro fonte de modernização e racionalização (até se quis fazer um AMI)...

Redução das interferências do Estado na esfera empresarial...

... recordo-me de ouvir falar disto, em nome do mercado livre, da eficiência que resulta da concorrência, do livre jogo das forças de mercado, da mão invisível.

Quando a conjuntura muda, os autores daquele discurso defendem, com o mesmo vigor, rigor e honestidade intelectual, o proteccionismo, a erecção de barreiras, o recurso ao Estado - à sua mão bem visível - em nome do interesse e da segurança nacional.

Só não mudam os burros, dizem uns.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, cantam outros.

Certo é que não há UM, o ÚNICO, o INDISCUTÍVEL argumento FINAL, que pulverizasse todos os outros em nome de uma suposta racionalidade ÓBVIA, INDISCUTÍVEL, REVELADA.

Nem é de desonestidade que se trata, quando os mesmos que defendem uma posição passam a defender a oposta - é apenas e tão só defesa de interesses.

Falando de coisas sérias: qual será a opção dos EUA? Autorizar a China a comprar a Unocal e, assim, dar sinal que a procura de recursos energéticos pode ser resolvida pelas vias, digamos pacíficas, do comércio e investimento internacional ou optar pelo veto da compra, o que pode ser interpretado como um sinal de que a procura de recursos energéticos terá de ser resolvida na base do conflito militar?

sexta-feira, julho 01, 2005

Droga (30)

29 June 2005 – Global drug use has risen by some 8 per cent in the past year, with cannabis leading the way, and synthetic narcotics such as amphetamines and ecstasy declining, according to a new report out today from the United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC).

About 200 million people between the ages of 15 and 64 – or 5 per cent of the world's population – have used drugs over the last 12 months. That represents an increase from the previous year – by 15 million people, says the UNODC's World Drug Report 2005
(...)

Como é possível?

O relatório da Comissão de análise da situação orçamental, conhecida como Comissão Constâncio, contém um erro numa soma de um quadro que uma vez corrigido conduz a um défice público, de 2005, de 6,72 por cento do produto interno bruto (PIB), em vez dos 6,83 por cento que constam do documento. Em declarações ao PÚBLICO, fonte oficial do banco central admitiu a "gralha" mas mantém a previsão do défice em 6,83 por cento do PIB (...)

No Público.

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