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terça-feira, setembro 27, 2005

Jeitaço

Que jeito que dá o circo, especialmente quando não há pão.

Onde páram as elites (79)?

Os pobres teimam em existir nas sociedades ricas. Para as maiorias que comandam essas sociedades, a solução é ignorá- -los. É a estratificação em classes própria do antigo regime, anterior à revolução industrial, que, de algum modo, está de volta.

Sarsfield Cabral, noDN

Se o Estado democrático falhar na sua atribuição soberana de aplicar a justiça, ou tão-só o direito e a lei, caminha para a ruína. E então os verdadeiros malfeitores ficam à solta e impunes, e substituem-se ao poder político na organização da sociedade.

José Medeiros Ferreira, no DN.

sábado, setembro 24, 2005

Escândalos e espantos

- Já viste este escândalo?, perguntava o Um ao Outro.
- Já, pá. E vê lá que também li sobre este, ouvi sobre aquele e suspeito de mais aqueloutro, contrapunha o Outro.
- Pois é, esta bosta está uma choldra - resmungava, meio desiludido, meio resignado, o Um.
O Um e o Outro comentavam os mais recentes acontecimentos da Parvónia, enquanto petiscavam no bar do aeroporto - dominado por uma televisão que emitia um programa refinado, misto de futebol, telenovela, concurso e reality show -, onde tinham ido esperar o Aquele, amigo que vinha da Estranja.
- Mas como é possível? Estas coisas acontecem todos os anos, não há ninguém que escape, já o meu avô me contava coisas... Caraças!, praguejava o Outro.
- Vais ver que é maldição, sugeria o Um.
- Se calhar, admitia o Outro, que acrescentava: Eh pá, parece que cada gajo que vai dentro é substituído por dois ou três.
- Pois, isso no caso dos que vão dentro..., ressalvava o Um.
Estavam nisto quando chegou o avião com Aquele. Pagaram e foram esperá-lo.
Chegado Aquele, trocaram grandes abraços e vários mata-saudades entre malas e embrulhos, no meio da confusão dos reencontros vários.
Algum tempo depois, mais calmos, atira o Aquele: Tenho uma história fabulosa para vos contar.
- Ah sim?, interrogaram o Um e o Outro. Qual é?
- Então não querem lá ver que um tipo sacou umas massas assim, enganou meio mundo assado, montou uma mansão impressionante, tem uns carros que até fazem perder a respiração, umas garinas a estibordo, uns ministros na algibeira, ... - e lá continuou as histórias que trouxe da Estranja, misto de realidade, patranha e imaginação.
Um e Outro ouviam e viam que as suas histórias não destoavam muito das do Aquele.

Moral da história (sugestão para uma arquelogia do presente): e que tal se se procurasse dar ordem à desordem noticiosa sobre casos que a sociedade entende serem escandalosos? O que lhes é comum? Que causas têm? Que consequências têm?
Sabe-se que é mais trabalhoso, mas é necessário.
Sob pena de se passar a vida a abrir a boca de espanto quando se lê o jornal, ouve a rádio ou vê televisão, a recorrer ao desabafo, ao insulto, a cair na desmoralização (São todos iguais! Isto sempre foi assim e assim continuará!, e pérolas congéneres).
Nesta situação, de boca aberta, por norma, ou entra mosca ou sai asneira.

Fechar a boca significa passar do espanto para a compreensão.
Compreender que o poder local não é o local do poder.
Distinguir figuras públicas do público das figuras privadas.
Passar do show-off para o off-show.

Passar do fenómeno espectacular (simples) para o sistema complexo (exigente)... ou então beber mais uma caneca para celebrar a produtividade do Nuno Gomes!

Onde páram as elites (78)?

(...)
A regra dominante entre as elites parece consistir em cuidar da vidinha sem olhar a meios.
(...)

Paulo Gorjão, no Bloguítica.

Onde páram as elites (77)?

Marques Mendes lamenta desaparecimento da ética na vida política (Lusa).

sexta-feira, setembro 23, 2005

EUA: Prioridades orçamentais

Uma vez que por cá se prepara a discussão do Orçamento, aqui fica um naco de uma análise sobre prioridades norte-americanas, da autoria do National Priorities Project.

Porque é que cá não se fazem coisas destas?

quarta-feira, setembro 21, 2005

Alemanha

Bolsa de Franfurt em queda.
Empresários descontentes.
Europeus de vulto, preocupados, aconselham.
Analistas da economia portuguesa adivinham dias difíceis.

Quando é que se fará o outsourcing da tarefa de preenchimento dos boletins de voto?

Era só ganho:

- de eficiência, com poucos a preencherem muitos, o que pouparia aos eleitores a maçada de se deslocarem às secções de voto, optando pelo remanso do lar ou o prazer de gozar o dia no exterior;

- de estabilidade política, com a homogeneização a prevenir impasses e outros aborrecimentos em que a democracia é fértil.

Mas, apesar de tudo, e até lá, ainda é como dizia o Winston: Democracy is the worst form of government except for all those others that have been tried.

terça-feira, setembro 20, 2005

Representação

Renovar mão-de-obra vai demorar 50 anos, Francisco Madelino, presidente do IEFP, no DN.

No final de Agosto estavam inscritos 464.888 desempregados nos centros de emprego do IEFP.

Quem dá voice a estes without, reduzidos ao silêncio ou ao exit e sem perspectivas?

segunda-feira, setembro 19, 2005

Forças Armadas

Vou gostar de ver logo à noite o duelo entre o Prós e Contras, da RTP, e a 1.ª Companhia, da TVI.

A realidade militar inspira os dois programas.

Qual será o impacto sobre a imagem das FFAA, já forçadas ao recurso à profissionalização?

sexta-feira, setembro 16, 2005

Não há (MESMO) tempo para tudo

Saúde.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Não há tempo para tudo

O pessoal quer a estrada arranjada e alargada.

O responsável, dirigente, eleito, quer o voto que lhe permita manter-se.

Neste jogo qual é o lugar para coisas como água/seca, energia/poluição, educação/exclusão, saúde/marginalização, informação/ignorância, paz/guerra, espectáculo/essência, forma/conteúdo, decisões/interesses, vontade/capacidade, missão/meios, discurso/realidade?

terça-feira, setembro 06, 2005

Revisitar o passado

Se há coisa que contribuiu para mudar Portugal estruturalmente para melhor, além e depois do 25 de Abril de 1974, foi a adesão à CEE, em 1 de Janeiro de 1986.

Que, como todos os acontecimentos, teve os seus visionários e videirinhos, proponentes e opositores, apreciadores e detractores.

Onde páram as elites? (76)

Portugal vive em jejum de renovação da classe política. Os líderes das últimas três décadas ou sucedem a si próprios ou então criam clones dos seus tiques. Não é só Mário Soares carregar às costas o pesado fardo de suceder sempre a si próprio. É uma questão de regime (Fernando Sobral, no Jornal de Negócios).

segunda-feira, setembro 05, 2005

Onde páram as elites? (75)

A tão falada ausência de renovação da classe política prenuncia a sua implosão ou explosão?

É a comprovação da sua dispensabilidade, apesar do desmedido destaque mediático de que beneficia?

Nesse futuro (próximo?) qual seria a matriz organizacional da expressão dos interesses?

Com os partidos-alternativa a evoluírem para partidos-convergência (quem defende a saída da UE?), a opção passa a ser sobre tons diferentes da mesma política.

O que se nota de diferente hoje em relação há uns anos é a passagem das posições mais radicais dos operários - que quase desapareceram no seguimento da contracção da base industrial - para um grupo social polarizado em torno da Universidade.

Passou-se da Fábrica para a Universidade.

Da Força da Massa para a Elite da Ideia.

Mas os professores universitários são empregados.

Públicos.

Que só têm capacidade de mudar o ambiente através do acesso ao poder estatal.

Faltam-lhes todos os outros meios de condicionar o exercício de poder político.

Ou seja, só podem aspirar a mudar a sociedade aceitando o duelo com os que vão ser prejudicados por esta mudança.

Este duelo apresenta várias assimetrias, desde as barreiras à entrada dos novos políticos às barreiras à saída dos velhos incumbentes socio-político-empresariais.

domingo, setembro 04, 2005

Droga (31): Muita massa

O negócio da droga envolve muito dinheiro.

Uma aproximação da ONU quantifica o movimento financeiro anual deste comércio em $322 billion (257 mil milhões de euros, quase duas vezes o PIB de Portugal em 2005).

Acrescenta ainda que esta verba supera o PIB de 90% dos países existentes.

Autárquicas (2)

Porque será que a desvalorização/menorização/'avacalhamento' pessoal do adversário é assim tão difícil de evitar?

Seria preferível substituir esses ataques pessoais pela propositura positiva.

Ou será que é fado, em que poucos serão os eleitos, isto é, dotados de tal capacidade?

Autárquicas

Interessante o destaque dado a temas como honestidade e seriedade nas campanhas por este país fora.

A CDU mantém o seu velho tríptico Trabalho-Honestidade-Competência, mas vai fazendo escola, com cada vez mais candiadtos a destacarem os critérios de tipo moral.

Porque será?

sexta-feira, setembro 02, 2005

Aconselhável

Dart Center for journalism & trauma.

A influência humana nos desastres naturais

Começam a aparecer as primeiras críticas à forma como a crise em Nova Orleães foi gerida.

Ouço o repórter português na CBS, Mário de Carvalho, na TSF, a criticar a ordenação tardia da evacuação e a inexistência de transportes para a mesma, e sobretudo leio um artigo preocupante de um ex-assessor de Clinton no Spiegel Online.

Spiegel que, aliás, faz um link para um artigo da Scientif American, onde se escreve: A major hurricane could swamp New Orleans under 20 feet of water, killing thousands. Human activities along the Mississippi River have dramatically increased the risk, and now only massive reengineering of southeastern Louisiana can save the city .

O artigo é de 2001.

E nós por cá?

Todos bem?

Ou também precisaremos de uma massive reengineering?

A Faculdade de Letras de Lisboa vai fazer uma conferência alusiva aos 250 anos do terramoto de 1755,

o Instituto de História Contemporânea vai dedicar o seu curso de Verão deste ano à História e Ciência da Catástrofe, em que o terramoto ocupa lugar de destaque,

a Faculdade de Belas Artes também faz um curso de Verão sobre o terramoto,

a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais dá conta de um workshop internacional organizado pela Divisão de Sismologia do Instituto de Meteorologia, em cooperação com a Universidade de Lisboa, ainda sobre o terramoto...

Enfim, a gestão de catástrofes está em alta.

Será do tão-falado fim das ideologias?

Ou o Homem está a colher o que semeou?

quinta-feira, setembro 01, 2005

Coragem

Certa vez, um respeitável analista/comentador do fenómeno socio-político em Portugal, e conhecida figura, aconselhava os assistentes a uma aula sua, entre os quais me incluía, mais ou menos o equivalente a isto: Não caiam na tentação da política prática.

As suas razões misturavam/fundiam um desencanto com a capacidade de a acção política ter frutos compensadores, um descrédito com a qualidade da classe política, o conforto do remanso universitário e a satisfação do ego através da presença regular nos media.

Soares terá, nesta perspectiva, caído em tentação. É o próprio que diz que estava numa boa - a fazer política prática: através da sua fundação, das conversas com muitas das principais figuras do pensamento português e internacional, da influência que exerce, dos destaques mediáticos obridos com provocações ou posições mais ex-cêntricas.

O homem respira política por todos os lados. Em todos os momentos. Há umas valentes décadas. Sem intervalos. Para fazer dinheiro ou refazer imagem.

Ao abandonar a posição comodíssima que tem tido desde que saíu da Presidência da República, Mário Soares sujeita-se a catalogações que poderão ir de irresponsável a corajoso/altruísta. No meio cabe muita coisa. Quand même, inclino-me mais para o segundo extremo do intervalo.

Co'os diabos. Se ganhar, terá de aturar gente que por vontade própria não aturaria, nem receberia. Se perder, será alvo fácil de troça dos valentes analistas.

Seja como for, o vazio de candidatos não foi criado por ele. E será aqui que a discussão se deve centrar. Porque razão Guterres trocou a disputa pela Presidência da República, que lhe pearia eventualmente a acção política como a entende, pelo ACNUR, que lhe destrói o coração? Porque razão Vitorino recusou avançar? Manuel Alegre ao avançar de peito descoberto contra Cavaco Silva parecia um cordeiro destinado ao sacrifício eleitoral.

Será que o conteúdo real da função Presidente da República desperta pouco interesse por estar reduzido ao corta-fitismo? Será que o exercício da função está desequilibrado, acantonado entre a banalização de apelos semanais/mensais/semestrais/anuais às diversas forças vivas, consoante o problema que domina na conjuntura em causa, e a extraordinária dissolução da Assembleia da República?

Será que o exercício de cargos políticos, estrito senso, hoje não é relevante? Que a determinação das evoluções da sociedade e da economia não passa pelos foruns políticos habituais, a que se estava habituado, o que explicaria a insistência dos comentadores na degradação da qualidade dos agentes políticos, quando comparados com os dos anos 70 e 80?

A geração de políticos do imediato pós-25 de Abril está a morrer, retirada na Universidade ou a fazer dinheiro no mundo empresarial. Foi substituída pela geração que nasceu e cresceu para a política nas juventudes partidárias.

Será que os seniores se permitiram a retirada da política, não só porque têm incentivos para isso (de saúde ou financeiros), mas também porque controlam os miúdos à distância? Ou porque, façam os miúdos o que fizerem, o importante passa-se algures, que não no terreno político tradicional, o das instituições políticas formais? Ou sempre foi assim, mas hoje parece que é mais evidente? Por exemplo, os ditos mercados financeiros, por exemplo, o dito poder mediático, por exemplo...

O QUÊ? O ROCHEMBACK VAI PARA INGLATERRA? O SIMÃO FICA?

Ok.

Vamos lá então às coisas importantes.

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