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domingo, outubro 23, 2005

Parabéns, sra. ministra!

Perante tanto deslumbre basbaque com as listas das escolas ordenadas pelas médias dos exames nacionais do 12.º ano, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, lembra realidades básicas em artigo publicado no Público, assinado I.L.:

Os rankings feitos com base num único parâmetro "são muito limitados e pouco interessantes". No caso da seriação das escolas pelas notas dos exames é impossível saber "qual é o ponto de partida" de cada uma, "qual o desafio que teve de enfrentar para ter determinada média".
Maria de Lurdes Rodrigues considera que os rankings podem ser um exercício "negativo e deturpador".
(...) "Os rankings lançam muitas vezes um estigma sobre escolas que têm boas práticas com casos complicados e que conseguem milagres mesmo quando estes são negativos".


Isto é, os rankings não revelam nada.

Apenas confirmam o que já se sabe: quem tem dinheiro pode colocar os filhos em escolas privadas, que exigem aos professores, a quem também dão condições, e acolhem alunos das classes altas e médias-altas com um contexto familiar propício à aprendizagem. Mas nem em todas as privadas, nem sequer na maioria. As que apresentam boas notas são poucas e situadas na sua maioria na zona de Lisboa.

Revelam também que há escolas públicas tão boas ou melhores do que as privadas.

Não revelam - mas é preciso saber - o peso de outras variáveis determinantes para o sucesso escolar: ambiente familiar, empenho dos professores, contexto socio-economico, horizontes culturais do local da residência, condições materiais da escola, acesso a informação, ...

De resto, qual a admiração de ver no fim da lista escolas de Montalegre, Ourique, Pampilhosa da Serra, Câmara de Lobos, Porto Santo, Figueira de Castelo Rodrigo, Mogadouro, Murça, Alfândega da Fé...

É a polarização urbana contra o restante espaço.

É a realidade socio-economico-cultural portuguesa vista, apenas, pelo prisma das notas de exames.

Se se fizerem listagens similares por outros critérios, como consumo de energia, de calorias ou de livros, de salários per capita, de automóveis por família,... enfim, seja lá o que for, ver-se-ão ordenações que replicam no essencial esta dos resultados dos exames.

Convém assim, agora e sempre não tomar a árvore pela floresta e elucubrar a partir daí, mas perceber a lógica sistémica de onde brotam estes fenómenos, estas assimetrias.

Maria de Lurdes Rodrigues veio chamar a atenção para o óbvio, que afinal parece não ser tão evidente assim.

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