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domingo, outubro 09, 2005

UE, condomínio fechado

O que se está a passar nas possessões espanholas no Norte de África - vagas massivas de desesperados africanos a procurarem entrar a todo o custo, e é mesmo a todo o custo, em território europeu - é a antecipação, espectacular, dos assaltos, por parte de outros desesperados, aos condomínios fechados?

Por outro lado, qual será a vantagem de Espanha em possuir Ceuta e Melilla?
Entre os custos, está a existência pemanente de um foco de conflito com Marrocos, a necessidade de um envolvimento securitário na imunização de um factor de atracção europeu em solo de desesperados, que tudo farão para o alcançar, e a redução da razão na reivindicação de Gibraltar ao Reino Unido.
Entre as vantagens, está a manutenção de Olivença e, digamos, um observatório privilegiado de terras norte-africanas. O saldo compensará?

Mas a questão de fundo é a mola impulsionadora do movimento migratório: a fuga à miséria e ao risco de morte.

A UE tem algumas políticas que, digamos, interferem com esta realidade, como a agrícola, a energética, a de cooperação, a ambiental, a dos direitos humanos,... O seu balanço positivo traduz-se em pouco mais que nada; do negativo estamos falados.

Mas, enfim, dirá alguém mais cínico, há sempre a esperança em que o progresso da sida reduza a pressão migratória na África subsariana - ou o reforço das capacidades militares dos regimes repressivos que por ali pululam, abastecidos no chamado mercado internacional -, o que permitiria à União Europeia economizar algumas manchetes inconvenientes e desagradáveis.

O cinismo será sempre uma porta de saída analítica (para os intereses instalados e beneficiários com a situação). O problema é quando é a única. Normalmente, o problema reentra pela janela, ou pela chaminé, como o Pai Natal.

Não é caso para dizer lógica sistémica ou morte, mas sempre se pode adiantar que, na ausência desta lógica nos centros de decisão e dos reequilíbrios socio-políticos que pressupõe, com alguns sacrifício por parte dos instalados/beneficiários, a alternativa é a consequência (rupturas da ordem social) de uma situação insustentável.

Como os principais interessados na mudança não são os detentores dos poderes e como estes, por definição, não são os principais interessados na mudança, está-se perante uma situação bloqueada, em que a força pesa mais e o diálogo/negociação pesa menos.

Estará o mundo a caminho de um sistema de convivência/exclusão internacional que se traduz numa espécie de apartheid planetário, em que uma minoria populacional beneficia da maioria dos recursos naturais, separada da maioria populacional por muros variados e mais ou menos (in)visíveis, em que os direitos desta se reduzem a poder pouco mais do que vegetar/sub-viver?

Por fim, a situação na África subsariana não é motivo para ingerência externa humanitária?

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