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domingo, novembro 06, 2005

França: Maio em Novembro?

Maio, 1968.

Sous le pavé, la plage.

Expressão da falta de ar política, cultural, por parte dos meninos-bem, inseridos, universitários.

Hoje são respeitáveis chefes de família e referências da cena política, económica, cultural, europeia.

Novembro, 2005

Destruição. Nihil.

Expressão da falta de ar vital, por parte dos meninos-mal, desinseridos, diferentes, que resolveram sair das zonas libertadas e ir para território inimigo fazer o maior estrago possível, o que se traduziu no ataque à propriedade do Estado e da micro e pequena burguesia.

Táctica sem estratégia. O momento pelo momento. A transgressão pelo desafio. Assume-se que não há saídas políticas para o no futur que se pressente. Muitos serão presos, multados e condenados.

Lancetar uma borbulha não é o mesmo que extinguir a pulsão subjacente, e que a faz renascer.

Integração? Melting pot?

Teria piada se não fosse trágico o erro implícito.

Já houve alguém que caracterizou os tempos actuais como tempos de tribos, o que corresponde apenas ao reconhecimento da permanência dos princípios antropológicos básicos, desde logo o da família, apesar da complexificação (aparente?) das sociedades actuais.

Depois, é só alargar o conceito, de forma concêntrica, para ir desenhando redes de solidariedade, mas também de rejeição/exclusão/confronto.

O Outro é o Outro, é Diferente, fomenta Desconfiança.

Os pais do Outro suportaram carências maiores do que a actual geração porque fugiam à miséria e à morte no país de origem. O seu presente de carências representava, mesmo assim, a melhoria em relação ao passado recente e oferecia a esperança no futuro. Os emigrantes portugueses têm algum know-how a este respeito.

Os filhos não. Não têm passado para comparar, apenas um presente, vazio, de rejeição, sem referências no futuro.

Por culpa própria? Certamente.

Mas não é a eles que compete prevenir as consequências que se adivinham quando a dita sociedade - que seria assim um eufemismo para designar a coabitação de várias tribos - se depara com territórios libertados.

Também é verdade que para os integrados é mais cómodo assobiar para o lado, esperar que não aconteça nada, se acontecer que afecte o vizinho, lógica NIMBY, do que atalhar a raíz dos problemas causados pelos apocalípticos.

É a vida?

É.

É a vida.

Feia, porca e má.

Há aí algum mecânico para reparar o sistema social?

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