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quarta-feira, junho 14, 2006

Anjos e demónios

Os professores são uma das profissões que mais e melhor exemplificam e encarnam aquela figura associada a expressões como serviço público, bem comum, interesse da comunidade. Outras serão os médicos, os polícias, os políticos, os bombeiros, os juízes, ...

No extremo oposto, os cantores, os desportistas, as starletes televisivas, servem para entreter e divertir. Nada sério, portanto, apesar dos patrioteirismos oportunistas (uns) e simplórios (outros) que às vezes suscitam.

Verifica-se um problema - já clássico - quando as mentes juvenis em estruturação têm por modelo estes e não aqueles. E não discuto se por demérito daqueles, se por excesso de exuberância mediática destes.

Outro problema é a capacidade que os primeiros, desde logo os professores, têm de conseguir entregar a carta a Garcia. Tal como se diz que a família tem a sua influência disputada, para não dizer reduzida ou anulada, por outras instâncias socializadoras, também os professores têm a sua possibilidade de influência muito reduzida em relação a outros tempos.

Deixemo-nos de soixant'huitardices, estilo "sejamos realistas: exijamos o impossível". Se a sociedade se degrada e irresponsabiliza que pode / quer / deve fazer o professor, o polícia, o médico, o bombeiro, que se preocupa em levar o que faz a sério, procurando sempre melhorar e considerar o melhor interesse do seu cliente (aluno / cidadão / doente / vítima)? Só os heróis persistem. É mais fácil marimbar-se e entrar em piloto automático. E pode ser tentador deixar-se ir e juntar-se aos bad guys.

A decisão de avaliar os professores só pode pecar por tardia, independentemente das críticas formuladas ao método concreto ou da concentração destas em apectos anedóticos da avaliação.

Os professores têm de ser avaliados porque são agentes da sociedade, são fiéis depositários da confiança desta na formação do seu bem mais promissor e frágil - a juventude.

Da mesma forma, também os políticos têm de ser avaliados, com a avaliação a poder ter como consequência a responsabilização (sempre) e a penalização e punição (se for caso disso).

O mesmo se diga dos polícias, dos juízes, dos bombeiros...

Ou a sociedade vigia quem encarregou de a defender e a tornar viável, ou é a sua própria existência que está em causa.

E que as famílias não se excluam desta avaliação. Pode começar por ser auto. Filhos entregues à televisão, depositados nas creches, nas escolas ou nos ATL, pais abandonados nos lares, animais domésticos largados na rua (agora que chegam as férias, vejam a quantidade de cães e gatos abandonados), violência doméstica, proliferação de bares de alterne, ...

Parece-me que isto é óbvio.

Problema meu, com certeza.

PS - E tenha-se a decência intelectual de não tratar a ministra da Educação como o pára-raios do Governo. Vá-se mais além, para onde importa, e constate-se a necessidade de um raciocínio mais complexo, mais sistémico, mais estrutural.
Vistas curtas e videirinhos já temos que chegem.

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